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Análise | TOKI Juju Densetsu (2018)

Disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e PC

TOKI Juju Densetsu 2018 analise

TOKI, ou Juju Densetsu, como o título também é conhecido no Japão, é um clássico das antigonas. Foi lançado originalmente em 1989 para máquinas arcades no Japão. No Estados Unidos foi dar as caras um ano depois. É um título que desde então, ao longo dos anos, recebeu ports para os mais diversos – e antigos – consoles, incluindo Atari, NES e Master System.

Porém este texto não é sobre esta versão original, e sim sobre o remake total que o título recebeu ano passado, quando foi lançado para o Nintendo Switch. Em junho deste ano, esta mesma versão chegou ao PlayStation 4, Xbox One e PC. Este remake ficou a cargo do estúdio francês Microids, que adquiriu os direitos para trabalhar com o clássico a qual originalmente foi desenvolvido pelo já extinto estúdio japonês chamado TAD Corporation.

Mas o que aconteceu nesta versão é um remake realmente caprichado. O jogo foi totalmente refeito em gráficos 2D desenhados à mão, deixando de lado a arcaica pixel art do original, ganhou uma nova mixagem de som, com trilha orquestrada, sem perder a competente experiência original do jogo. Todo o design original foi mantido, cada plataforma, cada salto, cada inimigo, cada momento em que coisas ocorrem e tempo de reação do original. O resultado em termos da fidelidade chega a ser impressionante.

TOKI Juju Densetsu 2018 review

Homem-macaco

Tal qual muitos títulos desenvolvido na década de 80/90, TOKI não é um destes jogos que esbanjam um enredo extraordinário. Cumpre a sua função, servindo como ponto para um jogo eletrônico de um passado muito distante. Aqui o jogador vai encontrar um mundo no passado, ainda que nada realista, com toques de fantasia, onde um homem das cavernas vê sua companheira ser raptada por um feiticeiro. Não só satisfeito em raptá-la, o vilão joga um feitiço em você o transforma neste homem primata, a qual o jogo apelida de Toki.

TOKI Juju Densetsu 2018 analise review

Toki tem a inexplicável habilidade de cuspir projéteis em inimigos, causando dano e eliminando-os. Um poder útil já que ficar pulando em cima deles nem sempre é muito fácil. Os projéteis são ilimitados e ainda podem sofrer alterações quando Toki coleta itens que o permitem essa mudança. Só que essa mudança de tiros é de efeito temporário e dura apenas alguns segundos.

O objetivo do título é que o jogador consiga salvar sua companheira, viajando por seis locais, até encontrar o poderoso feiticeiro em seu covil e derrotá-lo. Sim, o jogo possui apenas seis estágios. Pense que no passado, para dar longevidade ao título, se matava o jogador até que o mesmo conseguisse ativar sua memória muscular e pudesse memorizar cada cantinho da fase. TOKI é esse estilo de jogo. E o que colabora com isso é o fato de que Toki morre com um único acerto de dano. Encostou errado em um inimigo, ou algum projétil inimigo lhe acertou, ou qualquer coisa assim, Toki morre.

TOKI Juju Densetsu 2018

Aprendendo com erros

Sendo assim, fica óbvio dizer que TOKI é um destes jogos antigos que tenta ficar matando o jogador a cada segundo, com pegadinhas e armadilhas que nem sempre são óbvias. É aquele estilo de aprender errando, o que por consequência significa morrer.

Claro que nem tudo é tão frustrante quanto isso possa soar. É uma fórmula velha e ultrapassada, mas totalmente acessível aos jogadores de uma geração sem essa paciência que jogadores, como eu, tinham há 20 anos atrás. Há vidas e continues antes do Game Over lhe esbofetear pela primeira vez.

Perder uma vida, significa voltar a um ponto bem próximo de onde se morreu. Bem tranquilo, basta não morrer de novo da mesma forma – o que sinto lhe dizer que pode acontecer com mais frequência do que você pensa. Já quando todas suas vidas se esgotarem há os continues. Não são ilimitados, por sinal. Eventualmente os continues acabam, mas enquanto ainda são uma opção, ao usá-los, o jogador pode retornar ao mesmo estágio, só que lá pro começo. Precisa passar tudo de novo até o ponto em que você morreu por definitivo (devido as vidas terem se esgotado).

TOKI Juju Densetsu 2018

Dito isso, tenho que admitir que TOKI não é exatamente um jogo difícil. Quer dizer, até tem níveis de dificuldade, mas no aspecto amplo, é um título suave. Acaba sendo muito sobre aprender sobre o ambiente, os padrões de inimigos, e a ir com calma para não ser pego de surpresa. Ainda que, na fase final, o segmento com um carrinho em movimento, é de puxar os fios do cabelo.

Claro que o parte do charme de TOKI está na primeira experiência em cada estágio. Ser pego de surpresa e ficar tenso porque as vidas estão acabando. Depois que se aprende, parte do desafio vai embora. Um elemento comum aos jogos antigos que não sabiam muito bem como lidar com memorização de padrões e como os jogadores eventualmente ficam bons nisso.

TOKI Juju Densetsu 2018

Altos e baixos

TOKI não é um jogo ruim, não pense assim. É um remaster tão bonito quanto o elogiado Wonder Boy: The Dragon’s Trap, do estúdio Lizardcube. Há talvez algumas discrepância no resultado final ao comparar ambos os títulos. TOKI não permite que o jogador transite entre o visual original e sua nova versão, tal qual Wonder Boy da Lizardcube permite. Esta nova versão de TOKI contém apenas o novo visual, sem até mesmo oferecer como extra o jogo original de 1989 para ser descoberto pelos jogadores mais novos. O que é uma pena, diga-se de passagem.

TOKI Juju Densetsu 2018

Nesse sentido, TOKI deixa de oferecer mais do que poderia. Sua carência de conteúdo adicional, que poderia enaltecer o jogo é de se lamento. Não veria problemas se o jogo oferecesse a oportunidade dos jogadores selecionarem qualquer um dos estágios, uma vez que o jogo fosse vencido. Assim como uma galeria de extras, como storyboards entre a versão original e a nova, curiosidades e coisas desse tipo. Como a Capcom em seus jogos de coletânea de clássicos.

O que TOKI oferece nesse sentido, de valor nostálgico e replay, é uma Jukebox com as trilhas do jogo original e da nova versão, para o jogador ouvir em um menu próprio. No quesito replay há quatro níveis de dificuldade, que envolvem apenas mais vidas continues e inimigos minimamente mais resistentes. E também um modo corrida (speed run) para se vencer o jogo em menos de 100 minutos. Além da opção de tela com um estilo retro, emulando antigos televisores de tubo. E só.

TOKI Juju Densetsu 2018

Quanto a possibilidade que poderia existir, mas não existe, de transitar em tempo real entre o jogo original e a belíssima nova versão, até consigo entender o porque não funcionaria. Esta nova versão de TOKI tem alguns aspectos de câmera diferente do original. A visão do jogo é maior, como se estivesse ampliado (em zoom) em relação ao modelo do jogo original. As coisas são maiores, ainda que muito fieis ao design original, tal qual mencionado acima. É difícil dizer se é um ponto negativo ou positivo, já que ressalta os detalhes dos gráficos desenhado à mão. O caso é que isso talvez tenha atrapalhado a possibilidade do estúdio pensar em um modo de transição, como já mencionado caso de Wonder Boy.

O que fica de positivo nessa versão remasterizada de TOKI é a fidelidade de sua jogabilidade em relação ao jogo original. A experiência é exatamente a mesma, com a exceção de que o visual aqui é arrebatador. Nada de pixel art limitada. O 2D desenha à mão aqui foi feito com carinho e muita atenção para ser suave e muito bem fluido. É aquela sensação de se estar jogando um desenho animado.

TOKI Juju Densetsu 2018

Considerações finais

Apesar de TOKI Juju Densetsu ser um clássico das antigas, não significa que seja um título memorável do passado. É um dos muitos jogos que jogadores, como eu, conheciam, porque eram daqueles títulos que estavam presentes nas locadores de bairro. E na ausência dos grandes lançamentos e jogos muitos disputados, era comum os jogadores testarem coisas menos famosas. Era o que tinha para se alugar em um sábado no final da tarde, por exemplo.

TOKI Juju Densetsu 2018

Olhando para TOKI hoje em dia, admito que o original não me soa muito atraente. O jogo pertence a uma categoria de jogos que estão no esquecimento por devidas e justas razões. Jogos de arcade precisam de mais elementos hoje em dia. Não só hoje, pois se voltar aos anos 90 e adiante, verá que novos títulos de arcade surgiram aprimorando a fórmula, como Turtles in Time, Os Simpsons Arcade e até mesmo Metal Slug. TOKI é apenas um dos que vieram antes, servindo como algo a ser aprimorado no futuro.

Dito isso, olhando para esta nova versão, remasterizada com muito carinho, o resultado aqui me soa um pouco melhor, mais empolgante. Gostei bastante de jogar essa versão, em grande parte pela beleza visual, porém o jogo é desafiador e difícil, especialmente em suas primeiras vezes. Depois disso ele fica ridiculamente mais fácil, é verdade, mas ainda assim há muitas boas ideias.

TOKI Juju Densetsu 2018 review

Os seis ambientes são muito bem pensados. Os inimigos, que se repetem em muitos estágios também são bem variados, indo dos macacos que pulam em sua direção, aos zumbis que saem diante de seu pé. Temo, em particular, dos inimigos e plantas que disparam projéteis no jogador. Morte instantânea faz isso mesmo. Gosto ainda como o jogo consegue encaixar a transição dos ambientes, enquanto insere elementos clássicos, como um estágio de lava e um de neve. Há até mesmo espaço para segmentos aquáticos, o que é muito maneiro. São seis fases, mas com bom design para diferenciar uma da outra. Dado, é claro, a limitação a qual o título original certamente possuía.

Quanto aos chefes, gosto de quase todos. Admito que o segundo é bem interessante, e diferente, enquanto que o penúltimo, em que preciso derrotar uma mão e pé gigante, me surpreendeu em como engenhosa (ainda que simples), acabou sendo pra mim. Há também um cérebro gigante dentro do repertório, o que é um grande clichê de antigos games. O mais boboca pra mim acabou sendo o mamute, que é bem tranquilo de vencer e acabou mostrando como chefes muito grandes em jogos antigos podiam ser limitado dado as capacidades de espaço para se movimentarem quando a tela fica fixa até que os mesmos sejam derrotados.

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Com tudo isso em mente, a versão remasterizada de TOKI é um título que pode ser apreciado e é divertido sob uma perspectiva mais nostálgica da velha fórmula dos jogos clássicos de arcade. Pena um pouco na balança ser um título que lá fora é vendido a 30 dólares. Entendo que a técnica e o trabalho para o uso do visual de animação 2D para seus gráficos é oneroso, mas ainda assim é pedir demais, por um jogo que tem suas limitações. Justificaria se o estúdio tivesse pensado em agregar um pouco mais de conteúdo e valor aos extras e replay do jogo, tal qual os exemplos citados acima.

Ao fim, é um jogo bacana, porém não essencial de se ter em sua biblioteca. Indicaria fácil sua aquisição em períodos em que esteja em preços promocionais, se você se importa com valor agregado de um jogo, claro. Há aqueles que vão se interessar independente do preço. E aí, se o seu interesse é em saber apenas se o remaster honra com fidelidade o clássico e se está bonito: digo que sim, TOKI Juju Densetsu (2018) cumpre com louvor ambos os aspectos.

Galeria

Dando uma nota

Visualmente não deixa nem um pouco a desejar, é lindão - 9
Design muito fiel ao jogo original, o que é bem impressionante - 8.5
Arcade das antigas, ou seja, tem que morrer e memorizar o percurso e armadilhas - 7.5
Extras são fracos, apenas um modo corrida e um menu de trilha sonora - 6
Curtinho, sendo que não há saves, precisa jogar do começo ao fim de uma só vez - 6
Quatro níveis de dificuldade, mas sem mudanças significativas no mundo do jogo - 6.5
Nostalgico, com seis fases bem dinãmicas e boas batalhas de chefes - 7.5

7.3

Okey

TOKI Juju Densetsu (2018) é um belo resgate de um clássico que talvez não seja tão incrível quando qualquer um possa pensar. Mas isso não o torna menos interessante, apenas mais curioso. Visualmente o jogo é arrebatador, enquanto é impressionantemente fiel ao design do jogo original. O remaster desaponta quando se olha além destes dois aspectos. Faltou conteúdos extras que dessem uma longevidade frente ao que os jogos entregam hoje em dia, inclusive aqueles que também são resgates do passado de ouro dos videogames. É um jogo divertido, porém muito curtinho.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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