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Análise | Astral Chain

Disponível para Nintendo Switch

Astral Chain é o mais novo projeto da PlatinumGames, lançado no último dia 30 de agosto, exclusivamente para o Nintendo Switch. Um título que tem o dedo de talentos da casa, pois conta com a direção de Takahisa Taura, que trabalhou como game designer em NieR: Automata, assim como a supervisão de Hideki Kamiya, criador da série Devil May Cry, assim como Bayonetta.

Também é interessante apontar o talento do mangaká Masakazu Katsura, responsável por obras como DNA², Video Girl Ai, e Zetman, assim como trabalhos em que atuou como desenhista como o caso de Iria: Zeiram the Animation, Tiger & Bunny e Garo -Guren no Tsuki-. Em Astral Chain, Katsura ficou encarregado do design dos personagens humanos, assim como das criaturas presentes na aventura, dando um toque altamente de animê ao jogo. Bem diferente do estilo quase sempre mais realista dos títulos anteriores da Platinum.

Astral Chain é um jogo de ação e aventura em terceira pessoa focado em duas vertentes: investigação de cenário e combate agressivo de ação e reação, que é um ponto característico dos títulos desenvolvidos pela Platinum. Se passa em um universo futurista e tem como ponto singular o fato do jogador controlar, de certa forma, simultaneamente dois personagens ao mesmo tempo.

O ano é 2078

Estamos em um momento da nossa história, como contadores de histórias, em que estamos pensando muito sobre o futuro da humanidade – afinal parece que estagnamos em certo ponto nossa evolução. Isso tem refletido muito nas obras de entretenimento, como cinema e videogames. Astral Chain é mais uma desta investidas futuristas, ainda que tal característica funcione apenas como um (distante) pano de fundo, apenas para justificar certos elementos dentro da temática e das possibilidades que as mecânicas acabam exigindo.

É um pouco diferente do ambiente pós-apocalíptico de NieR: Automata, em que há o desejo de descobrir mais a respeito desse mundo, explorando-o. Querendo saber mais o que de fato aconteceu para chegarmos a esse ponto de sua história. Astral Chain é muito mais direto e pontual nesse sentido.

Estamos em 2078, e a humanidade está a beira da extinção. Os humanos agora habitam uma megacidade chegada de A Arca (The Ark, no original), totalmente construida em uma imensa ilha artificial. Não somos apresentados ao resto do mundo, ou a situação fora desse ambiente construido pela humanidade. O que sabemos é que o mundo inteiro está sob um constante ataque interdimensional. Criaturas vindas do que chamamos de Plano Astral estão invadindo o planeta, infectando e corrompendo a tudo e todos, incluindo os seres humanos.

Para combater essa ameaça, uma força tarefa policial foi criada, chamada Neuron Police Task Force. Uma equipe tática especializada no combate as Quimeras, como assim chamamos estes invasores interdimensionais. Com a ajuda da tecnologia, e um cientista um tanto quanto estranho, algumas destas quimeras foram capturadas e “adestradas” para trabalhar juntamente com a força policial. Descobrimos que alguns seres humanos acabam possuindo um poder “oculto” que lhes permite se conectar com estas criaturas, por um forte elo neural, passando as controlar por meio de um acessório que é literalmente uma corrente presa nos pescoços dos monstros.

Este é o ponto peculiar de Astral Chain. O jogador vai controlar o personagem principal da força policial (que pode ser um personagem masculino ou feminino, fica à sua escolha), enquanto também irá semi controlar a quimera, que é renomeada de Legion.

A trama, sem muitos spoilers, envolve certos clichês comuns a proposta narrativa. Você é o novato na agência, que logo descobre ter um poder latente absurdo para se conectar aos Legions, enquanto resolve casos de rotina da megacidade, impedindo pequenas invasões interdimensionais, até perceber que uma trama maior vai crescendo em segundo plano para o arco final do jogo.

Ambiente controlado

Ainda pensando nos títulos da Platinum, no mundo aberto de NieR: Automata e na narrativa linear de Bayonetta (especialmente do primeiro, já que ainda não tive a oportunidade de jogar sua sequência), Astral Chain é um jogo que não é nem mundo aberto, porém sua construção linear brinca com possibilidades interessantes.

É de se pensar que talvez estejamos olhando algumas limitações impostas pela plataforma a qual o jogo está sendo lançado. Veja bem, NieR: Automata é um jogo complexo, de gráficos realistas em um imenso mundo aberto e áreas interconectadas, que não foi lançado no Switch. É um jogo que ocupa mais de 40GB no espaço dos consoles a qual fora lançado. Este é um valor muito grande para o Switch, cujo seus jogos normalmente orbitam entre 1 a 15GB. Super Smash Bros. Ultimate e The Legend of Zelda: Breath of the Wild talvez sejam os maiores games do console. Astral Chain pede aproximadamente 10GB de espaço, quase o mesmo de Bayonetta 2.

O resultado dessa “matemática” se apresenta na forma de que Astral Chain é um título dividido por estágios, no sentido mais tradicional dos videogames. Não existe uma exploração totalmente aberta dentro da megacidade. Cada estágio se passa em uma área dentro da cidade, com limitações, mais ainda livre de uma certa forma que o jogador possa explorar curvas e esquinas. É linear, mas não extremamente fechado e limitado a corredores retos.

Veja bem, isto não é uma crítica. Pelo contrário, acho que para as mecânicas do título este recurso funciona. Não há uma necessidade de uma grande cidade de mundo aberto para explorar, ainda que a ambientação seja incrível e dê realmente vontade de ir além dos muros invisíveis que o jogo lhe impõe.

Outro aspecto nesse sentido diz respeito ao Plano Astral, que é onde boa parte do jogo se passa. O game divide seus estágios em dois momentos: um em que você está na cidade, investigando casos policiais, e um outro em que você entra no Plano Astral para combater as quimeras e eventualmente resgatar pessoas que foram capturadas pelas mesmas.

Dito isso, o Plano Astral é um mundo básico de videogame. Basicamente é um mundo de plataformas. Você anda por pedras negras, repletas de corrupção por meio de cristais vermelhos, combatendo criaturas, subindo e descendo escadas e plataformas, e ativando mecanismos que vão abrindo caminho. É legal, mas é extremamente semelhante em todas as ocasiões em que você viaja para este mundo. Um elemento que claramente pouca recursos gráficos que pesariam demais o jogo dentro das limitações de quanto gigabyets um jogo pode ocupar no Switch. O que, novamente, é uma inteligente solução para assim dar espaço para que o ambiente urbano seja incrivelmente bem detalhado e trabalhado. E sim, a megacidade de Astral Chain é visualmente fantástica.

Investigando casos

A jogabilidade de Astral Chain se divide em dois momentos, assim como sua ambientação comentada acima, investigação e combate. Você é um policial, então nem tudo é apenas chegar a cena de uma ocorrência e socar tudo que encontrar. Em muitos casos o crime, distúrbio ou desastre já aconteceu. Você precisa analisar o ambiente a sua volta, recolher pistas e só assim descobrir o que fazer a seguir.

Poderia dizer que nesse momento Astral Chain lembra um pouco os jogos do Batman desenvolvidos pela Rocksteady Studios. Mas nem tanto. É mais a ideia que esse estilo de mecânica dente a ser. As investigações normalmente não funcionam como puzzles para serem resolvidos. Está mais para uma exploração mesmo, para conhecer o cenário, entender a história do caso e encontrar baús e itens escondidos. Essa é uma parte mais lenta do game, que toma um certo tempo e não deve agradar a todo tipo de jogador.

O ponto importante aqui é que o jogador tem uma gama de ferramentas e recursos para investigar e interrogar pessoas. Isso torna divertido o gameplay desse segmento do jogo. Basicamente há duas mecânicas, uma envolvendo o Legion, e a outra a IRIS, um visor de inteligência artificial que o jogador recebe logo no começo da aventura e é uma de suas ferramentas policiais.

IRIS é um recurso que muda totalmente o cenário do jogo, passando quase como um scanner visual em todos os pontos importantes dentro do cenário. Mostrando dados das pessoas, pontos de missões secundárias, corrupção do Plano Astral, baús, entre outras coisas. É um recurso importante para se localizar dentro do jogo. Durante as batalhas é preciso ligar IRIS e passar pelos inimigos para que seja possível ver suas barras de saúde.

A ideia de IRIS as vezes vai muito além do que você pode imaginar. Posso dar um exemplo. Investigando um dos casos, topei com um grupo de crianças, todas iguais. Elas me desafiaram a descobrir qual delas era o mais velho do grupo. O mesmo se pronunciou e aí todas passaram a correr ao meu redor, a ponto de perder aquele que se identificou como mais velho. Logo todas pararam ao meu redor e pediram para dizer quem era o mais velho. Eu poderia tentar novamente o desafio, prestando mais atenção na hora que elas corressem, mas resolvi ligar IRIS e passei a lente dela nos meninos, obtendo seus nomes e certas informações, como suas datas de nascimento. Com isso pude facilmente identificar o mais velho. E elas não souberam que “trapaceie” dessa forma e me deram a informação que precisava para continuar o caso.

Já com o Legion posso ouvir conversas à distância, de pessoas que não se sente confortáveis de conversar com policiais. O fato é que Legions só podem ser vistos por certas pessoas, ficando completamente invisíveis para todas as outras. O mesmo também pode limpar a corrupção do Plano Astral que contamina as cenas dos casos. Assim pistas são encontradas e até mesmo pessoas podem ser curadas. Essa corrupção transforma pessoas em quimeras, por sinal. Portões para a outra dimensão também precisam ser destruídos em certas áreas, e somente seu Legion pode fazer isso.

Mas a frente do jogo, você aprende que cada um dos cinco Legions do jogo tem habilidades próprias. O primeiro Legion, de categoria Sword, pode cortar certas linhas dimensionais, desconectando criaturas que servem de escudos para outras maiores ou passagens bloqueadas. Não vou detalhar muito os demais, mas há um que pode atirar flechas e tem também um que vai lhe deixar montar no mesmo. Estas habilidades também passam a ser usadas no ambiente da cidade, durante as investigações e para descobrir consumíveis e baús de itens.

Durante a investigação o jogador também é constantemente apresentado a casos secundários, que rendem pontos de experiência que são utilizados em algumas das árvores de habilidades que estão presentes nos menus. Seu personagem sob de nível, melhorando seu poder de ataque e saúde, assim como cada Legion tem uma árvore de skills, que adicionam novos golpes e movimentos aos mesmos. Estes casos normalmente envolvem prender civis humanos cometendo crimes, ou descobrindo pontos em que quimeras estão atacando pessoas.

Talvez o único ponto que vá desapontar um pouco alguns jogadores, principalmente aqui no Brasil, seja o fato de que Astral Chain não tem localização em português. Então todo esse segmento, que envolve conversar com pessoas, coletar pistas e depois fazer um breve questionário sobre todo que você descobrir com um parceiro da força policial está todo em inglês. Talvez não seja tão divertido se você não tiver um básico para entender o idioma.

Claro que não é algo que vá travar seu progresso. Afinal basta falar com todo mundo que as pistas serão descobertas. Depois no questionário, mesmo se você errar, o parceiro que estiver revisando tudo com você, vai concluir o que você não conseguiu e o jogo vai destravar a área a qual você vai precisar ir. Então não tem erro. Dá para progredir. Mas sinto que parte da diversão está também em entender o que se está fazendo. É uma pena que muitos títulos do Switch ainda não tenha esse trabalho de localização ao nosso português. É sempre importante frisar isso em casos como o de Astral Chain, onde parte da diversão está também em entender os diálogos do mesmo.

Combate em dupla

O ápice de Astral Chain acontece mesmo na hora da ação, da porradaria por si própria. É aqui que o jogo brilha lindamente, graças a expertise da Platinum nesse estilo de jogo. Aqui entra a comparação com Bayonetta, talvez a maior IP do estúdio e que entrega exatamente esse estilo de combate de ação, em quê o jogador precisa criar combo, mas também saber o momento de desviar e contra ataque, e as vezes isso é até mais importante do que o próprio ataque por si só.

Astral Chain segue exatamente esse modelo. Desviar no momento certo de um ataque inimigos faz o jogo reduzir sua velocidade por alguns segundos, tornando possível criar um contra ataque eficaz e super poderoso. Ataque em sequência cria uma cadeia de comando que sinaliza com outro ataque forte caso o jogador convoque seu Legion no momento exato. São estilos de combate que você está habituado desde Bayonetta. Mas aí vem a novidade, o combate em parceria com seu Legion.

Isso funciona da seguinte maneira: seu personagem principal é sempre o policial (masculino ou feminino, a qual definiu no começo da aventura), enquanto o Legion é aquela entidade que você controle de forma semi automática, podendo criar movimentos em dupla, enviar ele ao ataque, assim como puxá-lo de volta. Ataques especiais dos Legions também ficam a cargo do jogador, com um simples apertar de botão, assim como a ativação das habilidades especiais dos mesmo. E sim, há botões para tudo isso, e não, não é tão complicado quanto possa parecer.

Basicamente funciona assim: isoladamente o policial pode bater – com uma espada, cassetete ou pistola – e desviar de ataques. E só, não há botão de pulo (mas há pulo, já chego lá). Com o gatilho esquerdo do controle você convoca seu Legion, e esse mesmo botão você o envia para um inimigo, e apertando-o novamente o puxa de volta. Ao estar próximo de um inimigo seu Legion o ataca de forma automática. Mas ele só faz isso. Não desvia, não usa ataques especiais.

É nesse ponto básico que a sinergia entre a dupla protagonista surge. Ao enviar seu Legion, seu outro personagem fica livre para também atacar e começar a criar um combo, ou contra ataque, ou defesa. Ou então você o deixa atacando um inimigo enquanto lida com outro. E aí o jogo começa a te enviar outras possibilidades. Segurar os dois gatilhos do controle lhe permite movimentar livremente o Legion, e aí o elo (a corrente) que liga ambos os personagens também passa a ter utilidade.

Controlando os dois personagens ao mesmo tempo, ao segurar os gatilhos, isso faz com que você possa andar com o policial com o analógico esquerdo do controle, enquanto o Legion se movimenta com o analógico direito (desligando assim o livro controle da câmera, que também é feito neste analógico). Isso permite que o jogador crie movimentos com a corrente, como enrolar seus inimigos, prendendo-os ou naqueles que dão uma investida, você os prende na corrente e o arremessa para longe. Você também pode pular nesse sistema, basta levar o Legion para um ponto distante e apertar o gatilho direito, ao invés de puxar o Legion, ele é quem lhe puxará. Parece complexo, mas estes movimentos realmente funcionam e são animais quando utilizados em batalha.

Todo o combate de Astral Chain acaba tendo como objetivo quebrar o ritmo de ataque dos inimigos. Desviar na hora certa, amarrá-los, arremessá-los… não deixá-los lhe cerca ou quebrar o seu ritmo, algo que ele vão tentar fazer a todo custo. Apenas mandar o Legion para eles e ficar distante esperando ele fazer todo o trabalho não é efetivo, pois os inimigos quebram o ataque básico do Legion e o derrotam. O ideal é trabalhar junto, criando as brechas para os ataques e contra-ataques mais pesados.

Com a progressão do game, novos comandos e golpes, assim como os diferentes Legions com estilos de combate próprios vão sendo liberados. Adicionando ainda mais possibilidade na cartilha das batalhas.

Há que se tomar cuidado apenas com um detalhe: Legions não podem ser convocados de forma infinita. Eles possuem uma barra de invocação que diminui progressivamente conforme eles estão ativos. Essa mesma barra também é sua barra de saúde. Quando ela chega ao fim, o Legion desaparece e só pode ser convocado novamente após alguns segundos. Fica sozinho em certas batalhas não é fácil, mas é contornável. Fique desviando até poder convocar o Legion novamente.

Com tudo isso, o resultado dos combates de Astral Chain é algo peculiar e original. Lembra muito as mecânicas de jogos como Devil May Cry e Bayonetta, mas adiciona um nível totalmente diferente de complexidade ao colocar esse segundo personagem como uma arma viva, controlável, mas em um formato incomum, porém energético e dinâmico. É algo que realmente impressiona com o quão natural acaba sendo.

O que talvez pese um pouco essa mecânica diz respeito ao movimento de controlar o Legion com o analógico direito, deixando a câmera meio que estática. O ideal seria se ela pudesse abrir um ângulo maior e tentar fazer o melhor para deixar o jogador confortável com a visão do jogo. Fora que as vezes me confundo, achando que vou controlar o Legion e percebo que só estou mexendo na câmera e me colocando em tomadas horríveis para visualizar o combate. Não é um ponto terrível do jogo, mas certamente haverá jogadores que poderão se sentir incomodados com isso. Não é um sistema de câmera ruim, mas não o achei inteligente.

Mas no geral o combate de Astral Chain funciona e não desaponta. Os inimigos são agressivos, possuem uma boa quantidade de tipos e variações. Há inimigos enormes e os chefes são sempre incríveis. A complexidade na forma como se utiliza os botões do controle para uma série de comandos é realmente impressionante, especialmente o quão natural acaba sendo, com tutoriais bem espalhados pelo jogo para lhe ensinar todos eles. Não se torna cansativo aprender a respeito dos mesmos.

Considerações finais

Astral Chain ainda tem muito mais a oferecer além de tudo o que apresentei acima. Há pequenos elementos espalhados por toda a parte. Desde o fato do jogador ganhar uma câmera para tirar fotos, usar banheiros, gerenciar itens consumíveis – onde alguns duram apenas até o término do estágio -, trocar de roupa, customizar seu personagem e seu Legion (que também precisa se limpeza a cada estágio concluído), além de andar por um quartel general cheio de NPCs, incluindo uma garota fantasiada de cachorro, o mascote da força policial.

O jogo ainda oferece alguns níveis de dificuldade, sendo que um mais difícil vai sendo destravado conforme os estágios são sendo concluídos. Isso agrega valor de replay, já que voltar aos estágios, com menos benefícios de saúde e batalhas mais intensas e agressivas acaba sendo o inventivo certo para os jogadores mais hardcore. Há ainda o fato de que nenhum estagio pode ser 100% concluído na primeira vez, pois há pontos de interesse que requerem o uso de certos Legions, que são são destravados ao longo da progressão da campanha. Isso inclui diversos tipos de missões secundárias, desde investigativas quanto de batalhas de arenas para fechar portais pela megacidade.

Também não pude testar com muito afinco, mas Astral Chain oferece um modo cooperativo, em que permite que um segundo player controle o Legion do protagonista da história. Mas isso ocorre na mesma tela, sem uma divisão, pedindo assim que os jogadores fiquem próximos um do outro. Parece uma opção legal para se brincar, mas… sei lá, a graça está em deixar um jogador controlar dois personagens. No coop, que só funciona com os joy-cons exclusivamente, os jogadores precisam pensar juntos, já que o elo (corrente) que une os personagens se mantém, fazendo assim que ambos executem ações em conjuntos para realizar os ataques coordenados do combate.

Graficamente Astral Chain não deixa nem um pouco a desejar. O visual animê em cel shading combina com o estilo do jogo, eliminando limitações que algo mais realista poderia ter. Os personagens, a ambientação, é tudo muito carismático por conta disso. O lance com sombras, luzes e efeitos práticos casam com tudo isso. E os cenários são absurdamente ricos em detalhes. Você fica de boca aberto com o ambiente futurista da cidade, ainda que o Plano Astral seja realmente menos impressionante – na verdade é bem básico.

A trilha sonora também não deixa a empolgação cair. Há diversas faixas vocais, assim como rock pesado quando a ação está frenética e sem freios. Há bastante diálogos em áudio, o que não deixa o jogador cansado de ficar lendo caixas de texto. Porém lamento que a protagonista possua o famoso clichê do jogador calado.

A ideia do protagonista mudo não casa com o estilo do jogo, especialmente pelo fato que ao dar a opção do jogador escolher um jovem ou uma jovem, isso não elimina o gênero não escolhido da trama. Estes personagens acabam sendo irmãos, então você joga com o protagonista silencioso enquanto o outro é todo falante e possui uma construção de personagem bem mais complexo que a do jogador, o herói prometido.

No geral o ritmo e a dinâmica de Astral Chain me conquistou. Há uma boa apresentação de seu universo e uma riqueza de situações e mecânicas que me encantaram. Inicialmente fiquei meio preocupado que os segmentos de investigação pudessem ser meio tediosos demais, mas o jogo parece entender isso e quebra muito bem estes segmentos com pequenos momentos de ação, enquanto prepara as coisas para batalhas maiores na contra partida do estágio.

Os reviews internacionais começam a sair semana passada e muitos ditaram como o melhor jogo da PlatinumGames até o momento de sua história. Eu não sei se o colocaria Astral Chain nessa posição. De fato sou um grande fã de Bayonetta, que a sua época soube resgatar o valor de jogos de ação estilo Devil May Cry, desengessando o gênero. NieR: Automata também não fica atrás quando se olha sua construção de mundo e a forma como se trabalha o elemento do mundo aberto, sendo muito mais complexo do todo mundo achei que o mesmo seria. Acho que Astral Chain está em algum ponto no meio disso. Certamente é um dos melhores trabalhos da Platinum, porém não o melhor. O que é certeza afirmar é que o jogo é uma grande e excelente adição a biblioteca de exclusivos do Nintendo Switch.

Galeria

Dando uma nota

Fantástica ambientação futurista combinado com um excelente cel shading - 9
Narrativa envolvente, ainda que esbarre em alguns clichês de protagonismo - 8
Progressão linear por estágios, com pequenos espaços para se explorar - 8
Combate frenético e satisfatório, com grande variedade de estilos e golpes - 9.5
Trilha sonora envolvente, com ótimos efeitos sonoros - 8.5
Segmentos de investigação são mais lentos, mas ainda assim divertidos - 7.5
Sem localização em português, é preciso se virar com o inglês - 7

8.2

Incrível

Astral Chain é mais uma obra prima da PlatinumGames, não tenha dúvida nisso. Com uma ambientação fabulosa, o título entrega ação e emoção em batalhas frenéticas com o jogador no comando de dois personagens simultâneos, enquanto há um bem pensado momento de respiro da ação em meio a cenários de investigação e exploração de ambiente. É uma das coisas mais bonitas e empolgantes desta rodada de novos títulos para o Nintendo Switch.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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