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Análise | Disc Room

Disponível para Nintendo Switch & PC

Disc Room é um jogo minimalista a qual seu objetivo é não ser serrado em meio a salas repletas de afiados discos rodopiantes, enquanto tenta se manter vivo por preciosos segundos afim de destravar a próxima sala. O título foi lançado no último dia 22 de outubro, para Steam e Nintendo Switch (infelizmente até o momento não chegou na eshop br).

Seu desenvolvimento foi realizado em parceria de quatro desenvolvedores independentes, Jan Willem Nijman (@jwaaaap) e Kitty Calis (@kittycalis), criadores do incrível (e também minimalista) Minit, e Terri Vellmann (@terrivellmann) e Doseone (@doseonetweets), responsáveis pelo surreal Sludge Life. Para unir este time indie, os cientistas interplanetário da Devolver Digital foram convocados para atuarem como a distribuidora global de mais um viciante jogo sobre serras circulares.

O título é um jogo de ação bem simples, mas ainda assim desafiador e divertido. Desvie de tudo que está tentando lhe cortar ao meio, por alguns segundos, ou cumprindo certos objetivos, e avance para a próxima sala, dentre um labirinto que lhe entregará algumas opções de caminhos. Por quanto tempo você conseguirá sobreviver a cada nova sala/desafio?

Simplicidade mortal

Apesar de simples, de uma forma intencionalmente minimalista, Disc Room tenta entregar um certo contexto para o desafio de salas repletas de serras circulares que estão tentando lhe matar. O jogo se passa em 2089, quando um estranho disco é encontrado nos arredores da órbita de Júpiter. Uma equipe de cientistas é enviada para investigar tal fenômeno.

Lá dentro o jogador irá encontrar esse local estranho, repleto de salas, com diferentes tipos de ambientes (que vão representar os mundos do jogo) com a única semelhança de que todos possuem diferentes tipos de serras circulares que estão pairando por todos os cômodos. Cabe ao jogador avançar sala a sala e desviar pelo máximo que conseguir, afim de desbloquear o acesso a próxima sala.

A proposta é exatamente condicionar o avanço do jogador por meio destes objetivos encontrados em todas as salas. Muitas salas possuem três saídas, que levam a três diferentes salas. No primeiro modo, normal, o jogador precisa cumprir três objetivos para avançar. Normalmente é sobreviver por um certo tempo específico, sendo que cada objetivo é indicado no canto lateral esquerdo da sala. Não é algo que você precisa descobrir, estando já totalmente explícito desde a entrada de uma nova sala.

Dentre os objetivos que não envolvem tempo, estão outros tão simples quanto, como morrer por um certo número de diferentes discos ou sobreviver por 5 ou 10 segundos em um determinado número de salas. Em alguns destas salas haverá um guardião, uma espécie de serra gigantesca que servirá como chefe que irá guardar a passagem para um diferente ambiente do jogo. Para derrotar o guardião, basta pisar em bolinhas amarelas que vão surgindo de forma aleatória na sala do confronto.

Ao longo da aventura o jogador vai encontrar algumas habilidades especiais quando morrer por determinados tipos de serras. Estas habilidades vão desde um deslocamento rápido, que lhe permite atravessar uma serra sem morrer, para até mesmo criar clones de si mesmo que irão se mover todos de acordo com seu movimento no analógico.  Há também uma habilidade que desacelera o tempo, que repele discos e que pode absorver um disco. Porém só é possível equipar e usar uma habilidade por vez. Tirando a habilidade, acionada por meio de um botão, o jogo não tem mais nenhum outro comando, exceto a movimentação pelo analógico. Não há ataques ou pulos. Você é um cientista, correr é a única coisa que cientistas devem fazer ao encontrarem serras voadoras em sua direção.

Disc Room entrega essa jogabilidade que apesar de simples, consegue manter uma boa complexidade dentro do desafio de ser ágil e pensar conforme acompanha os movimentos de inúmeros discos cortantes ao seu redor. O jogo tem cerca de 60 diferentes tipos de serras circulares, com movimentos e habilidades únicas, desde se separar em outras menores, te deixar lento, ou até mesmo muda o padrão a qual está se movendo e lhe seguir quando você estiver perto demais.

Morrer por inúmeras vezes ante de conseguir aqueles 10 ou 20 segundos necessários para abrir a próxima porta será algo totalmente normal. O jogo tem essa proposta de lhe fazer pensar com sua memória muscular, de lhe deixar com os sentidos aguçados em meio ao risco iminente de morte por míseros milímetros de um movimento em falso ou de uma serra que lhe enganou dizendo que iria para uma direção e não foi. Apesar das salas serem sempre com os mesmos tipos de serras fixas, elas nunca vão se mexer da mesma maneira da partida anterior.

Atrás da próxima porta

Disc Room não é um jogo longo. Você consegue fechá-lo em menos de três horas pela primeira vez. Com talvez a exceção de algumas salas realmente complicadas, boa parte das mais de 50 salas, podem ser vencidas em coisa de 3 a 5 minutos tentando o tempo necessário para avançar. Entretanto mesmo não sendo um jogo de dezenas de horas, há uma variedade bem interessante de desafios por meio de alguns ambientes bem planejados.

O início do jogo lhe apresenta um ambiente meio metálico, como se estivesse entrando mesmo dentro de uma nave espacial desconhecida, mas logo outros outros tipos de cenários vão se apresentando, assim como a proposta do objetivo a ser vendido dentro de cada local. Há, por exemplo, um ambiente mais florestal, a qual o jogador precisa ficar dentro de uma esfera no meio da sala para que o tempo possa avançar. Você até pode sair do círculo, para desviar de uma serra, mas o tempo para de contar se fizer isso.

Em outro ambiente, a escuridão é plena e a fase apenas vai piscar um pouco suas luzes de alguns em alguns segundos. Nesse intervalo pequeno, mas mortal, o jogador precisa desviar dos discos em pleno escuro, apenas se lembrando da posição em que os mesmos estavam antes das luzes se apagarem por completo. Já em outros dois ambientes, o tempo só avança mediante certas condições: em um é preciso pisar nas bolinhas amarelas no chão, e em outro o chão é como um tabuleiro e você precisa pisar em todas as casas brancas afim de resetar a sala e novas casas brancas surgirem.

Ao vencer o jogo pela primeira vez, uma modalidade difícil surge, fazendo jogar novamente as principais fases do modo normal, de uma forma invertida pelo caminho a qual usou na primeira rodada, com as salas usando ainda mais serras e diferentes padrões. E aqui o objetivo é quase sempre o mesmo, se manter vivo por 10 ou 15 segundos, a depender de cada sala.

Por sinal, já que mencionei que o jogo tem múltiplos caminhos para se chegar ao final, isso não quer dizer que você pode deixar muitas salas para trás sem vencê-las. Tanto no modo normal, quanto no difícil, algumas das exigências das últimas salas é ter vencido um certo número de salas anteriores. Então sim, você vai ter que jogar em quase todas para poder ver o final do game.

Chave da acessibilidade

Outro ponto importante de Disc Room está em suas opções de acessibilidade aos desafios propostos dentro do game. Esse é um tipo de jogo que pode frustrar rapidamente um jogador que não gosta de morrer demais e ter que ficar refazendo a fase até realmente ficar bom em desviar de coisas que estão voando e rodopiando em tela. O jogo traz dentro do menu de opções uma vasta variedade de opções que podem diminuir a dificuldade do jogo.

São opções que vão desde reduzir a velocidade dos discos dentro das fases, para até mesmo diminuir o número de danos que os guardiões precisam levar para serem derrotados, e até mesmo a opções de destravar todas as fases do jogo desde o início. Quer ver também todos os quadrinhos que contam a história do jogo? Também tem uma opção para destravar todas desde o começo.

É uma forma esperta de permitir que diferentes tipos de jogadores se sintam mais confortáveis em testar o título. O Thales, meu filho de 8 anos, por exemplo, não tem a maior paciência do mundo para jogos em que se morre muitas vezes afim de vencer um objetivo, porém logo que mostrei estas opções a ele, Disc Room se tornou mais divertido para ele. Nas fases realmente cabeludas, que travavam seu avança, ele simplesmente abaixava o que precisava para vencer e pronto. O que ele queria ver era todas as salas, não estava exatamente preocupado em ser o melhor jogador do mundo ou cumprir todo o tempo exigido para destravar a próxima sala.

Estas opções de acessibilidade também acabaram me ajudando para vencer um certo desafio específico do jogo em meio a um bug que existia em seu lançamento e travava o progresso do jogador. Hoje esse bug já foi corrigido por meio de uma atualização, mas acho interessante citá-lo mesmo assim. Talvez você encontre algum texto por aí falando a respeito e o mesmo possa estar desatualizado. Novamente: o bug da sala guardião da escuridão no Nintendo Switch já foi consertado e não mais existe.

Este bug já foi corrigido no tempo de publicação desta análise.

Enfim, foi por conta destas opções que contornei o bug duas semanas atrás, quando essa sala fazia o jogo crashar sempre que se ficava demais na sala do guardião. Foi o jeito de dar sequência sem ter que aguardar o patch de atualização.

Considerações finais

Dentro de uma categoria de jogos independentes pequenos, porém divertidos, Disc Room certamente merece um destaque. O jogo tem uma bela apresentação, ótima trilha sonora e com gráficos desenhados a mão, no melhor estilo de um animação 2D tradicional. Sem dúvida isso oferece um charme único e peculiar ao título.

Prova disso são os detalhes que estão ao redor do jogo, sua narrativa, por mais simples que seja, dá um tom para seu universo, situações e cenários. A história não é a coisa mais incrível do mundo, mas certamente cumpre a função de deixar o jogador curioso em saber mais, ainda que sua resolução ao final não seja tão satisfatória quanto se possa esperar. Porém é toda essa roupagem que torna o título tão atraente e funcional.

Se há algo a se ponderar como pontos fracos do título, apontaria que é a ausência de mais estágios ao longo de sua campanha ou alguma modalidade extra que pudesse adicionar um pouco mais de ambientes, serras e variações. Mesmo para um título de 15 dólares (preço lá fora) ainda acho que poderia ter um pouco mais de conteúdo nesse sentido.

Além disso, também não seria de todo mal se houvesse alguma modalidade de multiplayer local cooperativo, para que dois jogadores pudessem em conjunto desviar das serras, talvez para ver quem sobrevive por mais tempo. O modo difícil, por sinal, dá um indício de que isso poderia ser feito, já que um NPC passa a lhe acompanhar durante estas salas (tem um contexto disso dentro da narrativa). Certamente um multiplayer nesse sentido agregaria um pouco mais de valor a cauda de replay do jogo.

Falando em valor de replay, o título tem algumas opções para aqueles que curtem terminar 100% dos objetivos. Todas as salas precisam ser vencidas dentro de um recorde de tempo de 20 segundos, o jogador também deve morrer por todos os tipos de serras dentro do jogo. Além disso há um modo desafio, a qual considero impossível de se conquistado, mas certamente tem todo tipo de jogador maluco por aí. Essa modalidade consiste em vencer oito desafios, como virar o jogo em menos de 15 minutos, desbloquear apenas uma habilidade, menos de 30 mortes e assim por diante.

Ao fim, Disc Room é uma experiência divertida, com um charme singular, bem no estilo arcade. Entretanto é uma experiência breve, que termina deixando o jogador de um pouco mais. Os controles respondem muito bem, o visual e a trilha passam a imersão desejada e o desafio por ser ajustado ao bem prazer do jogador. Não é exatamente uma experiência marcante, mas para a esfera indie, pode-se dizer que tem uma proposta honesta e verdadeira. Certamente é um título que gostaria de ver uma sequência que apostasse em novas ideias, cenários e conteúdo. Vale a pena se conhecer.

Galeria

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Dando uma nota

Boa apresentação, visual impecável e com uma trilha sonora que casa com sua proposta - 8.5
Desviar de serras circulares nunca foi tão divertido, quanto desafiador - 8
Controles respondem muito bem, ainda que não existe uma variedade de comandos - 7.5
Não é um jogo longo, acaba com você querendo mais - 6.5
Pequena narrativa contextualiza bem a aventura, ainda que sua resolução não seja nada demais - 7
Permite regular a dificuldade em suas opções, dando acessibilidade todos os tipos de jogadores - 7.5
Criativo no que diz respeito aos tipos de ambientes e de serras inimigas - 8

7.6

Divertido

Disc Room é um charmoso indie game, que não oferece uma longa experiência, mas entrega diversão na medida em que perdura. Possui uma apresentação impecável, com um visual total desenho animado, com uma presente trilha sonora e controles responsivos. Oferece desafio, assim como torna acessível sua experiência por meio de opções no menu que permitem regular sua dificuldade. Segue um estilo arcade no melhor modelo "por quanto tempo você consegue se manter vivo?".

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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