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Análise | Super Mario 3D World + Bowser’s Fury

Disponível para Nintendo Switch

Super Mario 3D World + Bowser’s Fury chegou aos donos do Nintendo Switch como um dos presentes finais das comemorações de 35 anos da franquia Super Mario. Seu lançamento aconteceu no último dia 12 de fevereiro. O título, lançado originalmente em 2013 para Wii U chega ao mais recente console da Nintendo com a expansão inédita Bowser’s Fury, um jogo inteiramente novo e independente à obra original.

É curioso notar que já fazem quase 8 anos desde que Super Mario 3D World foi originalmente lançado. Tenho que admitir não parece tanto tempo assim. O título foi desenvolvido pela Nintendo EAD Tokyo, e é uma continuação, de uma certa forma, de Super Mario 3D Land, lançado originalmente no Nintendo 3DS em 2011. O que marca estes dois jogos é a extrapolação dos conceitos lineares que a série estabeleceu com a série New Super Mario Bros., abrindo suas fases para uma certa exploração tridimensional, porém ainda mantendo o charme bidimensional dos jogos clássicos.

Diferente de títulos como Super Mario Galaxy ou mais recente Super Mario Odyssey, pois estes abrem seus mundos de forma completamente tridimensional, de exploração livre, com ambientes gigantescos, a qual o jogador pode ir e vir por diversas opções de caminhos, e que levam a diferentes colecionáveis que devem ser encontrados. Os jogos da série 3D, seja o Land ou World, mantém a clássica fórmula de fases menores, sempre lineares (possuindo um único caminho) em uma navegação por meio de um mapa central que divide estas fases.

Super Mario Miau!

Apesar do extenso título, Super Mario 3D World + Bowser’s Fury poderia apenas se chamar “Super Mario Meow“. Ao menos é assim que ouço meu filho, de 8 anos, se referir ao título. Esse apelido já vem de alguns anos. Desde que ele viu vídeos do jogo original no YouTube, afinal que não cheguei a ter um Wii U. Por algum motivo, a qual não sei direito explicar, a roupa de Mario Gatinho faz um tremendo sucesso entre as crianças.

E não é sem motivo que a temática felina tenha uma grande presença tanto no jogo original, quanto na expansão Bowser’s Fury. A Cat Suit acaba sendo um dos power ups de maior presença dentro de ambos os jogos, fazendo com que o jogador a queira a qualquer custo dado a flexibilidade a qual ela adiciona a jogabilidade com Mario & Cia. Sua presença é tão impactante quanto a Tanooki Suit, que também está presente em 3D World, foi em Super Mario Bros. 3.

O que é totalmente justificado assim que o jogador é apresentado a mesma. A Cat Suit permite que se escale praticamente qualquer parede dentro das fases, facilitando muito o desafio de saltar plataformas, além disso Mario pode acelerar muito mais rapidamente com o traje, e durante um salto ainda pode se impulsionar para frente em um ângulo diagonal direto para o chão. Ainda há um ataque frontal com as patas felinas do traje, eliminando qualquer inimigo próximo. É um traje muito conveniente, especialmente para jogadores menos habilidosos, assim como para a criançada. Inclusive há alguns colecionáveis que só podem ser encontrados e obtidos ao utilizar o traje.

Pessoalmente gostei do conceito do novo power up, a qual cheguei a brincar um pouco ano passado quando Super Mario Maker 2 adicionou a paleta de elementos de Super Mario 3D World ao repertório do jogo. Alias, acho que a comunidade online de Mario Maker até mesmo inovou muito o uso desse traje em suas criações. É possível encontrar fases bem mais complexas e desafiadoras em SMK2 do que as originais de 3D World. O que acho normal e natural que fosse acontecer.

A impressão que tenho jogando 3D World é a que a Cat Suit é um pouco apelona demais para o quão simples certas fases são. Normalmente preferi não usá-las em alguns estágios exatamente porque estavam tirando a graça pra mim. Acabava deixando-a em reserva para quando precisava explorar algum segmento a qual só escalando para saber se haveria algo escondido ali. Só que essa sensação muda de figura quando se trata de Bowser’s Fury! No caso da expansão, a Cat Suit faz toda a diferença de uso, e é quase que obrigatória. Aqui sim, seu uso constante é mais harmônico com o mundo proposto.

Bowser em fúria

A expansão inédita, Bowser’s Fury, é basicamente um jogo a parte de 3D World. Os títulos sequer são integrados, possuindo telas de início separadas, assim como seus próprios saves de slot (cada jogo tem 4 espaços para diferentes saves). 3D World tem suporte para multiplayer para 4 jogadores (Mario, Luigi, Toad & Peach), enquanto a expansão tem apenas para 2 jogadores (Mario e Bowser Jr). É possível jogar ambos os títulos de forma independente e a qualquer momento. Não é preciso finalizar um para iniciar o outro. São de fato dois jogos em um único pacote.

A aventura inédita começa com uma ótima referência a Super Mario Sunshine, com um portal de tinta – em forma da letra M – se abrindo sobre o Mario levando-o a um mundo chamado Lake Lapcat, provável local de origem da Cat Suit. Lá Mario se encontra com Bowser Jr., que pede sua ajuda para contar a fúria de seu pai, Bowser. O grande inimigo do Mario parece ter sofrido uma espécie de transformação devido uma tinta preta que está tomando conta de todo esse mundo.

Ensopado com essa gosma preta, que deixou Bowser gigantesco, o mesmo desperta de tempos em tempos por todo o arquipélago tocando o terror, atirando enormes blocos de pedra e bolas de fogo, que caem no mundo como meteoros, assim como calorosa baforada de chamas a qual Mario sempre precisa se esconder para não ser atingido. Após alguns segundos, Bowser se retira para dentro da gosma novamente, voltando a se energizar.

O conceito destes ataques do vilão é genialmente apresentado ao jogador de forma literalmente visual, com um grande casco ao fundo do cenário que vai se levantando pouco a pouco ao céu, até emergir por completo. Dando assim a percepção do jogador de quando seu próximo ataque iniciará. É uma visão realmente impactante, e é uma sacada de mestre apresentar isso em tempo real ao jogo em si.

Quanto a Lake Lapcat, como o nome sugere, é uma área composta por referências felinas por toda a parte. Inimigos e animais de todo o lugar possuem orelhas de gato, incluindo até mesmo pássaros e peixes. Sério, para qualquer lugar que olhar haverá orelhinhas felinas. É uma simpática e charmosa brincadeira, que se encaixa perfeitamente o universo Super Mario e seus mundos temáticos. A região é composta por três grandes áreas segmentadas por ilhas menores, que vão segmentar os muitos desafios encontrados no jogo.

Em termos de comparação, Lake Lapcat soa como um mundo que poderia estar facilmente inserido em Super Mario Odyssey. Talvez seja até um pouco maior do que alguns mundos de Odyssey, graças ao grande espaço oceânico entre as ilhas, e que reserva diversas outras missões menores e outros tipos de brincadeiras. Alias, achei incrível a ideia de colocar uma imensa cascata entre a segunda e terceira região da área. O efeito visual é inacreditável.

No geral, tudo que se pode ver em Lake Lapcat se pode alcançar. É muito bacana ver esse tipo de conceito de mundo aberto, semelhante a The Legend of Zelda: Breath of the Wild, aplicado a um jogo do Mario. Talvez uma dica do que poderia ver a ser um próximo Super Mario 3D? Assim espero. Não explicitei, mas Bowser’s Fury tem sua jogabilidade espelhada nos jogos 3D do Mario com exploração livre. A expansão não segue a linha tradicionalista do outro título do pacote. O que é interessante porque soa convidativo para parte do público que está apenas acostumado ao estilo linear da série New Super Mario Bros.

A meta da expansão é explorar esse mundo aberto, afim de coletar um total de 100 Cat Shines escondidas por todas as pequenas ilhas e locais secretos, seja alcançado algumas visíveis no ambiente, seja cumprindo certos requisitos, como eliminar chefes, destruir blocos ou capturar coisas, como itens e até mesmo coelhos, em uma clara referência ao coelho que surgiu lá em Super Mario 64. Existem Cat Shines para tudo quanto é canto, tudo em tempo real, sem que a aventura seja interrompida por sessões fragmentadas, como é normal em outros jogos 3D do Mario.

Curioso até que cada uma das ilhas tem áreas centrais que escondem várias Cat Shines no mesmo ambiente. Ao entrar em uma área assim o jogo lhe avisa o nome da missão ativada nesse ambiente. Ao completá-la uma nova missão na mesma área surge, mas para isso as vezes é preciso sair da área, para que os elementos desta nova missão possam ser inseridas nesse mundo, como novos inimigos, itens ou chefes. Isso ocorre de imediato, dando a opção do jogador voltar em questão de segundos a área e a nova missão já vai estar disponível. No caso destas áreas, há uma espécie de farol, a qual as shines são inseridas, permitindo ao jogador visualizar claramente quantas faltam para serem encaixadas em todos os buracos de cada farol e assim completar a área.

Quanto as missões, a grande maioria são clássicas de quem está habituado aos jogos 3D do Mario. Ir de um ponto a outro, escalar locais altos, saltar em diferentes plataformas, coletar moedas, eliminar chefes e inimigos e afins. E para isso o jogo lhe dá liberdade para usar o power up que quiser, da forma como desejar. Isso graças a um sistema de armazenagem de power ups, podendo guardar todos os tipos presentes no jogo em até no máximo 5 de cada. E você não perde o power up ao trocá-lo com o toque de um botão, o power up que Mario estava usando volta a ser estocado. Só se perde se um inimigo lhe atingir. É de fato uma excelente mecânica que funciona maravilhosamente aqui. Dentre os power ups disponíveis na expansão estão: flor de fogo, cogumelo, roupa de bumerangue, de tanooki e de gato.

Um outro elemento que não posso deixar de mencionar é o formato da locomoção por esse mundão aberto, cheio de muita água: o retorno de Plessie, um dinossauro (que acredito ser) da espécie nothosauria, que fez sua estreia no universo da franquia em 3D World. O grande dinossauro aquático leva o Mario em grandes velocidades a qualquer local do mundo, geralmente por água, mas Plessie também sai se arrastando por terra, destruindo muitos obstáculos por seu caminho. Claro que sinto saudades do querido Yoshi, mas entendo que Plessie desempenha uma mobilidade muito mais prática para um jogo de mundo aberto.

Por fim, Bowser’s Fury é uma expansão realmente interessante, que abre novas ideias para futuros jogos do Super Mario 3D. Sua duração tende a ser de três a quatro horas iniciais para virar a meta principal da história, coletando as primeiras 50 das 100 Cat Shines da ilha. Após isso, o jogo volta a lhe liberar para voar solo por tudo que já foi aberto, afim de recompensar os colecionistas de plantão, que adoram vasculhar todos os cantos do mundo. Isso dá mais três a quatro hora de valor de replay, o que para um conteúdo adicional, está ótimo.

3D World

Voltando agora para o jogo principal do pacote, Super Mario 3D World é um título que me deixou dividido. A começar porque esta foi a primeira vez que pude experimentar a obra. Nunca tiver a oportunidade de jogar a versão original, então não há como compará-las. Para um jogo lançado em 2013, desenvolvido então há muito mais tempo que isso, 3D World é um título que sobrevive bem ao tempo, especialmente quando se pensa nos jogos da série Super Mario com a fórmula mais tradicional.

Não cabe aqui a colocação de que é um título datado, porque não é. A fórmula clássica 2D, de fases lineares, ainda funciona até hoje, com suas ressalvas, é claro. Até porque, 3D World funciona muito como um jogo que mescla o 2D com 3D, não chega sequer a ser puramente 2.5D. A linearidade de avanço linear de um ponto A ao ponto B existe, mas a exploração tem um espaço mais tridimensional para se movimentar. É bem diferente do que New Super Mario Bros. fez nos títulos da franquia. É um pouco de dois mundos das fórmulas dos jogos Super Mario.

O que me incomoda um pouco em 3D World é o tamanho ou a duração de muitas fases criadas para o título. Há fases realmente curtíssimas, de menos de dois minutos de duração. Quando olho para clássicas fases de jogos como Super Mario World ou Super Mario Bros. 3, fico relembrando fases icônicas, que pareciam contar uma história, com aquele conceito de “início, meio e fim“, algo que sinto que não há em diversas fases de 3D World. Tira um pouco o brilhantismo do título, mas em nenhum momento sua diversão.

A impressão que passa, e isso é dito em algumas entrevistas com os desenvolvedores na época do lançamento do jogo no Wii U, é de que 3D World foi muito um laboratório de ideias para o que poderiam fazer com a série de jogos do Mario. E em diversos momentos isso é genial. A própria Cat Suit, que quebra muitos elementos de mobilidade da franquia, é meio propositalmente apelona, e é uma destas ideias experimentais que acabou moldando parte do todo da obra. Mas não só isso, há muita coisa maluca em diversas fases, que acaba sendo usado uma única vez e nunca mais retorna a aparecer dentro do jogo. É só algo maluco e divertido que os desenvolvedores quiseram criar e que deu muito certo. Dois exemplos disso é uma máscara de Goomba que apenas disfarça o Mario perto de outros Goombas e uma fase que homenageia a velocidade de Mario Kart, incluindo aí até mesmo uma clássica música da série.

Não posso deixar de mencionar a ótima ideia do power up, representado por uma cereja, que faz um clone do personagem que o jogador estiver usando. Se colocar outra cereja, um terceiro clone surge. Mais uma? Um quarto clone. E todos se movem de forma sincrônica. As fases com essa habilidade são pensadas em fazer o jogador manter todos os clones vivos até uma certa parte do estágio, afim de conseguir assim coletar um colecionável. E para a minha surpresa há um número considerável de fases criadas para o uso da cereja. Adorei e acho que esse é um power up que, assim como a roupa de gato, precisa voltar em futuros jogos da série.

Super Mario 3D World também mais a estreia do modelo de fases curtas que abrem caminho para o personagem Captain Toad, que surgiu em Super Mario Galaxy apenas como um NPC, mas que brilha alto aqui. Não é para menos que esse conceito originou um jogo completamente solo do personagem: Captain Toad: Treasure Tracker, lançado em 2014, ainda no Wii U, e posteriormente também lançado no Nintendo Switch. Estas fases tridimensionais, a qual o jogador pode rotaciona um cubo para que o Toad ande até encontrar caminhos para todas as estrelas espalhadas nesse mapa, são uma espécie de puzzles bem pensados, a qual o desafio está no fato do personagem carregar uma mochila tão pesada que o impede de pular. É preciso andar por trilhas predeterminadas, mas nunca óbvias. Em 3D World, cada mundo tem uma destas fases, que são menores e menos engenhosas do que o jogo solo que veio depois, porém que nasceu aqui, como mais uma das experiências malucas da obra.

Acho que dentro dos elementos presentes na obra, outra coisa incomum, mas que acabou sendo muito divertido de se caçar, são os carimbos que criam adesivos para se usar no modo fotografia do jogo. Coletar as três estrelas verdes nas fases é importante afim de abrir caminho pelos castelos, entretanto os carimbos geral uma recompensa visual de imediato ao jogador. A vontade é de completar a tela com estes adesivos, quase como um álbum de figurinhas digital. É um detalhe charmoso do jogo? É sim, mas achei que motiva a exploração e cria algo divertido como resultado. Diferente de uma estrela que apenas serve como chave para um cadeado para progressão em si.

Em um âmbito geral gosto da proposta criada no escopo geral do título. Acho que 3D World soa como uma evolução muito bem vinda a New Super Mario Bros. a qual acho que se engessou ao longo dos anos, com sequências muito parecidas umas com as outras. É um título que certamente merece uma sequência inédita, refinando e aperfeiçoando elementos que possuem seus tropeços aqui. E claro que isso pode soar um pouco ranzinza da minha parte, um marmanjão que espera encontrar dificuldade em jogos claramente pensados em um público mais novo. Afinal, quando paro e vejo o meu filho de 8 anos passando dificuldade em fases em que eu fechei com os olhos vendados, percebo que sou eu quem envelheceu demais, e não a fórmula clássica. E no geral, admito, me acostumei mal o formato estabelecido depois de Super Mario 64.

Multiplayer

Um ponto bem interessante do pacote Super Mario 3D World + Bowser’s Fury diz respeito ao seu multiplayer, tão presente nos atuais jogos da Nintendo e com sua filosofia jogos para toda a família (e não digo isso de forma negativa). Mas precisamos dividir esse tema em duas partes, uma para 3D World e outra para Bowser’s Fury.

A começa pela expansão inédita, Bowser’s Fury tem então suporte para dois jogadores locais. Sem modalidade online aqui. O jogador principal controla o Mario, enquanto um segundo jogador tem total controle de Bowser Jr., que pode atacar com seu pincel, sair voando por toda a tela, além de pintar murais específicos que dão itens ao Mario. Bowser Jr. não pode controlar a tela, então se o jogador como Mario se afastar demais de onde o segundo jogador está, este é automaticamente teletransportado para perto do Mario em questão de instantes.

Joguei com meu pequeno essa modalidade e ele ficou meio frustrado em alguns momentos, pois não conseguia me acompanhar e acabava teletransportado. Esse tipo de multiplayer em que o segundo jogador tem muito pouco controle do jogo como um todo não dá muito certo para a gente. A menos que invertemos o cenário, ou seja, eu fico no suporte, apenas seguindo o que ele quer fazer e ele voe solto como uma criança normalmente deseja fazer. Não me incomoda, mas fica claro que o segundo player é apenas um suporte limitado. Acho legal a adição, mas é um título que foi primariamente criado para funcionar em single player.

Diferente é a situação de Super Mario 3D World, que suporta até quatro jogadores em uma mesma tela, ou até mesmo quatro consoles em uma mesma rede, assim como também tem suporte para jogar com amigos e desconhecidos no formato online. Este sim parece funcionar de forma bem mais orgânica no multiplayer. A câmera, por exemplo, se afasta quando os jogadores estão longe um do outro, e tanto o segundo quanto o primeiro jogador, podem ditar o avançar da fase, com quem ficou para trás sendo teleportado para quem saiu na frente.

É bacana também que cada um dos quatro personagens principais possuam habilidades próprias de jogabilidade. Mario é o personagem padrão e faz o que sempre fez, nas velocidade e salto padrão. Já Luigi tem um salto mais desengonçado e maior, alçando plataformas mais altas do que o Mario, enquanto o Toad pode dar um dash e avançar correndo de uma forma muito mais ágil do que seus companheiros. Peach, com seu elegante vestido rosa pode planar por alguns segundos após um salto. Ainda há um quinto personagem secreto, desbloqueado após finalizar o jogo: Rosalina, que aqui pode dar um spin attack no ar. Isso vem do conceito mencionado alguns parágrafos acima: de que o jogo é um laboratório de ideia e não faria sentido deixar todos os personagens balanceados e iguais. A diversão está nas características individuais de cada um e de como cada jogador adapta o personagem ao seu estilo de jogar.

Entretanto há um elemento que me desagradou no multiplayer do 3D World, que é o que adiciona um tempero de competitividade nessa cooperatividade de se jogar juntos. Vou explicar. Apesar de ser um multiplayer cooperativo, em que todo mundo pode jogar junto, 3D World cria essa disputa amigável de quem pontuar mais em cada fase, e ao vencedor é dado uma coroa, que passa a ser carregada pelo vencedor até a próxima fase, rendendo uma pontuação bônus caso o mesmo consiga terminar uma outra fase em posse da coroa. Ah e sim, os jogadores podem roubar a coroa um do outro. Qual o problema que encontrei?

Enquanto jogava a campanha em multiplayer com meu filho, percebi que ele começou a ficar frustrado fase após fase, pois ele nunca conseguia bater a minha pontuação. E veja bem, não estava fazendo isso de propósito. O pequeno Thales joga videogame como essa geração acelerada de crianças jogam: saem correndo pela fase, querendo chegar ao fim o mais rápido possível, pois há uma nova fase pra ser concluída em seguida e a lista de outros jogos que ele tem pra jogar é enorme. E como eu jogo? Como se esse fosse o único jogo que consegui alugar no final de semana da locadora. Saboreando cada canto. Cato moeda, mato inimigos, destruo todos os blocos. Faço tudo que há pra se fazer, ou o que consigo com o Thales acelerando a tela, querendo chegar ao final da fase. O resultado é sempre o mesmo: a coroa é sempre minha. E por mais que explique a ele o porque isso está acontecendo, o menino não desacelera e passa a fazer o que eu faço. Aí fica complicado.

Ele, com seus 8 anos, não gostou, eu, com meus 36 anos, não consegui impedir que o jogo me desse a coroa. Nem mesmo quando dava a coroa para ele na fase seguindo, o bônus era suficiente para deixá-lo em primeiro. Houve um momento em que ele simplesmente cansou e quis jogar sozinho mesmo. Curioso relato, não? Para ajudar não existe uma opção nas configurações para desligar isso. Foi algo que infelizmente o incomodou e acabou me incomodando. Consigo entender que é uma função interessante para se brincar com amigos, mas acho que há cenário em que o formato é injusto (como no caso de um adulto contra uma criança). Deveria ter uma opção para desligar. Simples assim.

Por último, quanto a parte online, o jogo permite abrir uma sala para que qualquer um entre no seu jogo (apenas no 3D World) ou então para convidar amigos, mediante uma palavra chave. Não há chat online, mas o jogo te avisa do aplicativo para smartphone para que faz tal função. E se você não quer alguém no seu jogo, é possível procurar por salas abertas e jogar com alguém que abriu seu jogo. E funciona? Sinceramente não sei.

Nestes dias de lançamento tentei algumas vezes encontrar alguma sala aberta para jogar online e não dei sorte. Cheguei também abri a minha sala por alguns minutos e ninguém apareceu. Isso não é necessariamente um mau sinal, principalmente quando se pensa que a comunidade brasileira do Switch é significativamente menor do que em outras regiões lá fora. Muitos interessados ainda estão pensando se devem adquirir o título, muitos vão esperar alguma promoção (ainda que seja raro na plataforma), enquanto outros estão com a situação financeira complicado, afinal ainda estamos sofrendo uma pandemia somado a uma crise econômica, dólar alto e lançamentos no console por 300 reais. É compreensível.

Além disso, não acredito que Super Mario 3D World seja uma experiência em que você necessita jogar com um desconhecido online. O único pormenor que faço da parte técnica da modalidade online, faço a respeito do fato de que ao abrir uma sala para qualquer um, você fica parado em uma tela estática procurando os jogadores para integrar tal sala. Isso me soa uma decisão bem ruim de sistema. Abriu a sala? O jogo deveria deixar o jogador seguir jogando até achar alguém. Prendê-lo em uma tela de busca, sendo a sua própria sala, não é nada inteligente. Enfim, não venha para este título pelo seu online. A experiência aqui é muito mais prazerosa localmente, com amigos e a família, ou em single player.

Considerações finais

Super Mario 3D World + Bowser’s Fury é mais um importante resgate do legado da franquia Super Mario, que chega totalmente bem adaptado ao Nintendo Switch, adicionando uma expansão realmente robusta, e que dá potenciais dicas sobre o futuro da franquia Super Mario. É um delicioso título para os fãs, isso não há qualquer sombra de dúvida.

Outra informação bem interessante aqui, e que surge como uma boa surpresa, é a localização do jogo em português, algo que salvo equívoco já existia em sua versão original no Wii U (que teve alguns títulos lançados com uma localização em um português de Portugal). Essa localização não só é resgatada aqui, como também foi realizada para a expansão Bowser’s Fury, que segue também com um português mais parecido com o de Portugal, ainda que seja completamente compreensível para o público brasileiro. Apenas uma colocação aqui ou um gênero diferente ali é que acaba entregando esse português mais original de Portugal. De toda forma é mais acessível para o público daqui do que apenas quando o jogo chega por aqui apenas em inglês.

Claro que o pacote não consegue se desvencilhar de alguns clichês da série. Por exemplo, não sou um grande fã de como os jogos mais atuais do Mario insistem em ter as mesmas batalhas contra o personagem Boom Boom, aquela Koopa que fica girando em um ambiente apertado. Tenho saudades mesmo dos Koopalings. Os chefes diferentes de 3D world são poucos, e menos icônicos do que outros jogos da franquia Super Mario. Apenas um me chamou bastante a atenção, uma espécie de palhaço de metal líquido. Esse sim é bem legal. No geral, por mais elementos criativos que 3D World, e até mesmo Bowser’s Fury, possam ter, ainda é possível encontrar muitos elementos conhecidos dos jogos de Mario, e que nem sempre são os melhores momentos.

Falando de chefes, acho que não posso finalizar esse texto sem mencionar a ótima sensação que há em Bowser’s Fury em relação a como o jogador combate o gigantesco Bowser ao longo da aventura, ficando tão gigante quanto Bowser e podendo andar pelo mundo inteiro dessa forma maximizada. É um evento realmente único em termos do que já vi Super Mario fazendo. É um combate realmente impressionante. Digno do sentimento que se tem quando se vira Super Sonic nos jogos do ouriço da Sega.

Para encerrar, acredito que Super Mario 3D World + Bowser’s Fury entrega tudo que promete. Seu maior elemento é a diversão que a franquia como um todo sempre proporcional. Graficamente o título ficou lindão no Switch, em especial algumas fases que destacam por do sol, reflexos e sombras, enquanto a sua trilha sonora mantém a tradicional qualidade da série. Há uma boa diversidade de mundos e ambientes, ainda que seja possível sentir falta de algumas coisas, como mais mansões Boos, por exemplo. Mas dentro do repertório da franquia, é possível encontrar de tudo um pouco.

Para quem não conheceu o jogo original, acredito que trata-se de um lançamento imperdível. Quem jogou e não tem vontade de retornar mais para algo já finalizado, saiba que Bowser’s Fury é um incrível conteúdo, mas não tem uma longevidade de um jogo de mundo aberto de Super Mario. Sua proposta é ser mais contido, ainda que vai render boas horas de exploração e diversão. Não é uma expansão que, por si só, valha o preço cheio deste lançamento, mas como um pacote, é justo. Ao fim, é um lançamento que feche bem as comemorações da franquia Super Mario. Será que agora já podemos sonhar com os próximos títulos inéditos? Tomara!

Galeria – 3D World

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Galeria – Bowser’s Fury

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Dando uma nota

Super Mario 3D World é um laboratório de ideias, que esbaja criatividade - 9
Bowser's Fury é fantástico e dá dicas do caminho a se tomar na franquia - 9.5
Prensença multiplayer em ambos os títulos, porém tive minhas ressalvas no formato utilizado - 7.9
Fases em 3D World algumas vezes soam simples, fáceis e curtinhas - 7.5
Visualmente ambos os títulos causam uma sensação de tirar o fôlego em certos momentos - 8.5
Evento de despertar de Bowser na expansão é muito impressionante e dá ritmo a aventura - 10
Temos uma localização em português, o que é sempre bacana para dar acessibilidade ao público que não sabe inglês - 8.5

8.7

Incrível

Super Mario 3D World + Bowser’s Fury é mais uma boa surpresa da Nintendo para celebrar os 35 anos da franquia Super Mario. Um resgate de um título que é um laboratório de novas ideias para uma clássica fórmula, que pode ter alguns tropeços, mas no geral é uma experiência realmente divertida, e por outro lado, uma nova ideia dentro da experiência mais atual de Super Mario, com um mundo totalmente aberto, com um evento que ocorre em tempo real e que molda o ritmo e o mundo ao redor. Bowser's Fury é fantástico e merece ser experimentado pelos fãs de Super Mario. É um pacote com ambos os mundos, tradicional e moderno, com toda a fofura de um encanador bigodudo em uma roupa de gato.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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