Dando Nota!Jogando

Análise | Biomutant

Disponível para PlayStation 4 e 5, Xbox One e Series & PC

Biomutant é um turbilhão de sentimentos, dos mais intrigantes aos mais exaustivos. Trata-se de uma obra com mil ideias, nem todas bem executadas, e que lhe faz questionar a todo momento se está ou não de fato gostando da experiência proposta. O título foi lançado oficialmente no último dia 25 de maio, estando disponível para todos os atuais consoles do mercado, entretanto no PlayStation 5 e Xbox Series X|S o jogo roda em retrocompatibilidade, enquanto uma versão otimizada para estes consoles deve a vir ser lançada futuramente.

Distribuído globalmente pela THQ Nordic, Biomutant foi desenvolvido por um estúdio localizado na Suécia, chamado Experiment 101, fundado em 2015 por Stefan Ljungqvist, que trabalhou no passado na Avalance Studios, e foi um dos membros chaves no desenvolvimento do jogo de Mad Max e alguns da franquia Just Cause. O conceito do projeto de Biomutant surgiu desde as fundações do estúdio, mas só tomou forma alguns anos depois, quando a própria THQ adquiriu o estúdio em 2017, mesmo ano em que o título foi apresentado na Gamescom, na Alemanha.

São muitos anos para um título fora do escopo de um triplo AAA – como a indústria gosta de categorizar grandes lançamentos. Não é para menos que uma grande expectativa acabou se criando em torno do projeto, que seguiu ganhando novos trailers ano a ano, sempre apresentando o progresso de seu desenvolvimento. Esta espera acabou, mas talvez tenha-se levado tempo demais, especialmente em meio a um período em que a indústria está justamente fazendo a transição para uma nova geração de consoles e, por consequência, de games. Será que Biomutant aguenta esse fardo?

Elemento mutagênico

A principal característica de Biomutant é de que trata-se de um jogo inflacionado com diversos elementos e gêneros que o tornam muito mais complexo do que precisaria ser. É um jogo de aventura, que se comporta muitas vezes como um action RPG, namora um estilo hack & slash, com pitadas de shooter em terceira pessoa e também exploração de um mundo aberto com inúmeras missões opcionais, colecionáveis e afins para segurar o tranco da campanha principal, que possui certos problemas de ritmo e dinâmica.

E não veria problema um um jogo tão híbrido se alguns destes elementos funcionassem em maior foco e qualidade, em detrimento dos demais. Entretanto a impressão que tiro, após horas e mais horas em seu mundo, é a de que o jogo tropeça demais justamente por ter elementos depois, o que o impede de refinar toda uma bela proposta que sua narrativa entrega.

Aqui o jogador é entregue a um mundo pós-apocalíptico, a qual não há seres humanos, apenas animais antropomórficos, ou seja, que agem como humanos. O mundo sofreu alguma catástrofe causada por nós há muitas eras atrás, a qual a exploração do mundo vai revelando aos poucos ao jogador. Com nosso desaparecimento, os animais tomaram conta, ficaram mais inteligentes e dominaram o planeta. As raças se dividiram em diferentes tribos e cada um conquistou um território.

O jogador começa como um pequeno animal se tribo, perdido em memórias turvas e escurecidas, andando sem um rumo certo. Tão logo você descobre estar a mercê de um grande predador, que parece ter um passado contigo. Uma batalha é realizada contra esse cara nos minutos iniciais do jogo, mas logo percebe que a fera é forte demais para ser vencida, o que lhe força a fugir para um antigo edifício. Lá o jogador encontrará um sábio, que há muito aguarda seu retorno. É um velho conhecido, que vai lhe ajudar a despertar suas memórias, enquanto lhe dizer que existe uma profecia e um destino a qual você deve cumprir.

Em termos de narrativa, tenho que admitir que Biomutant tem uma fábula interessante a ser contada. A história deste pequeno animal que o jogador criar ao iniciar a aventura, tem um passado interessante a ser descoberto, enquanto o vilão tem lá suas motivações que abrem boas reflexões sobre suas motivações. O jogo vai discutir injustiças e vinganças, sobre até onde certos atos justificam meios e fins. Isso é bem legal. E não só na trama principal, mas há inúmeras missões secundárias que apresentam personagens também divididos em seus próprios dilemas, cabendo o jogador ajudá-los.

Isso ocorre porque o título também apresenta um sistema de escolha de diálogos entre diversos NPCs encontrados ao longo da aventura. Você pode confrontá-los, ser mal educado, aceitar ajudar ou até mesmo aconselhá-los a seguir certos caminhos. Há inclusive um sistema de aura, boa e má, que são representados por um diabinho e um anjinho que surgem no ombro do protagonista, tentando confundir nossas decisões algumas vezes. E isso ainda reflete em mecânicas de jogabilidade, já que pontos de bondade ou maldade podem destravar habilidades únicas em cada aura escolhida pelo jogador. Então sim, Biomutant tem elementos de tomadas de decisões relacionadas a moralidade.

Entretanto há um elemento narrativo que me desagradou demais enquanto passei horas explorando esse mundo de animais falantes: a persona do narrador. O que ocorre é que narrativamente toda a história de Biomutant é narrada justamente como uma fábula, por um narrador onisciente, que lhe conta não só o que está acontecendo, como também o que os personagens estão sentidos. Ele até mesmo comenta o que você está fazendo enquanto está explorando o mundo, algo que pode ser desligado nas opções do jogo, caso esteja achando-o muito tagarela.

Todos os animais do jogo conversam entre si, porém não há voz para suas falas, apenas murmúrios animalescos (tipo o estilo sonoro do clássico Banjo-Kazooie). Então quando os animais falam, há esse feito de sua fala incompreensível, para depois o narrador nos dizer o que foi dito. O problema é que isso alonga muito as conversas dentro do jogo. O animal emite seu som, a gente aguarda isso acontecer, e depois o narrador nos traduz, aí o animal fala de novo, para depois ser a vez novamente do narrador. Percebe como não é algo nada prático? Sinceramente achei exaustivo. E dá para apertar um botão e acelerar esse processo? Dá, porém eu perdi as contas de contas vezes fiquei pressionando e pulei sem querer diálogos do narrador, querendo pular o efeitos sonoros dos animais.

Certamente que a decisão de uma única voz dublando o jogo, que possui legendas em português, mas não áudio em nosso idioma, se dá por conta de ser um título com um pé na categoria mais independente, com um orçamento mais modesto. Dar voz a todos os NPCs de um RPG seria muito complicado e extremamente oneroso imagino. Ainda assim, é uma decisão que me desagradou e me incomodou bastante em diversos momentos. Antes os NPCs ficassem apenas com suas caixas de texto mesmo, sem um narrador como intérprete de todos os personagens dentro da aventura.

Combate cheio de estilo

Dentro desse emaranhado de elementos, tem algumas coisas que me agradam no leque de opções que Biomutant oferece ao jogador, sendo uma delas a formatação do sistema de combate. Dá para lutar de inúmeras maneiras aqui, ofertando assim estilos e combinações que vão agradar diferentes tipos de jogadores.

Os combates do jogo normalmente ocorrem em pequenos encontros que se comportam como arenas, ou seja, se o jogador se afastar demais do local, os inimigos voltam ao ponto de origem e sua saúde é restaurada. Uma vez derrotados, eles não voltam a retornar no local já vencido. É uma forma inteligente, pois como se permite que o jogador explore livremente um mundo relativamente grande, é possível alcançar locais em que os inimigos estejam em um nível muito acima do seu, a qual eles podem inclusive lhe nocautear com um único golpe.

As batalhas também raramente são mano a mano. Normalmente são três a quatro inimigos que estão acampando e que ao avistá-los parte para o combate. Estes inimigos podem estar fazendo inúmeras coisas, como saqueando um edifício, tocando terror em uma vila, atacando animais selvagens (nem todos são antropomórficos) ou até mesmo diferentes tribos brigando entre si. Em qualquer uma destas hipóteses o jogador pode intervir e sair socando todos.

Na hora do quebra pau há algumas opções que podem variar de jogador a jogar, o que inclui usar armas de fogo, ou armas brancas para sentar o cacete no combate de curta distância ou até mesmo lutar com as patas nuas, utilizando uma arte marcial chamada Wung-Fu. O jogador tem dentro do leque defensivo um botão para esquiva e outro para um parry que desnorteia o inimigo e lhe permite contra atacar violentamente. Além disso há o pulo duplo, caso as coisas no solo estejam caóticas demais. Os inimigos também são organizados, e lhe atacam em conjunto, então se o jogador não prestar atenção acaba tomando porrada pelas costas.

Dentre os diferentes estilos de lutas, há ainda uma boa variedade de opções. Existem várias armas de fogo, como pistola, rifle e espingarda, a qual cada uma se comporta de diferente maneira no que diz respeito a dano ou alcance do tiro. Nas armas brancas, o jogador vai destravando algumas ao longo da progressão da campanha, como uma luva mecânica ou um bastão de madeira, cada qual com seus próprios combos e habilidades secundárias. A luva, por exemplo, pode quebrar paredes e abrir locais secretos, enquanto com o bastão equipado, ao saltar de uma grande distância, o personagem vai girá-lo no ar e isso o permitirá planar por uns instantes. Já o esquema de arte marcial, suas armas são seus punhos, e novos combos vão sendo destravados em uma árvore de habilidade, a qual também se pode adquirir certos bônus de dano e agilidade quando não se está usando qualquer arma.

A situação ideal com tantas opções é o jogador mesclar um pouco de tudo. Equipar uma arma de fogo que melhor lhe cai, assim como deixar equipado também uma arma branca. Os combates normalmente são balanceados usando um pouco de tudo. Atirando a distância, usando ataques próximos, esquivando e inclusive usando golpes especiais, poderes paranormais (tem isso também) e ativando combos que ativam um super especial Wung-Fu, a qual o combate congela e seu personagem desfere vários golpes em sequência.

Biomutant se comporta como um jogo de RPG, então cada combate vencido gera experiência (XP) que vai lhe permitir subir de level. Quando isso ocorre o jogador ganha um ponto de habilidade, que pode ser acumulado e usado em diversas árvores que concedem melhorias em status e em seus estilos de combate. Outro ponto, este chamado psiônico, lhe dá poderes paranormais, em uma outra árvore que se relaciona a sua aura (boa ou má).

Bom, já deu para perceber que é muito coisa, não? Isso porque sequer mencionei que o jogo ainda tem um sistema de melhoria e criação de armas, mediante diversos tipos de itens coletados pelo mundo. Além disso também há um sistema de peças de armadura, que são as vestimentas do personagem. Elas também aprimoram atributos e resistências a certos tipos de dano. Quer mais? Ao subir de nível, você tem que gastar um ponto de atributo naquele que quiser que o mesmo aumente, dentre opções como vida, ataque, resistência, sorte etc, uma versão mais simples de como se sobe de nível em jogos como Dark Souls.

Um ponto que também valha uma reflexão é se com tudo isso o combate de Biomutant é tudo isso que ele promove. Bem, não acho. Isso acontece porque a movimentação do personagem não é muito fluído. Não existe peso nos golpes, a movimentação as vezes é truncada e não tem aquela agilidade e impacto que se espera de um sistema de ação hack & slash. Os inimigos também não possuem muita inteligência artificial de qualidade, sendo bem previsíveis e dificilmente surpreendem o jogador, muitas vezes apenas lhe vencendo porque atacam em bando.

Quanto aos tipos de inimigos, gosto que hajam tipos realmente grandes, assim como as feras que transitam pelo mundo, estas sempre muito ágeis e apelonas se não tomar o cuidado necessário. No sentido do design dos muitos inimigos, neste ponto tenho que elogiar, porque o jogo tem uma variedade muito maior do que pode se esperar. Você está sempre encontrando mutantes estranhos pelo mundo, até mesmo quando acha que já viu de tudo.

Assim, o que posso concluir a respeito do sistema de combate de Biomutant, é que inicialmente ele assusta bastante. Especialmente sua navegação pelos menus que não são nem um pouco práticos. No começo também a limitação de combate, por ainda não ter destravado muitas armas (seja de fogo ou brancas) incomodam um pouco, pois dão a sensação de repetição. Com o progredir do jogo, adquirindo mais poderes especiais, combos, armas e estilos de luta, aí sim acaba ficando mais divertido lutar, especialmente contra inimigos em níveis bem maiores do que o de seu personagem. Porém essa curva inicial precisa ser vencida. Um dica? Se habitue com o menu radial que permite trocar armas e estilos de luta em tempo real, pois isso eventualmente acaba deixando o combate mais dinâmico.

Ritmo turbulento

Outro ponto em Biomutant que me incomodou bastante está relacionado ao ritmo e a dinâmica criada em sua campanha principal. Para isso preciso contextualizar como essa história avança, e nem acho que seja uma questão de spoiler, mas de esclarecer qual a dinâmica proposta pela forma como o game foi idealizado.

Assim que o prólogo e a área tutorial é vencida, o jogo lhe entrega em um grande mundo aberto fragmentado em regiões, cada uma pertencente a uma tribo animal. Inicialmente o sábio que lhe guia em sua jornada lhe diz para lhe afiliar a uma tribo, a qual você pode escolher. Uma quer proteger a Árvore da Vida, um elemento central da história, que parece estar morrendo e isso acabará com toda a vida do planeta, enquanto a outra tribo quer na verdade acabar de vez com a Árvore, pois acredita que isso na verdade irá reiniciar a vida nesse planeta tão tóxico e destruído.

A premissa até é interessante, ainda que claramente você esteja escolhendo entre a tribo da luz, boazinha, ou a tribo das trevas, malvadona, mais uma vez moldando o sistema de moralidade proposto. Feito a escolha por qual tribo se aliar é hora de combater a outra tribo e assim dominar seu território. Você deve fazer isso para ir destravando o mapa, pontos de viagens e descobrindo locais para missões secundárias e opcionais. Ao vencer o chefe da tribo rival, é possível escolher matá-lo ou poupá-la, assim como adquirir a arma especial da tribo.

Por fim, realizar essa tarefa leva um certo tempo inicial do jogo. Após tomado a tribo, vem a parte inesperada: agora você deve viajar a outras regiões e dominar mais… três tribos! Argh! E você pode achar que são missões diferentes, em regiões inesperadas e tal. Desculpe, mas não. É uma repetição muito chata de ir ao ponto A ou ponto B, invadir uma nova tribo, a qual o design de construção deles é muito iguala todas que você encontra, enquanto se é possível usar o sistema de moralidade para convencer o chefe da tribo a se render sem sequer lutar contra ele. E sim, eu usei esse sistema e todos se renderam a mim sem lutarem.

Aí você pensa, “tudo bem, foram quatro tribos, agora posso seguir em diante e fazer outra coisa, né?“. Mais ou menos. Veja só: há mais tribos para serem dominadas! Contudo os desenvolvedores parece que no meio do caminho entenderam que ficar só nisso pudesse parece chato para parte dos jogadores, então em certo ponto da história, uma pergunta lhe é feita: “Olha só, tu é muito bom, e os outros líderes das tribos distantes reconhecem isso e querem se aliar a você. Aceita?“. Se o jogador aceitar o problema está resolvido e as missões principais de dominação de tribos acabam, ainda que você precise ir até as regiões de cada uma para destravar o mapa e conquistar a arma de cada uma. Que trabalheira, não?

O maior problema é a falta de como o jogo não equilibra direito essa dinâmica da campanha. Outro ponto narrativo é que esse mundo possui quatro monstros enormes que estão atacando as raízes das grande Árvore da Vida, mas estas missões só aparecem e são melhor exploradas quando todas as tribos são conquistadas. Não sei, me parece uma falta enorme de equilíbrio em distribuir corretamente uma certa variedade de missões principais. Essa coisa de distribuir o mesmo modelo de missão em sequência, para depois mostrar outras coisas, é muito uma quebra de expectativas.

E vejo só, claro que nesse meio tempo, entre exploração e viagens entre tribos, o jogador irá encontrar diversas outras missões opcionais. Salvar vilarejos, explorar cidades abandonadas, entrar em bunkers, enfrentar diferentes feras e descobrir outros segredos desse mundo abandonado. Isso sim é legal! Mas o fato destas missões não serem consideradas principais, as vezes menos urgentes e portanto dividem um pouco o jogador, que tem o desejo de progredir pela campanha principal, afim de ganhar novos itens, armas, equipamentos e afins. E Biomutant tem muitas missões opcionais que me entretiveram muito mais do que algumas principais.

Outras missões que são semi opcionais, porém que dão uma sensação de não urgentes, são as missões relacionadas a encontrar certos trajes de proteção afim de permitir o jogador a explorar regiões consideradas tóxicas. Existem algumas áreas assim, como uma completamente sem oxigênio, outra radioativa e uma zona de grande calor. Para adentrar em cada uma é preciso encontrar um traje correspondente, e que em sua grande parte, estão em áreas bem distante e inexploradas do mapa. Fazer tais missões quebram um pouco o ritmo da campanha, pois pedem grandes desvios do caminho para as missões já conhecidas. Mas um conselho? Ao descobrir estas missões de trajes, tente realizá-las assim que possível. Poder explorar as áreas tóxicas e encontrar boas recompensas por isso, vale o desvio e a pausa na aventura principal.

Não posso deixar de mencionar que Biomutant também tem partes em que o jogador pode viajar no lombo de animais, navegar pelos rios por meio de um jetski (já que seu personagem não consegue nadar por muito tempo sem se afogar) e até mesmo um mecha, um robô enorme. São mais elementos de jogabilidade dentro de um jogo com tanta coisa. É fácil se surpreender com o leque de elementos que Biomutant tem a oferecer. Em certa parte meio soa como uma inspiração ao que The Legend of Zelda: Bearth of the Wild fez há alguns anos nesse gênero de jogos em mundo aberto. Isso explica os motivos pela qual se pode criticar o ritmo e a dinâmica da campanha principal, mas não dá para se negar que o mundo do jogo é instigante a ser explorado.

Considerações finais

É muito difícil chegar a alguma conclusão a respeito de Biomutant. Se você acompanhou todo o texto até aqui, sabe que questionei vários pontos do jogo, desde seu ritmo a sua complexidade de menus e elementos que criam um grande tornado de mecânicas que nem sempre possuem o refinamento a qual deveriam ter. Isso significa que o jogo é ruim? Aí é que está: eu não consigo responder que sim.

Acredito que estamos diante do famoso tão ruim que fica bom. Veja só, posso não ter curtido muitos aspectos do jogo, mas independente disso passei semanas jogando-o e não porque precisava para escrever esta análise, mas sim porque estava genuinamente interessando em ver até onde a loucura do jogo iria. Em certo momento acabei comprando sua bagagem e estava querendo mais e mais. Você entra muito fácil nesse universo, e quando entra, é difícil querer sair. Mérito de uma ambientação muito bem realizado, isso não dá para negar.

Em alguns aspectos técnicos, posso dizer que os gráficos estão longe do que os novos consoles são capazes de processar. Alias, me parece que até quando se pensa na geração passada, o jogo dá uns tropeços feios em cutscenes e algumas texturas feias em certos ambientes. Sendo um jogo de orçamento menor, com uma pegada mais independente, até chega a ser justificado. O ponto é que a animação em CGI que abre o jogo (a única por sinal), engana muito o jogador, fazendo-o pensar que mais momentos assim irão acontecer ao longo da campanha. E não vão.

Na parte da trilha sonora, também não destaco nada além do esperado. Os efeitos de som também seguem o padrão, enquanto na parte das vozes, como já mencionado, a decisão de dar ao jogo um narrador que fala o tempo todo, inclusive como intérprete dos NPCs e até mesmo dos pensamentos do protagonista é um aspecto exaustivo e que deve irritar muitos.

O contraponto é que tudo isso parece ser superado quando se coloca o mundo em questão a ser explorado livremente pelo jogador. É aqui que Biomutant agrada, mesmo com problemas de ritmo ao não distribuir muito bem a diversidade de missões principais que a campanha possui. É neste ponto que as análises podem ser úteis. Ir para Biomutant sabendo de seus tropeços permite que os jogadores saibam aonde estão pisando e como contornar alguns de seus problemas. Faça mais missões opcionais, por exemplo, sem ficar afobado com as principais, que vão se repetir por demais.

Verdadeiramente acredito que Biomutant pode ser um título que vai interessar fãs de jogos de mundo aberto. E a se pensar que existe muitos jogos em fórmulas padronizadas, sempre oferecendo sempre as mesmas coisas, este aqui ao menos está pensando de forma ambiciosa. Há problemas, e aos montes, mas ainda assim é uma tentativa louvável de fazer algo que não é qualquer estúdio que se arriscaria em fazer. Não consigo indicá-lo em um preço cheio de lançamento, até porque aqui no Brasil o mesmo foi lançado custando mais de 300 reais em certas plataformas, contudo certamente é uma destas pérolas que em promoção, e quem gosta de jogos para passar horas entretidos em mundos criativos e fantásticos, vai encontrar aqui uma boa refeição.

53 minutos de Gameplay

Galeria

Este slideshow necessita de JavaScript.

Dando uma nota

Incrível ambientação em um mundo pós-apocalíptico tomado por animais antropomórficos - 8.8
Ampla variedade de estilos de combate dão bastante liberdade ao jogador - 7.5
Gerenciamento de menus e mecânicas tende a ser complexo e até mesmo caótico - 6
Possui um certo problema de ritmo e dinâmica quando focado apenas nas missões principais - 5.5
Felizmente as missões opcionais e secundárias são criativas e intrigantes em boa quantidade - 8.2
Figura do narrador falando por todos e por tudo é cansativo e as vezes irritante - 5.5
Explorar seu mundo é um dos melhores pontos, ainda que a curva inicial da campanha te segure um pouco - 8.8

7.2

Hum...

Biomutant é uma incógnita. É um daqueles jogos que você encontra tropeços em diversas coisas, talvez pela quantidade de elementos e mecânicas que insanamente fazem parte da obra. Há uma incrível ambientação em sua proposta, mas a execução como um jogo eletrônico tem imperfeições que vão irritar alguns. Ainda assim, aqueles que desejarem dar uma chance certamente serão fisgados por um jogo repleto exploração, surpresas e momentos inesperados.

Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Dê uma ajuda ao site simplesmente desabilitando seu Adblock para nosso endereço.