Análise | Pokémon Legends: Z-A (Nintendo Switch 2 Edition)
Disponível para Nintendo Switch & Nintendo Switch 2

Pokémon Legends: Z-A é mais um experimento dentro da icônica franquia, que estremece ainda mais os pilares estruturais do que os fãs conhecem dentro dos jogos de Pokémon, indo um pouco mais adiante do que Pokémon Legends: Arceus propôs em 2022. Verbos importantes são alterados, mas a essência parece coexistir bem com tais mudanças. Novo sistema de batalha (tempo real), exploração com verticalidade, jornada auto contida e o retorno das Mega Evoluções são apenas alguns dos pontos apresentados.
Lançado no último dia 16 de outubro, com versão para Nintendo Switch e uma versão aprimorada para o Nintendo Switch 2, o título também foi desenvolvido pela Game Freak, estúdio que cuida da franquia desde o primeiro título de Pokémon, lançado em 1996, sendo que o estúdio também faz parte da The Pokémon Company, juntamente com a Nintendo e a Creature Inc. (está última responsável pelas cartas PTCG, brinquedos e outros licenciamentos). A distribuição do jogo ficou para a Nintendo globalmente, mas no Japão é a própria The Pokémon Company a responsável.

Importante mencionar esse imbróglio de companhias, porque ao contrário dos títulos que envolvem apenas a Nintendo como operadora principal, a qual os jogos tem sido recentemente localizados aqui no Brasil, os títulos que envolvem a The Pokémon Company seguem não recebendo localização em nosso idioma. O que por si só, é um grande mistério sem o menor sentido, considerando o tamanho da franquia, e sua localização em outras esfera, como os animês dublados e tudo relacionado as cartas PTCG (Pokémon Trading Card Game) também localizadas. Dito isso, é uma pena que Pokémon Legends: Z-A não apresente localização em português.

Este é o segundo título do que parece vir a ser tornar uma série de jogos criados com a proposta justamente de experimentar novas ideias para uma franquia cuja a fórmula, e certos valores técnicos, se mostram estagnados há décadas na franquia principal. O primeiro titulo foi Pokémon Legends: Arceus, lançado em 2022. E sim, ambos os títulos são enormemente distintos em dezenas de aspectos. O que compartilham entre si é justamente o conceito de serem propostas diferentes, usando elementos da fórmula fora da caixinha. Diferenças que vou destacar ao longo desta análise.
Passos carentes de evolução
A primeira coisa que precisa se dizer sobre Pokémon Legends: Z-A não são os méritos das novidades, mas a ausência de refinamento de elementos que gritam por atualizações dentro de toda a franquia Pokémon. Aspectos que inclusive já havia dado sinais necessários em 2022, quando o primeiro título desta série foi lançado: a ausência de voz para momentos chaves da narrativa.
Se isso já não fazia sentido em Arceus, em Z-A é ainda mais gritante em muitos aspectos. Há intensas cutscenes em que os personagens possuem expressões, gesticulam até mesmo com a boca, e toda a cinematografia criada é inteiramente realizada com a ausência de voz, apenas uma tímida trilha sonora ao fundo e alguns efeitos sonoros. A imersão da narrativa é arrancada do seu coração toda vez que essa estranha decisão ocorre dentro do jogo. Faz a franquia parecer velha, assim como seus jogadores, que ainda aceitam esse tipo de situação.
Outro elemento técnico que grita por melhor cuidado é a qualidade dos gráficos e da própria Direção de Arte em geral. Sinceramente, Arceus me impactou muito mais quando lançado. O mundo era mais bonito, diverso, imersivo de explorar. Os cenários, os ambientes, o conceito de um jogo de época, no passado do universo Pokémon. Conceitualmente é bem mais impressionante, ainda que com todos os defeitos (também gráficos) existentes desde seu lançamento.
Pokémon Legends: Z-A toma a ousada decisão de se passar totalmente em Lumiose City, cidade criada em Pokémon X & Y (2013), que tem como inspiração Paris, capital da França. Contudo, diferente do jogo que originou a cidade, aqui o layout da cidade é expandida de uma forma que impressiona pelo conceito e tamanho, mas que repete padrões urbanísticos que muitas vezes dão a sensação de que tudo é igual demais nas áreas externas da cidade.

E sim, o jogo se passa totalmente em uma única (imensa) cidade. De uma proporção nunca idealizada em nenhum outro título da franquia. A cidade é dividida por setores, e as wild zones, onde ficam os Pokémon, ocorrem dentro da própria cidade. Não tem exploração de rotas ou ginásios aqui. O funcionamento é diferente, e explicarei mais sobre isso adiante, pois existem também pontos positivos dessa ideia.

Graficamente, existe a possibilidade de que o desenvolvimento em via dupla, para o Nintendo Switch e Nintendo Switch 2, seja um dos motivos que (desta vez) atrasem esse aspecto técnico. Claramente o título se beneficia do poder de hardware do Switch 2, entregando uma experiência mais estável, texturas melhores, taxa de quadro estável, contudo, visualmente ainda utiliza de amplos cenários repetitivos, e muitas vezes, sem a riqueza de detalhes desejados.
Também fique com a impressão de que os pokémon selecionados para esta aventura são batidos e repetitivos para com os últimos títulos da franquia, sejam de spin-offs ou dos títulos principais. Dá uma sensação de que são os mesmos Pokémon de sempre, a qual estamos cansados de conhecer (e ter), principalmente os da primeira geração. Também não entendi porque só existem 230 pokémon em todo o jogo base, que é um número até menor ao que existe em Pokémon Legends: Arceus, que traz 242 pokémon. Para uma franquia que já conta com mais de mil criaturas, a média de 250 é baixa demais…

Então, Pokémon Legends: Z-A apresenta estes pontos fracos: ausência de voz para os personagens, o que empobrece a imersão narrativa; ausência de localização em português; gráficos e direção de arte que ainda ficam abaixo de outros sucessos da Nintendo (como Super Mario e The Legend of Zelda); sensação de ambientes repetitivos; e poucos pokémon em relação ao todo que o universo da franquia apresenta atualmente.
Novidades que ditam ares de mudança
Hora de entrar nos aspectos que merecem elogios e que geram um debate interessante sobre o futuro da franquia, ou dos spin-offs (séries derivadas). No caso de Pokémon Legends: Z-A, o maior elemento de destaque certamente é o modelo de batalha, que abandona o antigo sistema por turno e entrega batalhas em tempo real.
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Batalhas
Essa é a mudança que arremessa a fórmula da franquia na parede, com uma força realmente violenta, enquanto equilibra velhos conceitos para o sistema de tempo real. Por exemplo, cada pokémon continua utilizando somente quatro movimentos, que vão mudando com a evolução de nível de cada criatura. Esse princípio elemental de Pokémon não foi alterado.
As batalhas funcionam da seguinte forma: você se aproxima de um pokémon adversário, trava sua mira nesse pokémon e manda o seu pokémon atacar, ativando assim a batalha. Se o pokémon te ver antes disso e quiser briga contigo, ele também pode fazer a mesma coisa, até mesmo se você não estiver com nenhum pokémon fora da pokébola. Desta vez, pokémons atacam e podem facilmente nocautear o jogador que não estiver atento as áreas dos golpes a depender do movimento usado. E se o treinador for nocauteado, é fim de partida, e você vai ser levado ao Centro Pokémon mais próximo, não importa o status do seu Pokémon.

Esse conceito, cuidado com o rebote do ataque dos pokémon é um elemento interessante das batalhas. Tanto que o treinador tem um comando só para ele, para esquivar de um ataque adversário com um raio de acerto muito amplo. Não só isso, mas sua posição interesse em outros elementos das batalhas, de como seu pokémon irá se posicionar e até mesmo se o ataque irá acertar ou não. Parar de atacar e se afastar por uns instantes pode salvar seu pokémon de um nocaute. Se mexer nas batalhas também funcionam para que certos ataques não acertem seu pokémon.
De volta aos quatro comandos básicos das batalhas, elemento tradicional da franquia, cada golpe usado tem um tempo de espera, de poucos segundos, até que ele possa ser utilizado novamente. Claro que golpes mais poderosos demoram mais do que golpes simplórios.
Contudo, um dos muitos pontos interessantes é que neste sistema, como o jogador não precisa esperar seu turno (sua vez) de atacar, enquanto seus melhores golpes não são recarregados, você acaba usando golpes que normalmente não se usaria com frequência. Leer, Growth, Charm e Protect são movimentos que jogadores tem em certos pokémon, em níveis iniciais, ou em avançados, com propósitos táticos específicos, que aqui, usa-se a vontade enquanto o golpe mais efetivo, está sendo recarregado por alguns segundos.

É interesse como a mudança no sistema revitaliza movimentos pouco utilizados. Isso porque desta vez os movimentos não tem a barra de PP, que nos jogos tradicionais ditam quantas vezes certos ataques e comandos podem ser utilizados, até que você vá a um Centro Pokémon e restaura sua utilização em combate. É uma mudança que parece pequena, mas que traz um resultado gigantesco nas batalhas.
Outro aspecto que mudou, e fiquei com a impressão que mudou para melhor, é a liberdade para o jogador customizar completamente, e quantas vezes bem entender, todos os quatro movimentos ativos em seu pokémon. Elas continuam aprendendo novos movimentos com a escalada do nível, e o jogador pode trocar estes movimentos a qualquer momento, inclusive retornar movimentos retirados do setup. Toda a lista de movimentos que seu pokémon já teve, pode ser resgatado a qualquer momento, num simples comando de menu. Isso é muito bom.
O jogo alias não força mais a ter que aprender o movimento assim que ele fica disponível. Ele só te avisa que é possível equipar um novo movimento. Assim como o sistema também não evolui mais o pokémon de forma automática. Apenas te notifica, assim o jogador precisa ir no menu e indicar que o pokémon deve evoluir. Pode não ser prático para alguns, mas achei mais democrático. Dá liberdade ao jogador para evoluir, quando quiser que ocorra. Diferente de outros jogos, sendo necessário deixar uma Everstone com o Pokémon para impedir sua evolução.

O resultado desse novo sistema são batalhas mais dinâmicas e melhor ritmadas. Num primeiro momento, esse sistema pode parecer simples ou caótico, a depender das batalhas em que você se envolver. Nas Wild Zones, pokémon podem ser juntar para espancar o treinador e seu pokémon, mas nas batalhas com outros treinadores é melhor organizado esse controle da situação.
Claro que nem tudo é perfeito. No caos da ação em tempo real, existem elementos tradicionais da fórmula que se perdem um pouco. Por exemplo, as notificações de uso de movimento, o que é super efetivo ou atribuição de status negativos em pokémons, passam avisos tão rápidos pela tela, que o jogador não consegue acompanhar, porque está olhando pro seu pokémon, pro seu treinador, para posição, para o menu de movimentos em recarga etc. Ou seja, a HUD a tela de batalha tem informação demais e parte é perdida.
Os desenvolvedores não encontraram uma solução perfeita para todos estes pequenos detalhes. Outro exemplo, ocorre na troca de pokémon enquanto a ação do combate está rolando. Ainda é possível deixar 6 pokémon na sua equipe, mas é bem complicado fazer a troca em meio a batalha. Pode acontecer de você trocar e seu pokémon automaticamente ser nocauteado pelo adversário, que pode estar simplesmente atacando seu pokémon anterior e o movimento está anda acontecendo.

A troca deveria desacelerar momentaneamente o combate, o que não ocorre. No animê, por exemplo, é comum que o pokémon espere a troca ocorrer, ou que ela seja impedida quando um grande ataque está ocorrendo. Esse sistema poderia adaptar algo assim, bastaria fazer o pokémon que ficou na batalha reagir com uma interrogação ou exclamação, interrompendo a batalha e recomeçando novamente depois da troca.
Enfim, é um sistema que ainda tem margem para ser refinado. Mas a pergunta de milhões é: batalhas em tempo real são melhores do que as batalhas por turnos? E o que posso responder é que são sistemas diferentes, e não me parece que um tem que ser melhor do que a outra. Sinceramente, não gostaria que a franquia abandonasse completamente os turnos, ainda que tenha apreciado aqui a experiência de batalhar em tempo real. Acho que ambos os conceitos podem coexistir, se mesclar um pouco e até mesmo criar algo novo.

Inclusive, fico com a opinião de que prefiro as batalhas de turno de Pokémon Legends: Arceus, do que as batalhas em tempo real deste novo jogo. Visualmente, estrategicamente, o refinamento do jogo anterior parecia mais consistente e interessante. Para o conceito de pedra, papel e tesoura que as batalhas de Pokémon sempre tiveram, esse ritmo de tempo real não tem a mesma eficiência do que os turnos. É legal, divertido demais, mas ainda é um conceito que precisa ser afinado e evoluir para algo novo e próprio.
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História
Em termos narrativos, Pokémon Legends: Z-A também entrega bons acertos, ainda que já tenha mencionado que a ausência de voz e falta de localização sejam sim deméritos do ponto aqui discutido. Contudo, deixando isso de lado, e olhando para os pontos positivos, há bastante valor no que os desenvolvedores criaram aqui.
Primeiro que desta vez não temos um protagonista que seja uma criança de 10 anos de idade em uma jornada para se tornar o melhor mestre treinador de uma região específica. Um enorme clichê da franquia, que ainda funciona, mas sempre torna tudo excessivamente previsível.

Desta vez o protagonista é um jovem adulto, que está passando por Lumiose City como um turista. Você sequer tem um pokémon inicialmente. Porém em um incidente envolvendo o roubo de sua bagagem, fica claro que vai precisar de um em uma cidade onde todos respiram e possuem um pokémon. Nisso você conhece uma amiga (ou amigo, a depender do gênero escolhido para iniciar o jogo), que lhe concede um pokémon, que logo te reconhece como um cara com potencial.
Ainda soa um pouco clichê, mas há mais nesse história que não quero contar. Sem saber o motivo ou razões, você traz algo consigo um pokémon lendário, que vai lhe acompanhar ocultamente por parte da aventura, até se revelar por completo posteriormente. Lumiose City também está passando por um ponto de mudança, com estranhos fenômenos ativando Megaevoluções de pokémons, incluindo alguns selvagens, o que gera perigo e alerta a todos os habitantes da cidade.

O jogo se passa 5 anos após os eventos de Pokémon X & Y, não que o plot do jogo de 2013 importe aqui. Mas esse contexto existe apenas para dizer que a cidade mudou nesse período de tempo. Não só ficou maior, mas como abraçou ainda mais a causa pokémon, permitindo que existam Wild Zones até mesmo dentro da cidade, controladas e que mantém pokémons selvagens dentro destes refúgios naturais. A cidade está ainda mais integrada com os pokémon, há mais Centros Pokémon, cafeterias e estabelecimentos onde as populações e seus pokémon podem desfrutar de refeições, compras e passeios. Houve um redesenvolvimento urbano completo.
O protagonista ao se hospedar em um hotel, logo se afilia a um grupo de jovens, comprometidos a investigar mais sobre os eventos de Mega Evoluções descontroladas pela cidade, enquanto resolvem participar de um torneio que está ocorrendo na cidade, onde você precisa competir com diversas pessoas para ganhar pontos de vitória e assim desafiar um líder de ranking. Todo mundo começa num Ranking Z, e precisa ir subindo na ordem (decrescente) alfabética, até chegar ao Ranking A. Daí o nome do jogo.

O conceito do Torneio de Ranking Z-A, por sinal, é bem interessante, e substitui muito bem os tradicionais desafios de ginásio. O jogo tem um clico de dia e noite, não em tempo real, então existem algumas diferentes entre ambos os ciclos. E isso interfere diretamente no torneio.
Durante o dia, o jogador pode realizar missões opcionais e secundárias. Muitas destas missões são interessantes, porque envolvem explorar as muitas nuances da cidade, aprender mais sobre pokémon, técnicas, movimentos e estilos de combate. Diversas dão recompensas valiosas, incluindo pokémon. Além disso, é possível comprar itens e capturar pokémon nas Wild Zones, ainda que tudo isso pode ser feito também a noite, sendo que em alguns casos, há pokémon que só irão aparecer em horários noturnos.
Contudo, existe um aspecto especial nas noites em Lumiose City, que envolvem no fechamento de áreas aleatórias da cidade, onde os habitantes saem as ruas para batalhar uns contra os outros, afim de ganhar pontos para ter o direito de batalhar contra os melhores treinadores das posições de cada uma das letras dos Ranking alfabéticos. E isso só é possível fazer a noite, e dentro das áreas estabelecidas para combate.

Esse momento é interessante porque envolve algumas mecânicas que vão além das batalhas em tempo real. Há cartas especiais que podem ser coletados para impulsionar os pontos de vitória, quando realizado o que tal carta instrui, como usar movimentos de certos tipos de pokémon, ou até mesmo surpreender um treinador, iniciando a batalha de forma a pegá-lo desprevenido, o que lhe rende um ataque surpresa e de mais potencial de dano. Para isso basta esgueirar por trás do treinador e atacar seu pokémon inadvertidamente.
Tudo isso faz parte do conceito narrativo de Pokémon Legends: Z-A, dentro de uma cidade que respira o universo pokémon, num momento de alta competitividade entre seus habitantes. O jogo tem tempo para trabalhar todos que estão reunidos no entorno do protagonista, cada com sua sua personalidade própria, além dos mistérios das Mega Evoluções que rondam Lumiose City.

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Verticalidade
De volta a Lumiose City, apesar de ter tecido críticas ao fato de que todo o jogo se passar em uma única cidade, o que torna muito de seus ambientes repetitivos, é preciso elogiar alguns dos aspectos desse conceito de que toda a jornada é apresentada em uma enorme cidade. A começar como a exploração vai além do plano terreno, e aposta na verticalidade, sendo possível subir em praticamente todos os edifícios da cidade, domar os céus da cidade.
Há escadas e elevadores que te teletransporta (não me pergunte a ciência disso existir no mundo do jogo) imediatamente para os topos dos edifícios. Lá você irá encontrar praças e locais em que as pessoas podem sentar e prestigiar a vista dos céus da cidade, contudo, o que mais interessa ao jogador nestes locais são os pokémon selvagens que habitam os topos dos edifícios. Muitos que são encontrados apenas aqui, longe das Wild Zones oficiais.

Por sinal, existem alguns pokémons selvagens que podem ser capturados pela cidade, enquanto passeia pela mesmo. O pokémon Trubbish, por exemplo, pode ser encontrado em locais de lixo urbano, como latões. Pokémon pássaros, como o clássico Pidgey também está por toda parte, nos postes da cidade. Flabébé também pode ser encontrada em arbustos, entre as flores. Os exemplos são poucos, mas são bacanas que existam.
Mas essa verticalidade é interessante, porque adiciona um contexto de observação além das ruas. O jogador precisa pensar como chegar ao acesso em certos locais, e as vezes como irá atravessar o topo entre diferentes prédios. Isso porque existem movimentos e tipos de pokémon que podem interagir com alguns elementos do cenário. Pontes de teia ou de folhagem pode ser criadas a partir da interação de certos pokémon, da mesma forma que no solo, rochas e lama podem ser quebradas e lavadas, utilizando certos movimentos de sua equipe de criaturas.

Dizer que a área de Lumiose City é pequena… soa até errado. O jogo não te dá uma jornada entre ambientes e regiões de diferentes terrenos, mas a mega metrópoles que é apresentada aqui é impressionante em seu tamanho. Ainda que boa parte dos ambientes soem, sim, repetitivos. Mas existe diversidade em certos locais. Wild Zones com ambientes criados artificialmente para alguns pokémons, áreas com declives e um rio que corta a cidade, alguns túneis e becos secretos.
Não existe assim tantos locais internos. Existem, mas são poucos. Mas o jogo compensa isso com dezenas de lojas, cafés e centros Pokémon. Há toneladas de roupas e acessórios que seu personagem pode ser customizado, assim como comidas que podem lhe conceder alguns buffs temporários. E uma vez visitado esses locais, é possível usar a viagem rápida, o que torna bem prático ir para qualquer lugar em poucos segundos, sem uma tela de carregamento punitiva (ao menos no Nintendo Switch 2).

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Megaevoluções
Voltando um pouco, olhando em outro aspecto as batalhas de Pokémon Legends: Z-A, há que se mencionar o retorno das megaevoluções e os embates que envolvem suas mecânicas. Megaevoluções surgiram no já mencionado Pokémon X & Y, lá em 2013. Retornaram em alguns jogos posteriores, aqui e ali, mas nunca na mesma intensidade que é vista aqui em Z-A.
Tudo bem que depois que essa “evolução temporária” foi criada, vieram outras que também criaram um legado de evolução ou boost temporário que pode mudar os rumos de uma batalha pokémon, como ocorrem com os Z-Moves, Dynamax/Gigantamax, e as Tera Forms (Terastalization). Tudo isso começou com o conceito das megaevoluções.

O que Pokémon Legends: Z-A traz de novidade nesse aspecto, além do fato das batalhas serem em tempo real, algo já discutido nesse texto, são as batalhas de arenas, parecidas com o que ocorriam em Pokémon Sword & Shield, ou seja, colocando o jogador para batalhar contra um poderoso pokémon, com uma barra de saúde absurda, sendo superpoderoso (em atributos, ataques e defesas), com uma megaevolução permanente (que só esgota quando vencido), sendo que o jogador também pode usar a técnica, mas ela é finita, necessitando coletar pequenos cristais de energia que o pokémon adversário megaevoluido solta de si mesmo quando começam a toma muito dano. A coleta dessa energia pode manter seu pokémon megaevoluído ou encher novamente uma barra de energia utilizada para reativar essa condição.
Estas batalhas especiais tendem ser bem intensas e duradouras. Dá para perder toda a equipe de pokémon, usar diversos itens, e ainda assim não vencer o pokémon, especialmente se você não conseguir megaevoluir ou não tiver um tipo de elemento, ou movimento que seja eficaz contra o adversário. Contudo, o diferencial é que aqui você pode reativar essa megaevolução mais de uma vez, ao contrário do que ocorria em jogos anteriores, onde só se podia ativar esse estágio uma vez por batalha.

Contudo, estas batalhas de arena, que ocorrem em pontos chaves da campanha, e no multiplayer online, não são o único momento em que as megaevoluções são utilizadas. Essa mecânica também está presente nas batalhas normais e rotineiras do jogo. Cada um dos lados pode ativar uma megaevolução em batalha, e aí é preciso lidar com isso em tempo real, ainda que ambas sejam temporárias e vão se esgotar em pouco tempo. Neste caso, ambos ativam, ou um tenta sobreviver, até a megaevolução adversária acabar e aí se ativa a sua, passando a ver para o adversário se sentir pressionado por não mais pode usar o recurso.
Outro ponto pertinente em torno das megaevoluções é mencionar que Pokémon Legends: Z-A traz mais de duas dezenas de novas transformações (26) em relação a lista original dos pokémon que possuíam essa evolução de boost temporária. E mais megaevoluções inéditas serão lançadas na expansão que será lançada no início de dezembro.

A ideia de criar novas megaevoluções é legal, porém não acho que isso compense o fato do jogo não trazer nenhum novo pokémon ou nova variação, algo que seu antecessor Arceus trouxe, ainda que poucos. Não entendo qual a decisão tomada para não se criar nenhum novo pokémon.
Enfim, as batalhas de arena contra as megaevoluções é um dos pontos altos das batalhas oferecidas aqui, são intensas, caóticas, requer atenção a movimentos com grande eficácia, e o jogador não só precisa controlar os comandos de seu pokémon, como também precisa se mexer de desviar dos ataques de amplo alcance dos pokémons que perdem o controle durante as megaevoluções.

Considerações finais
Pokémon Legends: Z-A é um título muito interessante, ainda que não pareça cumprir tantas altas expectativas que a própria comunidade de fãs de Pokémon parecem estar exigindo cada vez mais da Game Freak. Manter o desenvolvido fechado a uma pequena equipe, sem contar com a colaboração e expertise de outros estúdios que poderiam colaborar muito com a franquia, soa sem sentido e até mesmo antiquado.
A Nintendo EDP (The Legend of Zelda) e até mesmo a Monolith Sofh (Xenoblade) poderiam acrescentar muito à franquia, em termos de exploração em mundo aberto, direção de arte, e sistemas de batalha que mesclam turnos e ação em tempo real. Enquanto isso não acontece (se é que um dia acontecerá), os títulos de Pokémon continuarão dando passos pequenos em termos de evolução, definitiva ou experimental – como neste caso.

Claro que a mudança da franquia do mundo portátil para um modelo híbrido, deixando a fórmula 2D para um ambiente 3D, cria dificuldades nessa transição que tem durado alguns anos. Então é natural que ainda pareça que os desenvolvedores ainda estejam aprendendo e se esforçando para colocar essa nova fase da franquia em eixos mais naturais. O tempo dirá como serão os próximos passos, ainda que agora, no Nintendo Switch 2, haja bastante potencial para crescer.
Há que se considerar que ainda estamos abordando um título que está transitando entre dois consoles. Ter o título lançado no Nintendo Switch certamente oferece alguns freios que próximos jogos, se desenvolvidos com exclusividade no Nintendo Switch 2, não necessariamente precisarão ter. Resta saber se isso acontecerá nos próximos títulos ou se a The Pokémon Company ainda irá olhar a enorme base do Switch e pensar que ainda não esteja na hora de deixá-los de lado (e faz sentido ainda não deixar).

Pokémon Legends: Z-A apresenta uma proposta muito interessante a franquia, deixando o modelo tradicional de jornada em uma região e as batalhas de turno, e o que poderia soar um tremendo desastre, se prova exatamente o contrário: a dinâmica do mundo Pokémon funciona até mesmo com essa virada enorme de mesa, oferecendo batalhas em tempo real e exploração mais auto contida em uma enorme cidade.
Os maiores pontos problemáticos de Pokémon Legends: Z-A não são as mudanças e novas ideias, mas os pontos técnicos que todo mundo fica desejando ver a franquia entregar: mundo mais vivo, localização em mais idiomas, uma quantidade muito maior de pokémon por jogo, cenários menos repetitivos, melhor direção de arte. Basicamente que a produção receba a grandiosidade que a franquia em si se tornou.
Mas no geral, a experiência deste jogo é agradável. O jogador de sente compelido a explorar Lumiose City, a avançar pela história, a descobrir como acessar pontos que inicialmente não seria possível, assim como capturar e aprender mais sobre os pokémon disponíveis aqui. Não acho que o título supere a experiência de Arceus, mas nem por isso sua proposta é menos válida. Há coisas aqui que Arceus não entrega.

Pokémon Legends: Z-A não é um ponto de virada para a franquia, mas assim como Pokémon Legends: Arceus, entrega ideias e conceitos que podem ser inseridas em futuros jogos. Ainda é difícil dizer se as batalhas em tempo real podem substituir as batalhas em turno. Hoje, posso dizer que não desejo isso. Porém acredito que existe um modelo que pode transitar entre ambos, como ocorre no modelo misto de jogos como Xenoblade. Se Z-A servir como um pontapé para esse tipo de inflexão, a obra por si só já valeu a pena.
Galeria
Gameplay *via nosso canal no YouTube
Dando nota
Apresenta uma história intrigante, com bons personagens, enquanto peca (mais uma vez) na ausência de vozes para aprimorar a imersão - 6.5
Apesar da comunidade pedir exaustivamente, seguimos sem localização em português - 4
Nada de visitar regiões, a exploração desta vez ocorre em uma única (e enorme) cidade - 7.2
Batalhas em tempo real ainda não superar as de turno, mas dão um novo ritmo e pesperctivas a fórmula clássica - 7.8
Lumiose City é uma cidade que sustenta o jogo inteiro, com muitos locais no solo e em seus telhados - 8
Novos sistema de progresão (Ranking Z-A) é mais interessantes que os desafios de Ginásio - 8.5
Megaevoluções retornam com intensas batalhas e muitas transformações inéditas - 8.8
7.3
Bacana
Pokémon Legends: Z-A mantém estigmas que a comunidade já tem reclamado há alguns jogos, como direção de arte e gráficos aquém do esperado, falta de localização em certos idiomas (incluindo nosso português), narrativa que com ausência áudio (vozes) aos personagens, e uma variedade de pokémon que não soem tão batidos. Elementos que valem a crítica, e os desenvolvedores precisam ouvir mais essas questões técnicas. Contudo, existe também a experimentação, e desta vez a inserção de batalhas em tempo real; fim da jornada tradicional, com foco em uma única localidade enorme; além do retorno das megaevoluções; conseguiram adicionar elementos que dão ao jogo a curiosidade suficiente para testá-lo e torná-lo divertido. O formato da exploração é interessante, com conceito de verticalidade; junto com a forma de gerenciar os pokémon, seus movimentos e testar as batalhas intensas de megaevoluções seguram boa parte da experiência do título que o torna agradável. Esta edição não entrega algo tão curioso e intrigante quando Legends: Arceus, mas oferece ideias únicas e que vão deixar muitos fãs curiosos em saber como isso refletirá nos próximos jogos da série e franquia Pokémon.



