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Cinema: Shrek Para Sempre – Eu Fui!


Alerta! Alerta!
Risco de spoiler! Se você é alérgico, não continue!

O maior problema é ficar esperando a originalidade do primeiro Shrek…

Resolvi ler algumas críticas antes de escrever esta, afinal eu fui assistir hoje à tarde ao último filme (pelo menos é o que dizem) de Shrek e sai da sessão satisfeito de que ao menos não erraram tanto quanto erraram com Shrek 3, que pra mim é uma animação tão horrenda que jamais deveria ter sido feita. Voltando às críticas pra minha surpresa, elas vem sendo meio negativa e quase sempre a principal razão é a falta de inovação e originalidade que a franquia impôs à si mesma no primeiro Shrek lá no tão tão distante ano de 2001.

Pra mim o que todo mundo esquece é que em 2001 podia-se contar no dedo quantas boas animações em 3D existiam e quantos estúdios trabalhavam na mesma. E não adianta querer mencionar Pixar, porque em pleno ano de 2010, ainda não há um único estúdio atual que consiga a qualidade em termos de roteiros e efeitos que a Pixar consegue. O primeiro Shrek quando foi lançado não havia a concorrência brutal que existe hoje em dia. Praticamente já foi feito quase tudo nesse gênero, e ainda é muito difícil ser surpreendido com alguma coisa. Se você espera um Shrek 4, ou Shrek Para Sempre, seja igual o primeiro filme de 2001, esqueça, ele não é. Mas nem por isso não existem alguns bons elementos e acertos na trama que estão bem melhores que o filme anterior. Original? Não, típica história de universos paralelos de  “E se isso acontecesse…”, porém extremamente divertido e bem amarrado. Não vou dizer que tenha ficado melhor que o segundo filme, porque na verdade eu é quem não gosto dessa continuação em específico (odeio aquele personagem Fada Madrinha e o Príncipe Encantado e toda a trama de quem vai ficar com o reino).

Enfim, o que esperar de Shrek 4? Uma ótima animação paralela que no final fecha de forma prazeirosa a quadrilogia final do Ogro. Mas fica aquele gostinho de que ao contrário da Pixar com a sua estupenda trilogia de Toy Story 3, a Dreamworks ainda tem muito o que aprender com sequências. Após o continue, mais alguns pontos a se discutir.

Acredito que o maior problema com o filme seja toda essa história de dimensão alternativa. Quer dizer, é um elemento usado nos cinemas, séries, quadrinhos e afins mais manjado do mundo. De alguma forma o protagonista da história é arremessado num universo onde tudo e todos que ele conhece estão diferentes. No caso de Shrek 4, o Ogro jamais nasceu e com isso o Reino de Tão Tão Distante caiu em desgraça, sobre o poder de Rumpelstiltskin, o safadão dos contos de fadas que faz aqueles acordos a la “Advogado do Diabo” e a razão para qual Shrek viverá o pior dia da sua vida. Há como cancelar o contrato? Sempre há um jeito e Shrek tem 24 horas para conseguir. História batida e manjada se olhad apor essa perspectiva, mas ainda assim os roteiristas se esforçaram ao máximo para trazer novos elementos à franquia.

Por exemplo, os Ogros, que estranhamente nunca estiveram presentes em nenhum filme de Shrek, putz, como a Dreamwroks nunca pensou nisso? A Fiona guerreira, a la Xena, também ficou ótimo, muito melhor do que aquela Fiona princesa que realmente sabe ser uma chata de galocha e não é só neste filme. Pra mim a personagem da Fiona só foi legal no primeiro filme, quando estava se apaixonando por Shrek, nos filmes posteriores ela está sempre reclamando e censurando o Shrek, inclusive o mote para toda a história do quarto filme se á ao fato de Shrek não conseguir mais ser ele mesmo, um Ogro. O legal pra mim da dimensão alternativo foi ver a Fiona mais livre deste esteriótipo de princesa, mais independente e menos reclamona. A personagem está realmente mais divertida e apaixonante do que nas continuações anteriores.

Burro e Gato continuam hilários, achei um pouco forçado do esteriótipo do gato gordo, que alias ficou meio que uma homenagem ao Garfield, mas parando para pensar, o Gato de Botas nunca teve uma complexidade e atenção tão grande quando o Burro tem desde o primeiro filme, sendo assim o Gato é realmente um mero coadjuvante para piadas, enquanto o Burro é o fiel escudeiro do herói, tanto é que ele é o primeiro a aparecer na tal dimensão alternativa. A cena onde Shrek voa pelo castelo e volta para salvar o Burro demonstra pra mim a importancia e o peso que o personagem tem para a personalidade e o jeito como Shrek é.

Também achei importante que neste novo filme some um pouco aquela coisa de drama familiar. Família isso, família aquilo que existe nos dois filmes anteriores. No segundo tem toda aquela crise de ser rei ou viver no pântano, no terceiro tem a crise do filho, já neste filme temos um vilão realmente esperto e o objetivo aqui é voltar tudo como era antes ou então Shrek sumirá, literalmente e o mundo caótico que ele criou nunca desaparecerá. Claro, Shrek ainda se move pensando em sua famílai e no seu amor, mas neste momento, o que ele precisa é sair desta dimensão maluca ou onde o pesadelos de todos realmente acontecem.

Outro fato importante é a diminuição dos personagens secundários em tela. Quer dizer, o biscoito está ali, pinóquio idem, o lobo, os porquinhos e mais uma penca de personagens e criaturas acumuladas ao longo de três filmes, mas fora o quarteto original (Shrek, Fiona, Burro e Gato, este criado no segundo filme), o resto destes personagens ganham muito menos tempo de tela do que nos filmes anteriores, onde várias vezes eles ficam seguindo o Shrek. Não que não fosse divertido, mas toma tempo de tela e deixa os filmes anteriores arrastados, sem mencionar a falta de piadas originais com os mesmo, pinóquio mentindo e se enrolando em suas cordas? Oras, quantas vezes já não vimos isso. Ainda bem que diminuiram o peso dos secundários, deixando para Shrek e Burro a maior parte das cenas do filme.

O tom sombrio também deixa o filme um pouco diferente dos anteriores, sempre passado durante o dia e com rápidas cenas noturnas. Em Shrek 4, é uma batalha contra o relógio, pois Shrek tem apenas 24 horas para desfazer o contrato de Rumpelstiltskin, então boa parte do filme se passa à noite, quando uma batalha iminente e com os guerreiros ogros. Gostei da mudança de cenário, sem falar nos vilões, aqui bruxas e o flautista mágico, que serve para dar aquele toque musical que todos os filmes da franquia possuem. Rumpelstiltskin também é um ótimo vilão, muito melhor do que a Fada Madrinha, que odeio, e err, quem é mesmo o vilão do terceiro filme? Ah, a porcaria do Príncipe Encantado. Rumpelstiltskin é inteligente e poderoso, tem um reino aos seus pés, ficou tão bacana quanto aquele vilão do primeiro Shrek e que já não lembro mais seu nome.

As cenas de ação também ficaram ótimas. Shrek lutando contra bruxas, voando numa vassoura, os exército revolucionário de Fiona e a batalha final no castelo quando Fione e Shrek acorrrentados derrotam a Dragão (não existe feminino de Dragão existe?) do primeiro filme. São cenas e jogadas de camera muito bem montadas e que me empolgaram. Burro encontrando o amor da sua vida pela primeira vez nesta dimensão alternativa foi simplesmente hilário.

Mas o que altou então no filme? Originalidade, como menciono no começo. Não há muitas paródias inteligentes e tudo que você vê em Shrek 4, talvez já tenha visto em outros filmes, não com o humor da série, mas não chega a ser algo que você diga “minha nossa como ninguém nunca pensou em fazer algo assim”, quanto na realidade existe histórias assim sendo produzidas quase que todo ano. Não sei se a proposta da franquia de Shrek tenha sido sempre ser original e sagaz, nunca me passou pela cabeça isso, mas pra mim o 4º filme acerta em muitas coisas, só ficou mesmo devendo nessa trama principal, pra mim toda essa idéia de Fiona guerreira, exército de Ogros  e vilões numa era negra poderia muito bem ter sido inserido na história sem apelar para um universo alternativo. Alias o Ogros desse mundo alternativo acabam que existindo no universo normal. Onde diabos eles estavam? Que coisa.

Poderia haver um Shrek Quinto? Não sei, certamente iria novamente nos cinemas assistir, ainda mais se a direção de uma nova história for como a desta filme. Sem dramalhões familiares, sem Fiona reclamando e pelo amor de Deus, para com essa história do reino de Tão Tão Distante. Chega O universo de Shrek parece que só tem essa localidade. Por que não inventar novos reinos e países. Mandem Shrek para China ou seu lá, mas saiam de Tão Tão Distante.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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