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Histórias do Vol. 09 de Clássicos da Literatura Disney! [Guerra e Paz] [MdQ]

Estou quase terminando a leitura do décimo volume de Clássicos da Literatura Disney (Cruzadas), mas enquanto não termino, resolvi comentar por aqui sobre o Nono volume, que na minha opinião é um dos melhores volumes lançados até agora nesta polêmica coleção. Menciono “polêmica”, porque os volumes deveriam estar recebendo um tratamento mais especial, como estarem vindo lacrados para proteção, distribuição mais regular em bancas, a seleção de histórias também tem seus altos e baixos, mas no geral, pra mim, é sensacional ter essa quantidade de páginas de quadrinhos Disney nas bancas semanalmente.

Para quem perdeu o post com as fotos deste volume (e do décimo), é só clicar aqui. Alias um mero detalhe, é que tanto neste volume, quanto no próximo, a edição fecha com uma simples páginas com uma ilustração temática do volume. Na edição 09, é com o Napoleão da segunda história, já que ele é o tema do volume. As páginas extras de textos explicativos também andou aumentando nos últimos volumes e trazendo muitas ilustrações de pinturas e informações tanto literárias, quanto históricas em torno do material de cada volume. Gostaria apenas que fosse reservado um espaço maior para falar sobre o roteirista e desenhista de cada história, assim como a repercusão da mesma desde a época de sua publicação, mas parece que nunca foi o objetivo da Ed. Abril fazer isso nestes textos extras. De qualquer forma, é perceptível o salto na qualidade do material e de todo o conjunto da obra. Realmente os volumes ficam bem mais interessantes com histórias da década de 80 para cá do que as antigas obras italianas da década de 50, 60 e 70, onde certos personagens Disney, ainda eram moldados.

Donald – Guerra e Paz
História produzida em 1986 (Inducks)
Roteiro e desenhos de Giovan Battista Carpi

65 Páginas
HQ originalmente publicada no Brasil em:
* Almanaque Disney 195 – 1º Parte e Tio Patinhas 268 – 2ª Parte (ambas de 1987)
* Disney Especial 159 (1997)

Mickey e o Segredo de Napoleão
História produzida em 1985 (Inducks)
R
oteiro de Bruno Concina e desenhos de Massimo De Vita
38 Páginas

HQ originalmente publicada no Brasil em:
* Disney Juvenil 1 (1991)

Mickey em Crime e Castigo
História produzida em 1993 (Inducks)
Roteiro e desenhos de
Guido Scala
46 Páginas
HQ inédita no Brasil!

* Donald – Guerra e Paz: O traço e quadros desta história são fabulosos. São páginas inteiras e até duplas com muitos detalhes. A roupa e cenários que remetem ao tempo de Napoleão e a Rússia. Temos um Pato Donald que realmente segue fielmente a sua personalidade original, preguiçoso, atrapalhado e que só se mete em furada.

O enredo da história também é original e cria uma idéia legal, que funciona muito bem no período histórico, mas ainda honrando o cotidiano e aventuras dos Patos. Tio Patinhas, mais uma vez precisa mover seu dinheiro, sem que os Metralhas descubram, Donald dá a idéia de fundir o dinheiro em forma de balas de canhões e pintá-las de preto. Tio Patinhas acaba topando a idéia, mas como sempre coloca o Donald encarregado de escoltar o ouro disfarçado. Como já era de se esperar, as balas acabam sendo usadas pelo exército Russo para tentar impedir o ataque de Napoleão. Rá! E Donald agora tem que se meter no meio da batalha para reaver as balas de canhões.

Criativa e até me lembra um pouco aquelas histórias malucas de Carl Barks, onde o Tio patinhas sempre tinha idéias mirabolantes para esconder seu dinheiro ou mover a caixa forte (lembram quando ele jogou todo o dinheiro no fundo de uma represa?). Mas em Guerra em Paz além disso há toda aquela preocupação em pontuar alguns fatos históricos e literários do volume que inspira a obra. Até o momento uma das melhores historias da coleção. Sem precisar seguir a obra original a risca, sem descaracterizar personagens da Disney e sem enredos fracos e desconexos.

* Mickey e o Segredo de Napoleão: No volume 4, eu expliquei o que era a série de histórias italianas conhecidas como Máquina do Tempo (quem perdeu, clique aqui), a primeira história dessa série, que brinca com o sorriso de Mona Lisa, continua devendo uma republicação no Brasil, saiu apenas em Almanaque Disney 239 de 1991, entretanto o que temos na história deste volume é a segunda história dessa série clássica que existe até hoje na Itália.

Por isso há tanto formalismo entre o professor Zapotec e Marlin quando convidam Mickey e Pateta para mais uma aventura no tempo, pois está é literalmente a segunda vez que a dupla faz isso. Por exemplo, assim que os dois chegam ao passado, Pateta marco o local da aterrissagem com pedras, coisa que em algumas histórias futuras dessa série, não existe essa preocupação, como que se Mickey e Pateta já estivessem mais acostumados com as viagens e agora se acostumaram com o lugar onde devem ficar sempre que viajam no tempo. Idem para as gafes do Pateta quando tenta conversar com os personagens da época, sempre esquecendo que não pode dizer que veio do futuro. É verdade que nas histórias mais recentes, ele comete outras gafes ainda, como citar eventos que não aconteceram ainda, mas essa coisa de “somos viajantes do tempo”,  ele não fala mais. São meros detalhes que acabei identificando ao ler a história.

Quanto a história eu si, achei ótima, engraçada e dentro da proposta da série. Vi na comunidade do orkut dos quadrinhos Disney comentando que essa série Maquina do Tempo era chata porque Mickey e Pateta sempre voltam no tempo para descobrir um mistério e no final das contas acabam descobrindo que eles próprios influenciaram o mistério histórico. Concordo com esse argumento, há muito disso mesmo na série, assim como aqueles onde eles acabam interferindo porque mudam o passado e tem que voltar para consertar, mas em o Segredo de Napoleão, não é este o caso. Eles não interferem em nada e não mudam a história, mas ainda assim se metem numa enrascada por ficarem espionando Napoleão. Rá!

Ah, e como curiosidade, a terceiro história da série Máquina do Tempo, se chama Mickey e a Guerra de Tróia, e ela nunca foi publicada no Brasil. Possui 62 páginas e bem que a Abril podia dar um jeito de publicar por aqui. Esse é outro momento da história que é muito famoso no mundo todo. O Cavalo de Tróia existiu ou não? Acho que até daria para encaixar nessa coleção de literatura, não?

* Mickey em Crime e Castigo: Por fim, a última história do volume também me agradou. Novamente vi no orkut, alguns reclamando do Bafo bonzinho e tal mais no final da HQ, mas acho que é esta a proposta da história, que é inspirado numa obra onde o vilão é corroido pela culpa pelos seus crimes.

Aqui Bafo acaba roubando da simpática e gentil Vovó Donald uma quantia considerável de dinheiro, doado pelo Tio Patinhas. Mickey pressiona o vilão, Bafo tem pesadelos com a culpa, e no final acaba se entregando e assumindo como o responsável pelo crime. Dentro da proposta do clássico literário, é isso, não tem o que se comentar.

Porém ressalto que o Bafo sempre foi um personagem que tem seus momentos de bondade. Há várias histórias natalinas com o vilão regenerado, tem uma que não me recordo o nome, onde uma sobrinha dele vem visitá-lo e ele finge com a ajuda do Mickey ser um cara honesto. As histórias com sua esposa, a Tudinha, também seguem enredos mais leves. O Bafo é sim um vilão, mas já o vi incontáveis vezes nos quadrinhos, se arrepender e no final da história, ele resolver fazer a coisa certa. É bem diferente do Mancha Negra, que é realmente um vilão sem remorso.

E aos que acharem estranho o Tio Patinhas distribuindo dinheiro na HQ, nas histórias italianas, o Tio Patinhas NUNCA negou uma moedinha sequer a Vovó Donald. Ele sempre respeito a simpatica velhinha da fazendo e sempre que pode ajuda ela. Pra mim não tem anda de anormal na história. A Vovó Donald é realmente uma personagem muito querida por todas e uma das poucas que sempre consegue mostrar um Patinhas diferente.

E assim, o volume 9 acaba, com uma ótima hsitória dos Patos, uma viagem do tempo com Mickey e Pateta, e uma história policial com o Mickey e participações especiais, como a da Vovó Donald. Ah, se todo o volume dessa coleção fosse tão diversificado e divertido quanto este.

Créditos das imagens das páginas acima ao hotsite da Abril para a Coleção. 🙂

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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