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The Walking Dead: série vai além dos Zumbis com racismo e… entranhas humanas! [1×02] [PdS]

The Walking Dead: Episódio 2 da 1ª temporada foi exibido nos EUA dia 7 de Outubro de 2010: Guts

Enquanto isso no Brasil: O episódio será exibido no dia 09 de Novembro no canal Fox!

Aviso: Continue lendo apenas se você já assistiu o episódio 1×02 (“Guts”) de The Walking Dead. Haverão spoilers!

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1×02: “Guts”

Quando cercados pela morte, notamos que é necessário viver!

Há alguns dias atrás escrevi sobre o piloto de The Walking Dead e manifestei preocupação com o desenvolvimento da série. Claro que confio em Darabont mas também sei que sair da história original da HQ poderia resultar muito mal (ou talvez muito bem, como desejo). Estava faltando o toque do segundo episódio para me deixar bem confiante no sucesso da adaptação televisiva da AMC. Era exatamente isso que desejava e esperava da série!

O episódio “Guts” fez uma combinação de partes da história original com a introdução de novas personagens que realmente impressionou. Que ótimo terem conseguido tirar a melhor vantagem disso! Existem muitas histórias de zumbis que se tornam extremamente cansativas por serem compostas principalmente por mortos-vivos. Porém, aquilo que faz The Walking Dead se destacar é a importância que dão aos seres humanos, aos seus dilemas e à sua necessidade de viver quando a morte vaga discreta e perigosamente por todos lugares. Basta uma mordida e está tudo terminado. The Walking Dead vai além das entranhas dos mortos-vivos. A série vai ao fundo das entranhas, não só físicas, mas também psicológicas do ser humano.

Algumas observações…

Então, indo às observações. Primeiro, penso que a relação entre Shane e Lori não deveria ser revelada tão cedo, mas quem se importa? Já me importei durante algum tempo com isso, mas depois aceitei bem. Aliás, isso não atrapalha necessariamente o desenvolvimento da série. Estou, inclusive, convencido de que a produção sabe o que está fazendo.

Logo, acho que o melhor que poderia acontecer seria a série The Walking Dead conseguir um novo padrão de qualidade; conseguir ser única por certas particularidades que não ficam bem em HQ mas que ficariam perfeitas na televisão  – quem já leu a HQ aproveitaria mais a adaptação e quem não leu não teria nada com que comparar.  Até me atrevo a afirmar que se a qualidade estiver lá, ambos os públicos reconhecerão e ficarão satisfeitos. Por outro lado, cada ser humano tem questões próprias, mentalidade própria e necessidades próprias,  e por isso quanto mais personagens bem elaborados surgirem, mais questões e dilemas surgirão, ou seja, mais conteúdo poderá ser abordado. E que o drama humano seja cada vez maior para intensificar a experiência.

Fora do tanque, preso na fuga! Racismo e revolta!

Demorou um pouco, mas chegou o momento de Rick fugir do tanque. A cena final do primeiro episódio deixou uma  determinada expectativa (e curiosidade): a voz bem humorada de um desconhecido e um tanque lacrado cuja única saída estava bloqueada por uma manada de zumbis. Se esperávamos alguma saída surpreendente, não obtivemos nada correspondente. Entretanto,  acho que na verdade não havia, também, outra forma de sair daquele refúgio inerte. Rick sai do tanque e a sequência continua cada vez melhor: Rick e Glenn são perseguidos por mortos-vivos até um edifício onde eles se encontram com Andrea e outros sobreviventes. Se se trata de The Walking Dead, claro que haveria algum conflito humano e o primeiro ocorre entre Andrea, bem mais agressiva do que na HQ, e Rick. Porém, o mais tenso foi estarem todos encurralados no edifício com zumbis famintos forçando a entrada. Podem não ser tão inteligentes, mas souberam jogar objetos (pedras) contra o vidro para invadir o prédio!

Bem, os limites da sobrevivência são vários. E um deles foi muito bem feito no segundo episódio. Dixon era uma pessoa muito difícil de lidar, sem dúvida. Não ajudava, tinha vício pelo poder e um preconceito daqueles! Destaca-se: adicionaram novos personagens mas com propósitos bem definidos para o funcionamento da série.  Dixon é um exemplo disso. E aproveitaram o conflito iniciado por Dixon para dar aquele foco ao protagonista, elevando o seu carisma e poder para liderança, e mesmo que isso não ocorra na história original, eu gostei desta cena em que Rick algema Dixon no telhado. A questão mais interessante é a capacidade do ser humano em se proteger em primeiro lugar – algo que vai ganhando dimensões mais volumosas ao longo dos episódios. É a natureza humana, simplesmente. Agora, até onde as relações humanas podem chegar na busca por sobrevivência é outra questão de destaque que fica cada vez mais clara de episódio a episódio e teremos muito o que discutir sobre isso no futuro.

A situação ficou bastante tensa: por um lado a tentativa de escapar do edifício vivos e por outro os conflitos internos. Durante a HQ se sente uma tensão constante, aquela sensação de curiosidade angustiada. Mesmo por outros caminhos, esse episódio conseguiu o mesmo efeito. Fiquei espantado com o review da IGN! Eles deram um 7 de 10 para o episódio! Honestamente, não concordo com a pontuação, mas também acho que uma produção artística raramente agrada a todos, então não deveria ser classificada tão objetivamente. Eu poderia dar um 8.5 ao episódio, mas prefiro ficar pelas impressões – essas são mais adequadas.

Questões éticas, entranhas mortas e entranhas vivas!

Para além de tudo, a questão de partilha de bens foi igualmente levantada: podemos pegar qualquer coisa das lojas agora? Não é costume, mas com a necessidade e sem ninguém que se importe com isso, porque não seria válida tal atitude? Afinal a vida humana vale mais do que o comércio e o dinheiro. Porém a questão ética continua alfinetando. Não exploraram esse assunto muito mais do que isso. E como se já não estivesse bom, a história ainda fica melhor. Raptar um zumbi, cortá-lo aos pedaços e se banhar em suas entranhas pode parecer estupidez, mas as coisas já não são como costumavam ser. Agora a estupidez virou táctica de sobrevivência. Aquilo foi absolutamente nojento e genial! Os zumbis devem viver mais pelas sensações, então vamos socializar com os mortos através do seu fedor.

Bom plano, péssima sorte que só durou pouco tempo depois que começam a caminhar entre zumbis. Desde o começo do episódio estava esperando a chuva, quer dizer, o céu nublado e negro já denunciava há muito tempo a ocorrência futura. E baseado na HQ, já sabia o que aconteceria na prática do plano de Rick – embora não ocorra na versão original tal como ocorreu na série (no mesmo momento e com o mesmo propósito). Mesmo assim, a cena foi perfeita!

O resgate do resto também ficou ótimo. A mensagem da série já diz que nem sempre podemos salvar todos e que a morte é algo mais frequente desde que as pessoas começaram a “levantar de seus túmulos”. Mesmo Dixon sendo uma pessoa insuportável, o ter deixado algemado no teto do prédio foi uma boa dose de crueldade, não só humana mas também do destino. Incrível, mas a chave tinha mesmo que cair no lugar menos desejado e mais incrível e louvável foi terem pensado isso e executado. Isso ainda terá sequelas, claro.

Conclusão…

Enfim, desde o começo até o fim, “Guts” foi excelente. O primeiro episódio lançou uma série boa mas ainda pouco sólida. O segundo já solidificou a base, o suficiente para dizer que a AMC acertou em cheio. Isto é, obrigado Darabont.

Já disse isso antes, mas volto a dizer: o elenco selecionado tem me surpreendido. O acampamento e as personagens estão muito bem reproduzidas. Quanto ao próximo episódio, aguardo ansiosamente. Já temos o Sneak Peak do episódio 1×03 (“Tell it to the Frogs”) que intensifica a vontade de assistir o próximo episódio ainda mais, mas teremos que ter paciência e aguardar até Domingo.

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.
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