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Bleach Jigoku Hen e uma historinha dos infernos para qualquer fã esquecer! (Impressões)

Quando esse filme foi anunciado, alguns pensaram no desperdício de roteiro que seria apresentar o inferno num filme de menos de 2:00 hs de duração, já outros menos preocupados com o enredo e uma possível falta de idéias novas do autor ficaram extremamente empolgados com o assunto e ainda houve alguns como eu que não se animaram com nada e só estavam esperando um milagre, uma luz o fim do túnel. Em bom português: um roteiro que salvasse esse filme do já conhecido esteriótipo de “filler no telão”. Será que Jigoku Hen pode ser encarado como algo interessante? Ou já podemos esquecer mais uma atração sem graça entre as comemorações dos 10 anos de Bleach? Ops… acho que já entreguei o ouro. Porcaria!

Post inevitavelmente repleto de spoilers, não viu essa pérola ainda? Passe longe. Lembrando que essa é apenas a minha opinião, ninguém precisa concordar ou praguejar por conta dela. Ao invés disso, expressem as suas opiniões e discordem a vontade e com educação, ok?

Então vamos lá, Bleach: Jigoku Hen tem início quando Ichigo e toda a trupe de Karakura estão tendo mais um dia tranquilo e cheio daquelas piadinhas que nós tanto adoramos tanto no mangá quanto no anime, tendo até uma reprodução daquela cena emblemática do Moranguinho chutando a bunda de uns arruaceiros que não respeitam as flores que são deixadas para quem já morreu. Até aí nada demais, a fita começa a rebobinar e remoer todo o clichê dos filmes anteriores quando a escola inteira começa a tremer e os vilões dão as caras. Os coadjuvantes são devidamente jogados para escanteio e as lutas tem início.

Os recém chegados trajam mantos negros e máscaras, no meio da festa, um dos fantasiados perde parte de sua máscara revelando seu rosto, o que no mesmo ato invoca os carrascos do inferno que abrem seus portões e tragam o rapaz imediatamente, deixando claro que nem todo foragido do inferno tem permissão para andar livremente entre os vivos. Enquanto isso na casa de Ichigo, Yuzu e Karin estão sendo raptadas como um bom pretexto para trazer o substituto de shinigami para as profundezas do inferno. É nessa hora que chega Kokutou, um dos renegados remando contra a maré que consegue recuperar Karin, mas deixa Yuzu ser levada com os vilões para o recanto do Diabo. Sem tempo hábil para confiar ou não no recém chegado, Ichigo, Renji, Rukia e Ishida seguem Kokutou até o inferno no intuito de salvar Yuzu antes que seja tarde demais.

Há poucas coisas a se elogiar neste 4º filme de Bleach e a trama na minha humilde opinião não é uma delas, mas eu já chego lá. Antes devo ressaltar o quanto ficou linda a rápida reprodução do embate final entre Ichigo e Ulquiorra que ocorre logo no começo do filme. Cenas velozes e um traçado de dar inveja, claro que no anime foi mais emocionante ver o Moranguinho apanhando até a Inoue pensar que ele estivesse morto, mas o jogo rápido das melhores cenas  no início do filme foi demais. Esse início também serve para você não ficar muito surpreso com as atitudes do pseudo mocinho Kokutou, que mais para frente se revela o vilão que provocou a situação toda.

Basicamente ele viu os dois lutando em Las Noches e então teve a brilhante idéia de trazer o híbrido de shinigami e hollow ao seu mundo na esperança de que ele quebrasse todas as barreiras entre o mundo humano e o inferno em sua forma de Hollow maluco, mas como nem Aizen ou qualquer outro personagem do arco da guerra de inverno é citado, fica claro desde o início que o filme não tem conexão alguma com a história original. A idéia que originou o filme até que não cai tão mal, o problema acontece em sua execução. Os personagens que apareceram num especial sobre o filme castigando Szayel Aporro e Aaroniero não eram os grandes vilões no fim da contas e só serviram para preencher o longa com um espaço pessimamente mal aproveitado com lutas sem graça naquele velho esquema de comandados do vilão contra os amigos do mocinho. É quase uma hora completa de pura enrolação e um pouco de apresentação do inferno, que mais uma vez não se parece em nada com o inferno que todos idealizamos. Ele é mais comparável ao universo interior do Ichigo com aquela aparência de ambiente surreal.

Como o esperado, é lá que todas as almas penadas vão parar, os guardiões são monstrengos andando de um lado a outro, punindo quem tenta fugir e quem se mostra algum tipo de ameaça mesmo estando morto, morrendo incessantes vezes até perder a última vontade de viver que lhe restar (porque isso aqui não é Dragon Ball Z). O engraçado da coisa toda é que Kokutou e seus colegas são os únicos que parecem lidar com a situação caótica do lugar sem muitos problemas, enquanto todo o resto sofre duas ou três vezes mais que eles. A falta de maiores detalhes e até mesmo uma divindade que cordena todo o inferno é outro ponto que ao menos para mim denota total despreocupação na apresentação do local, deixando a entender de que apesar dos tais guardiões estarem lá para barrar a passagem dos mortos, o grupinho seleto do filme inexplicavelmente tem total liberdade para organizar a bagunça. Imaginem vocês se eles fossem parar no Hueco Mundo então, no que daria isso?

Dando de cara com os laranjas que nem desconfiam estar sendo usados, o Morango usa sua forma Hollow quase que automaticamente. A desculpa é a de que no inferno tais poderes se intensificam com facilidade e até mesmo podem tornar o dono deles incontrolável, o que deixa as coisas mais fáceis de engolir quando a forma Lust sair para brincar.

O ápice do filler só chega mesmo quando já faltam pouco mais de 30 minutos para o fim da tortura, quando numa situação já esperada, o condenado consegue enraivecer o shinigami, com todos abatidos e os nervos do protagonista à flor da pele, lembrando de fato o cenário de um inferno sem saída . E quando você pensa que enfim o Ichigo vai mandar tudo para o espaço, Renji usa suas últimas forças para mandar o Morango de volta à Terra. Já do outro lado do portão, toda a turma da sociedade espiritual já está à postos tentando conter a abertura dos portões do inferno dentro da Terra e dispostos a deixar quem ficou para trás apodrecendo na companhia do demônio.

É nessa hora que bate aquela sensação de que o filme acabou de começar, visto que mais da metade dele foi enchido de lutas sem muito significado e que agora dão lugar a um momento mais sério. Ichigo fica deprimido, teme pela vida da irmã e fica uma clima bem pesado, muito diferente do clima de uma luta de vida ou morte ou do dramalhão que o personagem passou para evoluir enquanto enfrentava os arrancars. É o único instante realmente interessante, como quando personagem chorou ajoelhado em frente aos Fullbringers na atual saga do mangá ou mesmo quando o personagem se sentiu sem saída quando ainda não tinha idéia de como domar o Hollow dentro dele. Infelizmente nessa hora o filme já está entrando na reta final e o que parecia ser o ponto A do longa termina muito rápido e volta para a mesmice de antes. Uma vez fora do inferno, Yuzu volta ao normal, o que dá um novo motivo para o protagonista parar de se lamentar e descer no inferno mais uma vez no intuito de resgatar Rukia, Renji e Ishida que acabaram presos por lá.

A essa altura do campeonato você já tem uma idéia de como o filme vai terminar e só lhe resta uma dúvida: como raios aquela armadura de esqueleto foi parar no corpo do Ichigo? (o velho Fantomas curtiu a idéia) A resposta é ainda mais broxante que tudo já visto até o momento em Jigoku Hen. Só para o filme não perder o pouco da graça que ainda tem, ainda mais nos seus momentos finais, eis que Kokutou se mostra mais do que um oportunista desprezível e dá aquela surra no herói. Sem Yuzu para virar a mocinha em perigo, quem entra na dança dessa vez é a Rukia enquanto Renji e Ishida tiram uma soneca ali perto. A forma Lust volta a pedir passagem, mas desta vez o substituto de shinigami domina sua fera interior e de lanbuja ainda recebe uma ajudinha de forças maiores do inferno, que simplesmente não concordam com o que Kokutou está fazendo. Nem preciso dizer que o final foi extremamente feliz, só faltou um arco-íris dar as caras em pleno inferno.

A sensação final é de apenas mais filme sem espírito, sem alma e sem motivos para ser lembrado como algo realmente relevante para o universo da série. A emoção desce uma enorme ladeira sem fim e sem previsão de uma nova subida. Melhor voltar para o mangá mesmo.

Jigoku Hen é mais um daqueles filmes para você deixar no último lugar das suas sessões de anime em casa. Ele tem um traçado belíssimo, o mínimo que poderíamos esperar de um filme, mas comparando o seu enredo com os outros 3 filmes, esse é de longe o mais fraco, parecendo uma idéia meio perdida que poderia ter rendido mais. E para quem ficou chateado pelo inferno ter sido usado num filme porco para os cinemas, não acho que seja motivo para preocupação, uma vez que a produção nem sequer faz questão de manter uma conexão com a trama original. Lembram que em Saint Seiya a saga de Asgard existe tanto em filme quanto em anime? Pois é, com Bleach a história tem tudo para se repetir, só resta saber quando.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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