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Os tropeços do Jogo Justo…?

A simples lógica de não correr mais do que as pernas aguentam

Essa semana a coisa tá fogo. É gente raivosa pra tudo quanto é lado. Na área dos quadrinhos eu comentei ontem por aqui (link), mas tem outra bolha de pus que anda vazando pela web a semana toda e que preciso comentar. Não sei exatamente como começou, quando eu cheguei já tinham jogado a merda no ventilador. Acompanhei um pouco o que a Kotaku BR divulgou, e o bem humorado Mais de Oito Mil. Se tu tá chegando na roda agora, dá uma lida nesses links que citei. Eu espero… Pronto?

Então bora conversar após o continue…

Obs: Comentários de baixo calão serão deletados. Opinem, mas sem desrespeitar e ofender terceiros.

Ontem acabei tropeçando com esse print screen que abre o post. Não sei se é real, fui lá no Facebook do Moacyr e nada consta na sua linha de tempo. Em todo caso a Kotaku BR também mostrou, então não tem porque ficar escondendo a imagem. O caso é que tá toda essa muvuca na internet, gente com raiva do Moacyr, chamando o Jogo Justo de Jogo (In)Justo e todo aquele circo que o brasileiro adora. Mas e aí?

Veja bem, a grande polêmica é essa suposta intenção, que agora a Acigames está tentando oficialmente dizer “não é bem assim, calma“, de taxar e criar empecilhos aos gamers brasileiros de adquirirem games lá no exterior, seja por importação ou pelo Steam (formato digital). Mas peraí, vamos por partes, OK?

Eu também sou a favor de um melhor controle sobre o mercado cinza. De lojistas que compra lá de fora e vendem aqui dentro do país. Essa ideia de nacionalizar o Steam não é roubada, é bacana, porém existem outras questões, como os problema com o licenciamento individual de títulos, que, por exemplo, fazem nossa Live Arcade e PSN serem bem capadas de títulos. A Apple Store que finalmente começou a vender games oficialmente por aqui também abriu com pouca coisa em relação ao exterior. Porém no Brasil nem tudo é preto no branco.

O Moacyr também não é nem um pouco paciente. Adora dar uma cutucada injustamente nos gamers sem noção que ficam flameando ele. Me pergunto as vezes pra que ficar alimentando trolls? Pois é, nessa ele se ferrou, porque independente do que ele disse ou não, a merda tá feita e pegou mal pra caramba pra imagem dele toda essa fanfarrice em cima do assunto.

Em todo caso essa discussão estava também meio inflamada ontem no forum da equipe. De um lado o Mauri defendendo que precisa ter sim um controle mais duro sobre importações e compras vindas lá de fora. E o Pedro dizendo que não tinha nada a ver. Eu acho que nessas situação não adianta se radical ou extremista. O mercado nacional não vai florescer da noite pro dia, tem que dar passos de bebê.

O Jogo Justo já conseguiu baixar os tributos internos que deixam os games caríssimos? NÃO! O Jogo Justo já conseguiu tirar os games daquela lei escrota que os tratam da mesma forma que máquinas de caça-níqueis? Não! O que diabos o Jogo Justo fez no Brasil até agora? Nada? Não, também não é bem assim. E essa é a minha visão: o Jogo Justo conseguiu de uma certa forma fazer os lojistas nacionais acreditarem no potencial do mercado. Antes do Jogo Justo não se via com frequencia essas promoções e quedas de preços em games lançados aqui no país. Essa semana mesmo não vim aqui no blog mostrar uma promoção do Skyrim por 99 patacas?

O Jogo Justo na verdade não fez nada com relação ao Governo Brasileiro a meu ver. Não mudou lei, não abaixou impostos. Me pergunto até mesmo se conseguiu mudar a mentalidade de deputados e senadores em quantidade o suficiente para futuramente mudar algo mesmo. Mas na esfera das pessoas jurídicas, há uma óbvia mudança de mentalidade e isso vem desde o primeiro Dia do Jogo Justo. Mais promoções, mais apostas no mercado, mais expectativa. Isso o Jogo Justo ajudou e muito. Não fez sozinho, mas foi grande responsável.

Mas aí a gente volta na merda dessa semana. Ainda há muito que se fazer internamente. Quer dizer, pra que ficar trollando dizendo que vai mudar lei, alterar impostos pro pessoal que importa game ou compra no Steam? Tem olhar primeiro o próprio rabo. O Jogo Justo mal consegue mudar a nossa lei interna. Abaixar impostos e alocar os games numa lei correta para os mesmos, pra ficar tentando culpar e apontar o dedo pro pessoal que importa e fazer de conta que estes são os culpados? Não são! Primeiro você muda a lei, diminui os impostos. Permita que os games fiquem mais baratos, aí depois você vai brigar pela fatia das importações.

Fica parecendo que não sabem mais o que fazer. O Governo não muda nada, tem a mentalidade de uma velhinha de 90 anos, age e trabalha como tal alias. Não adianta atacar quem importa, se você não permite que essa fatia compre os produtos no Brasil a um preço JUSTO.

Entendo a urgencia de combater a pirataria, de querer criar barreiras ao mercado cinza. Mas vamos com calma, né? A lei não mudou, os originais ainda saem por aqui custando R$ 199. Se há títulos por menos que isso, não é mérito do Jogo Justo, mas da Microsoft Brasil e da Ubisoft Brasil que estão investindo pesado em autoração de games nos solos amazônicos do país. Para todos os outros estúdios, ainda dependemos de importadoras oficiais como NC Games e de seus salgados 199. Melhora isso Jogo Justo, aí depois vem cutucar o pessoal que compra lá fora.

Pra mim tudo que ocorreu essa semana é uma questão de ego, de trolls e de flames totalmente desnecessários. Não é a primeira vez que vejo o Moacyr cutucando desnecessáriamente e não será a última. O fato é que no Brasil tem muito “eu vou fazer, nós vamos mudar” sendo assoprado aos ventos e pouca coisa está realmente sendo feita.

Eu quero ver mudar a lei, abaixar os tributos para os originais daqui, depois que isso for feito, aí podem vir o Moacyr e todo mundo do Jogo Justo mandar a gente tomar naquele lugar pela encheção de saco. Mas antes disso pra mim eles deveriam ficar de boa e não encher o saco da galera que AO MENOS não está comprando produto pirata.

É mais fácil você convencer alguém que paga R$ 100 num game importado a vir comprar no Brasil se o preço cair, do que convencer alquém que paga R$ 10 num piratox a pagar R$ 100 num original. Deixa a galera do original em paz. Façam o que originalmente deveriam fazer: abaixem o preço dos originais aqui. Aí depois vai buscar o público das importações.

E Moacyr, sério, pare de alimentar trolls. Sério mesmo que a gente precisa dizer isso? Aff…

 

 

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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