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Crítica | O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Eu fui! (+)

RISES!

Os posts EU FUI! são tradicionais aqui  no Portallos. Neles já acompanhamos a equipe do blog e os leitores partilharem as experiências sobre os filmes assistidos. E pensando sobre Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o novo filme do Batman que estréia nessa sexta e sobre como ele é o capítulo final de uma trilogia sobre o personagem, me peguei pensando mais sobre Batman Begins, que foi o início de tudo. E então, pensei na possibilidade dos posts EU FUI serem enriquecidos também com as expectativas das pessoas antes delas irem assistir ao filme.

Foi assim que surgiu a idéia de criar uma prequência, algo que cada vez mais vemos nos filmes. O Eu Vou! é uma livre discussão sobre o filme, mas é bom que todos aqueles que queiram participar evitem spoilers, os quais podem ser usados livremente quando o post ganhar seu EXP e virar o EU FUI. Dessa maneira, teremos um post com mais conteúdo, onde poderemos confrontar a nossa expectativa com a nossa experiência final.

De minha parte, sempre deixei bem claro que não sou lá muito fã dos dois filmes Batman dirigidos por Christopher Nolan, embora eu goste muito do personagem Batman, pois ele pra mim é o “melhor personagem Marvel” que a DC possui. Batman Begins é um filme bem interessante, Batman: O Cavaleiro das Trevas me conquistou pelo pano de fundo da história. E a minhas expectativa para O Cavaleiro das Trevas Ressurge são bem medianas, a coisa que mais me instiga na realidade é ver é como o legado do Batman será colocado no filme. Sei que o Nolan não dá a mínima para as histórias em quadrinhos do herói, mas ele tem David Goyer ao lado, e isso tem que fazer a diferença.

Sendo um filme que encerra uma grande história contada em três atos, quero ver se os acontecimentos que vi desde o Begins vão se refletir nessa última história, se eles vão fazer a diferença no final. Quero saber se todo o sacrifício de Bruce Wayne terá valido a pena, se toda a sua abnegação converterá a sua ideia em algo que o povo irá assimilar e fazer bom uso.  Afinal, a idéia do Batman será o legado de Bruce Wayne ou tudo será perdido?

Olhando o todo, será que verei Wayne como um verdadeiro herói ou só uma pessoa amargurada, assombrada por sentimentos de vingança disfarçados de boas intenções? Se um dos grandes inimigos que Batman encontrou no caminho se auto-intitulava um agente do caos, que tipo de agente será o Batman? Essas e outra perguntas minhas serão em breve respondidas…

E agora, fiquem com os comentários da equipe sobre o filme, com direito a spoilers à vontade!

Atualização em 30/07/2012 por Mauri Link

Ontem finalmente consegui assistir Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Antes, já tinha lido várias resenhas e ouvido declarações de diversos tipos de pessoas, desde o discurso do mais fanático até a conversa da tia que entrou na sala de cinema por impulso. A minha expectativa pelo filme já era um tanto baixa, no entanto eu ainda queria ser surpreendido.

Infelizmente, fui ao cinema, mas não fui surpreendido.

Contemplando agora toda a trilogia, a impressão que eu tenho é que Nolan fez 3 filmes que possuem apenas elementos do universo do Batman mas se distanciam do modelo tradicional do personagem. Na real, isso meio que já acontecia com a maioria dos filmes baseados em HQ’s, em graus variados. É algo que se distancia da proposta do Marvel Studios, que busca estabelecer conexões com a fonte original dos personagens ao mesmo tempo que podemos perceber o que foi mudado para que tudo possa funcionar na telona.

Christopher Nolan acabou sendo o diretor de uma trilogia do Batman quase “meio sem querer”, pois o que ele buscava era um filme sobre Adam Hughes. Só que O Aviador (Martin Scorcese) veio e deixou Nolan no vácuo.

Mas o irmão de Nolan, Jonathan, e o roteirista Davd S. Goyer eram fãs do Cavaleiro das Trevas e coube a eles convencerem Nolan a fazer um filme sobre outro milionário excêntrico: Bruce Wayne.

Nolan então mergulhou nas revistas do Batman, e o trio conseguiu convencer os receosos chefões do Warner Studios que eles poderiam fazer um filme diferente sobre o Batman, bem diferente dos últimos. Um filme com um tom mais sério, mais parecido com nosso mundo atual, de humor pontual e com personalidades melhor exploradas. E que ainda assim pudesse ter tantos elementos dos quadrinhos quanto fosse possível aproveitar.

Essa foi a benção e a maldição da trilogia Nolan. Diversas sagas do Batman podem ser referenciadas nela, como Batman: Ano Um, O Cavaleiro das Trevas, A Piada Mortal, Terra de Ninguém, A Queda do Morcego, O Longo Dia das Bruxas, entre outros. Mas ao mesmo tempo a trilogia se distancia dos quadrinhos, buscando uma identidade própria.

O resultado disso soa confuso para mim, pois não consigo encontrar nos filmes de Nolan os personagens com os quais convivo há anos. Fico com aquela sensação que estar ouvindo uma história antiga, daquelas que aconteceram há tanto tempo que ela se tornou algo além dela, como Ra’s Al Ghul disse a Bruce Wayne: “If you make yourself more than just a man, if you devote yourself to an ideal, you become something else entirely”.

Fazer os filmes do Batman foi muito benéfico para Nolan. Mais do que dinheiro, Nolan gosta de contar histórias fechadas (e mesmo cada filme dele do Batman tem um final definitivo, ainda que dúbio.) e o sucesso de seus bat-filmes possibilitou que ele pudesse realizar filmes que ele queria, como O Grande Truque e A Origem.

Mas enfim a saga do Batman de Nolan chega ao fim, e o diretor antes do lançamento deu declarações que ele fez o filme de uma maneira que não poderia prosseguir mais com a saga. Os filmes de Batman serviram como um trampolim gigantesco para a carreira de Nolan, e após o terceiro filme, ele estaria livre e com poder para fazer o que bem quisesse.

E o hype para esse último filme foi imenso, passando a dividir as atenções do público com Os Vingadores e O Hobbit como o filme mais esperado de 2012.

“In Nolan we trust” – diziam.

E se minha fé era pequena, e que recebi em troca dela foi uma decepção enorme. Em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge encontrei um Bruce Wayne irreconhecível. “It’s not who I am underneath, but what I do that defines me.”

E as ações de Batman foram covardes, construídas com base em mentiras. Mentiu na forma de herói de Batman escondendo quem Harvey Dent havia se tornado. Mentiu na forma de executivo sobre sua nova fonte de energia. Tudo para “proteger” sua cidade. Mas como mentiras não duram muito, a paz que ele trouxe para a sua cidade também não durou.

Em vez de um Batman combativo, vigilante, olhando pelas pessoas comuns, eu vi um acovardado Bruce Wayne se deteriorando, vivendo recluso em sua mansão. Enquanto isso, a prisão Black se entupiu de detentos. A sujeira de Gotham foi varrida para debaixo do tapete.

Mas eis que chega um vilão para quebrar essa mentira, e que no processo quer quebrar também o seu “defensor”. Bane é um vilão sem-graça nos quadrinhos, e aqui em Ressurge ele ficou mais ainda. O plano dele parece ótimo a primeira vista, que é derrubar os poderosos da cidade e trazer justiça ao povo. Ele chega agindo e discursando como um político. Para quem mal consegue falar e ser entendido, ele tem uma baita disposição para falar. E olha aí, o filme contou com uma equipe de produção milionária, e não perceberam que ninguém entendia p@rra nenhuma do que Bane dizia. A solução foi fazer gambiarra com o som…

O plano de Bane parecia interessante, o problema é que no fim tudo ia explodir. Explodir usando como bomba o reator de energia que as Indústrias Wayne criaram e que Wayne dizia que não funcionava, e nem Fox e nem mesmo o inteligentíssimo Wayne foram espertos o suficiente para mandarem desmontar o dispositivo.

A ocasião faz o vilão, assim como aconteceu em Batman Begins. De novo, uma geringonça de Wayne é usada para ameaçar Gotham. Talvez Alfred no fim estivesse certo, Bruce nunca deveria ter voltado, e a cidade ia sofrer menos nas mãos desses lunáticos.

Mas já que Bruce Wayne fez a cagada junto com Fox, os dois tinham que consertar. O Q do Batman deu a ele um brinquedinho novo e lá se foi o Homem-Morcego (após 40 minutos em que eu quase dormi) tentar impedir Bane de seu intento, depois que Selina Kyle mexeu com os brios dele. E fala sério, com tanta mulher gata por aí, escolhem a mais chuchuzinha da atualidade para viver uma das vilãs/heroínas mais sexies dos quadrinhos e que no cinema foi imortalizada pela Michelle Pfeiffer. Bem, cada um tem a Mulher-Gato que merece…

Os dois policiais principais da trama são Gordon (claro) e um jovenzinho esquentado chamado Blake. Gordon resolve ir atrás de Bane, mas é pego e surrado. Mas como ele sim é um cara foda consegue escapar com a ajuda do tal de Blake. E esse Blake hein? Ele sim pode ser chamado de o maior detetive do mundo, pois ligou os pontinhos e sabe que Batman é Bruce Wayne. Toma essa, Bátema!

Nessa altura do campeonato Alfred já disse adeus. As décadas de serviço aos Wayne foram jogadas no lixo, pois ele escondeu a verdade de Bruce. Gotham City tem sérios problemas com pessoas que não dizem a verdade. Bane ataca a bolsa de valores de Gotham e usa as digitais que Selyna roubou para realizar transações financeiras em nome de Bruce Wayne e acabar com as finanças dele. Bruce Wayne fica sem um tostão, mas antes disso o Batman consegue escapar do cerco policial de uma maneira vergonhosa.

Os oito anos recluso fizeram muito mal para Wayne, mais do que imagina. Ele é seduzido facilmente pela Miranda (que nem é aquela do Mass Effect) e ele passa a confiar mais nela, o que vai complicar mais ainda sua vida muito em breve. E de novo, caramba, depois da Rachel feiosa do filme anterior, Bruce dá uns pegas nessa outra mulher sem sal. Depois de ignorar as moçoilas do baile russo, ver isso me deixou revoltado de vez. Esse Batman de Nolan não é esperto, definitivamente.

Mas Bane não, e ele é tão gente boa que conta toda a verdade sobre seus planos para o Cavaleiro das Trevas, que foi traído pela mocinha de orelhas de gato (se Bruce tivesse dado uns pegas nela em vez da Miranda quem sabe ela o teria ajudado) e teve de encarar o terrível Bane e sua voz megafônica.

Então, dois caras treinados pela Liga das Sombras, que deveriam saber lutar, trocam sopapos desajeitados. Lembrou-me daquela vez que vi dois bonecos de posto juntos aqui no posto de combustível perto de casa. Pô, até entendo a justificativa de o Batman usar uma armadura, mas isso é péssimo para as cenas de luta. Todo o treinamento ninja aqui se perde. E Batman poderia usar alguma coisa bacana de seu cinto de utilidades além do pozinho de fumaça, mas como esse Batman de Nolan é meio burrão não demora muito pro Bane acabar com a raça dele.

Vai um fan-service aí? Pois aquilo que era comentado nas rodinhas dos fóruns se concretizou, e assim como aconteceu no quadrinho, Bane quebra a coluna do Batman na base da joelhada. Mas… quebrou mesmo? Sei lá, a cena foi tão rápida e Nolan nem se preocupa em fazer uma tomada interessante que fiquei com dúvida na hora.

Bane leva Bruce para a pior prisão do mundo, que deve ficar em Gotham mesmo, tamanha a facilidade com que se vai pra lá. Joga Wayne lá apostando que ele nunca sairá de lá como ele fez. Bane é o único que conseguiu escapar de lá quando ainda era uma criancinha leite com pêra e que toma ovomaltine, reza a lenda. Mas as lendas geralmente não são precisas, ainda mais para Nolan.

Bane toca o terror em Gotham City por vários meses, o tão aclamado exército americano paga pau pra ele e finge que não é com eles. A bandidagem é solta, esvaziando Blackgate. O Arkham? O quê, isso existe? O pessoal de lá é solto também, mas nenhum deles se parece com os típicos malucos que ficam nele. Acho que Batman não cumpriu a promessa que fizera a Gordon no primeiro filme…

Lá na pior prisão do mundo, continuam mentindo (eles também!) para Bruce sobre Bane ser a criança que fugira dali. Wayne ficou se sentindo mal com isso, e depois de ser curado da costelinha quebrada, na base da cordinha, cai mais algumas para aprender a levantar. Até seu antigo mentor, Ra’s Al Gh, aparece do nada e revela que o jedi-ninja é pai do Bane (NOOOOOOOOOOOOOO)… E depois dessa revelação de explodir cabeças Wayne finalmente consegue sair dali, em mais uma sequência sem emoção dirigida pelo “magnífíco Nolan”. Deus, espero que ele aprenda algo com o Snyder durante a produção de Homem de Aço. Mas só um pouquinho, não precisa exagerar que nem O Senhor do Slow-motion.

Wayne volta rapidinho para Gotham (afinal, aquela prisão deve ficar no quintal da Mansão Wayne ou algo assim) e perde dias pintando o bat-símbolo com um material inflamável em uma das pontes de Gotham, sem ser visto por ninguém, afinal, ele é ninja. Esse símbolo é aceso logo mais para indicar que “ôôÔôô, o morcegão voltou, o morcegão voltou, ôôÔôô”.

A batalha final é entre policiais destreinados bárbaros contra a bandidagem, é o Morcego contra Tumblers inúteis, é Batman contra Bane, de novo. Mas agora Batman treinou durante três meses e está mais fodão que o Bane, no melhor estilo Dragon Ball, e mesmo Bane dando socos que fazem um belo estrago na parede, o esperto do Batman finalmente percebe que aquela máscara serve para alguma coisa além de megafone e estraga ela, transformando o Bane em um boneco de posto furado agora.

Aí acontece um plot-twist que parece interessante. Miranda revela ser a única fugitiva da prisão-poço, e Bane o cara que a ajudou nisso. Os presos detonaram Bane aquele médico que curou a coluna costelinha de Bruce deu um jeito de salvar a vida do sujeito, talvez na base da cordinha também? Vi uma cicatriz que percorre a coluna inteira do Bane, será que o médico maluco colocou uma corda na coluna dele???

Pois é, o fodão Bane era só um capanga a serviço da menininha que fugiu da prisão-poço, que cresceu e agora quer vingança pela morte de seu pai, Ra’s Al Ghul. Ela quer vingança por Batman ter matado seu pai e frustrado os planos da Liga das Sombras. Ela não é Miranda, ela é Talia! E ELA É UMA TALIA FEIA! OMG!!! Por favor, sigam a Talia em Batman: Arkham City para se redimirem dessa visão.

Talia fere Batman com uma faquinha de cortar pão, e logo o Cavaleiro das Trevas fica a sua mercê. Ela foge para cuidar que a bomba exploda, e Bane aproveita que o Batman ficou mais fraco que ele e tenta matá-lo na base da cordinha (será que ele tirou das costas dele?). Mas é salvo por Selina, que assim como o Batman consegue pilotar qualquer coisa sem problemas, e ela dá um tiro em Bane com o canhão da motoca do Batman. Triste fim para o capanga do megafone.

Não podemos esquecer que enquanto tudo isso acontecia o Blake ficou agindo por Gotham, mostrando que ele sim é foda. Se não fosse por ele, minha esperança já teria acabado há tempos. Falando em acabar, quero acabar logo com o post, então pra resumir Batman e sua turma conseguem impedir que Talia prosseguisse com seu plano, mas a bomba vai explodir e o único que pode levá-la para longe é o Morcego. Então, o home-morcego e o Morcego levam a bomba atômica para longe, e a explosão só clareia a tela um pouquinho.

Mas a cidade milagrosamente não foi afetada. Batman acaba com seus dias de Homem-Aranha e finalmente é reconhecido como o grande herói de Gotham, já que Dent era o Cavaleiro Branco de duas-caras. Corre o boato de que Bruce Wayne morreu durante a confusão, e quem se dá é o Alfred, que ganha uma mansão com trocentos quartos só para ele e resolve aparecer.

O mordomo segue com seu ritual e vai lá naquele restaurante de sempre, e vislumbra Bruce Wayne e Selina Kyle juntos. Ele percebe que aquela bebida que tomou é forte demais e vai embora do local. E Blake? Descobrimos que o primeiro nome dele é Robin, e não é difícil entender p motivo dele esconder isso, afinal, ele devia sofrer muito com as gozações na escola. Robin descobre a bat-caverna, e assim como Gordon ganhou um bat-sinal com um símbolo diferente, Robin agora vai ser um Batman diferente. Pois ele não é ninja.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge encerra uma trilogia sobre o Batman comandada por Christopher Nolan. O diretor mostrou uma abordagem que tentou ser mais realista do que os filmes anteriores baseados no personagem. Nesse último filme, apesar de alguns deslizes, como se parecer em certos momentos como Homem de Ferro, o resultado pode ser considerado positivo.

Nolan e seu irmão, junto com Goyer, conseguiram recuperar a imagem do Batman depois de todo o estrago feito por Joel Schumacher, criando um universo único e muito interessante, que conquistou a platéia. Posso não gostar dessa trilogia, mas não nego todas as coisas boas que ela trouxe ao personagem. As pessoas passaram a respeitar mais o Batman, se identificaram com a abordagem mais “realista”.

Uma trilogia composta de três bons filmes, um exemplo de como se reconstruir uma mitologia. Temos muito a agradecer ao Christopher Nolan, Jonathan Nolan e a David S. Goyer. Um trio heroico!

Quanto a mim, aguardo por um reboot, que assim como aconteceu recentemente com o Aranha, possa me agradar mais.

Deh-Shay, Deh-Shay, Bah Sah Rah. Bah Sah Rah!

Adicionado por Meltoh:

O momento pelo qual passei a aguardar Batman The Dark Knight Rises, com toda a expectativa foi o momento que coloquei os pés para fora do cinema, após a sessão do filme passado. Sabe aquela sensação de que o universo de uma história é tão bem elaborado que de certa forma você quer ver mais sobre ele, ver sobre aqueles personagens, as suas ações, o desenrolar das tramas…

Foi assim com Batman, esperei longos quatro anos. Na época sequer haviam muitos boatos sobre a continuação. Nolan parecia que queria mesmo um pouco de férias e tempo para trabalhar em seu outro filme: A Origem. E esse tempo para colocar as idéias sobre o morcegão no lugar, fez com que Nolan nos entregasse mais uma joia de beleza difícil de achar, um filme que vai ser apreciado hoje e por muitos anos, não somente fazendo história como um filme de super-herói, mas como uma obra de arte.

Na minha humilde opinião, dizer que fugiu um pouco  das HQ’s é apenas em parte válido. Os filmes de heróis hoje em dia buscam essa identidade mais realista, por assim dizer. Vide Homem de Ferro e o novo Homem-Aranha por exemplo… O certo não é chamar isso de distanciamento, mas de adaptação. O Batman já foi reverenciado de formas diversas, desde quando surgiu lá atrás como detetive, passando pelo tom sobrio mais recentemente como as HQ’s de Alan Moore e de Frank Miller. É um personagem que foi constantemente se reinventando, mas sem perder aquela essência e a ideologia do herói.

Nolan adaptou da sua forma o Batman numa Gotham real, num mundo real, sem perder referências diversas aos quadrinhos. Poxa, o quanto eu fiquei feliz ao ver referências ao Killer Croc nesse terceiro filme, ou mesmo ao Asa Noturna… A própria questão do “símbolo” do Batman é uma coisa que já aparecia nas HQ’s, mais especificamente em The Dark Knight Returns de Frank Miller, que por sinal, antes de ver o filme ontem, eu falei com um amigo que achava que o filme terminaria com algo parecido com o que a HQ nos mostrou, e quase acertei né? As homenagens à quem é fã de quadrinhos estavam lá, mais nesse filme que nos outros.

Por outro ângulo, Nolan em toda a trilogia reapresentou o Batman aos cinemas com maestria, apagando a péssima impressão deixada por Joel Schumacher e revivendo a chama do herói que estava muito apagada. Acabei repetindo o Mauri nessa parte, mas é o que também acho, é uma adaptação, Nola fez o Batman e seu dever para com o Gotham. O Bruce Wayne pode ter errado algumas vezes, mas dependendo do ponto de vista e da situação, o que ele fez foi o que achou que fosse o certo a fazer, isso só mostra o quão ele é ser humano, além do seu alter-ego de super-herói. Ele pode ter errado, mas foi o primeiro a decidir fazer o que fez para salvar a sua cidade.

O terceiro filme não pode ser visto isoladamente, pois se perde muita coisa, ele é parte de algo maior, é o terceiro ato de uma grande história. Aplaudi alto no cinema, e fico feliz que algumas pessoas também o fizeram. Sabem reconhecer um bom filme quando estão diante dele. Digo que o Batman de Nolan foi uma das poucas trilogias perfeitas de filme que o cinema nos mostrou em sua história, onde nós temos o início de um herói, a sua derrota pelas mãos de um inimigo, o seu retorno e sua consagração.

Tive só uma grande dúvida… Superou o segundo? Não estou em condições de dizer isso ainda, se bem que o segundo foi mais focado no Coringa do que no Batman né? E para falar a verdade isso nem importa mesmo, prefiro pensar que tudo foi uma grande história…

E que venha o Batman 4 ou Batman 1 de novo, não importa! O Morcegão está de volta!

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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
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