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Opinião | O que estou achando de One Piece: Punk Hazard

A primeira aventura no Novo Mundo não é bem o que eu esperava…

Postagem com seus devidos spoilers. Esteja avisado!

Devido à correria dos últimos meses (já comentando por aqui) eu parei de ler mangás semanais. Não porque parei de gostar, mas porque cheguei num ponto onde me sentida mal em colocar esse tipo de entretenimento em detrimento de outras responsabilidades. Da obrigação de ler pra acompanhar o que os fãs estavam comentando naquela semana, na obrigação de ter que destrinchar e analisar calmamente cada capítulo, até mesmo quando não escrevia para o blog (mentalmente isso acabava involuntariamente acontecendo). Era um exercício mental que me desgastava e a pressão da comunidade (para me sentir participativo) só fazia ficar mais desanimado. Aí resolvi largar até me sentir bem e voltar a ler. E agora, de forma totalmente descompromissada, sem qualquer pretensão de voltar a ler semanalmente (pois não irei), posso dar uma pequena opinião do que venho achando do arco Punk Hazard em One Piece, na qual voltei a ficar em dia.

Logo de cara já digo que esperava muito mais da primeira aventura no Novo Mundo imaginado pelo Oda. O arco começou no capítulo 655 (saiu lá pelo dia 06 de fevereiro deste ano) e hoje, data de publicação desta postagem, deve estar saindo (ou já saiu, não sei) o capítulo 677. Se contei direito o arco está chegando a sua vigésima sétima semana, já que rolou algumas semanas nesse meio tempo onde não foi publicado um capítulo. E ainda não acabou, apesar de dar indícios de que vai começar a porradaria final do arco logo logo.

Pensando dentro de um contexto geral fico com a impressão de a história está meio perdida entre muitos elementos, personagens e situações que devem levar a algum lugar, mas que o leitor não consegue ver bem qual. O problema a meu ver é o timing em que esse arco está acontecendo. One Piece é um mangá que completou alguns dias atrás 15 anos de publicação. Ele já tem um bom tempo de estrada e nos últimos anos veio apresentando arcos de tirar o fôlego e narrativas que mudavam as prerrogativas da série. Passamos por momentos de agonia quando a tribulação foi separada, por uma invasão insana na maior prisão do mundo e até mesmo numa guerra que mudou a forma comportamental de todo o universo da série. Tudo isso e ainda com expectativa de um novo mar onde nada parece impossível, onde um dos maiores tesouros (ou segredos) do mundo está escondido: o Novo Mundo.

E estamos perdendo tempo numa ilha repleta de clichês. Temos um vilão que não é Vegapunk, um personagem que particularmente tenho alta expectativa para conhecer, com poderes que me dão um certo deja vu. Veneno seja em gosma ou em gás ainda é veneno. Ainda que Ceasar Clown não se restrinja apenas a um usuário que use apenas veneno, é inevitável ver que One Piece anda meio repetitivo em termos de habilidades. O que talvez seja normal depois de 15 anos de roteiro. É igual Pokémon, no aspecto que independente de cada geração de novos monstrinhos, sempre haverá alguns que serão parecidos em termos de poderes elementais ou habilidades. Depois de tantos anos deve ser cada vez mais difícil ser original num universo onde já se mostrou tantas habilidades extraordinárias. Ceaser não é um vilão que me causa arrepios ou espanto e, se o vilão não consegue meter medo fica difícil criar uma tensão que o roteiro parece pedir. Depois de guerras, invasões e anos de treino, não é qualquer pouca coisa que deveria meter medo no leitor. Admito que personagens como Monet e Vergo são bem mais interessantes dentro da saga, mas ainda acho que Oda não quer trabalhar com eles abertamente, dado o mistério que paira em relação a estes, mesmo que tenha sido revelado que são agentes do Doflamingo. Ainda não vi as reais motivações destes personagens aqui, nesta saga.

Mas a saga não tem apenas vilões, mas tem toda aquela complexidade que One Piece sabe ter, porém volto a dizer que são elementos que estão sendo utilizados de uma forma que não me agrada em nada. Voltamos ao cenário de inverno, com situações onde isso influencia na trama. Voltou a se usar o Smoker e a Tashigi para mostrar que nem tudo é preto no branco, um recurso que se usou em Alabasta onde Smoker acabou no fim liberando Ruffy. A própria troca de corpos de alguns membros da tribulação dos Mugiwara me pareceu meio sem propósito algum, meio “Trocando as Bolas”, algo que é muito comum no mundo dos filmes. Foi divertido ver o pessoal todo trocado, mas tem tanta coisa acontecendo em cena, tantos personagens, tantas sub-tramas, que fica difícil apreciar mesmo a idéia. No fim quase todo mundo já foi destrocado. Eu preferia ter visto essa brincadeira hollywoodiana num arco filler no animê, ainda que Oda tenha conseguido colocar muito bem esse contexto em certos momentos da trama, como o Franky usando a forma monstro do Chopper e atrapalhando tudo. Por sinal, acho que a habilidade do Law já beirando o absurdo, retirando órgãos e trocando pessoas de corpos. Uma habilidade original, mas parece ser tão mal aproveitada até o momento, usada apenas em momentos desnecessários e, quando Law precisa mostrar-se capaz acaba embananado e preso…

Fora isso, tem toda a confusão do pessoal do Barba Marrom, a história do samurai Kinemon e até mesmo das crianças presas. É coisa demais até mesmo para One Piece. Fico com a impressão de que não consigo aproveitar o roteiro tão inchado de elementos que talvez sejam desnecessários estarem acontecendo tudo de uma só vez neste momento. Sabem aquelas críticas de filmes de cinema onde a pessoa diz que o filme seria muito melhor se tivessem pensado menor? Eu talvez usasse esse argumento aqui. Punk Hazard talvez fosse melhor, mais divertido de acompanhar, se o Oda tivesse pensado menor, fosse mais calmo, sem ter enfiado 6 ou 7 plots de idéias num só arco. Precisava? One Piece consegue ser genial com muito menos.

Não duvido que desse arco a história vá moldar a segunda fase do mangá, mas me pergunto se era realmente necessário tudo isso? Quando eu penso em arcos como de Alabasta, aonde a trama não chegou colocando a tripulação direto na ilha da Vivi para guerrear, mas foi aos poucos crescendo o drama de ilha em ilha. Chegar metendo o pé assim no arco de Punk Hazard parece algo feito devido a certa pressão do público-alvo, com medo de que algo mais calmo e melhor trabalhado logo após arcos épicos deixassem One Piece algo menor do que realmente é.

Independente da forma como o arco irá terminar, espero que o próximo deixe os personagens respirarem um pouco. Apesar de que do jeito que as coisas estão indo, Oda parece que quer realmente Ruffy entrando em choque constante com o Governo Mundial. Se bem que isso ocorre desde o começo do mangá, porém sempre foi algo mais cometido, não tão chamativo. O maior desafio do Novo Mundo não parecem ser suas ilhas ou o mar dessa forma, o que acho uma pena…

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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