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Shigeru Miyamoto, arte e o videogame (Reflexão)

O artista e a Arte

Não há como traçar uma linha reta para se definir a história da arte, seus conceitos e definições, até porque muitas coisas aconteciam (e acontecem) de formas diferentes, em lugares diferentes, em épocas diferentes, e na maioria das vezes uma manifestação artística não era evolução de outra, mas, a coisa mais importante nessa falta de contexto historio é que “a arte não é linear”.

A arte não é para ser compreendida, a arte é para ser admirada, para ser degustada, para ser vivida. A arte não deve ser feita buscando lucro, pois a arte é atemporal, muitos homens enriqueceram através dela, porém, outros, como Van Gogh foram considerados loucos pela sociedade e morreram (suicídio no caso dele) na miséria por sua arte não ter sido reconhecida durante sua curta, talentosa e amargurada vida, e só tiveram sua genialidade reconhecida quando eles já não passavam de memória.

Vincent Van Gogh

Vincent Van Gogh

A arte em geral é um dos elementos que acompanham a humanidade desde o início das eras, muito antes de se imaginar que aquilo era arte, o ser humano já utilizava algum artifício para se comunicar ou transmitir suas idéias e visões, hoje é comum encontrar pinturas rupestres datadas de até 6 mil anos atrás, pinturas essas que nos fascinam, nos impressionam e acima de tudo estimulam nossa curiosidade sobre o misterioso passado da humanidade.

Pintura Rupestre: Interessante o cabelo do personagem central

Além de obras arquitetônicas belíssimas, em que o mistério de sua origem nos encantam ainda mais do que sua beleza, vejamos os casos dos Moais da Ilha de Páscoa, das Pirâmides do Egito (e demais espalhadas pelo mundo), a cidade de Machu Picchu, o Stonehenge, muitas “teorias” e lendas sobre a origem de cada uma dessas obras, porém, nenhuma certeza.

Quanto mistério por trás dessas rochas

A invenção dos primeiros instrumentos musicais totalmente orgânicos, feitos com peles ou ossos de animais, o teatro, a fotografia, o cinema, todas essas manifestações culturais moldaram o ser humano e fazem parte da natureza humana e em cada lugar que você olhar, lá estará alguma forma de arte

De todas as manifestações artísticas, a caçulinha delas é o Videogame, e o mais legal de tudo é que muitos de nós pudemos acompanhar o seu nascimento, o inicio totalmente rudimentar, ainda sem muitas pretensões, sem ser considerado arte, e como todas as outras manifestações, foi (e ainda é um pouco) “Marginalizado”. Porém, se há um nome para ser honrado pelos games que jogamos hoje, esse nome é Shigeru Miyamoto. Mas calma aí, ele não inventou o Videogame!! Concordo, porém foi ele que transformou o Videogame em arte.

Creio que no universo gamer uma das pouquíssimas verdades absolutas é a importância de Shigeru Miyamoto, o Gepeto dos games, o homem que fez com que o Vídeogame fosse visto de forma diferente pela sociedade, o homem que mostrou que criatividade vale mais do que tecnologia, o homem que faz suas criações ganharem vida.

Criador e Criaturas

Pouquíssimas pessoas na história foram capazes de criar personagens tão lendários e carismáticos quanto ele, além de mostrar um universo belíssimo para cada uma de suas criações, posso citar homens contemporâneos de grande genialidade: Walt Disney, Spielberg/Lucas, Stan Lee, Tolkien, homens que presentearam o mundo com personagens fantásticos, engraçados, poderosos, espaciais, cibernéticos, futuristas e mais uma centena de adjetivos, e hoje nos rendemos à genialidade desses homens que deixaram seu nome gravado na historia da humanidade. Pois o verdadeiro gênio é aquele que consegue transmitir ao mundo a sua genialidade.

Momento de descontração no Olimpo (Miyamoto e Spielberg)

Pra mim, uma das belezas da obra de Miyamoto é o ato de reinventar, de fazer que uma obra criada no inicio dos anos 80 possa transcender e continuar atual nos games dessa geração. Vejamos exemplos de Mario e Link, suas criações mais famosas, jogando tanto os primeiros jogos quanto os atuais, conseguimos sentir a grandiosidade da evolução, porém, sem perder os elementos principais, sem descaracterizar, ou em outras palavras: sem perder a essência. O sabor que só os melhores vinhos possuem.

Quem imaginaria lá nos primórdios que o JUMPMAN, hoje seria tão famoso quanto Mickey Mouse?

Primeira aparição do Mario num Game

Quem imaginaria que a industria dos games movimentaria mais dinheiro do que a industria do cinema? Mas pra mim a maior beleza disso tudo é a fusão entre as artes, onde um livro se torna um filme, um filme se torna um game, um game se torna um livro, sabendo que essas ligações não precisam seguir essa ordem, pois todas elas se ligam entre si, pois não existe limite para a arte.

O Homem-Aranha um dos heróis que transcende a HQ

Recentemente fomos a uma festa de casamento de um primo, e nessa festa meu irmão e eu levamos os bonés do Mario e do Luigi, sem nem imaginávamos a reação que esses bonézinhos causaria em praticamente todos os convidados da festa, adultos e crianças usando-os para tirar fotos, as brigas de quem queria ser o Luigi ou o Mario, inclusive os noivos tiraram uma hilária foto com eles na cabeça. Nesse dia eu percebi o quanto a obra de Miyamoto já faz parte do imaginário popular e são conhecidos por todos, gamer ou não. Uma vitória para nós gamers old school que acompanhamos a evolução desse aparelho tão marginalizado no inicio, suspeito de, entre outros crimes hediondos, estragar a televisão (!).

Apesar de que, infelizmente, ainda existam pessoas muito cultas, que passam meses sentadas atrás de suas mesas, criando teses (baseadas em tudo, menos em bom senso) e concluindo que games nos tornam violentos, ou que adquirimos uma síndrome que nos causa medo de crescer e enfrentar o mundo. Porém, nós continuamos nos divertindo e viajando para lugares inexploráveis e inimagináveis, enquanto eles jamais experimentarão o prazer de matar o Ganondorf.

Então é isso pessoal, se vocês chegaram até aqui, façamos um brinde a Miyamoto e arte dos Games.

E que venha o Wii U.

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Gustavo Grangeiro

Gamer desde a época que não existia Pause, que o Atari estragava a TV (Telefunken), que o Mario ainda se chamava Jumpman, e que Fliperama não era lugar para bons meninos. Amante de uma boa leitura de ficção, filmes e séries. Sou baterista (sem banda) e adoro falar bem e mal de tudo que é ligado a rock and roll e suas derivações "legítimas". Aceito uma discussão sadia sobre qualquer assunto, principalmente os polêmicos.
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