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Análise | Savage Halloween

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch & PC

Savage Halloween é um jogo indie que abrange os gêneros tiro e plataforma 2D, e é mais um game brasileiro, tendo sido desenvolvido pela 2ndBoss, estúdio de Santa Catarina, e publicado pela QUByte Interactive. O jogo tem esse nome pois seu lançamento original foi na semana de Halloween de 2020 no Steam, contudo foi no mês de abril deste ano que ficou disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4 (e PS5 por retrocompatibilidade), Xbox One (e Xbox Series por retrocompatibilidade). A versão utilizada para esta análise foi a do Xbox One. Vale mencionar com honras que o jogo está localizado para o português do Brasil, o que facilita o entendimento da história para jogadores de todas as idades.

Savage Halloween segue o mesmo estilo dos jogos da série Contra, mas sua dificuldade não se compara a clássica série da Konami, apesar de que se o jogador não prestar atenção na mecânica das várias armas disponíveis, o jogo pode se tornar tão difícil quanto o Contra, especificamente nas lutas contra chefes. Mais adiante explicarei a respeito deste detalhe.

Festa eterna

Tudo começou com uma festa… todos os anos existe uma tradicional rave de Halloween, onde somente os monstros são convidados a voltarem a vida por exatas 24 horas, e assim ficarem festejando até morrerem novamente (a festa dura 24 horas no caso). Após este período a rave termina e todos retornam pelo portal do mundo dos mortos, deixando nosso mundo em paz novamente.

Mas desta vez as coisas foram um pouco diferentes. Uma revolta tomou conta dos participantes, e surgiu da boca do Vampiro das Trevas a grande pergunta: “Por que só 24h? Trabalhamos 365 dias por ano fazendo maldade e só temos direito a uma folga? Chega! Dessa vez a rave de Halloween não vai acabar!

Pronto, por ordem dele uma magia foi posta no portal, fechando o mesmo, não permitindo a volta dos monstros e, consequentemente, impedindo o fim da festa. E sim, a confusão está armada, e nós, meros mortais, sofreremos com a invasão de monstros festeiros em nosso mundo. Entretanto, para nossa sorte 3 dos convidados se revoltam com essa situação e decidem se voltarem contra os festeiros, para assim tentar colocar ordem no barraco e acabar com a festa.

Tríade de monstros heróis

Para acabar com a festança, podemos assumir o controle de três personagens:

O fazendeiro James, cuja cabeça é uma abóbora e que está sempre com uma arma carregada em mãos. É o mais carismático dos 3 disponíveis na minha opinião, tendo todos os seus atributos (saúde, velocidade e pulo) medianos, e tem como seu especial o arremesso de uma abóbora granada.

Lulu, o lobisomem que quer voltar a brincar em casa. É o mais pesado dos três devido ao seu tamanho, tornando-o mais lento, mas compensa por sua vida durar mais tempo no meio dos tiroteios. Tem como especial atirar uma garra voadora que atravessa os inimigos.

Dominika, a jovem vampira, geek, imortal, filha do vampiro causador do problema todo. Quer simplesmente voltar para casa para poder assistir seu seriado favorito. Por ser a menor é a mais leve do trio, o que se reflete na sua capacidade de planar no ar após dar 2 pulos duplos consecutivos, sua saúde é mais baixa e sofre mais dano dos tiros inimigos. Seu especial é soltar uma revoada de morcegos e estes, caso acertem em algum inimigo, vão recuperar um pouco da saúde dela.

Tendo essa tríade de personagens é possível jogar o jogo inteiro em cooperativo de 2 jogadores, no jeito clássico que fazíamos antigamente com os amigos sentados ambos em frente da mesma TV. Apesar das diferenças estatísticas entre vida, velocidade e saúde, a escolha fica inteiramente por parte do jogador conforme sua própria característica pessoal.

Básico funcional

Resumindo em duas palavras o jogo: você pula e atira. O jogador vai explorar as fases e fazer unicamente isso. Há pulo duplo para alcançar áreas mais distantes e altas, contudo basicamente vamos seguir em linha reta até chegar ao final do estágio em questão. No meio desse percurso há um subchefe e depois dele o chefe de fase, que vai exigir um pouco mais do jogador, mas ele age independente da presença ou não do jogador em seus pontos de vista.

Uma dica e que vai fazer a divisão entre o jogo ser impossível ou possível é o desapego aos tiros diferentes das armas. Uma observação digna de nota é a possibilidade de atirar em 8 direções diferentes, o que dá toda uma gama maior de opções de avanço pelas fases.

O primeiro chefe eu tentei derrotar inúmeras vezes utilizando todos os tiros possíveis, menos obviamente, o tiro básico da arma principal e foi justamente somente com ele que conseguiu derrotar o chefe. Chega a ser estranho que mesmo contando com 5 armas diferentes, com efeitos e abrangências diferentes, seja justamente a mais simplória a arma que efetivamente vai causar danos nos chefes e tornar possível passar. Claro que alguns chefes vão precisar do uso de alguma das armas alternativas devido a forma diferente do confronto, mas a arma principal (a mais básica) acaba sendo a melhor saída para a maioria das enrascadas nos confrontos com os chefes.

Porém identifiquei um problema quanto à inteligência artificial dos inimigos e dos chefes: eles agem da mesma forma com ou sem a presença do jogador na tela. Os vários inimigos vão se mover em um padrão programado e atacarem após “tantos” segundos independente de onde o jogador esteja na tela. Acaba-se não se importando tanto pela premissa básica de atirar e derrotar todos os inimigos no caminho, mas se você desviar de algum, vai notar que o padrão de movimentação e ataques vai se manter, com ou sem a presença “perigosa” do jogador perante os inimigos.

Os comandos respondem muito bem, nos movimentamos com o analógico esquerdo, atiramos com o X ou RT, soltamos o especial com o Y, pulamos com o A e travamos a mira com o B ou LT – temos um diferencial aqui, ao pressionar um destes botões podemos manipular a direção do tiro com o analógico direito, o que nos permite atirar em qualquer direção, inclusive para cima/baixo.

Projéteis incomuns

Como comentei há pouco, a arma básica acaba sendo a mais eficaz nos momentos contra a maioria dos chefes, porém o mesmo não se aplica a jornada até eles. Nas fases e contra alguns chefes específicos usar as outras armas pode ser a melhor escolha. As armas alternativas são bem diferentes e estranha.

Não mudamos de arma em si, somente o que muda são as balas que vão sair da arma, a cada munição nova coletada, a arma vai mudar automaticamente para ela e caso se escolha voltar ao tiro anterior deve-se passar pelos outros apertando os botões RB ou LB, o que vai alterar entre os tipos disponíveis. Todos eles, por sua vez, contam com marcadores de balas que podem ultrapassar as 1.000 balas (somente ficam aparecendo no display até 999). Existem inclusive conquistas/troféus focados no acúmulo de munições de determinados tipos até ultrapassarem as 1.000.

Bom, permitam me descrever algumas das munições estranhas: morcegos (disparamos 3 morcegos a cada vez que pressionamos o botão de tiro, eles tem um espaço entre cada um atingindo uma área maior, é o tiro mais comum de acharmos pelo cenário; fantasmas (atravessam os obstáculos atingindo os inimigos através deles e caso não atinjam inimigos, ficam vagando pela área de tiro até sumirem ou atingir algo); galinha (arremessamos um frango que finca seu bico no inimigo explodindo em seguida); sapo (sim, atiramos um sapo que vai rolando/quicando ate atingir algum inimigo). Pois é, você provavelmente nunca usou uma arma que atira sapos rolando em seus inimigos ou galinhas explosivas.

Cada uma destas armas tem seus usos específicos, mas fica a cargo do jogador ser criativo também em qual usar em determinada situação. O alcance, tempo de tiro e danos causados por cada um deles varia e pode facilitar ou dificultar a sua vida contra certos inimigos, chefes e situações específicas. Experimentar cada um deles e aprender seus benefícios acaba sendo um dos desafios de jogar.

Tamanho da aventura

Savage Halloween nos apresenta 7 fases, cada qual por sua vez, subdividida em outros 6 estágios, terminando com o confronto contra um chefe. Cada uma das fases nos apresenta inimigos específicos e variados. Para encarar todo esse desafio, contamos com três vidas e mais três continue, infelizmente os únicos pontos de salvamento dentro das fases são justamente essas transições de uma para a outra, se estivermos terminando e morrermos teremos que fazer toda a área novamente.

Temos um mapa e a cada fase completada inteiramente (vencendo os 6 estágios e seus respectivos subchefes e chefes) nos permite acessar a próxima e até mesmo sair do jogo e retomar deste ponto de salvamento, podemos inclusive trocar de protagonista. Porém fica um aviso: as conquistas/troféus relacionados ao ato de terminar o jogo com “tal” personagem não serão desbloqueadas se você não vencer o jogo completo em uma “sentada de sofá”.

E sim, é possível fazer isso, mas não na primeira jogada, pois nela os três continues não serão suficientes para chegar até o final da primeira vez. Depois de jogar o jogo e pegar as manhas de cada uma das áreas e dos diferentes desafios presentes, aí sim é possível terminar o jogo em umas 3 horas (algumas fases possuem vidas extras que podem ser obtidas em passagens secretas ou bifurcações do cenário). Mas vai ser uma jornada dura e complicada, pois temos até mesmo fases de carro e de patinação/trenó, parecida com a que tínhamos em jogos como Battletoads, em que um erro pode ser fatal e acabar com a sua alegria (e vidas).

Savage Halloween ainda conta com dois níveis de dificuldade, normal e hardcore, o que pode ser mais uma opção para jogar com seus amigos e encarar um desafio mais difícil em dupla. Principalmente após completar no normal e pegar todas as manhas do jogo.

Visual e trilha sonora retrô

A música se destaca de forma fácil, sim, claramente elas são chiptunes, como nos antigos jogos do NES. E essa trilha foi feita de forma cativante e, sem sombra de dúvida, vai grudar facilmente em seu cérebro após ouvi-la em repetição. Nada mais do que o esperado para um jogo que é justamente sobre uma rave infinita.

Graficamente, o título nos traz mais uma vez aquele já conhecido ar retrô presente na maioria dos jogos feitos em pixelart. Você consegue ver os pixel nas imagens se amplia-las, mas isso está longe de ser um problema pois é tudo muito bem desenhado. E admito que bem colorido para um jogo com a temática justamente de Halloween.

Considerações finais

Se você estiver se perguntando se Savage Halloween vale ou não a pena, posso lhe responder que vale, com toda certeza. O jogo apresenta sim alguns deslizes, como o fato da IA ignorar a presença ou não do jogador no campo de visão dos inimigos, e chefes que continuam com seu padrão de movimentação e ataques mesmo que estejam atacando o vento. Por ser um jogo mais frenético, em que devemos atirar em tudo que se move, isso pode passar despercebido ou ser notado somente em partes específicas do jogo.

A variedade de personagens jogáveis, juntamente com a criatividade das armas, as mudanças entre as fases e a variedade das mesmas, já que temos inclusive fases de esqui e corrida, nos faz sempre ficar com a curiosidade com o que pode vir a seguir, o que é ótimo para manter o jogador interessado no jogo.

A trilha sonora cumpriu muito bem com o prometido e pode ficar tocando na sua cabeça após longas sessões de jogatina, sozinho ou com alguma parceria, já que o multiplayer de sofá para dois jogadores ainda funciona e sempre vai ter o seu lugar no coração dos gamers das antigas. É um título que funciona bem com essa ideia de multiplayer cooperativo local, e por ser retrô, não existe qualquer problema da falta de opção online.

Agora resta você escolher jogar com James, Lulu ou Dominika e acabar de uma vez com todas com essa ideia de existir uma festa eterna dos monstros. Festejar demais cansa, ora essa!

Galeria

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Dando uma nota

Arsenal de armas inusitadas e bem estranhas - 8.5
É sempre ótimo ver pequenos indies totalmente localizados em nosso idioma - 9
Inteligência Artificial é fraca, não sabendo reagir na presença do jogador - 5
Chefes são complicados se o jogador não perceber que a arma básica é a melhor escolha - 7.5
Fases de esquis e carros dão variedade a aventura, mas também são bem difíceis - 8
Show que haja multiplayer cooperativo local para dois jogadores - 8
Gráficos e trilha sonora retrô dá a pitada nostalgica que o jogo se propõe a ser - 8

7.7

Legal

Savage Halloween é mais daqueles jogos independentes bacana de se conhecer, ainda mais possuindo um DNA brasileiro, tendo sido desenvolvido por aqui. Destacando-se como uma boa surpresa para os jogos de tiro e plataforma, com um belo apelo nostálgico em seus gráficos e trilha sonora. A sua chegada para todos os consoles atuais pode ter demorado um pouco, mas não tira em nada as suas qualidades. Escolha seu personagem, distribua milhares de tiros e termine de uma vez por todas com essa festa dos monstros.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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