JogandoMiscelâneaReflexões & Opiniões

O inacreditável retrocesso do matchmaking de Halo Collection!

Sad Chief

Em se tratando das minhas expectativas em games para esse final de ano, uma de algumas decepções que rolaram foi em relação ao sistema multiplayer de Halo: The Master Chief Collection. E claro que não foi apenas comigo esse caso. O balde de água fria foi geral a nível mundial, ao ponto da 343 Industries – estúdio que ficou com a impossível tarefa de se mostrar tão competente quanto a Bungie foi quando tinha Halo em suas mãos – chegar a pedir desculpas por todo o game estar quebrando online e basicamente estar funcionando de forma porca e inadmissível, tanto que a merda foi tamanha que a solução para apaziguar um pouco a frustração dos jogadores foi anunciar que a campanha de Halo ODST será distribuído gratuitamente, em algum momento de 2015, para todos que jogaram algo da coletânea entre o período de lançamento do jogo até o dia 19 de dezembro da semana passada.

Distrações à parte, já que dar algo de graça para se desculpar por lançar um jogo que precisa ser consertado para funcionar anda em alta nestes últimos meses, o problema com Halo Collection se resume unicamente ao multiplayer online. A proposta da coleção de trazer toda a história de Master Chief em seus quatro games principais é incrível e as campanhas em si são fenomenais, ainda que valha a pena puxar a orelha dos responsáveis pela localização do produto que vacilou em duas coisas: os terminais agora são acessados pelo app Halo Channel e não estão mais legendados (quando que no game original esse conteúdo tinha legendas em PT-BR) e Halo 2 Anniversary, título remasterizado especialmente para a coleção possui legendas em nosso idioma apenas nas CGs, o que é um absurdo também inacreditável. Há um terceiro probleminha de localização em alguns pontos do modo multiplayer onde há coisas que estão em inglês em meio a outras coisas que estão traduzidas em português, o que demonstra a pisada de bola no cuidado em localizar o título para nosso idioma.

Agora em relação ao multiplayer inoperante de Master Chief Collection há alguns pontos que me fazem questionar a inteligência da 343 Industries e de como ninguém percebeu que o sistema não só não estava funcionando como também não é nem um pouco funcional quando se pensa em toda a evolução que o próprio sistema já havia evoluído em toda a geração do Xbox 360. Aqui o que fica claro é muito mais a inexperiência do que um vacilo aceitável. É isso que acontece quando um estúdio assume as rédeas de algo que outro estúdio fez do zero veio crescendo com a tecnologia ali permitido. E tudo isso me dá uma medo desgraçado do que vai acontecer com Gears of War quando a franquia retornar ao Xbox nas mãos de outro estúdio que não seja a Epic Games, mas isso é conversa para um futuro ainda distante.

Se estamos falando desta nova geração, de Halo e da 343 Industries, fica impossível não pensar em Destiny e na Bungie, e vou explicar as minhas razões para tal. Tudo bem que Destiny é uma nova IP (Propriedade Intelectual), feita para funcionar nestes novos consoles, enquanto Halo Collection é um apanhado de antigos games já feitos e escritos (programados) que precisaram ser “adaptados” para funcionar em um console diferente de suas plataformas originais e, isso por si só, já é uma complicação. Porém nada disso é desculpa para não acertar algumas brechas que o sistema de multiplayer de Halo já havia consolidado no Xbox 360.

Uma memória vívida que tenho de Halo na geração anterior é a conseguir me conectar praticamente instantaneamente a qualquer partida de multiplayer de seus games. Sempre houve uma legião incrível de jogadores online, e nunca se tinha a sensação de um game com ummultiplayer limitado pelo número de jogadores online. E esse era o grande charme da franquia Halo. E The Master Chief Collection não tem absolutamente nada disso.

Talvez seja o problema do bug do looping eterno no sistema de matchmaking, um problema que assola até hoje muitos jogadores. Eu passei por esse pesadelo com Gears of War 2 na geração passada e sei o quão frustrante é você querer jogar online e não conseguir. É realmente algo horrível para um jogador que curte muito uma franquia. E vale destacar que Halo Collection já teve um patch enorme no seu primeiro dia de lançamento e que desde então tem tido quase que patchs semanais tentando consertar e estabilizar o multiplayer. E após tantas semanas, a melhora do sistema foi realmente quase que tímida, com resultados que de forma alguma deve conseguir melhorar a reputação do game nesse ponto da história do Xbox One.

É possível que agora o sistema de busca do multiplayer tenha sido consertado, mas me parece que existem tão poucos jogadores ainda tentando jogá-lo que a busca demora muito mais do que o devido para encontrar e fechar jogadores numa sala e mesmo assim é uma sistema burro e imbecil que não ajuda a manter os jogadores online competindo nas salas já abertas. E aqui é que eu penso em Destiny, que possui apenas 4 (5 as vezes) opções de partidas competitivas online e que após o término da partida você não é desconectado da sala e precisa rodar novamente o matchmaking para encontrar outra sala, sem mencionar que o jogador consegue entrar no meio de uma partida que esteja com vagas abertas dentro da sala (seja por um jogador se desconectou no meio do jogo ou porque o jogo começou com menos jogadores). Halo Collection não consegue fazer nada disso!

Há tantos modos de multiplayer em Halo Collection, afinal são mais de 100 mapas de multiplayer, e é impossível saber quais estão mais movimentadas e quais estão vazias. Aí o jogador entra num modo sem jogadores e fica achando que o matchmaking que está quebrado pela looping da busca eterna, quando na verdade só não há jogadores ali. Titanfall teve um problema parecido esse ano quando saiu em relação a sua comunidade BR que só ficava jogando um único modo específico. Só que ali você poderia mudar o servidor e jogar com americanos que sabem jogar de tudo. O caso é que eu me lembro dos antigos Halo terem um mapa online mostrando quantos jogadores estavam online naquele servidor e o que estavam jogando. Isso seria uma mão na roda para Halo Collection dado a magnitude de modos, mapas e opções de partidas. Aonde estão os jogadores para que eu possa ir jogar com eles? Eu adoraria que o game me indicasse, mas ao invés disso ele fica me fazendo procurar em modos com salas aparentemente vazias.

Outro problema do sistema burro da coletânea é em relação a continuidade das partidas online. Levei uma eternidade para achar jogadores, mas fechou a sala e a partida começou, e aí são 10 minutos jogando, depende do modo ou da sala, as vezes nem isso demora. A partida acabou, o que um game inteligente faria? Manteria os jogadores interessados em mais uma partida juntos e online e automaticamente se conectaria a um novo mapa e a uma nova partida do modo em que todo estão. O que Halo Collection faz? Desconecta todo mundo e manda cada jogador procurar novamente um sala no matchmaking escroto que demora uma eternidade para juntar jogadores. Por que isso? É inacreditável o quão burro um sistema de partidas pode ser se não for cuidadoso com estes detalhes! E nesse ponto, de retornar ao lobby para tentar fechar uma nova partida, você manda o game a merda e vai jogar outra coisa.

Fora que o sistema do Halo Collection é tão limitado que ele NUNCA te conecta numa sala onde a partida já esteja rolando e que haja vagas em algum dos times. Tive uma partida onde todo o time oponente abandonou no meio do jogo, restando apenas um do lado deles, e esse jogador ficou sozinho durante todo o restante da partida contra eu e mais cinco do meu time numa partida totalmente desbalanceada. Que escroto isso! O normal seria o próprio sistema de partidas pegar jogadores buscando partidas e colocar nessa sala no time em que só havia um único jogador sofrendo para continua jogando e o game não faz isso! Destiny por exemplo faz, e de forma monstruosamente rápida. Um time perdeu dois a três jogadores? Em menos de 2 minutos o jogo lhe joga dois novos jogadores no seu time, compensando o desbalanceamento. Já tive partidas em Destiny onde um time ruim sai no meio do game e jogadores bons chegam para substituir e acabam virando a pontuação da partida, e isso é incrível!

Eu não sei que merda fizeram com The Master Chief Collection, o porque de decidir não mostrar onde os jogadores estão, quais são os modos mais povoados de jogadores, porque não me deixar entrar no meio de uma partida ou porque não dar continuidade ao grupo de jogadores quando uma partida acaba. Sinceramente não sei porque o retrocesso, porque tornar algo mais burocrático e complicado de se usar. Não sei. Apenas sei que são momento assim que deixam claro que a 343 Industries está longe de se mostrar tão competente quanto a Bungie foi em muitos anos de Halo. Talvez Halo 5 não tenha nada destes problemas, afinal é errando que se aprende, mas se houver, espero muito que a Microsoft considere dar Halo nas mãos de um estúdio mais competente, porque do jeito que está, mas parece que Halo vem se estragando aos poucos… o que é um tremendo infortúnio.

Em resumo, o problema de Halo Collection não é do sistema de matchmaking não encontrar jogadores, como se fosse um bug que pode ser facilmente corrigido, e sim a próprio estrutura na qual ele foi criado é que é falha e burra e é por isso do matchmaking não funcionar. E eu duvido que se refaça toda a lógica de multiplayer apenas com patch de correções. Isso me parece algo impossível de ser feito, dado os recursos e o tempo que se levaria para reestruturar tudo novamente. O que vai acontece é isso, remendos, para melhorar o mínimo possível, além de muitos pedidos de desculpas por não terem feito algo digno da uma franquia como Halo. Que triste!

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios