Jogando

The Crew Wild Run | Primeira Hora – Esqueça a física e vá brincar!

Quando The Crew foi lançado em dezembro de 2014, a crítica especializada e os reviews pegaram pesado com o game. As notas foram baixas, fizeram questão de frisar os muitos problemas que o game possuía e o resultado foi que muitos acabaram deixando o game passar, sem fazer nem sequer questão de testá-lo. Não que isso sequer fosse possível em seu lançamento, afinal um demo de The Crew só veio a ser disponibilizado em março deste ano (e ele ainda está disponível a quem se interessar).

Quase um ano se passou, outros games de corrida vieram, e The Crew foi ficando meio esquecido. Até que semana passada, quando a Ubisoft anunciou The Crew Wild Run, que pega a versão de 2014 e a turbina para uma nova versão 2.0, com gráficos e mecânicas melhoradas, até mesmo novas classes de carros e eventos. O comunicado oficial (em português) sobre a expansão pode ser conferido lá no Ponto de Checagem, neste link. A dúvida que paira no ar agora é se o jogo ainda é realmente um problema e não merece ser jogado ou se ele melhorou desde seu lançamento de 2014? E aí eu entro na conversa, pois estou jogando The Crew Wild Run para tirar a minha própria conclusão!

Pra começar é bom colocar um pouco de álcool nas feridas, pra arder de vez e desinfetar logo. Lembrando que como eu não joguei a versão original de The Crew, não posso comparar com o que o game era e como ele está hoje. Posso apenas dizer que hoje, independente de seu passado, ele me parece um game divertido e gostoso de jogar, dado certas concessões para alguns elementos que, para alguns, possam soar um problema e pra mim nem tanto.

A primeira coisa que me incomodou na primeira hora do game foram os loadings. Essa é uma geração onde os games tem um loading inicial gigante e depois os games não engasgam mais. The Crew não funciona muito bem assim. Ele ainda tem um loading inicial que leva um tempo para ser carregado – na qual ele está tentando se conectar aos servidores do game e que pra mim não funcionou de primeira tentativa até o momento, sendo que sempre tenho que colocar para o game entrar no meu save pela segunda vez – e depois disso, para cada cutscene, cada missão, cada detalhe que preciso carregar, ele tem um mini loading onde a tela escurece e fica lá seus 10 ou 8 segundos carregando.

Parece pouco, mas em uma geração onde isso quase não existe, incomoda um pouco, até porque cada missão também tem uma espécie de animação de introdução, que poderia simplesmente rodar e deixar o loading disfarçado, mas o game não o faz assim. Talvez parte dessa culpa seja do fato de que The Crew foi um game desenvolvido para duas gerações de consoles, estando tanto no Xbox One e PlayStation 4 quanto no Xbox 360 e PlayStation 3. Felizmente, me parece que depois de concluído essa parte inicial do game, com tantos cortes entre história, mundo aberto e missões, o jogo vai diminuindo a constância dos loadings. Mas certamente é um defeito de apresentação que vai incomodar qualquer um que o começar. Mas isso passa e melhora depois da curva inicial do game.

Tirando esse problema, eu não tenho muito mais do que reclamar do game a ponto de dizer que algo mais além disso me incomodou. Porém acho importante dizer que não sou um jogador muito fã da parte online de games de corrida. Isso porque não sou um aficionado pelo gênero, então quando jogo um game de corrida online, as chances de estar com um carro meia boca ou de chegar em última posição são sempre altas. No geral os games de corrida não sabem balancear elementos competitivos e nem mesmo tornar as corridas interessantes para quem é um jogador casual e sem lá muitas habilidades. No fim, sempre fico esperando um casco azul para detonar os primeiros colocados, simplesmente por jogarem bem demais.

the-crew-wild-run

Então sou um jogador de single player. Que curte passear pelo mapa de mundo aberto, competir com a boboca da CPU do game e de destravar coisas. Por isso Burnout Paradise City é um dos meus games favoritos da geração passada. Ele me deu um mundo, alguns objetivos, um monte de carros e me deixou correr e fazer o que eu quiser nele, sem me preocupar com o quão ruim sou competindo com outros jogadores. Nem me recordo se cheguei a usar o online dele. Me deixe ser o ás do volante no meu mundinho, não me frustre mostrando o quanto Zé Ruela sou ao competir com outros jogadores online.

Claro que estou sou eu, do meu jeito, da minha forma de apreciar um game. É óbvio que não estou defendendo que games de corrida não precisam de recursos online. Claro que precisam! E uma das propostas iniciais de The Crew quando lançado era justamente a sua forte proposta nos recursos online e na interação com outros jogadores dentro de um mundo inteiro online. Need for Speed é outro que também anda se esforçando muito para também ter esse tipo de elemento.

Em The Crew ainda não posso dar muitos detalhes sobre isso. Agora que o mundo se abriu pra mim, percebi que há jogadores correndo no mundo livre do game. Pena que eles apareçam apenas como “desconhecidos” no mapa. O que indica que talvez não sejam amigos da minha tag no Xbox One. Se eu clicar na alavanca R do controle, um pop up aparece mostrando quem está na sessão do mapa andando por aí. Porém ainda não aprendi a interagir com estes jogadores. Chegar apenas perto deles no mapa não parece fazer nada ainda. Então estes recursos online ainda vou mexer e tentar descobrir. Ontem cheguei a dar um “buscar equipe” nas opções do game, mas devo estar muito no começo do game, pois os jogadores que encontrei estavam em áreas do mapa na qual eu ainda não havia destravado, então não poderia participar do que estes estavam participando. Ficou para depois, no futuro.

O que eu gostei destas duas horas iniciais que fiquei em The Crew Wild Run foi realmente as missões solo da campanha. A história em si não é nada original. O protagonista é um cara bom em corridas e rachas, do tipo Velozes e Furiosos, e seu irmão o chama para uma parada e no fim ele é assassinado, o protagonista é incriminado por uma autoridade corrupta e vai preso. Aí uma outra policial o recruta, para ser um infiltrado em uma gangue de rachas e outros negócios ilegais e o cara precisa subir na hierarquia para prender todos os envolvidos na morte do irmão e limpar seu nome. Não é uma história que te prende, mas ei, um jogo de corrida não precisa de muito disso, precisa? Serve apenas de pretexto para o game te dar uma diversidade de missões, carros e objetivos.

E foi aqui que me diverti no game. O jogo tem uma física totalmente arcade, até meio bugada, mas daquele jeitão que não estraga o game. Me lembrou muito de Driver no jeitão simplão de mecânicas de aceleração, drift e freios. E eu sou fã de Driver! Não é uma jogabilidade pesada, o carro não parece pesado, diferente de um game de simulação ou até mesmo da física mais realista de um Forza Horizon 2. Está mais voltado para os games antigos de corrida, e não que isso seja necessariamente ruim. Se todo game de corrida tem sempre as mesmas físicas acho que ficaria tudo muito igual e chato. É bom ver que The Crew se solta um pouco mais disso e me deixa jogar de uma maneira menos preocupado em curvas exatas ou corridas milimetricamente perfeitas. Se a física fica de lado, em pró de uma jogabilidade mais divertida e que exija menos dos jogadores, pra mim está ótimo!

Há alguns momentos bem impressionantes em termos de ver o mundo de The Crew em movimentação. Tipo de estar perseguindo um carro em algumas dunas de areia no que parecia ser uma espécie de grande lago no meio do nada, e de repente, um avião enorme passa rasteiro por cima da gente, do nada, e sem qualquer propósito, apenas fazendo barulho e reforçando a minha imersão dentro do game, mostrando que o jogo está vivo, independente de onde estou ou o que estou fazendo. Não sei se isso foi programado para acontecer, mas se foi, é uma boa sacada dos desenvolvedores.

Os efeitos de chuva e noite também são bonitos. Do tipo de sentir o anoitecer, da chuva começar aos poucos após o ensolarado do dia ir sumindo aos poucos e tudo ficar meio nublado. Os cenários da cidade, campos, grama, floresta também são bem feitos, o que me impressionou um pouco ver vídeos no You Tube como este abaixo, que mostra que isso parece ser mérito da expansão Wild Run, e que quando o game saiu lá em 2014 também ele não fosse tão bonito assim. É meio que impressionante que a Ubisoft tenha investido tempo, recursos e energia para deixá-lo mais bonito.

Durante estas duas horas competi em vários tipos de missões. Corridas na cidade, no campo, fugi da polícia, corri em uma pista de terra em meio a uma construção com rampas e maquinários se movimentando para  confundir o jogador, persegui esse carro em meio a dunas até virar ele, fui do ponto A ao ponto B sem danificar um carro zero, pulei rampas para bater recordes e viajei pelo mapa do game para alguns lugares. É uma boa diversidade de tarefas e missões para uma campanha solo que não me deixou exatamente sentir que estava fazendo a mesma coisa. De fato eu me diverti fazendo tantas coisas diferentes que nem sequer me preocupei muito com a história do game, ainda que o meu celular tenha gente constantemente falando na minha orelha.

Alias vale dizer que o game está legendado em português, mas isso não é um alívio quando no meio de uma corrida, começa um diálogo importante entre os personagens e você não consegue correr ou ler a legenda ao mesmo tempo. Nessa hora é confiar no seu inglês ou parar, ler o diálogo e resetar a corrida.

Se tem uma coisa que também mudaria em The Crew é a estação de rádio, que sei lá porque cargas d’água fica no painel do smartphone do game. Eu preciso abrir o celular, ir para a estação e só aí mudar. Deveria ter um botão rápido no controle que fizesse isso.

Pra encerrar estas impressões iniciais, posso dizer que encarar The Crew Wild Run com baixas expectativas foi uma grata surpresa. Acabei gostando do game como ele está HOJE. Não duvido que quando ele saiu em 2014 tivesse muito mais problemas além dos que abordei aqui. Porém parece ser visível que a Ubisoft trabalhou para costurar tudo que fosse possível e ele ficar mais agradável de ser jogado.

Ainda vou continuar avançando e testando outras funcionalidades dele para um review futuro, porém queria começar logo essa conversa sobre ele aqui no site o quanto antes, já que agora frequentemente vejo o game original custando em lojas online entre 50 a 99 reais facilmente (olha ele aqui por R$ 59). E esse é um preço que vale o game, ao menos na minha opinião! E com a Black Friday chegando aí, se estiver afim de um game sandbox divertidão e  sem compromissos muito sérios com a física dos games de corrida, voltando mais para um estilo arcade, meio Driver, meio Burnout Paradise, acho que The Crew é uma opção bacana!

Ah e que genial a ideia de uma mapa do mundo em tempo real! O jogador entra no mapa do game e dando zoom, você volta para o carro! Pena que ele demore um pouco para carregar os elementos e cenários conforme vai se aproximando. E me agrada que para tudo que o game oferece, existe um viajem rápida acessível direto pelo mapa (sem precisar ir para um ponto específico). Excelente isso, até porque uma das proposta do game é ser um game com um mapa de todo os Estados Unidos, o que significa que ele é enorme! Mas como eu ainda não o abri totalmente, esse é um papo que fica para uma próxima vez!

É isso (por enquanto)!

The Crew BoxartOnde encontrar:
Xbox One | The Crew (Versão Normal) – SubmarinoAmericanasPonto FrioExtraLivraria CulturaSaraiva – Ricardo Eletro – Casas BahiaWalmartShoptimeMagazine LuizaFNAC
Xbox 360 | The Crew (Versão Normal) – SubmarinoAmericanasPonto FrioExtraLivraria CulturaSaraiva – Ricardo Eletro – Casas BahiaWalmartShoptimeMagazine LuizaFNAC
PlayStation 4 | The Crew (Versão Normal) – SubmarinoAmericanasPonto FrioExtraLivraria CulturaSaraiva – Ricardo Eletro – Casas BahiaWalmartShoptimeMagazine LuizaFNAC
PC | The Crew (Versão Normal) – SubmarinoAmericanasPonto FrioExtraLivraria Cultura – Saraiva – Ricardo EletroCasas BahiaWalmartShoptimeMagazine Luiza – FNAC
Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

Artigos relacionados

Fechar