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Falllout 4 | 5 horas de gameplay para conversar a respeito! (Primeiras Horas)

Na noite da quinta-feira do dia 09 de junho a Xbox Store, loja digital de games do Xbox da Microsoft, sofreu um bug que liberou Fallout 4 de graça para todos os usuários da Xbox Live. O bug esteve no ar por volta de 2 horas apenas, mas foi o suficiente para que a notícia se espalhasse para tudo quanto é lugar, permitindo que muitos adquirissem o game gratuitamente.

Apesar do bug tão logo ter sido corrigido, isso não impediu que aqueles que conseguiram colocar o game para baixar durante a noite de quinta-feira conseguissem jogá-lo na sexta-feira, ao menos até o momento em que uma mensagem enviada ao final do dia deu a notícia de que a Microsoft revogaria a licença de todos que adquiriram o jogo no momento do erro na loja digital. Porém mesmo com a mensagem recebida, a revogação da licença para muitos só ocorreria na madrugada para sábado, enquanto outros, sabiamente deixaram o game ligado no Xbox One para aproveitá-lo por mais alguns momentos do final de semana. No fim, esse erro serviu mais como um test drive para quem não jogou e tinha curiosidade de saber como havia ficado Fallout 4.

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Ano passado o Portallos tentou acesso ao game para poder escrever um review. Infelizmente não conseguimos, segundo a assessoria internacional os pedidos de keys foram gigantescos e eles não tinham como atender a demanda, para azar de sites pequenos e estrangeiros, como este aqui. Entretanto há erros que vem para o bem, não?

Eu estava online quando bug aconteceu e a minha internet foi camarada na ocasião. Infelizmente não pude ficar o dia todo da sexta-feira testando Fallout 4, afinal eu trabalho, mas consegui, em uma maratona maluca (para meus padrões) jogar Fallout 4 ininterruptamente por 5 horas antes de cair de sono na madrugada para sábado. Sorte pois pela manhã, ao acordar, a minha licença tinha expirado. Justo, afinal foi um erro e não paguei pelo game.

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Em qualquer outra situação, talvez eu não tivesse feito isso, mas eu realmente tinha muita vontade de escrever sobre Fallout 4 aqui para o site, mesmo que fosse um diário de jogo com base nas primeiras horas dele. Afinal, foi um importante título da temporada de lançamento do final de 2015 e meio que achei que ficou faltando colocá-lo em pauta por aqui na época, mesmo que apenas um impressões iniciais. Erro que cogito agora, ainda que tardiamente.

Bem vindo ao mundo pós-apocalíptico, de novo!

Talvez seja interessante comentar que não sou um grande fã de Fallout 3, lançado na geração passada. Nunca o terminei, apesar de também ter jogado suas horas iniciais.

E não porque ele não era inovador ou incrível para a época em que foi lançado, em meados de 2008, mas pelo simples fato do game não ter me conquistado naquele momento da geração anterior. Talvez o ritmo inicial fosse ruim, ou o fato dele não estar localizado para o português, ou talvez porque sinto que amadureci um pouco desde aquela época, seja como pessoa, seja como gamer. Admito que hoje em dia testo e jogo muitos outros gêneros que no passado certamente nem sequer daria uma chance.

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Enfim, resolvi tocar no assunto porque uma das críticas que Fallout 4 recebeu nos reviews de lançamento no ano passado era justamente o quanto ele ainda se parecia com as bases e premissas estabelecidas em Fallout 3 e New Vegas. E talvez se pareça mesmo, porém gosto de pensar que ao menos o ritmo inicial do game é muito mais interessante e dinâmico. Fora a camaradagem de estar todo localizado em português e assim consegue abranger muitos mais jogadores aqui em nosso território.

O game não me fez perder muito tempo dentro da Vault 111. Felizmente. Ainda que todo o momento dentro dela tenha sido interessante, seja com a história ali proposta – que não comentarei para dar lhe poupar de spoilers caso ainda não tenha jogado e venha a fazer futuramente – seja porque as mecânicas de tutorial são facilmente, e naturalmente, explicadas ao jogador.

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Ao sair da Vault já me sentia pronto para explorar o mundo de Fallout 4, ainda que o jogo continue te pegando na mão e pedindo para que o jogador siga inicialmente um roteiro para aprender ainda mais sobre o mundo e trazer mais novidades em termos de gameplay.

Achei que a parte de menus e gerenciamento de itens coletados ou até mesmo do próprio sistema de subida de level estão bem mais tranquilos de entender neste game do que no anterior. O grande mosaico incrível da árvore de habilidades permite explorar muito bem tudo que o jogador vai poder fazer no mundo do game, e também a liberdade de você escalonar aquilo que quiser inicialmente. Até achei que escolhi bem meus status iniciais em cada categoria, fiquei satisfeito quando descobri que tudo que eu queria inicialmente fazer, já conseguia ou estava próximo de conseguir.

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Dá para perceber que houve um grande cuidado por parte dos desenvolvedores em equilibrar e tornar acessível toda essa parte de manutenção e gerenciamento do game, mantendo os elementos de RPG, mas sem comprometer a ação e aventura do jogo. Ficou acessível a qualquer tipo de jogador, seja o que aprecia as mecânicas de RPG ou dos que não curtem perder tempo com esse tipo de controle e cuidado de personagem.

Senti que a história principal, entretanto, tem seus problemas. Isso também foi uma das críticas no lançamento do título. Em certo ponto ela é até desnecessária, servindo apenas como uma desculpa barata para incentivar o jogador a se mexer, ainda que seria estranho você acordar em um mundo pós-apocalíptico e não querer explorá-lo.

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Há todo esse conceito de família, de tragédia e da perda que o game dá ao protagonista que as vezes me fazia sair da imersão de um explorador. Fora que há essa urgência na ideia de resgatar um filho perdido que tira parte do ensejo do protagonista de querer ajudar outras pessoas, montar sua base e explorar esse mundo. E convenhamos, eu não cheguei na parte de reencontrar meu filho, e nem fui olhar pela internet, mas pra mim ficou claro que eu o encontraria já adulto dada as circunstâncias na qual ele foi sequestrado. Fico apenas curioso em saber o quanto teria que avançar no game para descobrir isso. Se fosse uma revelação de final de jogo, acharia isso bem desnecessário. Enfim, não descobrirei (por enquanto).

5 horas contra o relógio da revogação!

Então como disse lá no começo, tive apenas um dia e algumas horas para fazer essa viagem pelo mundo de Fallout 4. Fui até onde conseguir, jogando na minha melhor velocidade.

Perdi um tempo considerável construindo meu personagem, vai entender porque, mas fiquei abismado com a profundidade que o game dá ao jogador de criar seu protagonista e o quão fácil foi mexer nesse sistema de criação. Putz, gostaria disso em todo jogo onde fosse preciso criar um personagem antes de iniciar.

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Gostei muito desse toque porque apesar de Fallout 4 ser um game que essencialmente foi criado para ser jogado em primeira pessoa, tal como Skyrim, também da Bethesda, ele pode ser jogado na perspectiva de terceira pessoa. O que faz muito sentido dado o fato de que eu criei meu personagem, então quero poder vê-lo!

E essa mudança de perspectiva não quebra o game ou deixa a movimentação do personagem meio zoada. Lembro que, do pouco que joguei, em Skyrim ficava muito incomodado com a movimentação dura do personagem nessa perspectiva.

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Não significa, é claro, que o terceira pessoa de Fallout 4 é perfeito. Há sim uma certa falta de naturalidade no personagem, especialmente quando você para de mexer nele. Muitos games em terceira pessoa quando o jogador para de movimentar o personagem, o “boneco” entra em um modo automático, onde ele fica olhando o cenário, respirando e se mexendo. Em Fallout 4 meu personagem ainda ficou meio estático. Imagino porque na perspectiva em primeira pessoa ele não poderia ficar gesticulando ou mexendo com a cabeça. Nessa situação de estar em visão de primeira pessoa a tela precisa estar sempre fixa. Em todo caso, a movimentação é bem mais fluida do que em outros games que já vi terem essa opção. Tanto que depois que sai da Vault, toda a minha experiência acabou sendo em terceira pessoa mesmo.

Com cinco horas de gameplay fiquei com a impressão de mal ter esbarrado a superfície do game. Fui visitar a minha antiga casa, explorar as redondezas, encontrei o cachorro que se torna meu companheiro e visitei a primeira cidade, na qual fiz novos amigos, combati invasores, usei a famosa armadura do game e batalhei contra um chefe do jogo. Voltei a minha cidade e lá construir um lar e um santuário. Habilitei uma nova missão depois disso tudo, precisando ir para uma outra cidade, mas já era de madrugada e estava cansado demais para continuar. Tinha esperanças de que no sábado de manhã ainda pudesse jogar o game, já que o meu Xbox One fica sempre em stand by, mas infelizmente não rolou.

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Mas pelo resumo acima deu para perceber que fiz bastante coisas diferente até. Gostei muito do sistema de companheiro. O cachorro é realmente uma figura bem legal no game, tendo me ajudado em algumas situações e até mesmo quase ter sido morto na batalha do meu primeiro chefe. Tive que correr para curá-lo. Me peguei imaginando o que acontece se o cachorro morre. Será que conseguiria outro? Mais a frente, descobri que posso mandá-lo de volta para o posto onde o encontrei e que o meu robô mordomo poderia ser meu companheiro pelo game, ainda que tenha minhas dúvidas o quão habilidoso ele seja, fora o fato dele ser tagarela pra caramba.

Encontrei os primeiros inimigos do mundo de Fallout 4: ratos toupeiras, baratas gigantes, varejeiras de dar arrepios e pernilongos que me fariam gritar como uma menininha se realmente existissem no tamanho e proporção do game. É meio que um barato essa ideia que temos de que a exposição a radiação deixaria todos os insetos gigantescos.

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Importante dizer que gostei muito do sistema de combate de Fallout 4, algo que também não tinha me simpatizado muito com o Fallout 3. Achei que as mecânicas ficaram mais refinadas, ainda que o conceito do combate seja bem similar entre os games. O ataque especial na qual o jogo congela, ainda que os personagens se movimentem milimetricamente, e isso permite escolher aonde acertá-los ficou bem melhor nessa versão. Gostei e usei isso a todo momento. Não estava ali para ver Fallout 4 como um shooter tradicional. Usei e abusei desse recurso, até porque estava contra o relógio e precisa ver até onde chegaria.

Porém admito que dentro da área do museu, uma das primeiras missões do game, enfrentar os invasores ali se mostrou bem mais difícil do que ficar matando insetos gigantes. Foi um desafio bem equilibrado para os momentos iniciais do jogo.

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Usar a roupa mecânica é também bem legal. O chefão, uma grande criatura que surge nessa área do museu é bem complicada de se matar. Não adiantou muito meter a metralhadora nele esvaziar todo o pente dela. É preciso fugir, desviar, se esconder para recarregar a arma, até enfim conseguir derrotá-lo. Eu só consegui fazer isso na terceira tentativa.

Achei muito bom o sistema de manutenção e energia da roupa. No fim, não pude levá-la até o santuário que criei logo em seguida a fuga da cidade com um novo grupo de amigos. A larguei na estrada antes de chegar até uma estação que pudesse guardá-la. Porém é um recurso deveras interessante e que faz todo sentido tais limitações para não estragar o desafio do jogo. É uma roupa bem poderosa para se ter infinitamente, ao menos no começo do game.

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Um dos últimos momentos que consegui testar no game, antes da fadiga me mandar para cama, foi o modo de criação de base, na qual consiste em criar estações onde o jogador pode melhorar seu equipamento, sua saúde, além de manter a saúde e sanidade de seus aliados.

Eu devo ter perdido quase uma hora inteira explorando essa criação do santuário. Fazendo defesas, criando estações de tratamento de água e aprendendo sobre guardar sucata e como criar outros itens desse do amplo sistema de criação.

Fallout 4

Inicialmente fiquei meio receoso do sistema ser complicado ou burocrático demais, mas depois que se entende como extrair o necessário das sucatas que é possível coletar ao longo do gameplay (e eu havia coletado muito), fica tudo bem fácil e simples.

Só fiquei devendo criar uma horta, pois era necessária fertilizante e nada no meu inventário podia servir para tal. Mais tarde, olhando no You Tube a título de curiosidade, descobrir que há uma fazendo nas proximidades onde poderia ter ido coletar fertilizante.

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Mas no geral achei o sistema muito amigável. Até mais do que, por exemplo, a experiência recente que tive em Ark Survival Evolved, onde também há um pouco dessa coisa de crafting (criar coisas a partir de itens). Apenas não deu tempo de criar uma casa do zero. Que pena.

Considerações destas horas iniciais

Assim, mesmo que esse artigo só tenha sido possível graças ao erro na Xbox Store, o caso é que se muitos se encontravam nessa situação em que eu estava, de ter dúvidas quanto a qualidade e a diversão que Fallout 4 proporcionaria, e se puderam de fato testar o game, como eu testei, e com isso puderam tirar suas dúvidas e gostar do game, a Bethesda de uma forma ou de outra não saiu no prejuízo. Aliás, não saiu mesmo, pois as licenças foram revogadas no final das contas.

Esse bug permitiu muitas pessoas jogarem Fallout 4 e serviu mais como uma espécie de demonstração (demo). E há que se imaginar que se houvesse um demo oficial de Fallout 4 nos consoles, isso permitiria que ainda mais pessoas conhecessem o game. Pena que não há.

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É por isso que gosto, por exemplo, do que a EA vem fazendo atualmente com o serviço do EA Access, na qual a empresa libera muitos de seus lançamentos atuais, alguns dias antes do lançamento e acessível por algumas horas (no geral ficam entre seis a dez horas). Aí estaria uma ideia interessante para alguns títulos da Bethesda, que sempre possuem essa característica de possuírem dezenas de horas: liberar alguns títulos por algumas horas não me soa como uma má ideia.

No fim, acredito que muita gente saiu dessa história de bug de Fallout 4 na Xbox Store com muita mais vontade de ter o game do que pessoas que se deram por satisfeitas terem experimentado ele. Sei que agora, ele voltou a minha lista de desejos para o futuro, quando puder jogá-lo novamente. Ao menos o save ficou salvo no console, então se (e quando) puder jogar novamente, continuarei do ponto em que parei.

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Sendo assim, para quem não teve a oportunidade de testar Fallout 4, mas tinha a curiosidade de saber mais a respeito do ritmo e impressões inicias que o game poderia passar a um novato na série, deixo aqui então o meu registro mais do que positivo a respeito do game.

Não vai rolar uma nota desta vez, pois não acho que joguei o suficiente para tal, mas certamente se tivesse que atribuir uma seria no nível dos excelentes games desta geração.

É isso!

Mais imagens!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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