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One Piece Burning Blood | Criando as bases de um novo título de luta! (Impressões)

Houve um momento muito perto do lançamentos de One Piece Burning Blood em que fiquei preocupado com o resultado final do game, mais especificamente quando a Bandai Namco liberou aquele demo confuso e que hoje posso afirmar: não transcende o espírito do que Burning Blood se propõe a ser.

Logo depois vieram os primeiros reviews, e achei estranho fato de, alguns deles, estarem colocando One Piece Burning Blood como um “game para fãs” em um sentido em que isso soasse ruim. Por que um game para fãs é algo ruim? Penso justamente ao contrário, oras! Vem comigo que explico.

Por onde começar quando se trata da estreia de uma nova série?

Quer dizer, quando se pega uma licença de alguma marca de outras mídias, seja relacionado a animes, filmes ou livros, com o objetivo de transformar em um game, a primeira coisa que os responsáveis pela ideia devem pensar deveria ser algo como “bem, a base de fãs desse título deve ser grande o suficiente para valer a pena ter um game dessa propriedade intelectual“.

É claro que bons games atraem pessoas de fora desse círculo social dos fãs. E há jogos que de fato fazem isso de forma exemplar, porém quantos são realmente bem sucedidos nisso? A meu ver não são muitos e os que fazem, as vezes já possuem uma história no mundo dos games, como por exemplo as Tartarugas Ninja, que possuem games desde os tempos de Arcade e NES. Há um legado em títulos assim, além de ser uma marca internacional e americanizada (algo que o mundo inteiro consome e digere com uma facilidade assustadora). É um pouco diferente de personagens de animes, originários do Japão, na qual o público é muito mais fechado em seu nicho. Não é surpresa que muitos games baseado em personagens de mangás e animes muitas vezes nem são lançados aqui no ocidente.

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Considere outro ponto: quantos jogos de One Piece dentro do gênero luta e batalhas existem? Não o suficiente, já digo, ao menos desde a geração passada de consoles (adorava Grand Battle do Gamecube). O PlayStation recebeu alguns games da série nestes únicos anos, e apesar de terem mecânicas de batalhas dentro destes jogos, eles não eram necessariamente focados lutas mais estilo “fighting game“, tal qual Burning Blood tem como meta principal de existência.

A proposta é tão nova que a própria Bandai Namco decidiu que esse era o momento de levar One Piece para o formato multiplataforma, retirando-o da exclusividade que até então pertencia ao PlayStation e lançando o game tanto no Xbox One, quanto no PC. Até porque o fato de só sair no PlayStation era justificado pelo simples fato de que no Japão essa é a principal plataforma dos japoneses (além dos consoles da Nintendo). Liberar o game em plataformas como PC e Xbox One está permitindo que a Bandai Namco descubra qual é a base de fãs e interessados na marca em uma escala global. E isso é interessante!

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Há que se considerar também que Burning Blood chega aos videogames tentando se consolidar com um sistema de combate diferente de outros títulos do gênero já consagrados no mercado, como os games da série Ninja Storm de Naruto ou o Budokai & Xenoverse de Dragon Ball. One Piece não poderia ser semelhante, como se estivesse apenas trocando de skins dentre estas séries existentes. O game precisava ser algo novo e diferente, que o tornasse relevante dentro do catálogo de games de luta dentro do catálogo da Bandai Namco. Imagino o quão difícil deve ter sido para sua desenvolvedora, a Spike Chunsoft, conseguir isso. E ela conseguiu? Em grande parte sim.

A Guerra atrasada!

One Piece Burning Blood é um game que parece estranho em um primeiro momento. A Spike Chunsoft decidiu que uma boa maneira de apresentar uma nova série de luta do universo da série seria usando como palco de fundo o arco de Marinford, um dos momentos em que se finalizou a primeira fase da história do mangá, criado por Eiichiro Oda.

Por se tratar de um game de luta, Burning Blood não tem como proposta apresentar toda a história de One Piece, desde suas origens, passando pelos seus momentos mais marcantes, até chegar no ponto em que a mangá se encontra hoje em dia. E isso talvez assuste um pouco os que não conhecem muito bem esse universo.

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É diferente, por exemplo, da proposta da série Naruto Storm, onde mesmo sendo um game de luta, há todo um modo aventura, que recria grandes batalhas cinemáticas da história original. Talvez isso possa acontecer futuramente nos games de One Piece, mas não desta vez, na estreia de sua nova série de games. E sendo justo, há que se lembrar que o primeiro Naruto Storm era também bem mais simples do que suas versões mais atuais.

Para não ficar sem nenhum modo aventura, a desenvolvedora veio com a ideia de criar um pequeno modo single player usando Marinford como destaque. Colocando em foco um dos momentos mais tensos e dramáticos de toda a série.

Porém não espere batalhas cinemáticas. As batalhas são normais, como de todos os demais modos presentes no jogo, e que irei falar mais daqui a pouco. Há apenas diálogos que rolam no meio das lutas que fazem sentido existir nesse modo. Antes e depois de cada luta há cenas cinemáticas, extremamente bem animadas e que não estão neste review porque há um código dentro da programação do game que impede suas capturas no Xbox One. O trailer abaixo mostra como elas são:

No geral achei que a Guerra de Marinford na verdade é mais como um grande tutorial para One Piece Burning Blood. Ela é centrada em 4 episódios, sendo que o episódio do Luffy, o maior, é o que tem mais explicações sobre os diversos recursos de batalhas presente no game. Sendo que alguns destes só vão aparecer quase que no final da campanha, como o Defesa Unida e Ataque Unido (explico isso mais a frente).

Este modo é gerenciado por um pequeno mapa, bem linear, onde o jogador pode em alguns casos abrir fases extras ao cumprir certos objetivos. Estas fases extras, identificadas em azuis, no geral são bem mais difíceis do que as fases normais. Houve alguns casos que precisei mais de 20 tentativas para vencê-las. Foi um bom desafio admito.

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A Guerra de Marinford serve então para explicar apropriadamente como funciona o sistema de batalha do game. E fazer uma breve apresentação do universo de One Piece e veja bem, de seu “universo” e não de sua “história“.

Nesse sentido a Guerra de Marinford é um bom ponto para compreender a elasticidade do mundo de One Piece, no sentido da dimensão dos poderes de seus personagens e da importância das premissas entre Marinha e os Piratas. Recentemente apontei aqui no site que uma boa maneira de começar a entrar no mundo de One Piece seria a partir do volume 61 do mangá, recém lançado pela Panini aqui no Brasil. E reafirmo isso aqui. Marinford é um momento em que se passa antes desse volume. É legal conhecer Marinford pelo game, ainda que o impacto dela no animê e no mangá seja muito maior e melhor exposto do que no jogo.

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E mesmo que você veja Marinford por Burning Blood para só depois ir conferir no animê ou no mangá, tirando óbvios spoilers (que as pessoas hoje em dia sabem sem nem sequer acompanhar a série), a narrativa original criado no mangá e muito bem adaptado na animação para a TV vai empolgar qualquer um, posso apostar nisso. No game esse arco é apenas uma recapitulação mesmo.

A minha crítica fica apenas por conta do momento. Marinford aconteceu anos atrás. A Spike Chunsoft poderia ter criado um modo aventura mais atual, usando, por exemplo, o torneio de Dressrosa.

Só posso suspeitar que no momento em que o game estava em desenvolvimento Dressrosa ainda estava rolando no mangá, mais especificamente os primeiros combates no Coliseo Corrida (os trailers pré-lançamento do game chegou a mostrar o Gears 4th animado antes mesmo do animê mostrar no final do ano passado). Isso justificaria a ausência de um modo de combate de torneio nesse cenário do jogo, e até mesmo o fato de que os generais de Doflamingo não estarem presentes como personagens jogáveis.

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Tudo indica que Burning Blood estava em desenvolvimento bem antes das batalhas e poderes destes personagens ganharem as dimensões para se tornarem necessários no game. Só assim para entender porque um Jozu da tribulação do Barba Branca é um personagem jogável, enquanto, por exemplo o Pika ou o Sr. Pink da gangue do Doflamingo não são.

Imagino que se bem sucedido, a Spike Chunsoft terá uma melhor oportunidade para trabalhar em um Burning Blood 2 com um modo de história mais robusto, mais marcante. Para uma estreia, Guerra de Marinford não faz feio, porém é um pouco carente ao não apresentar algo diferente do restante do game.

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Chega até a ser cansativo em determinado momento, por ter que fazer o jogador batalhar com os mesmos personagens, contra os mesmos inimigos do arco (desprezando outros até mais legais que são jogáveis na seleção de outros modos) e sempre nos mesmos dois cenários criados para este arco. A narrativa prende as possibilidades do modo aventura e história.

Felizmente é um modo curto, podendo ser finalizado em torno de 4 ou 5 horas, caso você pegue rápido o esquema dos controles e não se martirize nos capítulos extras, que realmente apresentam uma dificuldade além do normal.

É importante ao menos terminar o episódio do Luffy, para aprender e se acostumar com o sistema de combate. Porém terminar todo o modo garante ao jogador a possibilidade de destravar praticamente metade da seleção de personagens do game, enquanto a outra metade você só destrava comprando-os com o dinheiro que se ganha fazendo qualquer coisa no jogo.

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No geral, após ter terminado Marinford, me encontrei com dinheiro o suficiente para comprar quase todos os demais lutadores, restando em torno de 25% deles para destravar ainda. Já os personagens de suporte, que explicarei daqui a pouco, apenas algo em torno de meia dúzia são destravados jogando Marinford. Todos os demais só comprando-os mesmo.

Ah e isso é importante: menciono “comprar” e hoje em dia as pessoas já pensam em micro transações com dinheiro de verdade dentro dos games. One Piece não tem isso! O dinheiro virtual do game você só consegue jogando o jogo. Não é possível conseguir ele comprando com dinheiro de verdade.

Entendendo o sistema de batalha

Como disse lá no começo do texto, a demonstração (demo) que a Bandai Namco liberou antes do lançamento de One Piece Burning Blood na verdade faz um desserviço ao game, pois ela não tem modo tutorial, não ensina os comandos de forma apropriada e mais confunde a cabeça do jogador do que ensina as regras dos combate de Burning Blood.

Na verdade os controles e batalhas do game são bem empolgantes e divertidos quando se entende como tudo funciona. E rapidamente o jogador pega o jeito do sistema de batalha, especialmente com personagens básicos, como Luffy, Zoro e o Barba Branca.

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Conhecer os outros lutadores do game também ajuda, pois você passa a entender que cada personagem tem um estilo próprio de combate, golpes e reações, sendo que alguns tem mais dificuldades do que outros de batalhar a distância, obrigando a ficar mais próximo do adversário.

E é um sistema diferente de outros games do gênero animê (mas sem parecer um estranho no ninho), ainda que também fuja de formatos mais tradicionais. No geral há um botão de pulo, um de defesa e dois de ataques, sendo um ataque normal e um que teoricamente deveria ser um “ataque único” ou “a distância”, mas que alguns personagens podem usar para outras coisas. Brook, por exemplo, usa esse ataque único para tocar violino e assim fazer o adversário dormir. Não é bem um ataque então, pois não causa dano.

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Além do básico há as habilidades, que não exigem que os jogadores façam comandos no controle para serem ativados ou gastem barras de especiais. Basta segurar o bumper superior esquerdo (no Xbox o “LB”) e aí combinar esse botão com ataque normal, único ou defesa.

Esse é o básico, mas ainda tem mais! Depois disso se faz necessário entender outras mecânicas um pouco mais complexas, como quebrar a defesa do adversário carregando um ataque (“X + A” ou “Y + B”), utilizar e se fortalecer com Haki ou ativar a defesa quase que impenetrável do tipo Logia (personagens que podem virar areia, fogo, gelo, etc e assim os ataques simplesmente passam por eles) na qual consiste em ativar uma barra especial que fica acima da barra de energia e que precisa ser ativada segurando o bumper da direita do controle (RB). E neste caso, esta barra é consumível, mas se regenera sozinha após alguns segundos.

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Falei controles complexos, mas nem são tão complicados assim, é verdade. Depois disso vem as Defesas e Ataques unidos, que consistem em chamar um aliado para quebrar ou atacar um inimigo. Geralmente isso é feito realizando a troca de personagem (pelos gatilhos) no tempo exato para uma defesa ou ataque unido, mais um botão de comando (de ataque ou defesa, depende o que você estiver querendo realizar). E nisso o adversário ainda pode chamar seu aliado e quebrar o seu movimento unido, e assim você quem toma dano.

Isso de estratégia unida pode ser um grande aliado em batalhas e até mesmo causar a reviravolta da partida. Mas esse recurso tem um custo alto, para tal o jogador gasta a barra que ativa o super especial de seu personagem, que gera uma forma final de combate. É aquele especial na qual os trailers mostram, como o Luffy ativando o Gears 4th ou o Franky invocando o General Franky. É um momento chamado de Deflagração.

Estes especiais são bem legais por sinal, mas duram muito pouco e cada personagem tem uma forma própria para controlá-los. Ativando a forma especial, ainda é possível ativar um golpe especial, ainda que esse golpe nem sempre seja fácil de atingir o oponente, que pode se defender ou até desviar. No geral a forma especial é o tempo que o jogador tem para avançar, quebrar a defesa do adversário e aí sim usar o golpe especial.

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Aqui eu tenho duas críticas. A primeira é que o game não investe muito em combos inteligentes. No geral os comandos de ataque são uma dança. Os personagens fazem golpes bonitos mas o jogador está sempre apertando o mesmo botão. Não há muito o que se explorar nos combos, ainda que você misture o ataque normal, com o único ou alguma habilidade, há sempre a sensação de estar fazendo os mesmos movimentos.

Já a segunda crítica é a ausência de um movimento simples de agarrão. Há personagens que possuem esse movimento como habilidade ou ataque único, mas nem todos agarram. Senti falta desse elemento no jogo. Jogos de luta geralmente precisam de um golpe desse tipo.

Sendo assim o que define a vitória em Burning Blood é a estratégia do jogador. Se o adversário está defendendo, é preciso quebrar a defesa, mas isso dá o risco do adversário perceber seu movimento, desviar em seu eixo e partir para ataque. Burning Blood é um game que se ganha no contra-ataque, prendendo o adversário de uma forma em que ele não consiga reagir antes de ter tomado uma quantidade considerável de dano.

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Também vale a atenção. Apanhar muito não significa ter sido derrotado. Troque de personagem, pois a barra de energia é individual e seu personagem recupera um pouco dessa energia após tomar muito dano, mas você precisa deixá-lo descansar antes de tomar outra rodada de danos. Cada jogador pode usar até três personagens para as lutas.

Procure também personagens que se adapte ao seu adversários. Os personagens são divididos em categorias, que vão de força, poder, velocidade ou inteligência (traiçoeiros). E uma classe pode se sobrepor a outra dependendo seu adversário. Sem mencionar que existem poderes que se sobrepõem entre si, como as chamas do Ace funcionarem contra o gelo do Aokiji, mas as chamas do Akainu são mais poderosas que a do Ace.

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Outro elemento importante são os personagens de suporte. Há alguns realmente interessantes, com efeitos permanentes nas batalhas ou que podem ser ativados a qualquer momento.

Estes personagens não aparecem nas lutas, e são como cards de habilidades (porém permanentes, usá-las não as consomem), sendo que o game tem mais de 60 destas, em que o jogador encaixa em um slot para dar efeito ao seu trio de personagens. Há suportes que consistem em fortalecer o ataque, fazer a barra de especial encher até 3 vezes durante uma luta ou a defesa ser melhorada quando um aliado cair… e assim por diante. Alguns, que são ativados em batalhas, são mais específicos, e as vezes condicionados a momentos específicos, como impedir que seu personagem caia ao ser atingido ou fortalecer seu ataque no modo deflagração (a forma especial).

Não sei se com as minhas explicações acima acabei passando a ideia de simplicidade ou complexidade. Acho que isso vai depender de cada jogador. No começo me perdi um pouco, mas sempre me perco em jogos de lutas, até ter testado todos os personagens e aprender como se faz necessário para batalhar razoavelmente bem. Mas no fim, fiquei bem satisfeito com o formado das batalhas, que são bem dinâmicas e mais malucas do que, por exemplo, Naruto Storm 4. Há a sensação de que os personagens são realmente diferentes e com estilos próprios em One Piece Burning Blood, criando um divertido caos.

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Talvez as batalhas não sejam tão ágeis quanto são nos games do Naruto, ou aéreas e tridimensionais com poderes que explodem planetas como em Dragon Ball, mas são bem divertidas e com um bom mix na diversidade de personagens e suporte que acabam criando batalhas e confrontos inesperados em boa parte das vezes. Quer dizer, isso fora do modo Marinford. Por que sim, há mais para se ver em One Piece Burning Blood!

A diversão além do modo principal

É estranho pensar que em Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4 o que me divertiu foi sua campanha, o modo principal, com a história, e que após terminá-lo, os demais modos não me entretiveram como esperava que fizessem.

One Piece Burning Blood fez exatamente o oposto. O modo principal, com Marinford, foi rápido, o que é um ponto positivo, pois como disse, ele pode ser cansativo. E foi só depois de terminá-lo que pude explorar o que o game tem a oferecer depois de sua experiência e foi aí que percebi que Burning Blood é muito mais do que um modo história. E para um game de luta isso é surpreendentemente importante.

No geral o game consiste em mais três modos extras: caçar cartazes de procurados, batalhar no modo de disputa de bandeira de piratas e o modo online. Me deixe explicar um por um estes modos.

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O modo cartazes é bem interessante. Consiste em combinações e batalhas pré-programadas pelos desenvolvedores contra os times formados pela CPU do game. Há diversos níveis de dificuldade e combinações inesperadas, as vezes com a times de personagens que fazem sentido para a história da série e as vezes são apenas combinações improváveis.

Estas batalhas são apresentadas em cartazes de procurado, clássicos do universo da série, e o jogador pode conquistar estes cartazes ganhando as batalhas e assim armazenando-os em uma galeria, dentro da parte de extras e colecionáveis do jogo.

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Esse modo é dividido em batalhas de treinamento, lista de procurados e também cartazes especiais e alguns de tempo limitado, que vão sair da rotatividade do game para que outros possam entrar. Importante dizer, neste último caso, dos cartazes de tempo limitado, sinto a falta de um alerta do game dizendo por quanto tempo estes cartazes ficarão online.

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Já o modo da bandeira pirata é uma modalidade que me lembrou muito o modo Facções de Mortal Kombat X (que por sinal, este foi outro título que me surpreendeu por oferecer muito mais do que apenas um modo história, com muitos extras em modos e jogabilidade – Burning Blood segue essa linha de pensamento). Ainda que o game não explique exatamente todas as suas regras dessa modalidade fica claro algumas delas. A primeira coisa é se aliar a uma facção, seja na tripulação dos Mugiwaras, ou ao do Moby Dick (Barba Branca), ou a Marinha etc.

E aí o game abre um gigantesco mapa, com diversas ilhas do mundo de One Piece, na qual o jogador pode ir navegando entre elas e batalhando em cada uma, e assim, se vencer, adicionar pontos a sua facção para a ilha. Ao final da temporada de uma semana as facções que tiveram mais pontos, dominam as ilhas e ganham a disputa da semana. O que o game lhe dá com isso? A primeira que participei e me sai vitorioso recebi 10.000.000 de berries (a moeda da série). Com isso eu consigo, por exemplo, comprar de 7 a 8 personagens da seleção de lutadores. Para quem já destravou tudo, acaba sendo mais pela diversão mesmo.

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Meu único problema com esse modo de bandeira é que sua proposta é que ele seja um modo online. Cheguei em uma ilha, o matchmaking vai procurar alguém para batalhar comigo, porém em todas as vezes que tentei, nunca encontrei um jogador online. E o que acontece então? O game me oferece a chance de batalhar com um time criado pela CPU, em um nível até que assustador de dificuldade.

Estas batalhas são intensas e divertidas, mas são mais técnicas do que quando se disputa com jogadores online é claro. Ainda há uma clara diferença entre homem e máquina. Eu ganhei algumas e perdi várias, então ao menos balanceadas elas são.

Só fiquei com uma dúvida se estes times são criados pela programação do game ou se são times de jogares que estão registrados nesse modo. Porque da primeira vez que entre nele, eu criei um time e deixei em uma base. Fiquei com a impressão de que o jogo usa essa base de dados para formar times nessa modalidade. Se for isso mesmo, acaba sendo uma boa sacada para a solução de não funcionar muito bem o matchmaking.

Estes dois modos, cartazes e bandeiras, aumentam e muito a longevidade do título. Se eu gastei 4 horas no modo história, acabei descobrindo que já gastei mais de 6 horas brincando nestes outros dois modos, testando times, personagens, adquirindo dinheiro para destravar mais personagens de suporte. São realmente dois modos divertidos e onde o game brilha como um ótimo game de luta e não apenas um modo de história com efeitos cinemáticos.

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Além disso o game oferece um modo online, onde aí sim o matchmaking funciona. Não tive problema para encontrar partidas, até mesmo em dias da semana e em horários incomuns. E as partidas rolaram razoavelmente bem. Alguns engasgos, mas a minha internet não estava em bons dias. Claro que há também um modo livre, para dois jogadores offline. Aí dá para escolher as regras de batalhas, o cenário e criar os times.

Ou seja, One Piece Burning Blood é muito mais do que sua campanha baseado em Marinford. Muito mais mesmo!

Estruturas para um início

Certamente One Piece Burning Blood não tem um começo perfeito para uma nova série de lutas, mas nem por isso ele faz feio. O game apresenta ótimas ideias para que a Spike Chunsoft possa refiná-las ao longo de novos games.

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Só irei apreciar o game se for fã de One Piece? Não concordo com isso. Há muitos jogadores que curtem games de luta e nem sempre entendem o universo e história destes personagens. Pense no passado, games como King of Fighters ou Mortal Kombat não investiam em histórias ou contexto, ao menos não de formas diretas. Eram apenas divertidos e tinha um universo próprio e original, que conquistavam os jogadores apenas por serem bons games de luta. Gostávamos de seus personagens e dos estilos das batalhas, sem que precisássemos entender a história de game um destes personagens. Até hoje não sei porque diabos o Blanka, de Street Fighter, é verde! Rá!

Um game de luta baseado em um animê não significa que seus jogadores só vão apreciá-los se entenderem todo o contexto desse universo. A proposta aqui não é explicar quase 20 anos de história do mangá em um único game. Não há a necessidade, ainda que One Piece Burning Blood seja presunçoso sim ao ponto de nem sequer apresentar a base do universo aos seus jogadores que estão chegando a série somente agora. Não tem como negar isso.

Como justificativa talvez valha a pena mencionar que o game tem um databook enorme na parte de coletáveis, separado por palavras chaves, apresentando personagens, termos, e outras coisas importantes do universo da série. Porém me pergunto se alguém que não conheça a série se preocuparia em ler todo esse databook, na qual muitos personagens nem sequer possuem imagens nas fichas que se fazem presentes ali. Ao menos está tudo muito bem localizado em português.

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O jogo aliás roda no áudio original em japonês, mas todas as falas e menus estão com legendas em português. Uma decisão muito mais interessante do que a que rolou com a dublagem de Naruto Storm 4, que foi muito boa e cabível pelo fato de Naruto ser conhecido aqui no Brasil e ter o animê (ao menos partes dele) totalmente localizados no país. O animê de One Piece infelizmente nunca teve uma chance digna de localização por aqui, e por isso seria muito estranho e bizarro se o game acabasse vindo dublado antes disso acontecer. A melhor decisão foi tê-lo deixado legendado em português. A melhor localização possível para essa situação.

Em todo caso, ainda com os pequenos defeitos que mencionei ao longo do review, o game traz muitos acertos. O sistema de suporte é inteligente, os modos extras de cartazes e bandeira são quase que infinitos, as batalhas em trio trazem a combinação de imprevisibilidade nas batalhas.

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Um ponto interessante é a diversidade de personagens e em como todos apresentam elementos originais e particulares entre si. Há sempre um personagem que faz algo que ninguém mais faz. São as peculiaridades de cada um que os tornam interessantes. Porém mesmo assim, ao todo são 40 lutadores e, apesar de parecer que são muitos, para o universo de One Piece, tão rico e tão extenso, é impossível não sentir algumas ausências.

Senti falta de alguns personagens memoráveis do universo da série, como a turma da organização da Baraque Works, os generais de Doflamingo, clássicos como Arlong, e até mesmo os importantíssimos agentes da CP9 (como que o game não tem o Rob Lucci!!), Caesar e alguns dos Supernovas. O que significa que os próximos games podem explorar ainda mais essa expansão de personagens.

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One Piece Burning Blood é competente em apresentar uma nova série de lutas para a franquia. Não há o que se discutir no apelo que o game faz aos fãs. Para nós, é um game imprescindível de se ter e até de apoiar, justamente para que haja mais games futuramente. A Bandai Namco merece elogios por ter resolvido finalmente apostar na série e até mesmo pelo trabalho de levá-los para mais plataformas e também localizá-lo para múltiplos mercados.

Como usuário de um Xbox One e fã de One Piece há anos, fico realmente animado e contente com o lançamento do game. E a minha torcida é que a Spike Chunsoft consiga continuar trabalhando na franquia e que sequências ainda melhores possam ser produzidas. E admito que gastaria algumas moedas de verdade caso estejam considerando lançarem novos personagens para Burning Blood em algum momento futuro.

Bandeira pirata hasteada e rumo ao grande tesouro de One Piece! Porque sim, ele existe!

Mais Imagens!

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Promissor começo para uma série de games de luta para One Piece
Sistema de batalha não é ruim, mas precisa ser refinado nos próximos
Localizado com vozes no originais e legendado em português
Mesmo com 40 personagens jogáveis ausências são sentidas
Guerra de Marinford é mais cansativa do que precisaria ser
Excelente modalidades extras (Online, Bandeira e Cartazes)
Carece de uma melhor apresentação a novatos na série

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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