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Black Rock Shooter – Innocent Soul Vol. 01 | Preso no Limiar entre a vida e a morte! (Impressões)

Anda sendo tão legal conhecer novos títulos em mangás através desse novo sistema de resenhas que anda sendo feito aqui para o site. Não sei, talvez qualquer mangá tenha potencial de ser legal, pois vivo dando azar escolhendo animês aleatórios na Crunchyroll. Raramente encontro algo que sinta vontade de continuar vendo. Talvez eu aprecie mais ler do que assistir. Isso acontece com algumas pessoas, não?

Enfim, o mangá desta ocasião é Black Rock Shooter – Innocent Soul, lançado agora no final de fevereiro aqui no Brasil pela Editora Panini. Trata-se de um título curtinho, que completa seu arco com apenas 3 volumes, sendo que depois disso há uma outra série, chamada Black Rock Shooter – The Game, mas que (se entendi corretamente) trará uma outra história a parte, porém dentro do mesmo universo proposto pela série Black Rock Shooter. The Game também é curtinho, fechado em apenas 2 volumes e também já foi anunciado pela Panini sua publicação aqui no Brasil, previsto para o segundo semestre deste ano.

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O curioso é que só fui pesquisar mais sobre a série depois de ler o primeiro volume de Innocent Soul, o que as vezes me gera certas surpresas. No caso foi descobrir que essa é uma franquia que surgiu como uma animação em 2010, e depois acabou ganhando alguns games e também recebeu estas adaptações em mangás que a Panini está lançando por aqui. Em 2012, a série ainda ganhou uma adaptação em animê, com apenas 8 episódios.

Cada mídia que trabalhou com a marca teve seus próprios diretores e roteiristas, mas a cola de todos os envolvidos na franquia e que permanece inalterado é o conceito original de sua arte, criada pelo ilustrador Ryohei Fuke, ou como é ele conhecido: Huke. No caso do mangá Innocent Soul, o roteiro é de Sanami Suzuki.

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Interessante, né? Não é algo que vejo acontecendo com muitos mangás sendo publicados por aqui. Acaba sendo uma marca criada por um estúdio para virar algo multimídia. Um ilustrador criou o conceito e arte original para servir como base para toda a segmentação entre mídias, que deu certo e o resulto é um universo que já virou animação, mangá e game.

É admirável que um produto que soe como algo meramente comercial funcione tão bem. Apesar que qualquer mangá, ainda que autoral, acaba sendo produzido pensando justamente em virar uma marca para fins comerciais. Enfim, não posso ir além de Innocent Soul, a única peça da franquia que acabei de conferir, mas digo que gostei bastante do conceito desse universo na qual já vou explicar.

Olá, capa fosca! Apareça mais!

Mas antes de entrar no enredo do mangá em si, preciso tirar um elefante da sala: a escolha da Panini por publicar Black Rock Shooter – Innocent Soul com capa fosca! Para quem não pescou, a capa não vem com aquele envernizamento brilhoso que todo mangá publicado no Brasil possui. É aquela película fina que dá brilho nas capas dos mangás. Não há isso aqui!

E posso dizer algo? Putz, eu adorei a capa fosca! É difícil descrever, mas é uma pegada diferente, você sente a diferença passando a mão. Não fica aquela marca de dedo na capa que o verniz as vezes deixa, especialmente em artes escuras. Não sei quais as implicações disso a longo prazo, se vai manchar ou se vai arranhar mais facilmente em contato com outros mangás (no meu caso não vai porque todos ficam guardados em sacos plásticos separados em casa) ou se o tempo vai apagar as cores. Sinceramente não sei se há uma desvantagem em capas foscas (acho que nunca vi um título assim, exceto em livros, que por sinal não sofrem com qualquer problema de desgaste a longo prazo). Será que capa fosca é mais caro? Não deve ser…

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Enfim, aposto que isso é algo que vai de cada um, mas pra mim a Panini deveria começar a fazer isso em todos seus lançamentos. Parece que estou segurando um livro. Gostei! Quero mais títulos em capa fosca!

O mundo de Black Rock Shooter e o enredo de Innocent Soul

Posso dar uma dica aqui? Já tem o mangá em mãos? Se tiver, pare por aqui e vá ler somente o primeiro capítulo dele, mas não leia a sinopse na capa da edição. O primeiro capítulo (e apenas ele) é bem mais divertido se você não fizer qualquer ideia do que se trata o mangá. Porém se você ainda não sabe se vale a pena adquirir o título, pode continuar lendo a matéria, o spoiler que darei está na sinopse oficial do título. Não tem como fugir disso se você quer saber mais do mangá sem comprá-lo.

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Continuando. Então, do que se trata Black Rock Shooter – Innocent Soul? É um mangá sobrenatural, que trabalha com essa ideia de espíritos e entidades que auxiliam as almas presas, ou no termo do título, almas estagnadas. Quando uma alma não consegue ir para o céu e nem para o inferno ela acaba perdida nesse mundo entre mundos, chamado Limiar. Nisso, estas almas acabam criando seus próprios mundos, e isso atrai outras almas para tais lugares, impedindo que estas almas sigam para onde devem ir.

É aí que entram as Black Stars, estas vigilantes do mundo Limiar, destruindo as almas estagnadas e seus mundos, libertando assim as almas presas dentro deles. Vale dizer que estas almas estagnadas não são necessariamente boas almas. São almas perdidas e atormentadas quando vivas, então elas sempre vão defender seus mundos das Black Stars.

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É essa explicação acima que tive que ponderar se deveria descrever para poder seguir adiante. Me limitei nas informações presentes na sinopse que consta na capa do mangá. Eu sinceramente dei sorte de não ler isso antes de ler o primeiro capítulo da edição, porque essa informação é meio que o ponto de virada final do primeiro capítulo, e é muito mais surpreendente ao leitor que não souber do que se trata a série. E não teria como eu continuar falando sobre o mangá por aqui sem apresentar seu conceito. Bem, eu alertei sobre isso lá no começo, certo? Agora não adianta reclamar comigo.

O título trabalha com Rock, uma Black Star, e seu parceiro Long, que é uma espécie de espírito de auxílio, que é o cachecol da Rock e também se transforma em armas de combate da personagem. O primeiro volume não diz muito quem é Rock, mas ela parece estar sendo atormentada por um passado pelo qual ela não se lembra. Nem mesmo fica claro o que é uma Black Star. São espíritos? São fabricações dos estranhos seres que aparecem em um ponto desta primeira edição? Ainda não tem como saber muitos detalhes e talvez nem faça sentido explicá-los, as coisas são o que são nestes mangás sobrenaturais as vezes. Faz parte de crer e acreditar. Porém o mangá dá esse indício de que Rock, em específico, é mais do que aparenta ser.

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O que eu gostei aqui é que o mangá trabalha com contos isolados, ou seja, mesmo que você só adquiria a primeira edição, apenas para conhecer esse universo, o leitor já encontrou quatro contos, sendo que três deles são realmente ótimos (o conto da escola achei meio boboca). O primeiro capítulo em particular é excepcionalmente fantástico. Trabalhando na premissa de que a primeira alma estagnada da série seja Jack o Estripador, que prendeu todas as suas vítimas nesse mundo e vive em um looping psicótico eliminando uma a uma a cada noite dentro de seu próprio mundo.

Eu cheguei a ficar um tanto emocionando com os dois personagens que aparecem nesse primeiro conto e que se tornam amigo de Rock. Como eu não sabia de nada do que contei acima sobre as premissas da série, acabei ficando chocado com o destino destes personagens. Ainda que no fim, haja aquele sentimento de alívio, de paz.

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São histórias que em paralelo trabalham com a própria Rock. Quem ela é? Por que ela surge aqui, como uma Black Star que não sabe de nada de seu passado? Os capítulos seguintes, com outros contos vão dando mais pistas, mas o mistério não é revelado nesta edição. O que se sabe é que Rock começa a ter emoções, algo que uma Black Star não deveria ter. Ela se importa com as coisas, enquanto todo mundo vê as Black Stars apenas como meras ferramentas do mundo espiritual.

Em certo ponto uma nova Black Star, chamada Dead, é adicionada a trama, e ela parece conhecer Rock. E isso vai inserindo outros elementos bizarros ao universo do mangá. Dead pode comer almas derrotadas, que parecem virar pequenas esferas que lembram os olhos das Black Stars. Novamente, cada conto acaba se preocupando em contar mais a história da alma atormentada e do mundo do Limiar, e do que o passado destas personagens. Há um conto envolvendo uma garota que sofria bulling na escola, de uma alma que morreu em um incêndio e, a mais curiosa, que fecha o capítulo, a alma de uma fera selvagem. Bem, não vou contar porque cada um destes fatos criou uma alma estagnada. Deixo-os para que cada um confira por conta própria. Só digo que a autora soube muito bem trabalhar no mote para cada alma estagnada de cada um dos contos da primeira edição.

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Vale ou não vale?

No que diz respeito aos traços do mangá, digo que gostei deles. São um pouco mais estilizados do que o normal, porém sem deformar os personagens. Nada que tenha me incomodado, ainda que haja momentos em que o traço não me despertou muito atenção, porém existem capítulos e momentos em que eles se sobressaem nos detalhes, especialmente nas páginas duplas e no terceiro capítulo, que meio que se passa dentro de uma espécie de QG das Black Stars.

É interessante que como cada conto passa dentro de um mundo de uma alma estagnada, isso cria efeitos e climas diferentes dentro da trama. Em um o leitor está em uma macabra cidade escura e deserta, em outro momento em uma selva claustrofóbica, ou em uma bizarra escola. Os ambientes acabam por vezes ditando a atmosfera do capítulo, o que é uma proposta interessante para a autora trabalhar. O mangá acaba se renovando a cada capítulo diante de uma situação e ambiente diferente, enquanto continua inserindo novos elementos ao universo geral da série.

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Um detalhe que me chamou a atenção foi o fato de que o mangá trabalha bastante com quadros verticais, indo de cima a baixo da página do mangá. Também é um formato inusitado, onde as vezes os quadros trabalham com as reações e gestos dos personagens, muito mais do que com diálogos e falas. O que torna também Black Rock Shooter um mangá de leitura ágil. Dá para acabar a primeira edição em uma única sentada (talvez duas, eu li dois contos por vez).

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Eu acabei ficando bem intrigado com a trama. Sendo um título com apenas 3 volumes, considero adquirir os outros dois volumes futuramente e ver como a trama terminará. Não espero por uma conclusão de todo seu universo, mas suspeito que ao menos o passado de Rock será revelado até o fim. Daí o nome do título provavelmente, alma inocente (Innocent Soul)

Vale dizer que a Panini fez um bom acabamento no título, ainda que impresso em papel jornal o título contem páginas coloridas, artes interna nas contra capas (sendo uma delas o freetalk) e o preço está bem amigável em relação aos mangás que andam sendo lançados atualmente em nosso mercado inflacionado pela crise: cada edição está saindo por R$ 12,90, sendo que o terceiro volume ainda não foi lançado no momento em publico esta resenha (deve chegar as bancas em julho).

Para quem procura algo curtinho e divertido, acredito que valha a pena dar uma olhada em Black Rock Shooter – Innocent Soul. Não é um título que vá mudar seu mundo, mas é competente e que me prendeu ao lê-lo.

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Universo da série é instigante
Traço tem seus altos e baixos
Cada capítulo funciona como um conto individual
(Capa fosca! Uau!) Bom preço pela versão impressa
Mangá curtinho, completo em 3 volumes
Leitura é um pouco mais ágil do que gostaria que fosse

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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