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Noragami – Vol. 01 | Um Deus sem-teto em busca de serviço! (Impressões)

Noragami é um dos mangás da Panini entre os muitos lançados em 2016. Bem, nem é tão novo assim, afinal no momento em que publico estas impressões da primeira edição, o terceiro volume já deve estar nas bancas de todo o país.

Felizmente sendo um mangá bimestral não é um título difícil de correr atrás e encontrar as edições anteriores. O primeiro volume foi lançado em julho, o segundo atrasou um pouco e chegou às bancas no começo de outubro e o terceiro foi lançado no começo de dezembro. A quarta edição deve sair lá para fevereiro então.

Lá no Japão o mangá já se encontra com mais de 17 volumes lançados e ainda não possui uma data para ser finalizado. Há também duas temporadas em animê adaptando o mangá, que infelizmente não se encontram disponíveis oficialmente aqui no Brasil, nem pela Crunchyroll, nem pela Netflix. E já adianto, este é o meu primeiro contato com esta obra. Nunca o li online e não cheguei a ver o animê.

A minha visão é a de uma pessoa que está conhecendo agora esse título. O mangá surgiu em 2010 e tem sua autoria atribuído a mangaká chamada Adachitoka. A julgar pelos primeiros capítulos apresentados neste volume me pareceu um título com uma pegada sobrenatural, com aquele clima de comédia, com jovens em período escolares da cultura japonesa.

Pra mim é muito difícil me apegar a títulos assim hoje em dia. Explico. Primeiro eu penso em Yu Yu Hakusho, do Yoshihiro Togashi, que foi talvez o meu primeiro contato com esse gênero e elementos que facilmente consigo reconhecer em Noragami (mundo dos espíritos e demônios – Ayakashi é o termo usado aqui). Depois me lembro de Bleach, do Tite Kubo, que começa tão legal, também tem esse elemento do sobrenatural, de almas etc, mas que sofreu em seus últimos anos e acabou de uma forma completamente indigna. Também me vem em mente Kekkaishi, de Yellow Tanabe, que eu não me esqueci que a Panini chegou a lançar trocentos volumes da obra aqui no Brasil e devido a baixas vendas o jogou dentro do freezer da editora e nunca mais o descongelou. E eu estava curtindo muito Kekkaishi, que também tinha os mesmos elementos de todos os outros títulos aqui mencionados.

E sendo franco, já me sinto velho quando se trata de descobrir novos mangás. Nem tudo me atrai, nem tudo me agrada. Fazendo um paralelo na concorrência, tenho que admitir que Blood Blockade Battlefront também é um mangá sobrenatural que tive contato com a primeiro edição e que gostei bastante logo de cara. E só não o acompanho porque há títulos demais sendo lançados e meio que não consegui adicioná-lo quando foi lançado aos muitos outros títulos que já coleciono, tanto da Panini quanto da JBC. Fica os votos para que um dia a editora crie um box e eu possa pegar ele completo – algo que aliás deveria acontecer com mais frequência no Brasil, tal qual o box de Dragon Ball da Panini.

Noragami – Do que se trata?

Enfim, chega de divagação! Esta primeira edição de Noragami apresenta seu protagonista, uma entidade, na pele de um jovem, chamado Yato que é na verdade um Kami. Na tradução Yato é classificado como um Deus, mas não é como Deus na religião ocidental, como a católica. Nesse ponto vale correr lá no glossário ao final de edição para entender melhor o que os japoneses classificam como kamis. Yato é meio que uma entidade superior, um ser que pode ser louvado e adorado pelos humanos normais e que pode realizar desejos conforme suas preces. Ele tem poderes sobrenaturais e então combate entidades que atrapalham e incomodam os humanos, basta que eles orem por um kami.

Essa é a premissa base do mangá. Logo outras regras e explicações acabam sendo dadas, como o fato de que se mais humanos conhecerem Yato e o adorarem, com oferendas e tal, mais status no mundo sobrenatural ele passa a ter e mais poderoso teoricamente se torna. Só que Yato é meio que um Deus sem-teto (vira-lata), que por sinal é como o título do mangá poderia ser traduzido por aqui, novamente segundo o glossário no final da edição – aliás me digam que vocês leem estes glossários, certo? Eles sempre são interessante. Se não tem o hábito de ler, passe a ler. Fica a dica.

A primeira edição é composta de apenas três capítulos. Trata-se de um mangá com capítulos longos e apesar da história conectada em uma trama maior, cada capítulos nesta volume apresentou um começo, meio e fim. Um plot que foi explorado individualmente.

Todo kami tem uma arma sagrada, também chamada de shinki, que possui uma personificação que lembra a aparencia humana. No terceiro capítulo, sem dar muitos spoilers, fica mais claro de onde vem uma shinki e porque elas possuem personalidades próprias. Yato tem esse pequeno problema neste primeiro volume, já que ele é muito prepotente e arrogante ao ponto em que sua arma simplesmente o abandona no começo do mangá. Agora ele precisa encontrar uma nova.

Sem uma shinki um kami não pode batalhar contra ayakashis, os seres do mal que incomodam os humanos. Isso é um problema já que no segundo capítulo Yato acabam conhecendo uma garota que passa a ter sérios problemas sobrenaturais. Hiyori Iki é a co-protagonista do mangá ao que tudo indica. Existe um evento que irá tornar um problema para Yato resolver. Não vou revelar porque é um dos bons momentos do mangá. A construção do roteiro e da relação de Yato e Hiyori são legais, lembro um pouco aquela coisa que Ichigo e Rukia possuíam no comecinho de Bleach, só que aqui o Yato é o cara que sabe tudo do mundo espiritual e Hiyori é quem precisa aprender para não entrar em apuros.

Existe esse problema de sua alma ficar descolando de seu corpo físico sem que ela deseje isso e que cria situações de tensão e também de comédia por todo essa primeira edição. Fica claro também que ela é quem irá mudar a personalidade do Yato, tornando um melhor kami com o desenrolar da história.

Esta primeiro edição trabalha muito com origens, explicações e contextualizações do universo proposto, tal como qualquer início de um mangá. Porém sobra espaço para algumas cenas de ação com Yato e também de fuga, já que em parte do volume ele está sem uma shinki para combater espíritos malignos.

Achei legal essa visão do mundo sobrenatural criado pela Adachitoka. É convincente, ainda que fique bem claro pra mim que não sou seu público alvo. O mangá tem uma pegada mais juvenil, usando personagens jovens que estariam em período escolar no Japão. O primeiro capítulo é sobre uma menina que sofre bullying na escola, mas ela também possui uma personalidade que não se ajuda muito. Eu me identifiquei um pouco com ela, mas hoje vejo que esse tempo passou e não volta mais, então não mexe mais tanto comigo a forma como o caso é explorado aqui.

Gostei mais da entrada da Hiyori a partir do segundo capítulo. A garota tem uma boa personalidade e acrescenta textura ao roteiro. Yato é um personagem de clichês & bordões, de piadas que tenderiam a se repetir se não houvesse essa entrada da co-protagonista. No terceiro capítulo, ao seu final, Yato encontra sua nova shinki, Yukine, e também ter uma personificação humana bem comédia, o que cria uma ponto ideal para deixar o leitor curioso para saber mais a respeito no volume seguinte.

Vale ou não vale?

Noragami tem então uma proposta bacana. Não é um mangá ruim, mas é difícil saber apenas pelo primeiro volume os rumos dessa história. Tendo como base somente essa edição não me parece algo além dos padrões normais do gênero. Não tem aquele impacto de “uau, isso é algo novo” que, por exemplo, Arakawa Under the Bridge dá ao leitor logo de cara. Por sinal, espere novos papos sobre Arakawa em breve aqui no site, vou continuar fazendo impressões de seus volumes, tal qual faço com One-Punch Man.

É como disse lá no início. Parece ser um título legal para leitores novos, para quem está chegando agora a esse gênero de sobrenatural voltado ao bom humor, sem foco no terror. Não me pegou de cara porque já sou macaco velho nesse estilo de mangá e história. Há outros títulos semelhantes em meu passado que já deixaram essa marca em minha memória.

Entretanto sinto que preciso elogiar a decisão da Panini de trazer mais um mangá com capa fosca (sem verniz). Tal qual Black Rock Shooter, é tão bom pegar um mangá com esse tipo de textura na capa. Pra mim todos deveriam ser lançados assim. Por dentro, nada demais. É um dos títulos padrões da editora. Papel jornal, boa impressão, com todos os extras que normalmente estes mangás recebem, como o freetalk e extras do mangá original. Aliás tem um conto da autora muito bacana ao final do volume, explicando como ela assumiu as rédeas de sua obra após seu editora falecer, sendo que ela dedica essa primeiro edição a ele. É muito bacana esse tipo de extra.

E Noragami é isso. Claro que nada impede que o mangá melhore e vire algo bem mais incrível nos volumes mais avançados. Até porque, senão ele também não estaria com mais de 17 encadernados publicados lá no Japão. Porém só posso apresentar aquilo que vi e senti lendo este primeiro volume.

Só que ser mais do mesmo, neste caso, não precisa necessariamente significar algo ruim. Se você está procurando por um mangá fora da curva, além dos padrões, eu tenho certeza que há títulos mais legais sendo lançados, pela própria Panini inclusive. Ajin, por exemplo – que em breve também terá um impressões por aqui. Porém, se Noragami está dentro do seu gosto, do estilo que curte ler, vai fundo, pois certamente irá curti-lo.

Difícil de se julgar apenas pelo 1º volume
Tem um bom traço, mas não é nada excepcional
Yato e Hiyori possuem ótimas personalidades
Capa fosca é legal, fora isso é um mangá normal da Panini
Temática de sobrenatural voltada ao público jovem
Há bons momentos de humor e a ação é timída, porém promissora

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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