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Serial Cleaner | Limpando cenas de crimes… para os bandidos! (Impressões)

Nada mais prático do que terceirizar o serviço, certo? Imagine aquele mafioso sem muito tempo para realizar aquela execução básica na qual não envolva testemunhas ou provas. O jeito é fazer na lambança mesmo, sangue e corpos para todo o lado e com a arma deixada para trás, afinal se você for parado pela polícia não há nada no seu carro para lhe incriminar.

É nestas horas que faz jus aquele cara, profissional autônomo, especializado em limpar a sujeita de tipos bagunceiros. O preço é alto, mas o cara faz o serviço como se deve. Esse é o Faxineiro e isto é Serial Cleaner, um indie game desenvolvido pelo estúdio iFun4All e distribuído pela Curve Digital onde o objetivo é limpar o sangue, corpos e provas de cenas de assassinatos sem ser detectado pela polícia.

O game é ambientado na década de 70, com uma trilha sonora inspirada pela época e com fatos e eventos reais que dão aquela camada ficcional quase realista ao enredo. A história conta a vida e os anos desse personagem, conhecido como Faxineiro, e a vida na qual ele leva cuidando da bagunça causada por alguns membros da máfia e eventualmente um certo serial killer, enquanto ele paga suas contas, cuida de sua mãe e faz apostas na tentativa de faturar uma grana e parar com essa vida complicada de faxineiro da máfia.

Normalmente esse é o tipo de indie game que não necessitaria de um grande enredo ou plot para segurar o jogador, porém a turma da iFun4All faz isso assim mesmo e o resultado ficou ótimo. Tanto que entre cada um dos 20 estágios principais do modo história existe esse cenário (abaixo) que representa a casa do Faxineiro, na qual ele interage com alguns objetos e sua mãe, servindo assim para contar parte de uma trama que vai crescendo conforme os estágios (contratos) vão sendo vencidos.

O jogo faz referências a eventos esportivos (norte americanos) dos anos 70 e também ao lançamento de um videogame da época (Magnavox Odyssey), assim como parece ser inspirado no cenário da máfia e de crimes reais que aconteceram nos Estados Unidos em tal período. Infelizmente não sei apontar com exatidão estes pontos (certamente quem viveu essa época lá saberia apontar), mas claramente houve esse estudo para dar esse toque especial à trama. E funcionou.

Isso claramente motiva o jogador a continuar a história do game, mais do que apenas pular de estágio e estágio vendo as mecânicas evoluírem e ficarem mais difíceis. Dá aquele elemento de curiosidade. O Faxineiro acaba entrando em atrito com um possível serial killer, o que irá culminar em empolgantes estágios finais onde as mecânicas também acabam sendo influenciadas pela tensão proporcionada pela história.

Faça a faxina

No que diz respeito a parte do gameplay, pelas imagens da postagem já dá para perceber que Serial Cleaner é um destes títulos com visão isométrica, na qual a câmera está sempre nesse ângulo superior. Tem quem não curta esse estilo, mas aqui parece combinar muito bem com a proposta do título.

Em certas partes Serial Cleaner lembra um pouco Party Hard, outro indie game bem popular. O jogador tem um ambiente na qual precisa estudar o movimento dos NPCs e saber quando se mexer, quais itens manipular, além de agir de forma sorrateira, mesmo que para isso seja preciso ligar um aspirador de pó (ou seria um encerador?) realmente potente que limpa de uma forma assombrosa manchas de sangue em diversos tipos de carpete! E eu aqui sofrendo para limpar pelo de cachorro do meu tapete…

O Faxineiro é o cara mais azarado do mundo, pois ele nunca chega a cena de crime antes da polícia. Aí o jeito é não ser detectado. O game explica em alguns momentos que a polícia também não é a mais incrível do mundo. Os polícias são preguiçosos, então eles vão perseguir o faxineiro se ele for detectado, entretanto eles correm até um certo ponto e depois desistem. Se você correr e se esconder em um armário, caixa de papel ou vaso de planta, ainda que obviamente o policial veja isso, ele vai simplesmente te perder de vista. É estranho, mas aí tem que dar essa pequena descrença, pois é o game tentando não ser tão cruel quanto talvez devesse ser.

Andar pelo cenário causa barulho, usar o aspirador mais ainda. Se houver policiais nas proximidades, eles vão lhe ouvir e irão para o exato local em que você fez o barulho. Vão procurar, mas não com muito afinco. E irão lhe esquecer em alguns segundos. Definitivamente não são policiais bem remunerados.

Existem tipos diferentes de policiais. Há um em particular que fica paranoico cada vez que detecta o jogador, e nisso ele passa a andar cada vez mais rápido. Outro, que surge em estágios mais avançados, carrega uma pistola e se lhe ver não vai pensar duas vezes em atirar para lhe matar (e sempre acertará). Existe o policial patrulha, que lhe vê, mas não corre atrás, preferindo apitar para que todos os demais polícias corram para te pagar. E os policiais são mais velozes do que o Faxineiro, o suficiente para quase sempre te pegarem se estiverem perto do jogador e não houver esconderijos próximos para cancelar a perseguição.

Com o avançar do game novos meios de interagir com o ambiente vão sendo apresentados. Mova caixas e portas. Prenda polícias em algumas destas situações, evitando assim que eles façam sua rota pré-programada pelo jogo. Há atalhos, que são como alçapões que levam o jogador a diferentes pontos do cenário instantaneamente. E também aparelhos de som que podem distrair a patrulha policial.

Os corpos, quando coletados precisam ser removidos do local, seja levando-os até o porta mala do seu carro, seja dando um fim para eles, como dar para crocodilos, ou arremessando-os de grandes alturas. Chegar até o corpo não é difícil, mas sair de lá com eles sim. O Faxineiro anda mais devagar com um corpo e só pode pegar um por vez. Se for detectado, é possível jogar o corpo no chão e sair correndo. Pego-o depois que a poeira baixar.

Armas do crime são fáceis de coletar. Exigem apenas chegar até elas. Complicado mesmo é limpar o sangue. O game não exige que 100% do sangue do ambiente seja limpo, mas normalmente essa taxa de perfeição fica entre 60 até 85% em cada contrato. É uma boa quantidade, e aspirar o sangue exige que o jogador permaneça no local sujo por mais tempo do que o ideal, fora que o barulho causado é bem maior. Assim é preciso ter atenção, cuidado e ficar indo e vindo em alguns lugares, pois a rota dos polícias sempre passam por estes trechos.

Serial Cleaner não gera estágios de forma procedural, o que significa que ambiente é sempre fixo, porém os elementos que precisam ser limpos mudam de lugar cada vez que o jogador é derrotado. Corpos, armas e sangue então podem mudar de lugar, já os tipos de policiais e suas rotas, objetos interativos e atalhos são sempre fixos. Existem situações onde essa mudança auxiliam o jogador e existem algumas que complicam, entretanto é um detalhe positivo, pois ocasiona em ter que se adaptar ao jogo, ao invés de apenas decorar o caminho adiante.

Os cenários também são bem diversificados, ainda que visualmente o game adote uma direção de arte meio minimalista, até simples demais em alguns momentos. Há cenas em boates e shows, assim como escritórios e restaurantes, e também em áreas externas como florestas e pântanos. As vezes fica difícil de entender como se locomover por estes cenários, mas me pareceu que isso fazia parte do desafio e experiência do game.

Há itens escondidos pelo cenário que destravam roupas e estágios extras. Admito que no começo demorei a perceber estes itens nos estágios, porém depois que se percebe-os uma segunda ou terceira vez, acaba sendo mais fácil encontrá-los. Roupas apenas alteram o visual do Faxineiro, sem dar qualquer atributo adicional, é apenas estético mesmo.

Os estágios extras são mais interessantes de serem desbloqueados. Como as 20 missões do modo história são integrado a um tema e enredo, existe uma linha contínua em sua construção, enquanto que os estágios extras permitiram que os desenvolvedores soltassem a sua criatividade.

Existem fases com tema de ficção científica, onde o Faxineiro precisa limpar aliens assassinados, com direito a sangue branco ou roxo, além de escapar de câmeras de seguranças em cenários como naves especiais. Há também estágios inspirados em grandes crimes da história e também aqueles produzidos por Hollywood.

São 10 estágios especiais, que somado com os 20 do modo história totalizam 30 contratos para o Faxineiro cuidar. Caso o jogador não se dê por satisfeito, ainda há modificadores para todos os estágios, como modalidades em que as fases ficam em preto e branco (dando aquele toque noir) ou com visão distorcida, como se o Faxineiro estivesse um pouco alcoolizado. Há tempos modificadores que acabam elevando a dificuldade do game. É uma opção válida para dar um certo replay ao game após terminar todos os estágios.

Considerações finais

De uma forma geral, Serial Cleaner é um bom indie game e totalmente localizado em português. Não achei que os estágios sejam super complicados ou difíceis. Dá para passar boa parte deles com uma segunda ou terceira tentativa. De primeira foram poucas as vezes, exceto nos três estágios iniciais que servem para lhe ensinar mais a respeito do game.

Claro que há alguns estágios mais cabeludos. Houve um em particular que me tomou quase 40 minutos para vencê-lo (em uma bote, onde as vítimas precisam ser jogadas em um aquário de piranhas). Porém nada que um pouco mais de paciência não tivesse me ajudado. Serial Cleaner não é um game que se pode jogar de forma afobada.

Não é um título muito longo. A campanha principal pode ser vencida em menos de cinco horas, dando mais duas a três horas com os estágios extras e modificadores. Talvez mais se o jogador se apegar ao valor de replay oferecido.

Difícil pontuar alguma crítica negativa ao jogo. Ele não tem necessariamente grandes problemas. Claramente o terminei querendo mais, porém aí tinha as fases extras. Infelizmente não abri todas porque houve estágios em que não encontrei o item que desbloquearia tal fase. O game faz exatamente aquilo que achei que faria, simples assim. Não quebrou e nem superou expectativas.

Em uma avaliação geral é um título que em uma sequência poderia facilmente expandir seu escopo. Tornar os policiais que o perseguem mais eficientes, criar novas camadas de inimigos (cães policiais por exemplo), expandir itens de interação e dar novos desafios que não fossem os mesmos do começo ao fim do game (especialmente após ter testado os estágios finais da campanha que quebram um pouco a fórmula que estava sendo usado desde o início do game).

Serial Cleaner não é um game para mudar parâmetros ou reinventar a roda. Não que todo título de um estúdio indie precise ser assim. Há uma proposta divertida e interessante aqui. É um bom game para se jogar entre um ou outro título maior, para dar aquele reset cerebral após um game que desgaste muito o jogador.

Galeria

Intrigante enredo que dá caldo ao game
Bom visual, um pouco simplista talvez
Dificuldade balanceada, nada de frustar o jogador
Sem muitas mecânicas, porém jogabilidade flui bem
Ótimos extras (missões desbloqueáveis e modificadores)
Tem uma boa trilha sonora temática dos anos 70

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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