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Black The Fall | | Em busca da liberdade! (Impressões)

Curte games como Limbo e Inside? Então chega mais para conhecer Black The Fall que tem a mesma pegada sombria.

Desenvolvido pela Sand Sailor Studio, localizado em Bucareste na Romênia, e sendo distribuído pelo selo da Square Enix Collection (Projeto da Square Enix que visa apoiar estúdios de indie games a lançarem seus jogos nesses mundo competitivo da grandes produções AAA), Black The Fall é mais um game 2.5 D side scrolling plataform puzzle adventure, lançado no último 11 de Julho para as plataformas PCPlayStation 4 e Xbox Oneo que é sempre bom porque aumenta exponencialmente o número de jogadores que poderão viver esta experiência.

Liberdade é Controle

O título usado acima faz parte da campanha publicitária do jogo (Freedom is Control) e nos mostra mais uma vez a importância da liberdade. Na história, após décadas de trabalho, um maquinista consegue escapar do controle mental que é exercido sobre todos os trabalhadores e decide então traçar uma rota de fuga da terrível fábrica opressiva do regime comunista. Através de passagens ocultas, sombras e tristeza, ele luta por sua liberdade.

Uma curiosidade que não podemos deixar passar é que os desenvolvedores do game passaram por situações complicadas na Romênia em 1980 e muito da opressão vivida por eles na época pelo regime governamental está representada neste jogo.

Ilumine estes gráficos

Ah sim, pelo que você pode ver nas imagens disponíveis, muito do jogo é escuro e acinzentado, isso demonstra como é a fábrica da qual o maquinista (já que o personagem ele não tem nome, vamos chamar ele assim mesmo, ok?) está preso.

Para começo de conversa mude a luminosidade na parte de opções do jogo para conseguir ver alguma coisa, serio, se não fizer isso você vai sofrer além da conta dentro das primeira áreas fechadas do game. Isso é uma falha e caso não faça isso, prepare-se para morrer e nem ver o que aconteceu ou aonde você caiu. Entendo a escuridão representado pela proposta do ambiente e sua história, mas a intensidade pode ser exagerada dependendo do seu tipo de monitor/tela. Não funcionou comigo o brilho padrão e precisei deixar o jogo mais claro.

Devido a estes gráficos, sair simplesmente correndo para a liberdade não vai lhe levar muito longe não, meus amigos. Se prepare para caminhar devagar e cuidar cada esquina. Mas é claro que em determinadas partes, devido as ameaças do ambiente, mesmo correndo o risco de morrer logo em seguida, correr pode ser sua única alternativa.

Nas áreas abertas, fora da fábrica, as coisas melhoram exponencialmente, a luminosidade permite você ver as coisas com clareza e reparar no ambiente ao seu redor.

O controle é básico em não apresenta muita dificuldade de ser dominado em poucos minutos. Você pode caminhar, correr, pular, se agachar e usar a lanterna para iluminar caminhos e solucionar desafios.

Os desafios

A ingenuidade, os reflexos rápidos e a decepção por errar serão seus companheiros e ferramentas nesta jornada. Sim, esqueça as facilidades, aqui a coisa fica complicada já na primeira tela do jogo. É verdade!

Você começa em uma sala, com uma máquina e uma bicicleta. Tente sair da sala da forma errada e um robô guarda aparece e lhe mata instantaneamente. Andar na bicicleta gera energia que movimenta a máquina ao fundo e abre uma pequena passagem… pare de andar e tudo para. É bom colocar a cabeça para funcionar rapidamente, senão você pode ficar andando na bicicleta por um longo período (e existe até uma conquista por fazer isso por um período determinado).

O jogo é repleto de salas e eventos secretos que mostram cenas curiosas e nos dão as conquistas como recompensa. Admito que após achar algumas delas e ter terminado o jogo, voltei para achar as que faltavam. Uma delas (que pode nem acontecer, caso você não preste atenção), coloca o jogador em meio a várias ovelhas dentro de um trem em movimento. Estranho.

Em determinado momento do game, o jogador adquire uma espécie de lanterna com a a qual é possível controlar outros trabalhadores que ainda estão presos no controle mental, porém como sua prioridade é escapar, usar de seus colegas é a única opção. Mas fique calmo, nada de mal vai acontecer com eles, ninguém saiu ferido na minha campanha, exceto alguns guardas e o próprio maquinista que morreu diversas vezes.

A dificuldade

Black the Fall é um daqueles games na qual o jogador vai morrer muitas vezes, de diversas maneiras, mas a maioria é por culpa própria, é sério. O jogo é repleto de quebra cabeças, locais para dar saltos em momentos exatos, robôs e guardas que podem vê-lo ou não, dependendo tudo da forma como o jogador chegar aos lugares.

Haverá momentos onde largar o controle e dar um tempo para a cabeça é a melhor solução. Isso é devido ao fato de que nem sempre a primeira interpretação de um desafio vai lhe mostrar a saída logo de cara, estudar o ambiente, ver todas as possibilidades e testar todas elas é a única maneira de achar a solução correta. Admito que em alguns casos demorei um pouco mais, outros, após já ter travado em momentos anteriores, já foram mais fáceis e até me surpreendia com a solução encontrada e seu resultado.

Com o avançar da história, chegará um momento onde o protagonista irá receber a ajuda de um cachorro robô, que passa a lhe seguir e a executar comandos simples quando se marca determinados lugares com a lanterna adquirida previamente. O cãozinho dá uma nova dinâmica, e muitas vezes descobrir como usar seu novo amigo é a chave para conseguir superar os desafios, seja subir nele para acessar plataformas, ou usá-lo para segurar pesos ou ligar equipamentos e até mesmo como apoio para se prender a plataformas. Por sorte ele não morre, o máximo que acontece é você deixar ele para trás por alguns segundos, até descobrir que vai precisar dele e voltar para resgatá-lo.

Vale a pena?

Essa é sempre uma pergunta válida e interessante, e felizmente aqui a resposta, na minha opinião, é positiva: sim!

Seja por seu estilo sombrio, pelas referências a Metal Gear (não vou dizer, mas tem e é bem interessante), pela imersão da trama que te compele a ter a vontade de libertar o maquinista desse regime de escravidão, pela vontade de achar as salas e eventos secretos ou pela necessidade de conhecer o mundo fora das paredes escuras da fábrica, as razões para jogar Black The Fall são diversas. O ambiente do game contagia o jogador.

Existe um desafio razoável dentro de seus puzzles. Nada que frustre demais o jogador, mas também não é fácil o suficiente para tornar o gameplay algo tedioso. Existe um bom equilíbrio entre a história, gameplay e os desafios para avançar dentro pela campanha.

Black The Fall não está tentando reinventar nada. O jogo apresenta uma forte influência de Inside, mas não a ponto de ser apenas uma cópia. Ele consegue ter algumas ideias e mecânicas próprias. Para quem aprecia o estilo, certamente não vai se incomodar com isso.

Não é um jogo longo, acredito que o terminei por volta de 6 ou 8 horas, o que nos dias atuais é algo bom para um indie game, não tornando a experiência cansativa ou repetitiva, especialmente pelo gênero de game proposto. Agora saia deste cadeira, ligue o seu console e salve esse maquinista desse regime opressor. Conquiste a sua liberdade!

Galeria de imagens

 

História pesada e sombria
Desafios engenhosos
Mecânicas e jogabilidade se encaixam
Não é longo, mas dura o tempo certo
Instiga a exploração do cenário em busca de segredos
Influênciado por Inside mais do que talvez precise

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o Master System 3. Jogador "colecionador" (difícil conseguir vender os games usados), leitor de Mangás, Treinador de Pokémon e ouvinte das músicas de Animes/Games (^_^). Nas horas vagas ainda me dedico a caça de troféus no PS4.
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