Nidhogg 2 | Duele até ser sacrificado! (Impressões)

A temporada de duelos está recheada de sangrentas disputas até a morte. E a morte vem de todos os lados, seja daqueles que irão morrer como perdedores, quanto os vitoriosos que servirão de alimento para a grotesca Serpe, que parece muito um verme gigante voador, que aguarda ao final da arena de todos os duelos do mundo de Nidhogg 2.

O game é uma produção do estúdio independente, localizado em Los Angeles, EUA, Messhof. Projeto encabeçado em grande parte por Mark Essen, que contou com uma pequeno time para este sequência, agregando também um papel importante do artista Toby Dixon na direção de arte de Nidhogg 2.

Lançamento em agosto do ano passado para Steam e PlayStation 4, Nidhogg 2 chegou recentemente ao Xbox One e, em breve, também será lançado no Nintendo Switch (data ainda a ser revelada).

Minimalismo versus Maximalista

Impossível não comentar que o primeiro Nidhogg foi um sucesso indie absurdo quando lançado em 2014. A premissa é a mesma em ambos os títulos, duelos entre dois jogadores, com uma física bem aplicada – a qual já irei dar mais detalhes – sendo que a única diferença gritante entre os títulos é exatamente sua direção artística: Nidhogg de 2014 é um título extremamente minimalista, emulando gráficos quase que de um game da era do Atari, enquanto Nidhogg 2 tem sua arte totalmente maximalista, usando e abusando de incríveis detalhes em sua atmosfera, ambientação, personagens e efeitos. Tudo com cores altamente vibrantes em uma pixel art inacreditavelmente incrível.

Eis que isso gerou uma divisão entre os fãs do jogo original e de sua sequência. O que não me surpreende nem um pouco, já que normalmente as pessoas não estão acostumadas com mudanças bruscas em vários aspectos da vida. Com videogames, e entretenimento em geral, isso não é em um pouco diferente. Queremos sempre mais do mesmo, até quando pedimos por coisas diferentes.

Claro que, sendo um pouco mais racional, entendo que Nidhogg 2 poderia ter seguido por vários estilos artísticos diferentes, sem necessariamente continuar minimalista como o primeiro, ou ir exatamente no sentido oposto a isso. Poderia ter gráficos mais realistas, ou cores mais sóbrias. Poderia ter adotado um estilo mais visceral e sombrio. Poderia ter partido para a era dos 16 ou 32 bits antes de tentar uma pixel art tão moderna. Havia opções diferentes, é verdade, não discordo disso. Mesmo que não me sinta nem um pouco incomodado com a atual arte do game. Pelo contrário, a adorei. Gosto quando a arte do game se utiliza justamente de cores super vibrantes para da ênfase aos detalhes ali construidos.

Muitas vezes, e pode ser que a minha percepção aqui esteja apenas errada, fico achando que as pessoas reclamam desse tipo de arte apenas porque tem cores super coloridas, que parecem mexer com seus subconsciente, no sentido de fazerem achar que o game foi infantilizado, deixando mais “fofinho” ou “bobinho”. Isso é muito comum, atualmente, com desenhos animados, onde uma velha guarda reclama da atual arte de animações como Hora de Aventura, Gravity Falls ou até mesmo, o que nem sequer ainda estreou, ThunderCats Roar.

Enfim, tudo isso para dizer: realmente gosto da arte de Nidhogg 2. Não vejo problema que a sequência tenha adotado uma direção artística oposta ao primeiro game, e acho que isso tornou a série visualmente melhor. Deu ao desenvolvedor a possibilidade de customização de personagens e também abriu as possibilidades de construir sua ambientação, já que se o jogo tivesse mantido sua arte original, não haveria tanto assim a se expandir no sentido de uma sequência com novos cenários e situações. A arte original era um tanto limitadora, convenhamos.

Escolha sua arma

Quanto a mecânicas, uma confissão antes de continuar: não cheguei a jogar o primeiro Nidhogg. Infelizmente o jogo nunca saiu de suas plataformas originais, PC e PlayStation 4. Diferente de Nidhogg 2, que tem ampliado seu acesso em novas, e inéditas, plataformas para a franquia.

Dito isso, não tenho como comparar a jogabilidade de Nidhogg com Nidhogg 2. Apenas vi alguns gameplay do primeiro game no You Tube à título de curiosidade. E achei ambos bem similares. O próprio desenvolvedor já comentou que a física do game foi totalmente respeitado na sequência, pois isso era um dos grandes pontos positivos do jogo original. Que estaria até mais acurada, algo que infelizmente não posso afirmar se de fato está, pelos motivos explicados.

O que posso dizer é que a física dos controles de Nidhogg 2 me impressionaram. Funciona assim: os jogadores possuem diferentes tipos de armas, mas no modelo básico, como o florete (espada usada na esgrima) tem três posições a qual o jogador pode colocá-la (centro, baixo e alto). Isso também ocorre com outras armas, como a espada e adaga. Armas em posições iguais se chocam e se rebatem, enquanto em posições diferentes, o jogador que acertar o outro primeiro o mata instantaneamente.

Nidhogg 2 é um jogo de duelo de morte rápida. Um golpe certeiro, uma morte realizada. Mas há mais possibilidades de ataques. Existe um arco e flecha, que é difícil de se manejar, enquanto ao jogador oponente há a possibilidade de rebater flechas. Todas as armas podem ser arremessadas contra o oponente, sendo a adaga a mais rápida e mortal, enquanto o arco arremessado apenas irá derrubar o oponente, sem matá-lo. Fora a espada larga, uma das minhas armas prediletas, que pode balançar e arrancar a arma do outro jogador, deixando-o desarmando.

Claro que ao ser desarmado, ou ao arremessar sua arma contra o oponente, que pode se defender ou desviar da mesma, ainda há como resolver o conflito com seus punhos ou pernas. O jogador ainda pode socar oponentes desarmados ou dar rasteiras ou voadoras, que se não colidirem com as armas do outro jogador, o irão derrubar e muitas vezes desarmá-lo. Aí é só pisar na cabeça do adversário até ela explodir. Prática totalmente aceitável em duelos até a morte, certo?

Arena de corredores

A ideia desse sistema de combate é fazer os jogadores avançarem por uma espécie de corredor, que dividi-se em três grandes telas. Ao morrer, seu oponente avança para o lado indicado na tela, até que o jogador caído renasça alguns segundos depois, à sua frente, com uma arma novamente em punhos, e aí você precisa derrotá-lo novamente para continuar avançando. Bem simples.

Nidhogg 2 é como um cabo de guerra em formato de corrida com duelo. Você mata e avança, mas aí o jogador morto renasce na sua frente e se ele lhe matar é ele quem vai avançar e compensar o terreno perdido. Se ficar nessa de que um matar o outro de forma alternada, ambos praticamente não estão saindo do mesmo local. É preciso continuar eliminando o outro jogador para continuar avançando. Enquanto isso, seu oponente tem chances iguais de começar a eliminá-lo e compensar esse terreno perdido.

Existe também outro elemento. Ao matar seu adversário, é você quem tem a vantagem de avançar pela tela, então se você conseguir pular por cima do adversário que acabou de renascer, você pode continuar avançando. Mas tenha cuidado ao executar essa ação, pois é nesse momento que torna-se perfeito para o adversário arremessar sua arma e matá-lo pelas costas.

Quanto ambos os personagem começam a partida, ou morrem juntos, não existe a vantagem de avançar pela tela. Então se você sair da mesma, tentando avançar ou até mesmo indo muito para trás, pode acabar morrendo, criando assim a vantagem para o adversário poder avançar.

Sendo assim, correr quando se tem a vantagem de jogo é sempre uma estratégia importante em Nidhogg 2. Enquanto o duelo do game nem sempre é sobre destreza, pois há também alguns elementos de sorte, especialmente se for pensar nas três posições de ataque do jogadores, do arremesso da arma e até mesmo do contra-ataques e ataques que podem lhe desarmar. Até mesmo o jogador mais habilidoso pode ser morto por um novato que atacou ou posicionou a arma em uma posição perfeita de defesa e contra-atacou logo em seguida.

As armas, na modalidade mais tradicional da disputa, também são aleatórias. Significa que quando o jogador renasce, ele não sabem com qual arma irá ter em mãos. Uma espada é uma grande arma quando o adversário está próximo de você e só tem uma adaga em mãos. Legal também dizer que todas as armas arremessas, quando caem no chão, podem ser recolhidas pelos jogadores. E cada vez que um jogador morre, ele deixa sua arma no chão da arena. Arremesse uma adaga, dê uma cambalhota no chão e pegue a arma do seu oponente caído e continue correndo.

Vê como há uma gama enorme de possibilidades e cenários de combate em Nidhogg 2? É isso que o torna tão divertido, imprevisível e viciante. Cada partida é única, cada oponente é diferente.

Funciona bem apenas como multiplayer

Cheguei ao ponto em que preciso parar de elogiar o game para tecer uma pequena crítica. Nidhogg 2 é um puro “Party Game“, ou seja, é um jogo que em sua essência funcionar apenas como multiplayer. Se você é um destes jogadores de jogos single player, não há nada aqui que vá lhe agradar.

Existe sim, um Modo Arcade no jogo. Mas é pífio. Funcionando basicamente como um tutorial para entender as mecânicas do game. São 10 estágios que podem ser vencidos em menos de 30 minutos. E são sempre os mesmos estágios, os mesmos oponentes, a mesma progressão de dificuldade (começa bem fácil e fica um pouco mais difícil perto do final).

A versão de Xbox One, recém lançada, possui 13 estágios de batalha, dois exclusivos (Trem e Escritório), porém o Modo Arcade contém apenas os 10 estágios originais do lançamento do game em 2017. Há ainda uma arena que se chama PAX,que imagino ter sido lançada posteriormente, provavelmente na PAX, um evento de jogos independentes que acontece várias vezes por ano nos Estados Unidos.

É uma pena que o Modo Arcade não tenha sido atualizado para comportar todos os estágios presente na versão mais recente do game. Ou que sua progressão não seja com estágios sendo apresentados de forma aleatória. Isso pelo menos o tornaria ligeiramente diferente cada vez que fosse iniciado.

Outra possibilidade seria modificadores (que existe no Modo de Multiplayer Local) para o Modo Arcade ou níveis de dificuldades diferentes para os bots de tal modalidade. Mas não há nada disso. A sensação é que a Messhof não se interessou mesmo em tornar Nidhogg 2 mais interessante e atraente para aqueles que apreciam um bom modo single player. E não, não acho que só porque a premissa do game esteja todo construido no multiplayer isso queira significar que o mesmo não possa ter um modo para um jogador interessante e atrativo. Poderia sim.

E o multiplayer, funciona?

Eis então a consequência da falta de um modo single player mais consistente: o multiplayer precisa ser muito bom, certo? Certo! Porém, Nidhogg 2 consegue alguns tropeços nesse departamento. Infelizmente. Mas vamos por partes.

Para disputas locais, em um mesmo ambiente, o título é perfeito. Nidhogg 2 é um game para se jogador com amigos em um mesmo cômodo. Reúna uma galera, tenha dois controles e monte torneios para até oito jogadores. Maravilha.

O modo local é cheio de opções. Customize seus guerreiros, com opções pra lá de engraçadas e esquisitas. Dite as regras do game, com alguns modificadores se quiser, ou até mesmo retirar certas opções de armas que não queira que faça parte dos duelos. Escolha os cenários e pronto. É só se divertir com os amigos no sofá.

A coisa azeda um pouco quando se olha que o multiplayer online de Nidhogg 2 não é lá muito povoado. Claro que fiz o teste na versão de Xbox One, que acaba de ser lançada e, portanto, pode não ter muitos jogadores. Entretanto basta uma rápida visita ao fórum do game no Steam para verificar que lá há também muitas reclamações sobre a dificuldade para se encontrar jogadores online para partidas rápidas, ou como há muitas partidas que rodam com lags e lentidão. Por conta do fato do game não ter servidores dedicados para estabilizar essa conexão online.

Outro contraponto: não há cross play entre plataformas. Jogadores de cada plataforma a qual o título está disponível só podem jogar contra outros jogadores dessa mesma plataforma. Isso é muito ruim para um game indie que já tem uma comunidade online pequena. Acaba todo mundo segregado.

E olha que cheguei a jogar algumas partidas online. Coisa de ficar de 30 a 40 minutos com o console ligado, fazendo outra coisa no PC, enquanto esperava a conexão com algum jogador. Tive sucesso em algumas ocasiões, mas infelizmente todas as partidas rodaram com lag. Tão ruim que nenhuma delas foram concluídas. O jogador lá do outro lado não teve a paciência de dar continuidade nestas ocasiões. Infelizmente.

Pode ser a minha conexão (4MB)? É claro que pode, mas sempre bom dizer que jogo dezenas de outros games online com essa mesma conexão ruim e sempre com ótimas partidas, com conexões sólidas. Ou seja, normalmente funciona, sendo mais propenso a dar problemas quando o sistema do modo online é o arcaico P2P (peer-to-peer) e o jogador que fez a conexão está em outro país, tornando essa rede muito lenta para países como o Brasil, onde a internet ainda é precária para boa parte dos jogadores.

Considerações finais

Nidhogg 2 é um game incrível. Tem uma arte fabulosa, ainda que não apreciada por todos os jogadores, e suas mecânicas são fantásticas para um jogo de multiplayer. Excelente para um sábado à tarde com os amigos, em uma competição amistosa, com direito a poder caçoar dos perdedores.

Sequer é um game caro, o que também é uma boa justificativa para relevar alguns pontos em que o game não se sai muito bem, como não ser atraente em modo single player. Na Steam e na Microsoft Store o jogo custa alguns vinte e poucos reais, estando mais caro somente na PlayStation Store, na faixa dos 45 reais. Não há micro transações. E apesar de ter pouco textos, todos os menus estão localizados em português.

O multiplayer online com certeza é algo a ser ponderado. Se sua rede de amigos possuem o game e todos jogam, vá fundo, pois também há partidas privadas online. Localidade geográfica e sua qualidade de conexão de internet podem ser pontos a serem considerados aqui. Para uns deve funcionar melhor do que para outros.

No caso do Xbox One, há uma sugestão muito boa que tornaria o títulos mais interessante na modalidade online, que seria inseri-lo dentro do catálogo do Xbox Game Pass, tornando-o acessível sem custo adicional a todos os assinantes do serviço. Certamente deveria ser algo que os desenvolvedores deveriam conversar com a Microsoft. Já há jogos independentes sendo lançados diretamente nesse serviço justamente com esse tipo de pensamento. Next Up Hero foi lançado nesse formato esse mês. Ashen deve ser lançado ainda em 2018 justamente assim.

Por fim, encerro estas impressões deixando meus elogios a Nidhogg 2. Acho que como uma sequência, o jogo soube sim evoluir aquilo que o primeiro fez com tanta maestria. Foi ousado em sua arte, mas mecanicamente foi fiel as origens. Meu único desejo seria que os desenvolvedores se tivessem se preocupado mais com outros aspectos que até mesmo jogos focados em multiplayer podem ter, como um consistente modo para um jogador ou aspectos da tecnologia de modos online que já existem de forma mais atualizada em muitos jogos da atualidade, incluindo indie games. Ao menos se o desejo fosse que o game se saísse melhor em regiões além Estados Unidos.

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10 Multiplayer de sofá, para jogar com amigos
6.5 Online não parece funcionar tão bem como deveria
9 Controvérsias à parte, a direção de arte é fantástica
8.8 Ótima jogabilidade e física muito bem aplicadas
7.5 Expande ideias do primeiro jogo (ex. novas armas)
4.5 Fraco no single player (Modo Arcade)
8 Trilha sonora combina com a nova arte
7.8
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