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Análise | Rigid Force Redux

Disponível no Xbox One, Nintendo Switch e PC

Rigid Force Redux viaja até os confins da galáxia para trazer de volta clássicas batalhas shump (shoot ’em up) em um jogo com muito estilo arcade, respeitando muito da antiga fórmula dos jogos de navinha. O título foi desenvolvido por um pequeno estúdio alemão chamado com8com1, e sua distribuição ficou a cargo da publisher Headup Games.

Interessante apontar que o jogo saiu originalmente em agosto de 2018 no PC, sob um outro título: Rigid Force Alpha. Esta é a versão que ainda se encontra disponível no Steam até o momento de publicação desta análise, sem que haja, por enquanto, uma intenção de atualizá-la para a versão recém lançada, agora no início de junho, para o Xbox One e Nintendo Switch.

Qual a diferença entre as versões? Rigid Force Redux recebeu algumas melhorias em relação a sua versão original. Primeiro que o jogo foi completamente refeito em uma nova engine (Unity). Isso permitiu inúmeros aprimoramentos em seu gameplay, tornando-o mais fluído e rápido, rodando em 60 FPS (frames por segundo). A versão redux também passou por um novo balanceamento na dificuldade, assim como foram revisado cores, efeitos visuais e interface do jogador.

A fronteira final

Rigid Force Redux segue uma fórmula bem clássica de jogos de tiro em naves espaciais, daqueles clássicos como R-Type, com chefes imensos, muitos inimigos em tela (muitos em fileiras), com avanço horizontal da tela e muitos power ups. Por sinal, este último elemento, dos power ups que aprimoram sua nave em tempo real, foi um dos elementos que me motivou a querer jogar o título.

Gosto muito de shmups que usam esse elemento do poderes que expandem o ataque das naves, mudando o formato do padrão dos tiros, mas principalmente daqueles que adicionam naves menores ao redor da principal, especialmente quando tornam possível que o jogador troque a posição a qual elas ficam, mudando até mesmo a direção a qual os tiros são direcionados. Com isso, por exemplo, é possível atirar em duas direções, frontal com a nave principal e atirar também pela traseira, com as naves acessórias.

Aqui é possível ter até quatro naves acessórias (também dá pra chamar de drones ou satélites), que são recolhidas uma a uma conforme a fase vai avançando. Há quatro possíveis posições: (1) todas frontal à frente da nave, (2) posicionadas no eixo vertical da nave e atirando para frente, (3) ainda no eixo vertical, porém atirando para trás e (4) todas reunidas na traseira da nave e atirando também para trás. A troca da posição se dá por meio de um comando no controle.

Dentre os demais power ups, há também três estilos de tiros da arma principal e três tiros de mísseis da arma acessória. Estes estilos de tiros da arma principal possuem três níveis de atualização, enquanto os mísseis possuem dois níveis. Os estilos dos tiros da arma principal são básicos, mas convenientes ao estilo do jogo, indo do tiro frontal direto, a um mais na diagonal e um outro que é mais espalhado e ricocheteia pelas superfícies (meu favorito). Os mísseis são menos interessantes, quase não sendo muito efetivos, sendo o melhor aquele clássico teleguiado.

No que diz respeito ao contexto narrativo, Rigid Force Redux até apresenta uma breve história sobre um esquadrão espacial chamado Rigid Force Alpha (nome original do game) em uma guerra intergalática contra máquinas e aliens que querem dominar tudo. É uma trama muito básica, que apenas lhe dá um empurrãozinho até o próximo estágio do jogo. Não é um elemento de destaque ou que sequer conseguiu prender minha atenção. O máximo de elogio aqui se dá pelo fato dos desenvolvedores terem criado uma personagem para servir como sua navegadora pela trama, e dela ter sido dublada (em inglês). O recurso falas em áudio nem sempre é uma certeza em jogos independentes, dado o custo envolvido.

Ah, e mesmo com áudio em inglês, também é bacana apontar que Rigid Force Redux possui localização para português. Então todas as caixas de texto das falar da personagem, assim como os menus do jogo, estão em nosso idioma.

Já na parte da jogabilidade, o título também merece alguns elogios. Os controles respondem muito bem aos comandos do jogador, sendo bem responsivo. A nave flui muito bem pelos cenários, e não há engasgos na hora da ação. Para um jogo com gráficos 3D, isso me deixou bem impressionado, afinal existe uma gama de jogos que apostam na ambientação tridimensional que nem sempre conseguem deixar a velocidade de movimentação tão fluída quanto os clássicos desse gênero são. Rigid Force Redix não decepciona nesse aspecto.

Na parte das mecânicas de combate, o título apresenta duas ideias bem interessante. Um é um movimento a qual a nave do jogador cria uma espécie de braço defensivo que impede momentaneamente de ser acertado por um projétil impossível de se desviar. Isso consume uma espécie de barra especial de energia, que se enche coletando energias verdes de inimigos derrotados. Essa mesma barra também permite disparar um tiro potente, ao segurar certo botão do controle para carregar. E para coletar a energia verde dispersa pela ambiente, há um botão que cria um campo de tração dessa energia para sua nave, sob a contra partida de deixá-la bem lenta enquanto estiver com esse campo de tração ativado.

Os chefes finais de cada estágio também são bem empolgantes. Todos enormes e com ataques que enchem o cenário de projéteis a qual o jogador precisa desviar. São inimigos que possuem pontos exatos que precisam ser acertados para causar dano, com padrões de movimentos e ataques que atrapalham o jogador a justamente fica ininterruptamente acertando o ponto de dano.

Dentre o repertório de modos, Rigid Force Redux entrega um modo principal com seis estágios e seis chefes, além de um modo Arcade que se compete entre as melhores pontuações globais, como um modo Boss Rush, a qual os jogadores enfrentam todos os chefes do jogo, podendo escolher os melhores power ups antes de iniciar cada um dos confrontos. Obviamente são modalidades complementares, para se brincar um pouco mais após ter terminado o modo principal. E tal como todo shmups requer, o título tem vários níveis de dificuldade, indo do mais fácil ao mais difícil, sendo que o último nível de dificuldade é justamente para os amantes hardcore do gênero, com poucas vidas, inimigos mais agressivos e que é preciso causar mais dano para eliminação de alguns destes.

Pontos críticos

Rigid Force Redux é legal, mas não é isento de pequenos problemas que o impedem de ir além do um shmup básico. A começar por sua duração. Com apenas seis estágios, a longevidade do título fica seriamente comprometia. É possível terminar sua campanha principal em menos de uma hora. E aí o jogo vai apostar no valor de replay por meio de outros níveis de dificuldade, modo arcade e chefões. O que, mesmo que você se sinta animado, ainda assim não vai durar tanto, exceto com os jogadores hardcore que vão morrer muito até pegar o embalo dos estágios no maior nível de dificuldade do jogo.

Entendo que lá fora seu preço padronizado seja de 20 dólares, o que particularmente ainda acho relativamente inchado – entre dez a quinta dólares seria mais adequado. Fora que, na loja digital brasileira do Xbox, sua conversão o tornou em um game de 75 reais. Está muito além do que um jogo independente desse porte deveria custa. No Steam, seu valor é um pouco mais condizente com seu conteúdo.

Acho que jogos curtos nem sempre devem ser criticados por serem curtinhos. Há jogos em que isso faz sentido. Disse exatamente isso alguns dias atrás, quando escrevi a análise de A Fold Apart. O ponto é que no caso de Rigid Force Redux, não tive uma sensação de satisfação ao terminar o jogo uma primeira vez. O mesmo me deixou com vontade de mais. Um sentimento que não foi apaziguado por níveis mais difíceis ou modos extras.

Atrapalha um pouco o fato de que as seis fases do título seja lineares, com os inimigos sempre surgindo nas mesmas posições. Acho que aqui, se houvesse alguns elementos procedurais e aleatórios, a experiência poderia ter ido um degrau além. Posso mencionar a experiência de Black Paradox, a qual joguei ano passado e também é um shmup relativamente curtinho, mas que apresenta um bom valor de replay justamente por estar inserido no gênero roquelike.

Em outro aspecto, pesquisando um pouco mais sua versão de 2018 para PC, Rigid Force Alpha, fiquei com a ligeira impressão de que a paleta de cores do jogo original é um pouco mais chamativa e interessante do que os desenvolvedores escolheram para a nova versão. Aqui os gráficos ficaram um pouco mais sóbrios, tentando algo mais realista, enquanto a versão de PC os inimigos possuem mais cores. Pode se dizer que visualmente estão mais bonitos, mas me parece que perderam um pouco do charme e estilo de arte da obra original.

Fora que a escolha de arte gráfica tridimensional, por si só, já limita um pouco uma direção de arte mais detalhista. Especialmente em um jogo independente, que tem um orçamento muito menor do que os jogos maiores do atual mercado. Acho que esse é um gênero que combina com o estilo tradicional, mais estilizado, as vezes com uma arte mais animada em 2D, e com muitas vezes com uma pixel art mais estilosa. No caso de Rigid Force Redux, o cenário em 3D ao fundo, não é dos mais inspiradores, o que dá essa sensação meio genérica em meio ao tema espacial.

Considerações finais

Rigid Force Redux é um shmup divertido. Se este fosse um título lançado lá no passado dos videogames, quando era comuns os jogadores alugarem por um final de semana jogos em locadoras, certamente diria que é um título que vale a locação para um final de semana. Se fosse um jogo que estivesse no Xbox Game Pass, por exemplo, também faria a recomendação de instalar e testá-lo para se divertir por alguns dias.  Só que ele não está (neste momento) no serviço e para jogá-lo é preciso comprá-lo. Com esse pensamento, diria que vale a pena esperar uma promoção digital, caso você seja um fã do gênero aqui abordado.

Pensando na parte mais técnica, o jogo é impecável. Os controles respondem muito bem, a ideia dos power ups é muito boa, e a fluidez do jogo é excelente. É uma pena que ele seja tão curtinho, até mesmo para o padrão de shoot ’em up, que já possuem a tendência tradicional de serem mais curtos do que outros gêneros.

É até uma judiação que o título sequer ofereça um multiplayer local para um segundo jogador, afinal essa é outra característica tão clássica de jogos de navinha. É uma força espacial, caberia aqui o conceito de um outro piloto junto ao jogador principal. E é curioso que o título mande muito bem em sua apresentação, com uma cena de abertura com astronautas (sim, no plural) correndo para suas naves, e depois se apresenta uma personagem de inteligência artificial que fica ali na orelha do jogador falando sobre o contexto do mundo do jogo e dando-lhe instruções ao longo das fases. Há uma clara identidade criada aqui para a experiência do jogo, mas o potencial está longe de atingir sua plenitude.

Rigid Force Redux é um título recomendado para aqueles que são fãs de shmups. Destes jogadores que estão sempre testando de tudo e que curtem o desafio dos níveis mais altos de dificuldade. Não é frustrante a novatos, tendo em vista que oferece vidas e continues para que não tenha que se recomeçar a aventura do zero nas modalidades fácil e normal. Só está longe de reinventar a roda ou oferecer uma experiência que vá ficar na sua memória por um bom tempo. Trata-se de um jogo simplesmente normal. O ponto é nos dias de hoje, com inúmeros jogos independentes sendo lançados todos os dias, o normal não basta frente a tantas ideias diferentes e inusitadas. É preciso um pouco mais.

Galeria

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Dando uma nota

Fórmula clássica de jogos de nave com avanço horizontal - 7.5
Sistema de power ups que fortalecem a nave em tempo real - 7.7
Ótima jogabilidade, com bons controles e movimentação muito bem fluída - 8.5
Narrativa serve apenas como função de lhe jogar de uma fase a outra, não há nada excepcional - 7
Mesmo com alguns modos de jogo e níveis de dificuldade, ofecere uma experiência muito curtinha - 5.5
Experiência apenas single player, sem nem mesmo um multiplayer local para um segundo jogador - 6
Gráficos em 3D entregam um visual comum ao estilo, sem deixar que a arte se fortaleça em conjunto com a jogabilidade - 7

7

OK

Rigid Force Redux é um bom shmup (shoot 'em up), porém é muito curtinho, oferecendo uma experiência que lhe deixa querendo mais. O título aposta em uma fórmula clássica bem tradicional ao gênero e não desaponta na hora de apresentar suas mecânicas e jogabilidade. É uma pena que acabe rápido demais, justamente quando as coisas começam a esquentar.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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