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Análise | Prinny: Can I Really Be the Hero?

Disponível para PSP e Nintendo Switch

Prinny: Can I Really Be the Hero? é uma aventura para quem curte um bom desafio. O título chegou em 13 de outubro do ano passado para o Nintendo Switch e foi desenvolvido pelo estúdio Nippon Ichi Software (NIS America), sendo um jogo em 2D abrangendo os gêneros plataforma e ação, derivado da série Disgaea. Esta versão é um port, já que o mesmo jogo foi lançado originalmente em 2009 para o PSP (PlayStation Portable), então como era de se esperar de uma conversão de um jogo mais antigo, não contamos com dublagem ou legendas em português. Há somente a opção de deixar tudo em japonês ou em inglês.

Fazendo a sua estreia no Nintendo Switch, se faz necessário alertar que o título foi lançado em dois formatos. Em mídia física o jogo recebeu o nome de Prinny 1•2: Exploded and Reloaded, pois além do jogo original, que até então permanecia exclusivo no PSP, o box também contém sua sequência: Prinny 2: Dawn of Operation Panties, Dood!, que foi lançado em 2010, também exclusivamente no PSP. Entretanto, no formato digital, a NIS America escolheu lançar os títulos separadamente na eshop do console, mantendo o nome original de cada. Por isso, hoje decidimos falar apenas do primeiro jogo, apresentando assim a série a quem a desconhecia.

Onde surgiu esse tal de Prinny?

De uma forma bem direta: surgiu em Disgaea, uma série de jogos RPG tático criada e projetada pela Nippon Ichi. A série estreou no Japão em 2003, com Disgaea: Hour of Darkness (para PSP e Nintendo DS), sendo uma das franquias mais populares no Japão e, portanto, tendo ramificações em mangás e animes.

Disgaea se situa no fictício Netherworld e é conhecido pelo seu incomum grande número de elementos de RPG, sendo um jogo complexo que preza bastante pelos alto nível dos personagens e obviamente também por seus diálogos com toques humorísticos. Uma outra característica marcante é a necessidade dos anti-heróis de lutarem ao lado de heróis para um bem comum, mas não que isso não seja feito com muito desdém da parte deles (o que dá todo um tom cômico para as situações apresentadas na aventura).

Entre tantos personagens, tivemos um grupo característico de personagens secundários, que por sua enorme quantidade e seu carisma, acabaram se destacando na multidão, os até então pouco famosos, mais engraçados, Prinnies (no singular fica sendo Prinny). Esses seres são a reencarnação das almas dos humanos pecadores e terão que servir (trabalhar) até que se redima de seus pecados e possa reencarnar. Nesta nova “forma” as almas se tornam basicamente pequenos pinguins engraçados e com uma grande queda para serem punidos por seus mestres, explodindo no processo e contribuído de alguma forma com o enredo dos jogos onde marcam presença. Estes fatos unidos acabaram elevando o status deles, ficando por sua vez mais conhecidos do que a série de onde surgiram. E eis que alguém teve a brilhante ideia de dar um jogo solo para eles.

Qual é a desse jogo afinal?

Prinny é um jogo de ação em side-scrolling, jogos nos quais a jogabilidade é vista do ângulo de câmera de visão lateral, e a medida que o personagem se move para a esquerda ou para a direita a tela rola com ele. Uma fórmula clássica dos jogos da era de ouro dos videogames.

Em Prinny: Can I Really Be the Hero? o jogador é convidado a explorar 6 mundos/fases em busca de ingredientes para uma… receita culinária, sim, é isso mesmo. No começo de tudo Prinny vai se reportar a sua mestra Etna (velha conhecida dos fãs de Disgaea) e recebe a missão de encontrar a Ultra Dessert (a sobremesa suprema) conhecida por possuir um sabor lendário e inimaginável, dentro de um limite específico de 10 horas, a qual cada fase vencida reduz o tempo deste relógio.

Os estágios seguem a estrutura clássica dos jogos 2D das antigas. O jogador precisa avançar por cenários repletos de plataformas, armadilhas, a qual pulos precisos serão necessários, enquanto o ambiente estará repleto de inimigos por todos os lados, desde os que avançam em sua direção, aos que atiram contra você, os que voam para atrapalhar os pulos etc. O jogador deve percorrer toda a fase, eliminando, desviando e pulando de abismos afim de encontrar um chefe ao final. Ao contrário da franquia Disgaea, aqui não há elementos de RPG ou sistema de level. É realmente uma proposta mais focado nas nostálgicas aventuras em plataforma side-scrolling.

Gráficos, som e controles

Em comparação visual com a versão original de PSP, o título segue graficamente bem semelhante. Não houve exatamente uma reforma gráfica. O título conta com encantadores sprites e fundos com efeitos 3D (um pouco datados). Pessoalmente achei que a falta de mudanças ficaram ainda mais evidentes no modo portátil do Nintendo Switch, deixando o jogo com cara de ser uma versão maior do antigo portátil da Sony. Ainda assim, Prinny: Can I Really Be the Hero? segue uma direção de arte muito singular e característica da franquia Disgaea.

Um dos lances visuais mais interessantes do jogo ocorre quando Prinny executa um ataque aéreo, pois nesse momento a visão da câmera muda sua perspectiva, para um 2.5D muito bem feito. Essa mudança meio que trás a câmera para quase atrás do personagem, dando uma visão diferente do estágio. Esse ataque permite que Prinny use suas espadas para atirar projéteis de suas lâminas em um ângulo diagonal, sempre em direção ao chão. É um efeito bacana, mas como a perspectiva muda, nem sempre é muito fácil ser certeiro na hora de atacar. Porém isso parece fazer parte da proposta de dificuldade do jogo, a qual abordarei mais abaixo nesta análise.

As músicas vão ficar martelando em sua cabeça após uma seção maior de jogatina, ainda mais com o fato de contar com música mais agitadas para os confrontos com os chefes, os quais são desafiadores e sempre vão exigir mais de agilidade por parte do jogador, tanto mentalmente (para se pensar em soluções para o desafio apresentado) quando fisicamente (para se pressionar os botões rapidamente e na ordem das ações necessárias). Também acho necessário fazer elogios ao fato dos diálogos estarem dublados (inglês ou japonês), dando assim vozes aos personagens. Nem sempre isso ocorre com jogos desenvolvidos para portáteis, porém aqui é um deleite escutar as vozes dos personagens.

Por falar em rapidez vamos aos controles. A forma de controlar Prinny não é nada que vá causar dores de cabeça aos jogadores, os direcionais ou o analógico vai mover Prinny, o botão Y faz o ataque de corte com as (espadas/facas) e também serve para conversar com os outros Prinnies no acampamento, que serve como hub para a seleção das fases. O X vai pegar e levantar um item, servindo também para arremessar tal item contra inimigos.

Há também o botão A, que vai fazer com que Prinny comece a girar (ficando invulnerável durante os segundos do giro) o que serve para desviar de projéteis, porém como Prinny fica tonto em seguida, é um recurso que deve ter seu uso muito bem calculado. Concluindo o botão B ficou a ação clássica de pular, se pressionar ele seguidamente (2x) durante um pulo faremos um pulo duplo. Se pressionarmos o direcional para baixo durante o pulo, iremos dar a bundada que como vai atirar os save points e atordoar os inimigos, vai ser muito usado nos chefes de fase para paralisá-los. Podemos ainda pular e apertar o botão de ataque, disparando (se pressionado seguidamente) um como de golpes aéreos. Temos um tutorial no começo do jogo que pode ser repetido mais vezes caso seja necessário e nele aprendemos todos os comandos e combinações possíveis

1.000 vidas e suas decisões

A característica marcante de Prinny: Can I Really Be the Hero? é a sua nada modesta dificuldade. A prova irrefutável de que iremos enfrentar algo fora do normal é que começamos com nada mais, nada menos que 1000 vidas. Na dificuldade normal contamos com um cachecol que funciona como se fosse um coração extra de vida, então 3 cachecóis funcionam como 3 hits antes de perdermos uma vida em si, mas isso não funcionará se cair de precipícios, onde perdemos uma vida completa ao cair.

Na dificuldade mais elevada é somente um cachecol por vida, o que pode estraçalhar seus nervos já na primeira fase. Encostou em um inimigo, perdeu uma vida, errou um pulo e caiu em um precipício, perdeu todas as vidas. Inimigos costumam se movimentar pela fase indo ao seu encontro, e eles voam, atiram e perseguem você, alguns ainda são protegidos e temos que pular sobre eles dando uma bundada para atordoá-los e então atacá-los com as nossas lâminas.

Por sorte os pontos de salvamento são generosos, então não vamos ter que percorrer grandes distâncias na fase toda vez que morrermos. Estes pontos de salvamento são ativados ao darmos uma bundada em um totem da fase, acho que alguém aprendeu esse golpe com o Mario, mas enfim, já sabemos como fazer isso certo?

Como mencionei há pouco, contamos com um tempo para a conclusão de todas as fases, conforme este tempo vai diminuindo (1 hora por fase concluída) as fases subsequentes que você jogar serão mais difíceis, deixando as coisas ainda mais tensas no final. Logo jogar primeiro as fases com mais estrelas, que são mais difíceis acaba sendo uma boa saída, já que as fases mais “fáceis” não vão ficar impossíveis com sua dificuldade aumentada, mas o contrário pode ser bem tenso, com fases naturalmente difíceis recebendo um “extra” de dificuldade devido a aproximação do término do tempo.

O aumento da dificuldade vai alterar a disponibilidade de inimigos e até os chefes encontrados no final das fases, o que dá um certo fator replay ao título, já que podemos jogar ele de uma forma diferente simplesmente alterando a ordem de visitar as fases. A estrutura das fases também pode sofrer alteração conforme a hora do dia em que for acessada, colocando um toque extra de dificuldade (sim, além de toda a dificuldade que você acumulou jogando as fases mais fáceis primeiro e deixando as mais cascudas para o final). As fases acessadas durante a noite são mais complicadas que as de dia, como era de se esperar.

Toda essa alteração de estrutura das fases perante a ordem de visitação das mesmas, escolhida pelo jogador, aumenta em muito o fator replay para quem gostar dessa jornada controlando o incansável Prinny.

Considerações finais

Consigo concluir que Prinny: Can I Really Be the Hero? é um destes jogos idealizados para jogadores que  possuem nervos de aço para encarar os desafios de sua jogabilidade. O game é bem desafiador e a quantidade absurda de 1.000 vidas pode não parecer tão absurda assim quando mais de 20 vidas, senão 30 forem perdidas em lutas de chefes e outras tantas para se chegar até eles. Ainda assim, trata-se de uma quantidade suficiente para conseguir terminar o título.

O aprendizado para o jogador fica exatamente pela tentativa e erro. Tentou de um jeito e não deu, tente de outro, adapte o que deu certo com novas estratégias e tente mais uma vez. Uma recomendação é jogar Prinny em doses homeopáticas, jogue uma fase até concluí-la e volte outra hora para jogar a próxima. Encaixar fases em sequência pode lhe render uma dose de stress e tensão além da recomendação diária.

Chega a ser curioso que um título tão divertido tenha ficado por tanto tempo esquecido dentro da biblioteca do PSP, e que até mesmo não tenha sido portado inclusive para os consoles de mesa do PlayStation. Há também que se pensar se apenas o simples port foi suficiente aqui, pois claramente o visual pode soar um pouco datado, mesmo que seja um lançamento no Nintendo Switch. Uma reforma gráfica talvez tornasse o título ainda mais chamativo, isso para não pensar que talvez fosse o caso de criar conteúdos adicionais. Bom, mesmo assim, é muito bacana ver Prinny: Can I Really Be the Hero? chegando a mais uma plataforma, e uma das maiores da geração, dando-lhe uma grande visibilidade com o público gamer. Quem saber até mesmo para possibilitar um terceiro título? Seria legal, admita.

Prinny: Can I Really Be the Hero? é uma joia perdida, porém agora resgatada da Nippon Ichi Software. Não é um título necessariamente longo, mas que dá flexibilidade para o jogador revisitar a aventura em múltiplos caminhos, diferentes dificuldades e descobrir novos segredos com isso. É um jogo difícil, mas prazeroso de ser superado em sua dificuldade. É uma forma divertida de revisitar a velha forma dos jogos de ação e plataforma, mas com ideias que condiziam com a proposta portátil a qual o título foi originalmente idealizado. Vale muito a pena conhecer!

Galeria

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Dando uma nota

Port do jogo de 2009, graficamente sem alterações, apenas adaptado para maiores resoluções - 7
Segmentos de plataforma oferecem bastante desafio dado que o pulo nem sempre é preciso - 6.5
Ótimos controles, fáceis de serem dominados - 8
Conceito de 1.000 vidas é bem interessante e dá um senso de preocupação inicialmente, mas é um limite justo e satisfatório - 8
Dificuldade muitas vezes elevada, dada a quantidade de inimigos e armadilhas nos estágios - 6.5
Diálogos da trama são super divertidos e bem humorados, Prinnies possuem bastante carisma - 9
Valor replay é muito bem planejado, ao revisitar fases em diferentes ordens e assim alterando a dificuldade das mesmas - 9

7.7

Bacana

Prinny: Can I Really Be the Hero? não é um jogo para qualquer um, inevitavelmente muitos jogadores podem acabar ficando sem paciência ou frustrados em situações de alta dificuldade que o título tem a oferecer. Entretanto, no escopo maior, é um divertido jogo que resgata a vibe dos antigos jogos de plataforma do passado, uma joia perdida na biblioteca do PSP e que felizmente foi resgatado para o Nintendo Switch. Bem humorado, com algumas ideias bem interessantes ao gênero e com uma direção de arte que talvez seja um pouco datada hoje em dia, porém que ainda mantém a obra bem estilosa e cheia de charme.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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