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Cinema: O Último Mestre do Ar. Na verdade, é outra história – que não é A Lenda de Aang. [Eu Fui!]

o ultimo mestre do ar

Alerta! Alerta!
Risco de spoiler! Se você é alérgico, não continue!

Lento, com personagens descaracterizados completamente, sem o senso de humor e as grandes cenas de ação que marcaram a série animada, O Último Mestre do Ar é uma adaptação ruim: não é uma tragédia (se você pensar no filme isoladamente), mas chega muito perto disso – principalmente para os que adoram A Lenda de Aang e prezariam, pelo menos, a fidelidade com os personagens. Em resumo esse é um filme que usa algumas coisas do desenho, sem compromisso com o original. Uma adaptação licre, poderíamos dizer, mais dramática, mais reflexiva e centrada na redenção do protagonista – que tem que “se punir e se perdoar”.

Enfim, esse não é o Aang da Nickelodeon, esse é o Avatar da M. Night Shyamalan.

O Último Mestre do Ar foi um filme que esperei muito, acompanhei imagens, trailers, viagens virtuais pelo cenário, críticas, entrevistas e tudo mais…

A série animada é uma das melhores produzidas pelos norte-americanos e o canal Nickelodeon ganhou ainda alguns pontos de respeito da minha parte porque a exibiu, com qualidade, manteve dublagens até o fim (mérito da distribuição também) e, para melhorar, ainda teremos a continuação prevista para 2011.

Dito isso, dá pra perceber o quanto eu gosto de Aang, Katara, Sokka, Toph, Appa, Iro e todo o resto…

Em um post passado, coloquei as críticas dos norte-americanos, que definiram o filme como “o pior do ano”, “um desastre total”, entre outras coisas que me deixaram com medo – afinal, os trailers mostravam que seria um grande filme, de proporções épicas, levado a sério pela direção e produção e, quando saiu, a tal “bomba” veio à tona…

Mas, na verdade, apesar de todos os problemas, O Último Mestre do Ar não é essa tragédia toda – mas poderia ter sido pelo menos “um bom filme” se alguns aspectos fossem respeitados (e poderiam ter sido, sem dar trabalho nenhum a M. Night Shyamalan, que só deveria ter mantido certas coisas e, pelo que eu sei, manter é mais fácil que alterar, afinal)! Não é uma tragédia, entendam, mas também não é Avatar: A Lenda de Aang – que fique bem claro!

Então, começando a análise, para não escapar nada, eu dividi em partes: elenco e caracterização, roteiro e direção, produção (efeitos especiais) e “detalhes inexplicáveis”:

aang

Elenco e Caracterização: Katara, Sokka, interpretados por Nicola Peltz e Jackson Rathbone, respectivamente, são passáveis, pelo menos na escolha do ator. Eu vejo os dois com características mais parecidas com os esquimós, embora com o tom de pele mais moreno do que os moradores dos pólos têm, enfim.. Em relação a atuação, achei bastante sofrível, estilo “Malhação”, entende? Contudo, falando da adaptação destes personagens, partindo do original, foi um desastre: Sokka é um cara chato, sério, dramaticamente emburrado… Katara não é geniosa, é uma menina escondida atrás do irmão (e sempre mostra uma cara de choro sem fim). Aqueles personagens do filme não são Soka nem Katara de Avatar, o desenho, são personagens inventados pelo diretor…

Noah Ringer, ator que interpreta Aang, pode até ter os olhos puxados, mas não convence ninguém: não tem carisma, não é a criança que Aang é: que está descobrindo o mundo e aprendendo coisas novas ao lado de amigos engraçados, mas destemidos etc. Não é culpa do ator, obviamente. Ele seguiu um roteiro. De qualquer forma, até mesmo suas coreografias não convencem, tudo fica sempre com um ar forçado e, bem… Você não consegue definir na própria mente o que está assistindo. Afinal, aquele é um Aang reflexivo, preocupado em se descobrir e ter sua redenção por ter deixado seu templo desprotegido anos atrás… Então, não é só culpa do ator (que é “sem sal” – pronto!), e sim de todo o contexto rápido e indefinido…

Agora, a Nação do Fogo é a grande furada do filme! A caracterização é triste! Um Tio Iroh magro e esguio, com cabelo rastafari? Pelo amor de Deus! Onde estava o Iroh sábio, nostálgico, respeitador, mas também fanfarrão, divertido e barrigudo? Qual o motivo desse “assassinato” do personagem original? Seria mais fácil manter o Iroh como ele é: um personagem cativamente e encantador.

E o Senhor do Fogo Ozai mais parece com D. Pedro II, algo do tipo, fisicamente falando! Ele aparece como um vilão idiota qualquer, daqueles que quer “conquistar o mundo”, simplesmente porque é um cara “malvado”, sabe? Um Senhor do Fogo que ordena um General (aliás, um sujeito insuportavelmente idiota no filme), sempre pessoalmente ,  (deve ter algum teletransporte, sei lá!) e que aparece nesse “Livro Um” sem necessidade alguma…

Roteiro e Direção: No roteiro é que está o soco na cara dos fãs da série animada! Isso porque Avatar (vamos chamar de Avatar, pra facilitar, certo?) é uma série leve e divertida – ao mesmo tempo que tem detalhes poéticos e lindos dramas -, com um protagonista adolescente que tem passado e um presente dramáticos, atenuado por amigos (igualmente com histórias tristes) que sabem a importância da missão atual e também de serem jovens em suas aventuras.

Aí, o diretor pegou tudo e transformou em uma história focada em um triste e amargurado Aang que está em busca de sua redenção espiritual, da aceitação da perda de todos os membros de sua Nação e por ter “fugido” do dever de Avatar, quando a coisa engrossou para o mundo.

Assim, segundo Shyamalan, o garoto tinha problemas até mesmo em dominar a água, em existir de fato como Avatar, até o momento em que ele é obrigado a aceitar esse destino, olhar para dentro de si e dizer “putz, que merda foi que eu fiz?”. Em seguida, tudo fica legal para ele.

Fora o argumento principal ter sido modificado no filme, temos ainda os buracos e pulos do roteiro. A história é contada rapidamente: viu a cena, viu o diálogo, viu a a explicação? Pronto, já pode acontecer o que tinha que acontecer… Semanas se passam no quadro a quadro, ninguém evolui, não dá pra sentir nada, não dá para criar afinididade com ninguém.

A direção tenta ser poética 0 e estou dizedo para salvar um pouco do que restou de M. Night Shyamalan. Com foco em coreografias extensas, tudo num ritmo lento e contemplativo…  Contudo, cortado como um vídeo clipe, o que deu uma velocidade meio descontrolada nas cenas, nas mudanças de ambientação (todas tinham que ter aquela legenda dizendo o que você estava vendo, sabe?). O filme foi uma tentativa fracassada de colocar toda uma temporada em pouco mais de 1:40h na telona.

No geral, ele conseguiu mostrar algumas cenas que eram imprescindíveis, mas, esqueceu Sukki e, bem, esqueceu o espírito do filme… E se você achou a história geral desagradável, vamos analisar os detalhes loucos de M. Night Shyamalan – por último!

Produção: Bom, os efeitos especiais não foram ruins. Vimos um Appa bem legal e os cenários (as ambientações de cada tribo) ficaram muito boas e fiéis ao que se esperava mesmo.  O que precisou de computação gráfica, deu conta e algumas cenas só não atingiram o efeito desejado (aquele que deixa você de boca aberta) por conta da lentidão do andar do filme (que deixaria você de boca aberta com um bocejo!). O que quero dizer é que o pessoal do cenário e dos efeitos especiais fez sua parte. Não gostei do figurino da Nação do Fogo, no entanto…

Detalhes Inexplicáveis: Os sensacionais buracos no roteiro, contradições e coisas rídiculas e infantis demais (não consegui achar definição melhor) são as coisas que realmente arruinam o filme (visto como um filme isolado, esquecendo que é uma adaptação).

Aang chega no meio dos prisioneiros da Terra e começa a fazer um discurso no meio do acampamento. Palavras fracas, atitude fraca e totalmente sem noção – o pior é que funciona quando eles começam a ser atacados por guardas que, na verdade não atacam. Ficam ali, aguardando os acontecimentos até que a tal “batalha” começa com uma piadinha bem americana: “uma ajudinha seria bem vinda aqui!”!

Daí, os Dobradores da Terra fazem mil movimentos para levantar pedras de 200 gramas e tudo fica ainda pior quando a luta acaba e os “perdedores” do Fogo simplesemte somem! Não tem um reforço para tentar dominar de volta, é uma batalha medíocre que espanta a Nação do Fogo para sempre, mais facilmente do que expulsar um pombo que está na praça! Sendo que um membro da Nação da Terra disse pouco antes: “quando eles vieram com as máquinas, nós não conseguimos ganhar deles”. E onde estão as máquinas?

Eu simplesmente odeio erro de coerência!

Nessa mesma cena o Avatar tira o capuz e se apresenta: “Eu sou o Avatar”. Em seguida o General do Senhor do Fogo se reporta a ele e diz: “Nossos espiões descobriram que o Avatar pode ter voltado!”. Cara! “Nossos espiões descobriram?”

Iroh espera até o limite de tudo para “tocar fogo” e mostrar seu poder ao General, logo quando ele já matou o espírito da Lua! Por que não o fez antes?

Aliás, dominadores de fogo precisam ou não de uma fonte para criarem suas dobras? Porque um momento é necessário manter tochas acesas, em caso de emergência e em outro a gente vê Zuko dentro das águas geladas do Norte, nadando e criando fogo dentro do gelo!! No fim do filme, Ozai vira para Azula, sua filha, e diz: “Só os melhores poderão gerar fogo a partir do Chi quando o cometa chegar!”.

Ou seja, você não tem como definir o que está assistindo, afinal!

O filme não encerra: temos informações novas apresentadas a todo momento. É como se você não fosse espectador e assistisse a um filme, simplesmente. Para acompanhar O Último Mestre do Ar, você tem que se colocar como um aprendiz, que não pode piscar para prestar atenção em todos os detalhes, tudo o que é dito a cada segundinho do filme – aliás, mesmo fazendo isso, fica sempre aquela sensação: “De onde saiu isso?”.

Então, pra resumir: O Último Mestre do Ar é um filme ruim, embora eu já tenha visto piores (analisando como filme isoladamente). Contudo, O Último Mestre do Ar de M. Night Shyamalan não é o mesmo na Nickelodeon, o mesmo que todos os fãs adoram e que esperavam. Porque essa foi uma das piores adaptações que já vi: fora os cenários, nenhum aspecto foi respeitado da ideia original – a ideia original que já rendeu milhões e milhões de dólares no mundo e que tem uma legião de fãs por conta da qualidade.

Fica como disse no início: não teria sido mais fácil manter certas coisas do que alterar tudo?

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Pedro Duarte

Jornalista apaixonado por todas as coisas que existem. Deve ser isso! Não há nada de novo que não demonstre interesse imediato em conhecer: ler, assistir, escutar, experimentar. Tentando viver um pouquinho de tudo por dia e passar a experiência aos nossos leitores!
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