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Quadrinhos: por onde começar? Minhas experiências ao aventurar-me no mundo dos herois! [Opinião]

Acredito que essa pergunta paira sobre a cabeça de muitos que desejam começar a ler algum quadrinho, que vem recebendo mais atenção de Holywood, e que faz crescer a vontade de acompanhar um Batman, Homem-Aranha, ou X-Men. Vou tentar expressar um pouco em palavras a minha própria experiência, a de um cara que nunca passou do ponto de folhear algumas revistinhas para ver as imagens, e que deve ter lido umas 12 revistas na vida (é, só Watchmen mesmo), antes dos últimos meses.

E a DC a pouco tempo iniciou o esperado reboot, criando 52 novas revistas que começariam do zero, ou melhor dizendo do #1, e que explicariam toda dinâmica e origem de cada personagem para os novos leitores, e tentariam modernizar os super-herois da Distinta Concorrência. O objetivo de chamar novos leitores parece que deu certo pois várias comic shops nos EUA reportaram que várias pessoas que nunca sequer entraram numa passaram afrequentar e comprar as revistas que tem se esgotado muito rapidamente. Com certeza uma bela chance para quem quer iniciar-se no mundo dos quadrinhos.

Para começar logo o texto com a resposta: não há resposta. É incrível como vejo a quantidade de perguntas em fóruns e comentários (eu mesmo pesquisei bastante sobre elas antes de realmente ir pegar algo para ler), e a resposta na maioria das vezes se limita a “conheça a origem, e pronto pode se aventurar”. Eu sempre fiquei com o pé atrás com esta resposta. E depois de ler um pouco percebi que ela está certa, e errada ao mesmo tempo.

O primeiro passo pra quem nunca pegou nada de Marvel, DC para ler é realmente conhecer como o super-héroi surgiu, e não só para isso mas principalmente, na minha opinião, conhecer a dinâmica do personagem. O Wolverine é durão, chuta-bundas, e desleixado. O Batman muitas vezes é impiedoso, mesmo estando do lado da justiça, por isso há um constante conflito sobre o certo e o errado em sua mente. O Homem-Aranha é provavelmente o cara mais gente boa de todo universo dos quadrinhos, mesmo apanhando escolhe sempre o caminho mais certinho, mas não quer dizer o não tenha seus erros, ele é huma apesar de tudo. O Hulk esmaga. Os X-Men sofrem antes de qualquer coisa um racismo indiscriminado. E por aí vai. Conhecer essa dinâmica ajuda muito mais a curtir a história, e para isso a maioria dos filmes de herois que vi me caíram muito bem, apesar das já famosas descrepâncias com o roteiro, a personalidade está lá.

 

Com isso em mente fui procurar algum super-heroi do qual eu gostasse, e aí varia de cada um né. Ah sim, cada super-heroi é praticamente um estilo de narrativa. O Lanterna Verde por exemplo, o super-heroi que me motivou a começar a ler as HQs americanas, eu acho algo mais fantasioso e com um universo rico em acontecimentos passados, lendas, e coisas do tipo para fazer a história andar. Já o evento, um dos mais aclamados da Marvel, por exemplo, tem uma pegada mais ligada ao mundo real mesmo, com dramas pessoais, e toda uma consequência sobre os herois e seus atos impensados.

Falando em eventos, para quem não sabe, vou tentar explicar o que é, ou pelo menos o que eu entendo por eles. São grandes acontecimentos que afetam todo o chamado “universo” da editora em questão, e portanto na maioria das vezes envolve muitas revistas da mesma editora. Civil War (Guerra Civil) por exemplo que eu li e tenho o livro principal (já já explico isso) começa com um bando de super-herois meia-boca que fazem um reality-show sobre os seus salvamentos, e ações heróicas, ao atacar super-vilões mais fortes que eles, a ação dá errada e várias pessoas inocentes morrem. Daí, vem a ideia do Congresso americano de registrar os super-herois para não saírem mais fazendo besteira impunes. Criam-se dois lados, e divide-se o universo Marvel. Por isso o envolvimento de várias revistas. Todos os personagens se envolvem nessa briga, e suas revistas contam a história sob seus olhares, seus pontos de vista. É claro que existiram os personagens principais e os coadjunvantes nesse meio. Essas revistas são o que os americanos chamam de tie-in de um Evento, ou seja tem correlação com tal.

 

E independente dos tie-ins temos sempre o chamado “livro principal”, que conta a história de vários super-herois ao mesmo tempo, focando no acontecimento principal que motiva a saga toda. Por isso é comum a história do livro principal ser recontada nos tie-ins, pela ótica do super em questão, e muitas vezes esta até se aprofunda  no tie-in, já que o livro principal, como nome já diz, mostra apenas os eventos cruciais para o desenrolar do evento. Mas não se engane, é na maioria das vezes suficiente para aproveitar e entender a história, os  tie-ins só devem ser recorridos se o leitor quiser saber mais sobre tal personagem e as consequências para ele. É claro que existem eventos que deixam o leitor confuso sem os tie-ins como é o caso do último da “velha” DC, Flashpoint. Mas só eram necessários alguns tie-ins importantes, e não todos para entender o acontecimento. Esses eventos aliás são ótimos para quem está começando pois com eles você pode acabar topando com um personagem que você goste, mesmo nunca tendo ouvido falar dele.

Nas revistas próprias de super-herois também pode-se ler um arco só e depois largar a revista, como eu fiz recentemente com Planet Hulk. Foi um arco dentro da própria revista do Hulk que levou aos acontecimentos de outro evento Marvel, o World War Hulk. Eu nunca soube direito aliás a origem do Hulk, sabia que tinha sido um acidente com raios gamma, mas nada além. No meio da história acabei topando com uma recontagem rápida dos acontecimentos que originaram o gogantão verde,e puft já fiquei sabendo exatamente como tudo ocorreu.

 

Acho que o Mauri falaou isso uma vez aqui no blog: “Comece a ler a revista de algum personagem que mais cedo, mais tarde ele conta seu passado para você”. E isso é realmente verdade. Quantos supers nesse meio tempo que comecei a ler eu aprendi a origem, os poderes, e acontecimentos passados do universo de tais? É claro que nem sempre isso acontece tão rápido quanto gostaríamos, então acabei recorrendo algumas várias vezes a Wikipédia, e no caso da Marvel, a Marvel Universe Wiki, que mesmo um pouco desatualizada (dos acontecimentos mais recentes mesmo), é um quebra-galho gigantesco.

Outra coisa que acontece direto nessas HQs mais heroicas é a morte de X ou Y, e a sua ressureição tempos depois. Isso é bem comum, pois muitas vezes é usado como ferramenta de impacto em algum evento a morte de um ícone, o que na minha opinião deixa realmente as coisas mais interessantes. Para quem estava acostumado com mnagás, aonde mortes costumam ser um pouquinho diferentes, e mais duradouras (mas claro que temos os representantes nipônicos como Seiya e Goku) isso é meio estranho no início, mas nada que uma conscientização não resolva.

Eu encaro arcos desses super-herois mais badalados como Capitão América, Homem De Ferro, Spiderman, Batman etc como particamente histórias separadas. Leio até quando estiver gostando, até porque é constante a modificação das equipes criativas por trás de tais revistas. Exemplo: Li Planet Hulk que durou umas 15 edições. Estou lendo o Hulk do WWH, assim como alguns tie-ins, e tão logo que acabe o evento largarei as HQs, pois pra mim os eventos tem muito mais charme que certas sagas de herois solo.

O Lanterna Verde de Geoff Johns por outro lado é um que me instiga muito a ler os arcos do heroi, dos quais já li uns três, mas é porque gosto mesmo do universo da série, e do modo de Geoff Johns escrever. O Homem-Aranha eu já tentei ler alguns e não gostei, e larguei de mão. Recentemente descobri “A Fabulosa X-Force”, que comecei a ler somente pelo personagem Deadpool, mas acabei econtrando uma história bem legal, e mesmo com elementos sobre acontecimentos que não sabia e tive de procurar nas wikis da vida, é bem fácil de se entender, e cheia de cenas de ação, plot-twists.

Existem também os quadrinhos mais independentes e adultos como o do selo Vertigo da DC, que já trouxeram várias pérolas como V de Vingança, o aclamado Sandman, entre outros. Estas revistas tem mais o formato de ponto inicial e final. Normalmente começam e terminam em algum ponto, diferindo um pouco das intermináveis revistas de super-herois.

De vez em quando dou um pulo lá na parte de comics da IGN, que sempre tem notícias e reviews sobre as revistas, para ver o que tem de bom saindo (apesar de que notas são meio controversas para comics), o que se saiu bem, e se a revista X que ouvi falar era boa, para ler sinopses, e coisas do tipo.

Então pegue um super-heroi que goste, procure algum arco que as pessoas em geral (a.k.a. internet) dizem que é bom e mãos na massa! Panini atualmente publica várias revistas da Marvel e da DC, incluindo algumas com o selo Vertigo, e sempre está lançando encadernados que colecionam edições em livrarias para quem quer um arco já acabado, que comece e termine no mesmo livro. Você nunca vai saber se é bom ou não sem experimentar!

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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