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Two and a Half Men | Rumos e assombrações (Opinião)

Nona temporada com Ashton Kutcher funciona devido ao fantasma de Charlie?

Já assisti 11 dos 12 episódios desta nova temporada de Two and a Half Men (TAHM para encurtar). O episódio natalino foi exibido ontem nos EUA e ainda não tive tempo para correr atrás dele na web. Acho curioso como, inicialmente, achei que os produtores tinham conseguido estragar o clima da série incluindo o personagem abobalhado do Kutcher. Entretanto depois destes episódios, acabei mudando de de ideia. Não ficou ruim, o que não significa que ficou melhor que o personagem de Sheen. Mas calma que falarei do Walden mais à frente.

De fato antes mesmo da saída de Charlie Sheen da série, eu já estava achando TAHM um porre. Afinal são 8 anos com os mesmos plots, as mesmas piadas e as mesmas situações repetidas em grande overdose. Ainda ria com um ou outro episódio, mas nem todos me agradavam. A série precisava mesmo de uma sacudida, não precisava ter perdido Charlie Sheen, mas do jeito que estava a oitava temporada, já torcia pelo fim dela. Hoje já não torço mais, pelo contrário, fico curioso para ver até onde os produtores e roteiristas irão com Alan, Walden e Jake nas grandes mudanças que o universo da série vem sofrendo. Ok, talvez o “grande” tenha sido um exagero.

Depois do continue a gente conversa mais. Porém já deixo avisado: haverá spoilers! Se você não suporta isso, pare por aqui. Não vou narrar cada detalhe e piada da temporada, mas vou tratar de alguns dos acontecimentos destes últimos 11 episódios.

O que mais me impressiona é como a série continua funcionando bem usando o personagem de Charlie Harper como uma espécie de assombração recorrente. Não literalmente, mas metaforicamente. Como assim? Pegue, por exemplo, o episódio 11 (What a Lovely Landing Strip). Achei engraçado quando Alan e Jake começam a discutir se a casa não podia ser assombrada por uma mulher, enquanto Walden vivia uma situação a la Charlie Harper, dividido entre duas mulheres. Ou no episódio 8 (Thanks for the Intercourse) quando Alan acaba pirando mentalmente e passa a agir como Charlie. Fora as várias piadas aos longos destes episódios onde a filosofia de vida de Charlie está sempre presente. Até mesmo o diário do falecido acabou aparecendo, no episódio 7 (Those Fancy Japanese Toilets), o que achei meio inconsistente com a personalidade de Charlie, mas tudo bem, dá para relevar, tudo em pró da comédia.

Foi uma boa ideia matar o personagem de Sheen e usá-lo desta forma, como uma lembrança que ainda vai atormentar muito os personagens. Acho que a história não funcionaria direito se os produtores tivessem optado simplesmente pelo sumiço de Charlie. A ideia de uma temporada onde os personagens são assombrados pelo passado, pelos bens de Charlie, por suas namoradas e até mesmo pelo modo boa vida que Charlie vivia é importantíssima para a construção da história agora, até mesmo para a adaptação aos personagem de Kutcher: Walden Schmidt.

Já em relação ao Walden, parece que inicialmente o personagem não fazia sentido algum dentro do universo da série. Mal construído e com um Ashton Kutcher com cara de Kelso de That’s 70th Show. E por mais que ache hilário o Kelso de That’s 70, ele não tem nada a ver com TAHM. Parece que os roteiristas ou o ator percebeu um pouco isso nos episódios mais recentes. Dá para perceber umas breves mudanças sutis na forma como Walden se comporta nestes últimos episódios exibidos. Uma coisa é o personagem ser ingênuo, outra é ser abobalhado e pateta. Isso é coisa de Kelso e é isso que precisa mudar um pouco mais. Quando Walden precisa interagir com uma mulher, Kutcher ainda puxa muito do seu antigo personagem, porém nas cenas em que ele interage com Alan e Jake, ele já pegou o tom certo para Walden. Ficou melhor, mas ainda dá para melhorar.

Aliás da dinâmica entre Walden e Alan eu gostei muito, porque é muito diferente de quando era Alan e Charlie. Havia uma rivalidade e inimizade (de irmãos) entre ambos. Walden e Alan se comportam mais como amigos e menos como parentes. A química de certos episódios mudou com isso, como o episódio 5 (A Giant Cat Holding a Churro), quando o Walden acaba cobrindo a galinhagem do Alan, coberto de chantilly, no deck da casa. Alan acaba fazendo o mesmo num outro episódio depois (ou antes, já esqueci). Walden também já teve alguns diálogos engraçados com Jake, já que os dois são meio tapados (não acho que Walden seja burro como o Jake, ele está mais para um ingênuo pendendo para o tapado – em pró do bom humor).

Uma coisa que gostei de ver nesta temporada é a pequena, mas significativa, mudança no Jake. Agora mais maduro, mas não menos burro. O episódio 9 (Frodo’s Headshots), onde Alan alucina com uma situação onde Jake engravida sua namorada, ficou perfeito! Muito engraçada a conversa dos dois no carro, quando Jake conta a novidade. Aliás, este episódio é muito bem amarrado, já que até a cena onde o Herb está para atirar em Alan, eu ainda não tinha me tocado que tudo não passava de um sonho.

Outro ponto positivo até então é que a série passou de episódios isolados para contínuos. A história segue uma sequência agora. Dá uma sensação de amadurecimento. Os personagens sofrem com as consequências de episódios passados. Não que isso nunca tenha acontecido nas temporadas anteriores, porém nesta parece ter uma atenção maior a esta linha narrativa de contar uma história. Fica mais divertido assistir na ordem de exibição do que pegar um ou outro episódio isolado, ainda que dê para assistir dessa forma também.

Era de se esperar que Two and a Half Men estaria mesmo passando por um período de adaptação e provações. Não acho que a série esteja em seu auge ou nos eixos, mas analisando a linha destes 11 episódios, acho que vem melhorando a cada novo episódio. Vai ter gás para uma décima temporada? Ainda é cedo para dizer.

Obs.: O sneak peek acima é meio velho, feito antes da exibição da nona temporada, mas ainda assim é bacana ver os atores juntos comentando sobre esta nova fase. Para quem não viu e é fã da série, vale como curiosidade.

E vocês? O que estão achando da nova temporada, das mudanças da série e da forma como tudo está acontecendo? Opinem! (cof… Espaço Leitor… cof…)

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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