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O Apocalipse de Douglas Adams

O Restaurante do Fim do Universo

 NÃO ENTRE EM PÂNICO

De acordo com as escrituras (legal falar assim) você não irá morrer no dia do Apocalipse, pois você não existe, ninguém existe, e a explicação é clara e lógica: O universo é infinito e o número de planetas com população é finito, sendo assim, a quantidade de pessoas no universo também é finito. Logicamente todo número finito dividido por um número infinito tende a ser zero. Dessa forma, podemos concluir que todas as pessoas que você conhece (inclusive você mesmo) são frutos de uma mente perturbada.

O texto a seguir possui spoilers sobre o Apocalipse (ou não)!!

Mesmo tudo sendo fruto da imaginação do Douglas Adams, o espetáculo do Fim do Universo pode ser assistido ao vivo e saboreando uma deliciosa refeição, inclusive, se houver interesse, você pode conhecer pessoalmente e até conversar com o prato do dia, antes de comê-lo, tudo isso por um preço baixíssimo no Luxuoso Milliways, o Restaurante do Fim do Universo.

Preço baixíssimo considerando que você depositaria uma quantidade simbólica de dinheiro na conta do Restaurante num passado distante, quando o Restaurante ainda não existia, e depois você viajaria no tempo para o tal Fim do Universo e aquele dinheiro teria rendido o suficiente para pagar sua conta e para assistir ao Maior Espetáculo do Universo (e também o último), creio que o Nascimento do Universo deva ter sido um belo espetáculo também, se alguém se interessar em assistir é só ir ao “Big Bang Burger Bar”.

É sempre bom avisar que em viagens do tempo é extremamente necessário tomar cuidado para não vir a se tornar o seu próprio pai (ou mãe), mesmo sabendo que algumas famílias liberais acham essa prática quase normal.

O Luxo (extravagante) do Restaurante também não pode deixar de ser comentado, pois possui candelabros espalhafatosos pendurados num teto baixo pintado na cor “turquesa”, além da fachada do bar feita com duas mil peles de “Lagartos Mosaicos Antarenses”, infelizmente os arquitetos não se importaram que sem a pele os animais ficam com bastante dificuldade para manterem os seus órgãos internos na parte de dentro do corpo. No bar é possível encontrar horríveis (aos olhos dos humanos) “criaturas elegantemente vestidas” aguardando o Inicio do Espetáculo do Fim. Além de pessoas famosas como o líder da maior e mais barulhante banda de rock de todos os tempos, sim, estou falando da banda “Disaster Area”, uma banda tão barulhenta que o melhor lugar para se acompanhar suas músicas é dentro de um Bunker de concreto a uns 60 kilometros de distância do palco. A música é tão alta que os proprios músicos tocam os instrumentos por controle remoto de uma espaçonave altamente isolada que fica na orbita do planeta, ou se possível na orbita de um planeta distante.

Para evitar possíveis dúvidas sobre o Milliways, segue uma explicação bem simples e objetiva: Esse Restaurante foi construído através de fragmentos de um planeta recentemente destruído fechado numa vasta bolha de tempo e projetado adiante no tempo até o momento preciso do Fim do Universo (simples né?!?!). Agora que tudo está esclarecido fica fácil de entender  porque nesse lugar  você pode encontrar qualquer pessoa de qualquer época do universo (inclusive seu pai, mesmo ele sendo você, e isso pode ser embaraçoso).

Alegando que algumas dessas coisas podem ser consideradas incomuns, os executivos de publicidade do sistema estelar de Bastablon criaram o slogan: “Se você fez seis coisas impossíveis esta manhã, por que não arredondar com uma refeição no Milliways, o Restaurante do Fim do Universo?”.

Voltando a falar do espetáculo, meia hora antes do inicio é anunciado que o Universo,  existente há mais de setenta mil milhões de bilhões de anos está prestes a acabar. Luzes se apagam e velas se acendem em cada mesa, deixando o ambiente mais sombrio, enquanto isso o teto protegido por um campo de força vai tornando-se transparente, revelando um céu escuro e soturno com a luz ancestral de lívidas estrelas engolidas, o Apocalipse será lindo essa noite, diz o locutor.

Fala-se de uma luz medonha e monstruosa, uma luz abominável, uma luz fervente, pestilenta, uma luz que teria desfigurado o inferno. O Universo chegando ao fim, momento perfeito para se ver a tão famosa “Luz no Fim do Túnel”.

Os céus começam a ferver, a natureza entra em colapso em meio ao vazio vociferante,  dentro de segundos o próprio Universo terá seu fim, explode a luz do infinito, a horrenda fúria da destruição resplandece, nesse momento uma pequena trombeta soa de uma distância infinita, outras trombetas também soam, subitamente uma nuvem de fumaça surge em redemoinhos, uma figura materializa-se lentamente dentro dela, um velho barbudo, vestindo um manto e rodeado de luz, tinha estrelas nos olhos e uma coroa de ouro na testa, seu nome é Profeta Zarquon, muitos que ali estão, ajoelham-se em sinal de reverência.

O que você vai ler agora é o registro final do Universo:

— Ahn — disse o Profeta — … olá. Ahn… olha, desculpem por eu ter vindo um pouco atrasado. Eu andei com uns problemas bem desagradáveis, todo tipo de coisa aparecendo de última hora.

O Profeta parecia nervoso com o silêncio reverente dos espectadores. Pigarreou.

— Ahn, como nós estamos com o tempo? — disse.— Ele disse que só tínhamos um min…

E assim acabou o Universo.

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Gustavo Grangeiro

Gamer desde a época que não existia Pause, que o Atari estragava a TV (Telefunken), que o Mario ainda se chamava Jumpman, e que Fliperama não era lugar para bons meninos. Amante de uma boa leitura de ficção, filmes e séries. Sou baterista (sem banda) e adoro falar bem e mal de tudo que é ligado a rock and roll e suas derivações "legítimas". Aceito uma discussão sadia sobre qualquer assunto, principalmente os polêmicos.
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