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Piloto | Gotham

| Muita coisa jogada sem muito propósito no primeiro episódio não impactam tanto assim?

Gotham Series 02

| Atenção! Postagem livre de grandes spoilers, assim como sempre são as postagens desse especial Pilotos |

Lá vou eu, novamente, tomando rasteira por causa de expectativas. Segunda-feira passada finalmente estreou nos Estados Unidos a série Gotham. Hoje, dia da publicação desse texto, em algumas horas deve estrear o segundo episódio. O seriado é uma das grandes apostas dessa rodada de estreia americana e depois de tantos clipes, trailers, making-off é impossível não segurar as expectativas. E nestas horas, sinto que parte do que me prometeram não foi realmente cumprido nesse episódio piloto.

Talvez é claro a culpa seja realmente do episódio inicial, como os pilotos precisam ser, afinal a função deles é vender a série a algum canal de TV, ele precisa mostrar o aspecto geral do seriado e provar que vale a pena expandir sua histórias em mais capítulos que irão completar uma temporada inteira. Espero então que a partir do episódio de hoje a noite já aconteça um pequeno passo para uma melhor qualidade, tanto narrativa quando técnica.

Menciono técnica porque tive a ligeira impressão de que a sonoridade do piloto não tinha o impacto necessário para a trama ali narrada. E não estou me referindo apenas a trilha sonora em si, apesar dela também ter me soado bem fraca, mas os próprios efeitos de som, aqueles que expressão a emoção visual do que se está sendo entregue na tela não estão expressando muito coisa. Se eu fechar mais olhos e começar a pensar no clássico desenho do Batman dos anos 90 (Animated Series) consigo pensar no som expressando o tom do desenho. Lost e 24 Horas são séries que servem de exemplo de como os efeitos de som e trilha são tão importante quanto efeitos especiais. O piloto de Gotham fracassa muito ao mostrar vida pelo som na clássica cidade dos quadrinhos, sendo que isso é algo importantíssimo de se colocar num seriado que serve de uma mídia na qual o som vem da cabeça do leitor. Aqui não dá para pedir para imaginarmos isso.

Quando a narrativa, achei interessante que a história não começa com um caso qualquer, como o crime da semana, apesar de que sim, foi quase a f´romula do crime da semana, porém mesclado com muito mais elementos e com uma quantidade ousada de personagens apresentados a trama para um primeiro episódios. Penso se essa foi realmente uma decisão inteligente, até porque em episódios posteriores, talvez a inserção de alguns ficasse até melhor. O piloto joga tudo na sua cara. Tudo está ali, menos o Batman, é claro. Todo mundo que está no mosaico que abre a postagem aparece, mesmo que minimamente, no primeiro episódio. Precisava disso? Não. Atrapalhou? Um pouco, pois você deixa de trabalhar com alguns elementos em troca de tempo de cena para algumas pontas.

A série também não começou exatamente como esperava. Queria ver James Gordon chegando a Gotham, meio que naquela pegada de Batman Ano 1 dos quadrinhos, mas isso não rolou muito bem. Ele já está ali, inserido no meio de Gotham, ainda que claramente sejam seus primeiros dias na cidade. Eu gostaria, e espero que mostrem futuramente os dias anteriores, a decisão dele de ir para a Gotham. Pinguim já está aqui no piloto e tem muito mais destaque e tempo de cena do que esperava. O obviamente que nada do personagem é explicado. A princípio ele me parece perturbado até demais, o que é curioso é que se você conhece o universo do Batman entende um pouco o trejeito do personagem, mas quem está chegando ali como uma tela em branco, sem saber nada, pode achar o personagem forçado e estereotipado demais. Ainda que pensar nos personagens de Gotham, é pensar em estereotipar.

Além disso há outras coisas que talvez tenha sido desnecessárias. A Mulher Gato está ali, como Moça Gato talvez, mas apenas observando, sem que nada se justifique num primeiro momento. Ela terá um papel importante mais a frente? Se dúvida, mas aqui no piloto, achei estranho a presença de um personagem assim. Também achei um pouco bizarro como retrataram o Alfred, que me parece meio antipático e grosseiro, contrariando um pouco aquele personagem que conheço dos quadrinhos. Será que ele perde isso futuramente? Ou é para ser uma nova versão dele?

Quanto ao ator que interpreta Gordon, Ben McKenzie, que sempre me lembra daquela série juvenil The O.C., a princípio não me incomou vendo-o retratar um personagem tão famoso no universo do Batman. McKenzie ficou legal como o jovem Jim Gordon. Será que eventualmente o veremos de bigode? Seria muito, mas muito estranho. A química dele com Harvey Bullock deu certo e o próprio personagem de Bullock tem potencial, ainda na cena do açougue, não me convencei de que ele pendessem para o lado certo da situação, achei meio caído a sua motivação que o levou até ali. Ah e gostei da personagem da Fish Mooney, criada especialmente para a série. Ela não existe nos quadrinhos, mas funcionou muito bem na série, também pudera, já que a interpretação vem da atriz Jada Pinkett Smith.

Enfim, o piloto de Gotham foi isso. Um mix de muita coisa que pode vir a ser realmente sensacional na TV ou morrer no esquecimento, tal como Birds of Prey (quem lembra?). Vale dizer que adaptação de quadrinhos para a TV ainda é complicado. Arrow também começou fraquíssimo e melhorou com o tempo, acertando tanto narrativamente como algumas tecnicalidades. Mas isso porque a série teve chances para continuar acertando. A CW é bem mais tolerante com isso do que a Fox, mas torço sim para que Gotham tenha força para seguir em frente e melhorar agora que passou pelo piloto. Mas uma coisa é certa, esse início ainda não revelou totalmente o potencial do show. Há ainda muito pelo que vir!

Gotham Series 01

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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