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Jogando… Kingdom Hearts III

A disputa entre luz e trevas no coração de cada um

Sabe aquele jogo que você precisa parar tudo ao seu redor e se concentrar apenas nele e em nada mais? Bem, Kingdom Hearts III é esse exato tipo de jogo. Ao menos pra mim, na qual tenho jogado-o nestas últimas semanas.

Entretanto digo tais palavras não porque é um jogo complicado ou difícil, mas porque é um título que pede a sua imersão completa em seu universo de mundos e personagens tão queridos a aquela criança interna que todos os adultos possuem dentro de si. É um jogo que brinca com a nostalgia e a magia que existe nestes personagens tão queridos da Walt Disney. E é um título que consome seu tempo, o precioso tempo de um adulto sem tempo. De mim posso dizer que tem valido a pena cada um destes preciosos minutos.

Bem, deixe-me voltar um pouco. Kingdom Hearts III, lançado em 25 de janeiro deste ano, é o capítulo final de uma odisseia que se iniciou lá em 2002, no PlayStation 2. E apesar de ser intitulado como o terceiro game, a franquia tem uma dezena de jogos, spin-offs que trabalham com eventos que intermedeiam e expandem a história dos três jogos principais (e numerados) desse universo.

Kingdom Hearts III está disponível para PlayStation 4 e Xbox One. Um destaque para esta última plataforma, porque é a primeira vez que o console da Microsoft recebe um título da franquia, e também a primeira vez que a Square Enix não lança o jogo principal da série de forma exclusiva em um console da Sony. Os spin-offs saíram nas mais diversas plataformas, mas os jogos numerado não. Especula-se muito se esse não é um sinal de que futuramente Kingdom Hearts III não possa também debutar no PC, como Final Fantasy XV eventualmente foi. Certamente muitos apreciariam isso.

Corações aflitos

Kingdom Hearts é uma sequência de jogos que trabalha com temas como amizades e bom valores, na velha rixa do bem contra o mal, do poder para tudo dominar e conspirações malucas que em algum momento fazem algum sentido. De corações que podem conter os dois lados da alma humana: as trevas e a luz. Você é bom até se tornar mal, a menos que consiga combater isso; e o mal é mal, até que alguém o ajude a encontrar a bondade, a luz em seu coração. É um caminho de mão dupla.

Explicando assim parece simples, mas talvez não seja. Entender a história, os eventos e todos os mais loucos e insanos detalhes dos jogos de Kingdom Hearts é um desafio. Um tremendo desafio. E não será esta a minha função neste texto. Não vou arriscar a explicar com mínimos detalhes o mundo e a história que levaram aos eventos de Kingdom Hearts III. É legal saber, mas cá entre nós? Você não precisa saber para apreciar a aventura em um sólido nível de diversão e imersão.

Mas você quer, você insiste em entender o básico e necessário para adentrar nessa franquia tão memorável? Posso lhe recomendar dois vídeos que usei para refrescar a minha memória sobre tudo que rolou nos últimos anos em boa parte dos games. Um está todo em português, o que é ótimo, porém há outro, igualmente bom, em inglês que vale dar uma olhada se a barreira linguística não for um problema – pois este última fala um pouco mais sobre a criação da ideia da franquia em si. Os vídeos abaixo são dos canais no YouTube da IGN Brasil e da Gamespot US.

Outra opção é acompanhar os cinco vídeos que existem no Menu Principal do game, que sintetizam realmente tudo que o jogador precisam saber para começar sua aventura em Kingdom Hearts III. Não são vídeos longos e discorrem exatamente sobre pontos em que a trama do terceiro irá trabalhar. Infelizmente estes vídeos possuem legendas apenas em inglês. Assim como todo o game.

Aqui já abro, então, um espaço para uma breve crítica: é uma tremenda pena que todo este aguardado jogo não tenha recebido uma localização em português. Final Fantasy XV recebeu legendas em tudo. Era de se torcer para que Kingdom Hearts III pudesse receber o mesmo tratamento. Será que o jogo não tem um potência de mercado esperado no Brasil? Será mesmo? Mesmo que o mercado nacional de jogos tenha dado alguns sinais de estar tendo problemas, era importante o jogo ter recebido esta localização justamente para ganhar novos fãs e potenciais jogadores.

Digo tudo isso porque Kingdom Hearts III é um jogo com muito diálogo. É um JRPG, mas tem muito mais foco na narração e no que a história quer lhe contar, do que necessariamente deixá-lo jogar apenas por jogar. O jogo torna-se mais divertido se a pessoa consegue acompanhar sua história. A barreira do idioma aqui é, portanto, gigantesca caso você não entenda nada de inglês. Infelizmente.

Dá para jogar sem prestar atenção na trama? Até dá, mas não sei qualificar o quanto divertido pode ser apenas repetir as mesmas ações sem saber muito bem o que está acontecendo com a trama da série em si. Afinal o jogo também reproduz as tramas das animações Disney que estão incorporados ao jogo como Mundos a serem explorados. Estes mundo exploram a narrativa das obras originais, com pequenas mudanças e adaptações, é claro, mas ainda assim são os mesmos contos. Isso você entenderá, mesmo que não entenda inglês. Mas não é isso que você quer saber ao jogar e se aventurar pela trama de Kingdom Hearts III.

Só para se ter uma ideia. O terceiro game retoma conflitos e eventos dos jogos anteriores. Sora está enfraquecido e em conflito sobre o que deve fazer para recuperar toda sua força. O jovem protagonista da série está em uma busca de respostas e, em certo ponto, passa a acreditar que Roxas pode te algumas destas respostas. Sora quer libertar/encontrar Roxas. O que por si só já é intrigante, já que Roxas é o Nobody de Sora, e ambos não podem co-existir em uma mesma realidade. Significa que o jogo retoma um ponto lá do começo da série, antes de Kingdom Hearts II e um pouco deste também. Enquanto isso temos Mickey e Riku em busca de Aqua, que caiu no mundo das trevas e encontra-se perdida. E, por fim, ao fundo de todo esse cenário, há a Organização XII preparando novos planos envolvendo a X-Blade e o retorno de Xehanort. Afinal, este é o capítulo final e o confronto contra Xehanort foi prenunciado e será inevitável. Cabe a Sora conseguir retornar sua força antes do conflito final. Sem é claro, que isso consuma seu coração para as trevas, algo que também o preocupa.

Parte da experiência de Kingdom Hearts é, então, acompanhar essa história. Entendê-la até onde for possível. Porque é claro que tem muita coisa confusa e maluca nessa trama, a qual nem cabe discutir aqui, como todo o contexto sobre Xehanort, viagens no tempo, almas divididas e afins. O ponto aqui é acompanhar a jornada de Sora, que é acompanhado pelos amigos para todo sempre, Donald e Pateta. E apesar de Sora estar mais crescido do que quando o conhecemos no primeiro jogo da série, ainda existe aquela perspectiva do jovem aprendiz, da criança ainda tentando entender seu lugar no mundo e aprendendo sobre si mesmo a cada batalha vencida. E isso é muito bacana. Novamente reforço, o jogo fala sobre valores: do heroísmo, da batalha interior contra seus próprios medos, do poder da amizade, do ajudar ao próximo, enquanto a todo tempo a maldade e outros valores ruins estão sempre lhe tentando.

Empunhe sua Keyblade

Claro que acompanhar essa saga não seria tão divertido se as mecânicas de jogo não forem boas o suficiente para segurar a diversão nos momentos em que o jogador assume o controle da aventura. E felizmente Kingdom Hearts III parece acertar em uma mistura um pouco mais nostálgica em relação aos JRPGs do passado e da modernização a qual o gênero passou nestes últimos anos.

Primeiro que o título pega um pouco de tudo de bom que a série já teve no passado. O sistema de batalha continua o clássico sistema de batalha de ação, sem turnos como os RPGs mais tradicionais. Tudo é em tempo real, com o jogador controlando apenas Sora, podendo apenas instruir de antemão, o que Donald e Pateta podem ou devem fazer em certos momentos das batalhas (como focar nos inimigos que você está atacando ou quando parar de atacar para oferecer melhores táticas de suporte, como lhe curar quando necessário).

Sora é um personagem bem flexível, podendo andar pela parede, rodopiar em postes ou usar um medidor de foco para escalar e voar até certas plataformas. Magias são usadas em um menu que deve ser acionado durante as batalhas, mas o melhor é configurar estes encantamentos em um menu rápido onde você apenas segura um gatilho para mudar a configuração dos botões ABXY. Os ataques normais de Sora são bem automatizados, criam combos sozinhos, apenas apertando-os continuadamente, enquanto também criam cadeias de diversos ataques. Sora também sobe no ar caso seja necessário atacar inimigos aéreos. Pode-se travar em um mesmo inimigo, o que facilita o trabalho da câmera, ou deixar tudo sobre o controle do jogador, que decide para onde redirecionar o ataque e faz todo o trabalho de movimentar a câmera para ângulos em que você consiga ver o que está fazendo.

As batalhas em Kingdom Hearts III são sempre bem caóticas, com uma quantidade bem grande de inimigos surgindo em arenas com muito espaço para movimentação. Sua equipe além de conter Donald e Pateta também pode contar personagens principais dos mundos em que se está jogando. Hércules, Woody e Buzz Lightyear, Rapunzel e Flynn Rider e assim por diante. Quando mais companheiros, maiores tendem a ser as batalhas. Mas estes companheiros só ficam com o jogador em momentos chaves da história. Não lhe seguem para outros mundos.

Há um certo padrão para os inimigos, ainda que em cada mundo os mesmos podem usar trajes diferentes. Existem aqueles mais básicos, que só servem para encher a tela e dificilmente são os que apresentam algum tipo real de ameaça, entretanto há outros mais problemáticos, como aqueles que voam e soltam projéteis em direção ao jogador – e normalmente bastam alguns golpes para Sora ficar em perigo. Há também inimigos maiores, que lembram pequenos mini-chefes. Possuem grande quantidade de HP e levam um certo tempo para serem derrotados.

As dinâmicas das batalhas seguem quase sempre um mesmo padrão. O interessante em Kingdom Hearts III é a quantidade de golpes e habilidades especiais que podem ser ativadas durante estas batalhas. Para tal o jogador deve começar um combate com ataques simples ou pequenas magias. Um combo de três realizações de ataques completos é o suficiente para começar a habilitar os especiais. O de magia normalmente libera magias mais fortes da mesma utilizada, como o Fire virar Fira. E magia, é claro, consome mana. Magia são boas para serem usadas em momentos bem específicos, como tirar um inimigo de fogo do céu usando Water. Na maior parte do tempo o jogador estará usando mesmo os ataques normais para ativar outras habilidades. E é aqui que a coisa fica interessante.

Há alguns tipos de especiais bem legais aqui. O maior deles certamente é aqueles baseados em brinquedos de parques de diversões, como barco viking, carrossel, splash (um barco que desce uma trilha de água), as xícaras gigantes etc. Estes especiais são habilitados acertando certos inimigos no meio do combate (que possuem um indicador verde). São especiais que não conseguem nenhum tipo de barra de Sora e que possuem um tempo certo para acabar (duram poucos segundos). O legal é que antes deles terminarem, o jogador devem apertar no momento certo um botão que os finalizam com um grande efeito especial que rende um bônus de ataque final. Só um detalhe: o jogador não escolhe que brinquedo irá ativar, sendo que isso é determinado pelo jogo, dependendo do local de onde estiver ocorrendo as batalhas. Mas é bem normal se revezarem e não se tornarem enfadonhos.

Outro golpe especial vem da combinação com os parceiros da equipe. Pateta e Donald possuem seus próprios especiais combinados com Sora, a qual o jogador é quem decide se irá ou não ser ativado. Donald e Sora lançam fogos de artifícios nos inimigos, enquanto Pateta levanta a arremessa Sora causando uma pequena explosão que atinge todos dentro do raio da mesma. Há também um golpe em trio, a qual Pateta sai na frente com seu escudo e todos ficam protegidos atrás do mesmo. Com os companheiros de mundo a mesma coisa acontece, como Sora montado no foguete com Woody e Buzz ou ser enrolado nos cabelos de Rapunzel para ser jogado com Pateta e Donald em um impacto em trio na arena de combate. Alguns destes golpes são mais automáticos do que outros. O do foguete de Toy Story, por exemplo, dá ao jogador o controle do mesmo, podendo voar para onde quiser.

Fora estas combinações entre parceiros e Sora, há também as invocações (summons).  Cada aliado convocado dá ao jogador o controle de uma espécie de mini game em batalha, como uma criaturinha que Sora conheceu em um dos jogos anteriores da série, chamado Wonder Balloon, que faz o jogador pular e criar pequenos tornados em batalha. Ou também o Detona Ralph, que monta alguns blocos que servem como canhões e explodem ao final, causando grande dano a tudo ao redor.

E isso não é tudo. Existe também as Keyblades especiais. A cada mundo vencido Sora ganha uma Keyblade basicamente. E cada uma tem um tipo de combo e ataque especial, podendo ativar uma segunda forma, que pode ser bem espalhafatosa ou não. Na segunda forma, após alguns ataques o jogador pode ativar uma terceira forma, que se torna também um golpe especial. A Keyblade baseada no mundo de Hércules, por exemplo, em sua segunda forma se torna arremessável, assumindo quase a forma de um escudo, enquanto na sua terceira forma invoca uma biga romana que sai voando pelo campo de batalha lançando raios nos inimigos. É uma loucura.

Gosto também da Keyblade que se transforma em suas pistolas que saem atirando flechas teleguiadas nos inimigos. Nessa forma o jogador também pode utilizar uma mira manual e atirar por si mesmo. É uma Keyblade bem útil para combates a distância, quando se quer eliminar muitos inimigos de forma mais prática. Sua terceira forma é quase uma bazuca que causa dano massivo.

Todas estas técnicas e possibilidades deixam as batalhas de Kingdom Hearts III bem agitadas e um tanto caóticas. O jogador nunca fica parado, querendo ver o que vai acontecer, ou atacando um mesmo inimigos pressionando sempre o mesmo botão. Nada disso. Os especiais fazem muito a diferença. É um RPG de ação em sua forma máxima de fazer isso.

Além disso, todas as batalhas de chefes até agora foram sensacionais. Houve uma ocasião em que morri em uma delas, mas isso porque não havia ainda pego algumas das mecânicas de me movimentar no ar e me preparar antes da batalha para usar os itens (é preciso colocá-los em um menu de acesso, caso contrário estes itens não são usados em batalhas). No geral são batalhas que evoluem conforme o chefe vai perdendo dano, e que requerem que o jogador se adapte o que está acontecendo no confronto. São ótimas batalhas.

No geral não tenho achado Kingdom Hearts III um jogo difícil. Até porque não vejo muito sentido em fazer o jogador morrer apenas para refazer certas lutas de percurso de área por mais e mais vezes. Nos chefes grandes pode acontecer, mas sempre há um ponto de save antes dos mesmos. Até porque não há exatamente locais para fazer grinding de level. Uma vez vencido os inimigos em certa área os mesmos não ficam retornando de forma infinita.

Explorando mundos e o espaço

Certamente uma das maiores atrações de Kingdom Hearts III é a possibilidade de visitar os diversos mundos baseado em animações da Disney. No momento em que escrevo estas impressões parciais ainda não visitei todos, tendo estado apenas no de Hércules, Toy Story e Rapunzel, enquanto ainda há os mundos baseados em Frozen, Monstros S.A., Piratas do Caribe, Ursinho Pooh e Big Hero 6. Também visitei Twilight Town, que é um mundo próprio da série, onde personagens de Kingdom Hearts, Final Fantasy e também da Disney sem encontram eventualmente. Por exemplo, o ratinho Remy, de Ratatouille, está em Twilight Town, em um restaurante gerenciado pelo Tio Patinhas. Este é só um dos exemplos de interação entre os mundos e possibilidades que a série como um todo está sempre brincando.

Dá para considerar que no atual ponto do jogo, só vislumbrei um terço do mesmo, seu primeiro ato basicamente. Cada mundo leva em torno de duas a três horas para ser completado. Dependendo do quanto o jogador o explorar, pois há sempre baús escondidos em cantinhos realmente bem posicionados. Foram 12 horas de gameplay por enquanto, e veja o quanto já foi possível falar a respeito do título. E lembre-se do que comentei lá no início: é um jogo que você precisa parar tudo para apreciá-lo. Não dá para ficar jogando picadinho. É um RPG que requer dedicação e tempo, especialmente para apreciar o sabor de sua trama.

No que vi até o momento achei os mundos apresentados no jogo bem construidos. Não são grandes mundos de exploração aberta, mas são bem contextualizados com aquilo que se está fazendo dentro da trama e das regras impostas pelo jogo. Há momentos em que se está dentro do cenário mesmo da animação, enquanto em outros o jogo dá um jeito de construir algo que faça sentido naquele mundo. Isso fica bem visível no mundo de Toy Story, onde a aventura começa no quarto de brinquedos do Andy, indo para a rua próximo a sua casa e depois indo para um local totalmente novo, uma espécie de grande loja de brinquedo com três andares, subdivida em várias lojas menores. Ali o jogador explora indo e vindo o local, conforme segue uma linha narrativa. Já em Corona, onde se passa o conto de Enrolados, a exploração se dá muito mais em uma floresta, que apesar de seguir totalmente o ambiente da animação, é uma floresta como qualquer uma que um videogame pode criar. Claro que depois a aventura também abre um pouco para que o jogador passeie pelo reino de Corona em si, onde está acontecendo o festival das lanternas.

Portanto há uma certa linearidade que o jogo impõe ao jogador. Não há caminhos alternativos. Há apenas pontos de grandes áreas em que se pode explorar atrás de baús ou pequenas insígnias com as orelhas do Mickey que estão mescladas ao ambiente, escondido aos olhos dos jogadores, que tem como missão fotografar tais colecionáveis.

Isso, de colecionáveis, levanta outro ponto importante e bacana do jogo: a quantidade de atividades secundárias e extras que podem ser realizadas ao longo da aventura. Há muitos mini games em Kingdom Hearts III, desde alguns culinárias com Remy, aos que emulam aqueles jogos antigos do tipo Game & Watch, enquanto as próprias aventuras possuem momentos em que o jogador deve passar por algum tipo de desafio alternativo da aventura, como pilotar robôs de batalha em Toy Soty (mudando a perspectiva do jogo para primeira pessoa), quando um divertido jogo de dança em Corona no festival em que Rapunzel lhe convida a dançar. O Bosque do Cem Acres, a qual ainda não visitei, também tem diversos novos mini games, enquanto os jogos de Game & Watch são liberados aos poucos, conforme o jogador vai encontrando novos ao explorar os mundos do jogo. Os itens para cozinhar com Remy também são itens de exploração que o jogador coleta ao longo da aventura, criando assim novas receitas, que depois viram itens consumíveis.

Além disso há também a Gummi Ship, que é algo tradicional na série, mas que recebeu diversos upgrades para este novo jogo. Trata-se do meio de transporte usado por Sora, Donald e Pateta para viajar entre os mundos do jogo. Esse é o momento em que Kingdom Hearts III brinca de ser um jogo de nave.

Com a Gummi Ship é possível, desta vez, explorar uma grande área de um espaço entre as dimensões. Lá o jogador vai encontrar inimigos, tesouros escondidos, colecionáveis e afins. Há alguns momentos em que inimigos viram hordas e o jogador deve eliminar alguns até atingir uma meta. Existem também chefes especiais protegendo alguns mundos. Há muita coisa para se descobrir nessa área e não dá para fazer isso em uma única viagem.

A própria Gummi Ship muda e evolui ao longo das vezes em que se a utiliza. É possível comprar novas naves, armas, peças ou até mesmo montar uma própria, pra se ter uma ideia do nível de megalomania Kingdom Hearts III possui. Há camadas e camadas de extras, mecânicas e jogos extras dentro de uma única aventura.

Mas é claro que muita coisa do que estou dizendo acima é opcional. Há jogadores que não curtem mini games, ou objetivos secundários ou até mesmo viajar pelo espaço com a Gummi Ship. Bem, tudo isso pode ser drasticamente diminuído para quem não aprecia. As viagens de nave, por exemplo, são necessárias somente quando se está indo pela primeira vez a um mundo novo. E mesmo assim é possível desviar de inimigos ou não se preocupar com nada do que surge na tela, indo apenas em direção do objetivo em si. Alguns chefes são obrigatórios, mas esse é um momento muito bom para a utilização da nave.

Além de tudo isso, é claro que Kingdom Hearts III possui elementos que se assemelham a RPGs mais tradicionais. Há um menu principal onde é possível ver status dos personagens, assim como seus níveis. Não existe uma árvore de habilidade para ir abrindo coisas novas (poderia ter), mas os personagens ganham novos golpes e movimentos conforme sobem de nível, e dá para se customizar nestes menos o que você quer que eles usem ou não. Há também equipamentos que melhoram atributos, assim como as Keyblades de Sora também sobem de nível ao se consumir certos itens especiais para aprimora-las.

Tudo isso não é apresentado ao jogador em um único momento, é claro. Talvez soe assustador pensar em tudo isso para gerenciar, fazer e brincar, mas não se preocupe. Tudo é feito com uma boa dinâmica do tempo passado dentro do jogo. No momento em que certos recursos soam algo bem natural. Fora que nem tudo, dentro dos menus, irá exigir que o jogador fique dezenas de minutos configurando. O título seja um sistema bem automatizado. O jogador mais detalhista é quem irá querer mudar ou customizar uma coisa ou outra apenas.

Concluindo… por enquanto

Kingdom Hearts III é algo que os fãs esperaram por muito tempo. Levaram anos e mais anos até ficar pronto. E muitos acreditariam que talvez isso nem fosse acontecer nesta geração. Mas aconteceu e o resultado soa como fantástico.

Trata-se de uma franquia que só consigo imaginar sendo desenvolvido pelos mestres criadores da Square Enix, liderado pelo grande Tetsuya Nomura. Há um carinho, um respeito por tudo que a série fez até os dias de hoje. Talvez você possa sequer gostar das animações ou personagens Disney (se dizendo muito “adulto” para eles), mas trata-se de um jogo que não foi feito pela Disney, e sim pela Square Enix, que nos encanta até hoje com suas franquias de RPG. Há uma história, ainda que confusa em certas partes, muito interessante e instigante que a série Kingdom Hearts nos conta, e que tem uma total vibe de Square Enix.

Ainda não posso julgar se o final desta saga é condizente com as altas expectativas criadas. E sendo bem sincero? Você não deveria estar procurando por isso antes de conferir por si próprio o game, especialmente se acompanhou as aventuras anteriores. O que posso dizer, como impressão parcial, é que o resultado do que vi até esse momento, tem me agradado bastante.

É possível acompanhar o jogo sem ter jogado até o fim os anteriores, ou muitos de seus spin-offs, até porque, isso para a galera do Xbox One é bem mais complicado. No PlayStation 4 a comunidade recebeu um pacotão chamado Final Mix que remasterizou tudo que já saiu da série nos últimos anos, desde os jogos principais a spin-offs. Fora isso, Kingdom Hearts III respeita muito a ideia de que tem gente nova chegando por aqui, e explica, quando necessário, aquilo que precisa se saber ou foi esquecido.

O jogo também não tenta se reinventar do zero. Há uma reunião de mecânicas de diversos jogos da série. Não fracassa ao fazer isso, ainda que eu possa entender que o combate pode vir a se tornar repetitivo ao longo de dezenas de horas, mas isso também é uma característica de qualquer RPG. E sendo o final de uma saga, não acho que caberia aqui fazer mudanças drásticas em sua fórmula. Talvez haja espaço para isso no futuro, tal qual Final Fantasy fez em pontos de sua cronologia.

O que conta aqui, de forma positiva, para Kingdom Hearts III é seu pacote, seu conteúdo. Há muito para se acompanhar em sua aventura, há muito para se explorar e muito para se aprender. A fórmula do jogo ainda funciona e segue agradável aos dias de hoje. Especialmente a quantidade de especiais que podem ser ativado nos combates. A única crítica que se pode ser feito nesse momento? A tristeza de não termos recebido uma localização para nosso querido português.

No mais, Kingdom Hearts III é um sólido destaque para 2019. Espero que ele não seja esquecido rapidamente ao longo do ano, que tem sido feroz e já recebeu e ainda vai receber títulos tão grandiosos e que vão disputar entre os melhores de 2019. Até o momento a Square Enix não se pronunciou acerca de conteúdos extras que possam expandir a experiência do jogo, tal qual fez quando lançou Final Fnatasy XV, e talvez Kingdom Hearts III pudesse receber algo nesse sentido. Resta aguardar. Porém o fato aqui é que o jogo, por si só, já entrega aos fãs um baita pacote de diversão. Haja coração!

Galeria

Extra – 60 minutos de gameplay (Hércules e Toy Story)

A nota até aqui

Mágico e encantador como tal franquia sempre foi - 10
A fórmula permanece fiel à série, com certo refinamento - 9
Muitos extras e mini games, que expande a experiência de mundo - 9
Boa dinâmica nas mecânicas das batalhas, mas talvez elas cansem com o tempo - 8
Mundos da Pixar combinaram totalmente a com ideia da franquia - 9.5
Legendas apenas em inglês. Que lástima não terem legendado para o português. - 6
Trilha musical, vozes e efeitos sonoros são dignos de nota - 10

8.8

Mágico

Kingdom Hearts III é uma obra prima. Um daqueles títulos que só se encontra uma vez por geração e olhe lá. Sua história pode ser confusa, mas não deve ser temida. Os temas são simples, e os personagens são cheios de carisma e paixão. A fórmula não foi reinventada, mas está cheia de refinamentos. O único pesar é não ter tido uma localização em nosso idioma.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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