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Análise | BlazBlue: Central Fiction – Special Edition

Disponível para Nintendo Switch, com versões para PlayStation 4 e PC

BlazBlue: Central Fiction é um jogo que já está há algum tempo no mercado. Saiu originalmente para Arcade em novembro de 2015 lá no Japão. Um ano depois chegou às plataformas da Sony, tanto no PlayStation 3 quanto no PlayStation 4. Meses depois, já em 2017, chegou ao PC. Por fim, em fevereiro desse ano, uma (completíssima) edição especial fez sua estreia no Nintendo Switch, versão esta a qual tive acesso para estas impressões.

Talvez seja importante – antes de ir mais adiante – mencionar que o meu contato com a franquia BlazBlue é bem tímida. A série surgiu lá em 2008, com BlazBlue: Calamity Trigger. E me lembro de tê-lo no meu Xbox 360, na geração passada. Na época a série tinha poucos lutadores, eram apenas doze. Minhas lembranças ficam meio embaçadas a partir daqui. Apenas me recordo de achar os gráficos bonitos na época, nesse estilo animê, e as lutas sendo divertidas, porém nada mais além disso.

O tempo passou e a franquia cresceu. Central Fiction é o quarto jogo da série principal, que ainda conta com Continuum Shift (2º da série) e Chrono Phantasma (3º da série), que saíram em 2009 e 2012, respectivamente. Claro que a franquia em si não ficou apenas nestes títulos. Todos receberam versão especiais e atualizadas, tal qual esta Special Edition de Central Fiction. Também foram lançados diversos spin-offs da série, em diversas plataformas, como consoles, mobile e portáteis. Talvez o maior, e melhor, spin-off da série seja BlazBlue: Cross Tag Battle (PS4, Switch e PC), de 2018, que mistura o jogo com personagens das séries Persona 4 Arena, Under Night In-Birth, RWBY e Arcana Heart. Ou seja, BlazBlue é uma franquia bem popular, e grande, para a Arc System Works.

Enfim, chega de repassar o básico e vamos nos focar especificamente no que BlazBlue: Central Fiction – Special Edition tem a oferecer; seus pontos altos e baixos e sua jogabilidade no Nintendo Switch.

Maior do que me lembro

A primeira coisa que me impressionou nesta edição de Central Fiction é a quantidade de modos e personagens existentes. Ao todo são 36 personagens, sendo 28 personagens do elenco original da série, mais 5 totalmente inéditos (Hibiki Kohaku, Naoto Kurogane, Nine the Phantom, Hades Izanami, Izanami e Susanoo) e  mais 3 que saíram em outras plataformas como DLC (Es, Mai Natsume e Jūbei) e que foram incluídos aqui neste pacote. O resultado é um elenco enorme, bem variado, com opções para todos os gostos dos jogadores.

Talvez um pouco menos impressionante, mas ainda assim assustadoramente vasto, são as opções e modalidades de jogos que estão incluídos aqui neste título. Tem de tudo um pouco e daqui a pouco destrincho mais a respeito, pois o que preciso dizer agora é que o que mais deve chamar a atenção dos jogadores, seja de uma forma positiva ou negativa, dependendo do quanto cada um apreciar esse tipo de entretenimento, é seu modo história feito em formato de Visual Novel.

O que isso significa? Bem, o Modo Story de Central Fiction é uma espécie de animação, em áudio e textos, por meio de imagens que possuem alguns movimentos animados, onde personagens mexem suas bocas e as figurinhas de si mesmos andam pra lá e para cá. Parece ruim tentando colocar em palavras, mas não é pra tanto. O ponto é que esse modo é praticamente só isso, com lutas esporádicas depois de muito tempo de cenas, diálogos e animações. Tipo, um confronto a cada 30 minutos de história, e olhe lá.

E assim, me parece que essa é uma característica que a série tem agora. Eu me lembro vagamente do primeiro BlazBlue e de haver algo assim, mas em uma proporção muito menor. Aqui é algo realmente megalomaníaco. São horas e horas de diálogos e conversas entre os personagens, tentando solucionar conflitos e confrontos em meio ao personagem central da série, Ragna the Bloodedge, que está sem memória, sem saber sua missão, seus objetivos de vida, seu passado, e com meio mundo do universo da série caçando-o.

Enquanto o jogador vai passando por capítulos e episódios da trama principal, outros sub-capítulos vão sendo liberados para que mais cenas de diálogos revelem outros aspectos da trama, envolvendo outros personagens. Acabou me lembrando um pouco o que vi a Soul Project fazendo em Soul Calibur VI quando lançado no final do ano passado, até escrevi algumas impressões sobre isso neste texto. Não é uma contação de história que agrade a todo tipo de jogador.

Assim, nada contra, mas peca um pouco ao jogador brasileiro o fato de que, ao contrário de Soul Calibur VI – que foi localizado em nosso português – BlazBlue: Central Fiction apenas contar com legendas em inglês, enquanto o idioma do jogo se mantém somente em sua língua original: em japonês. Por sinal, esta é uma crítica de diversos reviews norte americanos, pois muita gente sentiu falta da dublagem em inglês do jogo.

Pra mim isso também é um ponto que me incomodou. Se houvesse a dublagem em inglês, tornaria mais dinâmico prosseguir pela história do jogo, pois consigo entender o inglês. Ter que ler toneladas de textos de diálogos me cansou um pouco durante essa jornada de me atualizar em torno do universo da série. E vai por mim, BlazBlue tem um lore absurdamente gigantesca nos dias de hoje. Ter um áudio que seja compreensível ao jogador é uma mão na roda nesse caso.

Existe então esse modo história e um modo biblioteca, com toneladas de informações que o jogador precisa assimilar para entender todas as nuances da história. É preciso coragem para encarar isso e pensar nas horas investidas onde você não vai estar exatamente lutando, o que deveria ser o principal elemento do jogo em si: a ação!

Até o modo tutorial de Central Fiction é extremamente exaustivo, com personagens dialogando entre si e tentando lhe contar a história das coisas enquanto disputam uma certa rivalidade entre si e só depois resolvem lhe mostrar comandos e técnicas de batalhas do jogo. Nada prático.

Para os fãs desse universo, acredito que tudo isso foi feito justamente para satisfazer essa audiência, que amam tais personagens e a história que vem sendo contada. Para quem está chegando agora, acho inevitável se sentir estufado com tanta coisa, tanta informação, sem exatamente ter um carinho por todos estes personagens ou mundo em si. É difícil.

Chega de papo, vá para as batalhas

Assim, quando o jogador parar, seja porque terminou, seja porque cansou de acompanhar a trama do jogo, eis que o mesmo pode finalmente ir para o que interessa. A hora das batalhas é a melhor hora de BlazBlue: Central Fiction. É aqui que você quer passar seu tempo, independente de estar chegando ou retornando à franquia. E também há opções de sobra para lutar, lutar e lutar.

Talvez o mais interessante seja o tradicional Modo Arcade. E aqui é o básico do que se espera nessa modalidade: oito lutas e um final. Cada personagem tem uma mini história trabalhada nesse modo, onde personagens chaves surgem para breves diálogos e um final revela um pouco mais do que você quer saber sobre o personagem que se está utilizando. Simples, porém prático.

O ponto positivo desse esquema é que em alguns casos, e personagens, o modo arcade é dividido em 3 atos. Isso significa que há três rounds contra oito personagens que contam três histórias distintas. Ou seja, 24 lutas para fechar uma historinha para um único personagem. Não, isso não é um exagero, e sim uma ótima forma de aproveitar um fator de replay dentro de tal modalidade.

Outra modalidade, um pouco mais complexa, mas também divertida, é o Grim of Abyss Mode. Aqui o jogador se aventura por uma espécie de maratona de lutas, onde sua saúde vai diminuindo e se recuperando conforme for vencendo disputas. Se sobe de nível e pode se usar equipamentos para melhorar seus status e ir sobrevivendo até o fim da trilha de batalhas. É um modo sobrevivência com algumas pitacas de RPG. É divertido, e um pouco demorado. Não dá para jogar pequenas sessões desse modo.

Há também os Modos Score Attack e Speed Star, que consistem em modos onde o jogador deve pontuar alto para ficar no topo do placar de líderes globais, evitando tomar dano e criando grandes combos, enquanto no outro você avança por uma horda de adversários antes que o tempo acabe, recuperando um pouco do tempo vencendo, aplicando golpes especiais para encerrar a batalha ou causando dano máximo nos oponentes.

Além de tudo isso há também um Modo Challenge, composto por 20 missões para cada um dos 36 lutadores do elenco do título. É aquele modo que tem a intenção de ensinar ao jogador todos os movimentos, técnicas, combos e truques de cada um dos respectivos personagens.

E, por fim, há a modalidade Online, a que infelizmente me decepcionou. Testei algumas vezes encontrar batalhas online e não tive muita vontade de ir além. É um sistema que tem partidas casuais e rankeadas, mas que normalmente jogam os jogadores em um lobby, que funciona como uma salinha em que ficam os bonecos do jogadores parados andando sem qualquer objetivo, afim de esperar uma vaga nas lutas que já estão ocorrendo.

Esperar em um lobby não é a coisa mais legal pra mim. E aqui não funciona como gostaria. Talvez no Japão, onde a latência é menor, e a comunidade maior, esse sistema faça sentido. Aqui no ocidente é algo arcaico. Dragon Ball FighterZ tem um lobby similar, e apesar das boas críticas, é o elemento que não é todo mundo que curte. O de Central Fiction é um pouco mais limitado. Até mesmo as mensagens de textos automáticas desse modo acabei encontrando algumas em japonês (pra se ver como não é algo que foi pensado para funcionar de forma plena fora do Japão).

Ao batalhar não tenha pressa para entender tudo

Devo admitir que achei o sistema de batalhas deste BlazBlue bem mais complexo do que esperava. Há barras, especiais e comandos que nem sempre ficam claros como ativar ou usar. Há tutoriais para isso, não vá se esquecer, porém é preciso ter paciência para passar por eles.

Mas o básico é fácil de entender. Basicamente são três golpes (fraco, médio e forte) e um quarto botão que usa um comando Drive que é uma espécie de habilidade facilitadora para iniciar um ataque contra o oponente. Cada personagem tem um Drive e eles agem de forma diferente para cada um. Os que mais me apeguei foram aqueles que funcionam como um ataque ágil, que lhe aproxima do oponente sem usar o dash convencional (dar dois toques para frente).

O que me incomodou um pouco em me aprofundar no sistema de batalhas de Central Fiction foi o desconforto de jogar com os Joy-cons do Nintendo Switch. Não sei, pra mim o jogo não clicou como gostaria, seja no analógico, seja nos botões que deveriam funcionar como um D-Pad, pois fazer golpes com comandos que usam diagonais é um tormento (afinal, ele são quatro botões, e não um D-Pad!). Este é um título que certamente requer um Pro Controller para uma melhor performance. Acessório que infelizmente ainda não tenho.

Talvez seja pensando em pontos assim, e na quantidade de jogadores inexperientes, como eu, foi que a Arc System Works criou duas modalidades de controles: Tradicional e Estilosa. Na tradicional os combos e golpes precisam ser feitos e ativados manualmente, como qualquer jogo de luta, enquanto na estilosa os combos e golpes são ativados em um esquema semiautomático, com o jogador apenas esmagando os botões principais e alternando-os entre eles para experimentar diferentes combos e especiais. Fica mais fácil, ainda que parte da diversão de se especializar por méritos próprios vá para o ralo.

Há mais coisas para se aprender e entender nas técnicas de batalhas, coisas como Burst Gauge, Overdrive Gauge, Exceed Accel ou Active Flow. Coisas que sinceramente mal sei explicar direito. São técnicas, barras e acontecimentos que você vai aprendendo a usar dentro do calor das lutas, mas sem exatamente dar nomes as coisas. Meio que não importa inicialmente, ao menos nesse primeiro momento, em quê alguém está se iniciando na franquia. Certamente aqueles que pegarem o gosto pela coisa e forem batalhar nas partidas rankeadas vão querer entender melhor posteriormente. E até há na parte avançada dos tutoriais de batalha tais explicações. Da minha parte, fiquei satisfeito em aprender o básico mesmo.

Considerações Finais

Ao fim, estabeleci que BlazBlue: Central Fiction tem seus altos e baixos. Ainda digo que é um título interessante para ser recebido no Switch. A tela portátil do console torna menos cansativo acompanhar toda a parte de Visual Novel, com certeza. O ponto é que os controles joy-cons que vem com o console não me foram tão agradáveis aqui quanto um Pro Controller certamente seria para com este título.

Há muitos modos de jogo para single-player e muitos personagens para entreter o jogador solitário. Isso é um dos melhores pontos do jogo, mas por outro lado, a parte online me soa meio arcaica com o que os jogos de lutas ocidentais atuais já entregam, com melhor ritmo e dinâmica para encaixar batalhas sem deixar os jogadores esperando por muito tempo.

BlazBlue: Central Fiction é um grande título para a série, mas certamente tem como foco um público muito específico de fãs. Não sei o quão grande o jogo é aqui no Brasil, mas penso que talvez haja mais interessados na parte das batalhas em si do que no lore do jogo. A falta de localização e até mesmo uma dublagem em inglês (para ouvir a história em um idioma que seja mais acessível globalmente) talvez prejudique um pouco esse aspecto de sua Visual Novel.

Quem procura por este título e quer ir para mais direto ao ponto: as batalhas, arenas, modos e muitos personagens diferentes e esquisitos para usar, vai encontrar um ótimo jogo. Independente de qual plataforma optar jogá-lo. É um título que me faz recordar dos tempos das lutinhas de locadora, onde se reuniam pessoas para pequenas disputas em jogos como King of Fighters e Fatal Fury. A gente não queria entender nada do que estava acontecendo naquele universo. Só queria mesmo sentar o sarrafo usando os mais estranhos personagens do elenco de cada destes jogos. BlazBlue tem bem dessa vibe pra mim. Será muito errado isso? Acho que não.

Galeria

Dando uma nota

História por meio de Visual Novel é meio cansativo - 7
Gráficos são um colírio aos olhos - 9
Boa variedade de modos de jogo single player - 8.5
Elenco vasto e dinâmico, há personagens e estilos para todos - 9.5
Joy-cons são meio ruins para o estilo do jogo - 6
Modo online não é muito agradável (e meio arcaico) - 6
Divertido para se jogar localmente com amigos - 8

7.7

Bom

BlazBlue: Central Fiction - Special Edition é um título que demonstra as proporções gigantescas que a franquia tomou nestes últimos anos. Tem ótimos pontos, mas também muita coisa inchada, que não deve agradar a todos. O melhor fica exatamente no básico: muitos personagens jogáveis e batalhas empolgantes contra amigos ou a CPU.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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