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Análise | Mechstermination Force

Disponível para Nintendo Switch

Lançado agora no dia 4 de abril com exclusividade no Nintendo Switch, Mechstermination Force é um prazeroso jogo independente de ação contra robôs gigantes. O título é uma produção do estúdio Hörberg Productions, localizado na Suécia, que também é responsável pelos jogos da série Gunman Clive, a qual também são bem elogiados por aí – admito que vendo o belo trabalho de Mechstermination fiquei com vontade de testar Gunman Clive futuramente, afinal o mesmo também está disponível no Switch.

Mechstermination Force é um jogo que pode ser enquadrado como Boss Rush, ou seja, trata-se de uma game onde o jogador apenas luta contra chefões. Não há fases tradicionais. Apenas batalhas de chefes. Aqui o jogador é um minúsculo soldado, o melhor – e o único sobrevivente de uma tropa incumbida de lutar contra estes invasores mecânicos.

Os robôs que estão destruindo o mundo são gigantescos, maiores do que prédios convencionais. E de todas as formas possíveis, indo dos tradicionais robôs humanoides, aos que se parecem com animais, enormes tanques, dragões entre outras coisas bizarras. Eles atiram diferentes tiros de projéteis, como mísseis e lasers, pulam e tentam pisotear ou até morderem o jogador, e não possuem apenas um único ponto fraco. Fracassar, aprender e repetir faz parte da proposta do game.

Batalha contra titãs metálicos

Para vencer os enormes robôs há uma fórmula que se aplica a todos: encontre seus pontos fracos amarelos e vermelhos. Não basta apenas atirar nos robôs: é preciso encontrar partes de seus corpos que levam dano e podem ser destruídas. Muitas vezes o jogador terá que escalar um robô, seguir destruindo outras partes do mesmo, pulando e desviando de tiros, armadilhas e o próprio movimento do grandalhão, para chegar ao que seria um próximo estágio da batalha.

Para isso o jogador conta com um protagonista que tem uma jogabilidade muito semelhante aos clássicos jogos de Correr & Atirar, como Contra e Metal Slug. A sensação do correr e do atirar é exatamente como estes jogos, à exceção é que não há fases com inúmeros inimigos que morrem com único tiro, como estes clássicos possuem.

Claro que com isso é possível pensar que talvez Mechstermination Force poderia ter ido um pouco além da proposta de ser apenas um Boss Rush, para talvez ter adicionado algumas fases mais tradicionais destes jogos de Run & Gun com avanço lateral da tela (side scrolling). Isso foi o que aconteceu com Cuphead alguns anos atrás, quando a comunidade pediu que o jogo fosse mais do que apenas fases contra chefes – e deu certo para o título em questão.

Até porque tenho a impressão que hoje em dia não há tantos bons jogos de correr e atirar como haviam no passado. É um gênero que foi um pouco esquecido, à exceções daqueles de passagem vertical com naves. E são jogos diferente dos clássicos beat ‘em up, também conhecidos como briga de rua. Sinto falta de algo mais direcionado à fórmula do Contra, Alien Hominid e Metal Slug, com uma pegada mais em atirar para todo o canto da tela, nesse ambiente mais militarizado.

Claro que isso não tira o brilho de Mechstermination Force. O ponto é que relembrar esse tipo de jogabilidade apenas me deixou com vontade que o título fosse além das batalhas de chefes, que são extraordinárias.

Voltando ao que estava descrevendo lá no começo, antes de divagar sobre “ter ou não fases”, as batalhas contra os chefes do jogo ocorrem em etapas. Primeiro o jogador precisa descobrir os pontos de dano dos robôs. Partes de suas armaduras precisam normalmente serem explodidas, criando pontos de acessos a outras partes que também precisam ser destruídas.

Em muitas destas situações, a missão do jogador é escalar estes robôs. Quase como um Shadow of the Colossus, porém de uma forma mais simplificada, afinal trata-se de um jogo 2D. Pule em plataformas, escale (quando ganhar essa habilidade), desviando de tiros, eliminando pequenas torretas, até chegar ao ponto vermelho do robô, que só é destruído usando um ataque corpo a corpo, seu personagem usa uma marreta ou taco de baseball para isso.

A ideia do ataque corpo a corpo para destruir os pontos vermelhos é uma mecânica essencial para o desafio do jogo, pois isso obriga o jogador a se aproximar e se aventurar pelas entranhas dos gigantes metálicos. Caso contrário, em muitos casos, bastaria se manter distante e ficar atirando nestes pontos fracos. Isso certamente deixaria o jogo meio repetitivo e muito previsível. Exigir o ataque próximo a estes pontos cria um importante ritmo e dinâmica aos combates.

Não que isso desmereça a parte do atirar. Nada disso. Antes de chegar a estes pontos o jogador vai descarregar muita munição, que é infinita, nestes grandes esqueletos robóticos. E para tal o título conta com diversos tipos de armas para serem utilizadas. Há lasers, lancha chamas, tiros divididos, bombas de impacto e afins.

Os diversos tipos de armas, que precisam ser compradas com o dinheiro que se consegue após cada batalha vencida, também foram pensadas em um sistema em quê umas são mais úteis contra certos chefes do que em outros. Por exemplo, o lança chamas é muito bom em chefes onde as batalhas ocorrem muito próximos deles, como uma espécie de minhoca em que você deve se manter em cima da mesma, pois todo o chão se transformou em lava. Ou o laser no caso de um caracol gigante, onde seu tiro vai rebater em seu interior e atingir partes que não ficam exatamente na sua reta de tiro. Experimentar faz parte da proposta. Ainda que a arma básica seja tão eficiente quanto as demais contra todos os chefes presentes no jogo.

Outros aspectos

Há alguns pontos aleatórios que também valem alguns comentários no que diz respeito ao todo que representa Mechstermination Force. Por exemplo, o título possui multiplayer local para até dois jogadores. Basta um segundo controle apertar um botão e um segundo jogador entra para auxiliar o jogador principal. E com dois jogadores as batalhas podem ser ainda fáceis. Cada um compartilha sua própria barra de saúde (representada pelos clássicos corações), então um jogador ruim não atrapalham o jogador principal.

Quanto as armas, disse que elas possuem variações e precisam ser adquiridas com dinheiro ganho após cada batalha. Mais corações também podem ser adquiridos dessa forma, em um loja que fica na base desse comando de força contra os robôs. Essa base, por sinal, é um espaço pré-batalha que é bem simples: há alguns personagens ali falando sobre a história do jogo, mas não é nada mais do que isso. Há também um fliperama que representa um simulador de batalhas. Ali se pode jogar novamente todas as missões vencidas e ganhar mais dinheiro. Nesse modo replay pode-se tentar ganhar estrelas de performance, derrotando muito rapidamente os chefes previamente vendidos. É uma espécie de “bata seu recorde”.

Ainda sobre as armas, é legal também dizer que elas podem ser trocadas a qualquer momento das batalhas. Entrou em um chefe com uma arma que não tá sendo legal contra o mesmo? Bastão apertar um botão no controle para mudar isso. Não é preciso voltar à base e equipar outra arma. Ainda bem.

Ao todo há 14 chefes em Mechstermination Force. Parece pouco, mas isso vai dar aproximadamente de 3 a 4 horas de jogo. Ao terminá-lo não há mais nada a se fazer, exceto vencer novamente os robôs na máquina de fliperama da base. Tentar bater seu recorde e tentar terminar de comprar as últimas armas e todos os corações da loja. Não há novos modos de dificuldade, ou algum twist nas batalhas já vencidas, o que me parece uma oportunidade perdida para o fator de replay que o game poderia ter.

Você deve morrer algumas vezes em Mechstermination Force. O jogo não tem uma dificuldade extremamente punitiva, porém morrer faz parte do processo para entender alguns chefes. E não há nenhuma penalidade em morrer. Só que quando isso ocorre, toda a batalha volta ao seu ponto inicial. Independente do quanto você já tinha destruído o robôs. Há alguns casos onde isso é um pouco frustrante, especialmente nos chefes em quê pode-se levar um pouco mais de 8 minutos para vencê-los. Morrer na última etapa da batalha faz tudo recomeçar do zero. Não há checkpoints em casos assim.

De todos os robôs criados para o jogo, apenas o último não me agradou. É uma batalha no espaço, em gravidade zero, e a mecânica fica bem mais semelhante a um shooter espacial. Achei que ele destoa um pouco com o resto do jogo, mas dá para entender como o game escala até esse confronto. Foi uma batalha em que morri dezenas de vezes até pegar o ritmo do confronto (e dar um pouquinho de sorte).

Considerações finais

Mechstermination Force é um excelente jogo. Claro que trata-se de um jogo independente, então seu orçamento é menor do que um grande blockbusters, o que justifica seu tamanho ou o número pequeno de chefes. Mas mesmo assim o jogo brilha dentro de sua proposta e elementos técnicos.

Visualmente é um título muito bonito, que se utiliza de gráficos cel-shading que dão todo um toque especial ao ambiente criado. Os robôs são todos muito bonitos, com coloridos únicos e que sabiamente servem como base para o jogador entender as partes em que podem ser destruídas. Houve até mesmo uma preocupação com o cenário ao fundo, sempre muito diversificado e bem rico em detalhes. Há batalhas à noite, em cidades destruídas, em florestas congeladas e afins. Existe até mesmo 4 opções de personagens para que o jogador escolha.

Na parte sonora o título também manda bem. A trilha musical é envolvente e funciona para dar a emoção as batalhas. Não é muito diversificada, mas é suficiente para fazer seu trabalho. Nos efeitos sonoros também não há do que reclamar: o som dos tiros é bacana, assim como dos próprios robôs, seus tiros e explosões.

Controles também respondem muito bem aos comandos do jogador. Em terminado ponto da progressão do game, o protagonista adquire as habilidades de escalar certas superfícies, a qual o mesmo usará para escalar robôs, assim como como um pulo duplo. Isso aumenta em muito a eficácia da mobilidade. Atirar é gostoso, bater idem. Escalar, segundando um botão, é bem tranquilo. A única coisa que não achei prático foi trocar o tipo de tiro no meio da ação, pois eu preciso tirar meu dedo do botão de tiro e ainda ficar apertando o botão de troca até encontrar o tiro desejado.

No mais, a parte técnica da construção e programação dos grandes robôs funcionam muito bem no jogo. Eles seguem padrões e não houve nenhuma vez em que percebi bugs ou erros na forma como deveriam se movimentar ou atacar. E o contado do protagonista com seus corpos tinham tudo para dar errado, especialmente nos robôs mais ágeis em ambientes mais loucos. Mas não houve nada que me tenha me chamado a atenção de forma negativa nesse sentido.

Ao fim, o que posso fizer é que Mechstermination Force é um bom título independente, com uma vibe bem arcade. Não há gorduras. O jogo é bem direto. Você dá início, já sai jogando, direto para ação. Poderia ir um pouco além, é verdade, com novos níveis de desafios ou algumas fases mais tradicionais. Porém sendo um jogo de 12 dólares, o mesmo faz jus a seu conteúdo. E além de tudo, trata-se de um jogo único, que não se vê por aí com muita frequência. Vale à pena testá-lo, além de torcer para que eventualmente o jogo possa aparecer em outras plataformas.

Galeria

Dando uma nota

Batalhas contra diferentes tipos de robôs gigantes - 9
Controles respondem muito bem, ótima jogabilidade - 9
Ótimo visual em estilo cel shading, tanto para os robôs, quanto para os cenários ao fundo - 8.8
Dificuldade é equilibrada, sem ser fácil demais ou difícil a ponto de frustrar o jogador - 8.5
São 14 chefes para serem derrotados, dá para virar em poucas horas - 7
Loja de armas e corações, e habilidades que melhoram a mobilidade adicionam senso de progressão e valor de replay - 8
Multiplayer local para dois jogadores - 8.5

8.4

Ótimo

Mechstermination Force é um excelente indie game. Seu foco é inteiramente em um estilo de jogo contra chefes, também conhecido como Boss Rush. Robôs gigantes são variados e as batalhas repletas de ação e emoção. Controles respondem bem e seu visual é caprichado. Faz desejar que tivesse mais chefes ou quem sabe fases tradicionais...

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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