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Os jogos do Xbox Game Showcase & Halo Infinite

Anúncios, trailers e algumas incógnitas

No último dia 23 de julho aconteceu mais um evento digital, dentre os muitos que tem acontecido desde meados de junho (por conta de não ter sido realizado a E3 este ano). Desta vez foi com a Microsoft, com o Xbox Game Showcase, dando um pequeno aperitivo do que seus estúdios internos tem trabalhado. Quer dizer… de quase todos. Ainda ficaram diversas incógnitas em torno de alguns destes estúdios, a qual a empresa afirma que ainda há muitos projetos e títulos que não estão prontos para ainda serem revelados ao mundo.

A grande estrela da ocasião, sem sombra de dúvidas, foi Halo Infinite, um título de estreia para o console da próxima geração, o Xbox Series X, a ser lançado (se a pandemia não atrapalhar mais do que já tem atrapalhado) até o final deste ano. Ah, e não se preocupe se você não tiver verba para um novo console tão cedo, pois Halo Infinite também será entregue no Xbox One, sem a necessidade que você compre outra versão se eventualmente migrar de console. Mérito do sistema Smart Delivery, que levará os jogos do Xbox One para o novo console, sem o custo de ter que adquirir o jogo em uma nova plataforma Xbox. E sim também para sua outra pergunta, o título estará disponível em seu lançamento no Xbox Game Pass. Todos os games apresentados neste Xbox Game Show estão garantidos de estarem no serviço mencionado.

Quanto à Halo Infinite…

O que posso dizer, dentro da minha humilde opinião? Acho que ainda é cedo para julgar, seja negativamente, seja positivamente. Este novo Halo tem várias incógnitas. Primeiro que não é um reboot da franquia, entretanto também não se proclama como um Halo 6, finalizando um arco de história que começou em Halo 4, e que quase levou a algum lugar em Halo 5, porém este último terminou com um gancho a qual vou me decepcionar enormemente se for completamente ignorado neste novo projeto.

As referências daquilo que foi apresentado em sua revelação ficam bem claro: é um retorno às origens da franquia. Com essa arte de capa fazendo referência a capa do primeiro Halo, com essa experiência de estar em um dos famosos anéis, andando em um campo aberto. Outra palavra chave desta revelação foi “mundo aberto”, afim de se explorar caminhos alternativos que levam a objetivos em comum. Soa interessante, mas admito que tentaram algo assim em Gears 5 e… hum… particularmente não apreciei. E novamente, sendo justo, o que foi mostrado ainda é pouco para se julgar.

Fora que a internet caiu na zoeira no que diz respeito aos gráficos, que estão bem distantes daquilo que a Sony apresentou algumas semanas atrás quando fez a sua apresentação do PlayStation 5. E de novo, tentando equilibrar essa discussão, Halo Infinite não está sendo desenvolvido exclusivamente para um único novo console. O título quer ser algo híbrido entre gerações, e historicamente isso sempre segurou o potencial gráfico de jogos que passaram por isso. Entendo o que está acontecendo, ainda que também olhe para estes gráficos e sinta um pontinho de decepção. Certamente não há uma cara de nova geração aqui. Ao menos naquilo em que foi apresentado, já que o jogo ainda está em desenvolvimento. Não se trata de um título plenamente finalizado.

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Não sei. Halo Infinite me parece apenas… mais Halo. E ainda não sei se está tudo bem ser apenas isso.

Outros destaques, talvez alguns esquecimentos

Sabe o que sempre chama a atenção em transmissões como estas que tem acontecido ao longo das últimas semanas? Não são os destaques, mas tudo aquilo que a comunidade gostaria de ver e saber, mas que não são apresentadas. Notou que nada foi dito sobre o novo Battletoads que ainda está em desenvolvimento? Pois é, supostamente não foi cancelado, mas segue sem uma previsão de lançamento. Sem mencionar as inúmeras IPs e franquias da Rare, que um monte de gente gostaria de ver ressuscitadas, e que não foi desta vez (de novo)… Banzo-Kazooie, Viva Piñata, Conker? Hoje não, senhores.

Sem mencionar que, dos novos estúdios adquiridos, só foi possível ver muita coisa que já se sabe que está em desenvolvimento. Como a Double Fine com Psychonauts 2, que revelou um novo trailer, mas nenhuma data… ainda. Certamente há um desejo de ver o que a Double Fine está pensando após este empreendimento, que é anterior a compra do estúdio. Faltou uma visão de novos horizontes para estes novos estúdios. Aquele frescor tão desejado a cada início de nova geração.

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Se mostrou um pequeno teaser de Fable. Excelente. Mas nada mais do que um teaser. Nada de gameplay ou previsão. Nem mesmo a intenção para com a franquia. Se mostrou um novo State of Decay, o terceiro, também com um CG. Bonito, mas beleza não dá calo nos dedos. O mesmo vale para o óbvio anúncio de um novo Forza Motorsport. Você sabe que um novo Forza já está no forno no momento em que qualquer título da franquia é lançado. E qualé do estúdio do Ori aparecer só pra dizer que o Will of the Wisps vai rodar a 120 quadros por segundos no Xbox Series X? Que sacanagem. Me dá um teaser de Ori 3, poxa.

Depois que se passa pelos anúncios óbvios, e não muito empolgantes, os demais jogos apresentados demonstram mais interessantes e curiosos. A aposta da Rare numa IP chamada Everwild soa instigante, ainda que nenhum gameplay tenha sido apresentado. Certamente o trailer dá pistas sobre isso, com um mundo aberto a se explorar e personagens em caravana me parece indicar algo multiplayer, tal qual Sea of Thieves. Até porque não há um personagem protagonista em nada que Everwild apresentou… apenas pessoas vivendo em um mundo de fantasia. A ambientação soa linda, mas estou curioso para ver como tudo isso será transformado em mecânicas de jogo.

Outro que me chamou bastante a atenção, e que parece genuinamente bem inspirado é o The Gunk, do estúdio dos criadores do universo SteamWorld. Um jogo bonito, de aventura em terceira pessoa, bem convencional. Conceitualmente parece ser um jogo que poderia ser desta geração, mas ainda assim é uma nova IP e uma boa surpresa revelada.

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Não que justificasse estar na transmissão, mas achei genuinamente bacana a Bungie fechar uma parceria com a Microsoft para que todo o conteúdo de Destiny 2 passe a ser incluído dentro do Xbox Game Pass, incluindo a próxima expansão Beyond Light. Como o jogo passar a vender Passe de Temporada, em um estilo bem Fortnite, certamente dar as expansões pelo serviço de assinatura do Xbox parece bem interessante para expandir a comunidade do jogo e aumentar o número daqueles interessados em comprar as temporadas. As atuais expansões serão incluídas no catálogo do Game Pass em setembro, enquanto as futuras estarão disponíveis no serviço no dia de seus lançamentos. Valorizou ainda mais o Xbox Game Pass, sem dúvida alguma.

Então há o The Medium, que já havia sido revelado em um evento de maio, mas que na ocasião não chamou tanta a atenção como agora. O novo trailer, mostrando uma dualidade entre realidades, ficou assustadoramente animal. O jogo é dos mesmos criadores de Layers of Fear e Blair Witch, a Bloober Team. A pegada é mesmo um horror psicológico, tal os recentes games do estúdio. Não é meu gênero favorito, mas o trailer sabe criar um hype para sua proposta.

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Acho que também deveria tecer alguns comentários sobre a Obsidian, que veio apresentar um DLC para The Outer Worlds, título que está no meu backlog e espero ter tempo para jogar eventualmente, e apresentou estar trabalhando em um novo jogo de fantasia estilo Skyrim (na minha inexperiente concepção) chamado Avowed. A comunidade do Xbox parece ter gostado, ainda que particularmente eu não tenha visto nada demais. Nada exatamente fora da caixa do que se poderia esperar… talvez.

O que mais? Teve a apresentação de uma nova versão de Tetris Effect, que finalmente chega à plataforma do Xbox, sendo este um título tão bem elogiado no PlayStation 4. Vou querer conferir sem dúvida. Aí tem a Dontnod com mais uma de suas joias narrativas, com Tell me Why, que também parece ser legal, mas que começo a ter saudades do impacto da surpresa que Life is Strange me entregou quando me apresentou a forma como o estúdio trabalha. A Dontnod é uma boa contadora de histórias, mas mecanicamente seus últimos jogos não me surpreendeu como gostaria que tivessem feito. Um problema inclusive que a Telltale Games também teve após alguns sucessos com os jogos narrativos de The Walking Dead. Também foi possível ver mais um pouco de Grounded, que já saiu essa semana (e que ainda não consegui testar, mas está na fila deste final de semana).

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Enfim, logo abaixo dá para conferir todos os trailers dos jogos apresentados. Não sei. Certamente esse Xbox Game Showcase foi mais interessante do que àquele outro realizado em maio, que apenas mostrou jogos independentes de outros estúdios parceiros e que não foram nenhum um pouco impactantes. Ainda acho uma line-up estranha, com uma falta de carisma. Faltou falar sobre Gears 6, inclusive dar a data de Geats Tactics no Xbox One. Faltou relembrar o legado da marca Xbox… IPs abandonadas e que na iminência de um novo console merecem uma nova chance. O anúncio do PlayStation 5 foi muito mais impactante porque a Sony não mostrou apenas novas ideias, mas também olhou seu legado e apresentou IPs que são conhecidas ao seu público, jogos que os fãs querem ver continuados. A Microsoft mostrou Halo… e só. De resto, houve muita CG, pouco gameplay e muitos esquecimentos. É isso que estraga o hype.

Não tenho dúvidas que o Xbox Series X vai ser um bom console, especialmente aqui no Brasil, a qual a oferta de serviços como o Xbox Game Pass tornam a biblioteca de jogos mais acessível aos jogadores. Porém a Microsoft ainda não me parece ter provado que está entrando em uma nova geração com os dois pés no peito, tal qual a Sony parece ter demonstrado estar fazendo. A pandemia pode estar atrapalhando isso? Pode. A Nintendo parece estar passando por problemas semelhantes. Então, é o que estou dizendo desde o começo: é cedo demais pra julgar. Vai ser preciso ter um pouco mais de paciência.

  • Halo Infinite

  • State of Decay 3

  • Forza Motorsport

  • Everwild

  • Tell Me Why

  • The Outer Worlds: Peril on Gorgon (DLC)

  • Grounded

  • Avowed

  • As Dusk Falls

  • Psychonauts 2

  • Destiny 2: Beyond Light

  • S.T.A.L.K.E.R. 2

  • Warhammer 40,000: Darktide

  • Tetris Effect: Connected

  • The Gunk

  • The Medium

  • Phantasy Star Online 2: New Genesis

  • CrossfireX

  • Fable

Confira abaixo a transmissão completa do Xbox Games Showcase de 23 de julho de 2020, em português.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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