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Apresentando | Graphic Disney #1 – Mickey e Pateta: Pé na Estrada (relato de leitura)

Encadernados Disney pela Editora Panini

A Editora Panini tem, desde o finzinho do ano passado, publicado uma série de encadernados Disney. Desde a continuação das coleções de Carl Barks, Don Rosa e Paul Murry, interrompidos com o fim do contrato da Disney com a Editora Abril, assim como novas coleções mais independentes de numeração. Uma deles tem o selo de Graphic Disney. Que é a edição que apresentarei um pouquinho hoje.

Tratam-se de HQs produzidas por grandes mestres da casa, com uma arte fabulosa, que reimaginam grandes contos já conhecidos mundialmente, utilizando os icônicos personagens de Patópolis. É o caso de Mickey e Pateta: Pé na Estrada, baseado no clássico romance On the Road de Jack Kerouac. A primeira edição desde selo, lançado em dezembro do ano passado, a qual pude adquirir recentemente.

Publicações de longo tempo de exposição

Vale apontar que por conta do caráter de encadernado, e dado o histórico da Panini com esse tipo de publicação, estas edições ficam no mercado por anos, sendo vendidos em sua loja digital e outras livrarias parceiras. É um produto que vez ou outro se encontra em banca de jornal, mas certamente não tem como alvo ficar muito tempo nesse lugar. É um produto mais comum de se fazer presente em livrarias e lojas especializadas, e portanto tem um tempo de exposição que o permite ficar a venda por anos. Um modelo de produto que facilita muito reimpressões de tempos em tempos, quando se faz necessário e haja procura pelos colecionadores.

E sim, não são encadernados em que podem ser considerados baratos. Não são mesmo. São produtos de luxo, criado com carinho para famintos colecionadores. Os quadrinhos Disney possuem uma outra editora aqui no Brasil, a Culturama, que aí sim, trabalha com publicações mais acessíveis, tanto a um público mais infantil, quanto àqueles que não tem tanto poder aquisitivo para pagar entre 50 a 100 reais em um único encadernado.

Mas assim, não deixe o preço lhe assustar. Em comparação com outros encadernados da Panini, de outros universos, como Turma da Mônica, Marvel e DC, os encadernados Disney estão na faixa do que a editora normalmente já tem quantificado em nosso mercado há anos. Aqui as coisas são assim, um tanto quanto bizarras. No geral estes preços são ligeiramente acima do que poderia ser vendidos, e tão logo se passa a janela de lançamento, seus valores começam a oscilar para baixa. Na própria loja digital da Panini, assinando a newsletter deles (lá no final da homepage), é bem comum receber cupons de descontos semanais da loja, com descontos de 20% no valor fixo das revistas, assim como promoções de compre 3, pague 2. Basta tem paciência e ficar de olho que é sempre possível adquirir estes encadernados por um preço menor do que o de lançamento. E claro, há a Amazon Brasilveja só os preços dos encadernados por lá.

Tamanho é documento

Dentre estas novas coleções criadas pela Panini, que além da Graphic Disney, inclui Tesouros Disney e Grandes Sagas Disney, talvez a apresentada aqui seja a que tenha um dos formatos mais impressionantes: uma porque é a mais barata dentre as coleções mencionadas, e segundo pelo seu tamanho físico: é um dos maiores encadernados em nosso mercado. As dimensões são enormes: 20,5 x 31,5 cm. Maior até mesmo que os encadernados da Graphic MSP da Turma da Mônica.

Tamanho da Graphic Disney versus Graphic MSP

Isso ressalta bastante a arte e os desenhos apresentados na história. Ao menos é a impressão que tive com esta primeira edição a qual coloquei as mãos. Pé na Estrada tem arte e desenhos do grande mestre italiano Paolo Mottura, que manda muito bem em expressões faciais, sempre com quadros que se aproximam muito das feições dos personagens. Além disso ele manda muito bem com enquadramentos diferentes, a quando precisa de quadros maiores para paisagens, o nível de detalhamento é absurdo. Pé na Estrada em alguns destes momentos de paisagens, já que trata-se de uma história de viagem pelas estradas dos Estados Unidos. Os visuais são incríveis quando Mottura precisa representar esse sentimento de liberdade que uma viagem pode proporcionar. A sensação de ser algo pequeno em um mundo imenso é outro do sentimento que ele consegue transparecer muito bem com sua arte.

Graphic Disney Panini e a versão em formatinho lançado pela Editora Abril em 2015 – Houve uma leve mudança de cores em certos ambientes. As cores da Panini fazem mais sentido nessa cena, que ocorre à noite em um milharal.

Méritos também ao roteirista, Fausto Vitaliano, outro grande mestre italiano. Vitaliano conseguiu criar um Pateta incrível, inspirado no personagem da obra original, que certamente consegue passar uma enorme energia e vontade de sair pelo mundo e viver uma vida como ele. A narrativa criada pelo roteirista nunca perde o fio da meada, além de conseguir com sucesso criar um suspense com relação as motivações dos vilões da trama que se mantém até o final da HQ.

Hora da leitura

Trazendo um grande formato física e grandes nomes, essa primeira Graphic Disney é também proporciona uma grande experiência na hora da leitura. Pude constar isso com a experiência que tive ao lê-la com o meu pequeno, agora com quase 8 anos (abaixo, segurando as edições para a foto), que atualmente tem começado a se interessar por quadrinhos Disney.

Em tempos de pandemia um novo hábito surgiu em casa: a prática da leitura de quadrinhos antes da hora de ir dormir. Uma leitura que não fazemos na cama, não (senão dá preguiça). Sentamos em uma mesa, cada um em sua cadeira, e decidimos por uma história e quais personagens cada um irá ler. Aqui, em Pé na Estrada, o Thales escolheu ler a falas do Mickey, enquanto eu fiquei com o papel do viajante e inspirador Pateta – que agora vejo que foi uma bela decisão.

Formatinho (2015) versus a nova versão para colecionadores. O encadernado é visivelmente gigante!

A história durou duas noites, afinal é uma aventura de aproximadamente 65 páginas, divida em duas partes. Achei divertido que em um momento da história ele me perguntou se “essa era a primeira história do Mickey com o Pateta“, por causa deles se conhecerem pela primeira vez na aventura. Ele queria saber se era a origem desses personagens. Aí tive que explicar de que se tratava de um conto, uma fábula, baseada em um famoso livro. Tal qual ocorre em um desenho a qual ele tem referência (Os Três Mosqueteiros com Mickey, Pateta e Donald).

Ao final da leitura, perguntei se ele havia gostado da aventura: e ele me disse que sim. Conversamos a respeito e percebi que o que mais foi interessante para ele nessa aventura se deu por conta do contexto atual a qual vivemos: ele está há meses sem sair de casa (mantendo a recomendada quarentena) e ler uma aventura na qual Mickey é um personagem que não gosta de viajar, enquanto Pateta é o famoso caixeiro viajante, que apresenta ao Mickey o mundo fora de sua casca, um lugar de imensas maravilhas, a sensação da liberdade a qual o personagem não conhecia… bem, isso parece ter emocionado um pouquinho o Thales. Deixando-o com um pouco de nostalgia de poder sair para ver o mundo. E ele se deixou viajar um pouco dentro da história. Houve um momento em que paramos por um tempo considerável a leitura apenas para admirar os desenhos das paisagens feitas por Mottura. Por alguns segundos, sentimos que fomos até esse lugar mágico que os quadrinhos as vezes podem levar seus leitores.

Por fim, chegamos até mesmo a ler as páginas finais da edição, que apresenta curiosidades e um contexto histórico da obra, falando um pouquinho mais das inspirações e do conto original. O que a Panini faz muito bem em inserir nesse tipo de encadernado, enriquecendo ainda mais seu valor.

E claro, essa não é a única história que tenho com o Thales empolgado com uma aventura Disney. Há uma outra, envolvendo a edição Mickey #9 da Culturama, com a trama O Sétimo Corvo, a qual viajamos para um monumento na Inglaterra. Mas essa é uma outra história… uma outra aventura. Fica para um outro dia.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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