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The Walking Dead: A morte é tão inevitável quanto a crescente loucura de viver! Sério, CDC? [PdS] [1×05]

In a world ruled by the dead, we are forced to finally start living!

The Walking Dead: Episódio 5 da 1ª temporada foi exibido nos EUA dia 28 de Novembro de 2010: Wildfire

Enquanto isso no Brasil: O episódio 1×05 foi exibido no dia 30 de Novembro às 22h no canal Fox! (exibição toda terça-feira, às 22h na Fox)

Aviso: Continue lendo apenas se você já assistiu o episódio 1×05 (“Wildfire”) de The Walking Dead. Haverão spoilers!

Não conhece o Papo de Série? Basta clicar aqui e ficar por dentro do projeto. Depois do “continue”, a gente conversa mais.

1×05:”Wildfire

Muita dor, muitos mortos e um rumo inesperado!

Mais uma semana, mais um episódio. E infelizmente, a primeira temporada está no seu fim, um fim que suponho que venha a ser completamente distinto daquele que eu, como leitor da HQ, tinha imaginado. É normal acreditarmos que a primeira temporada fosse ser baseada no primeiro volume da HQ, mas temo que não seja isso que venha se confirmar.

Verdade seja dita, neste episódio houve uma grande dose de drama (como esperado), mas por outro lado o rumo inesperado da série deixou a adaptação bem mais ambiciosa e, para mim, estranha – ainda não sei dizer se gostei por inteiro da CDC. Entretanto, sem comparações com a história original, acho que a introdução de um cientista sobrevivente num laboratório de alta tecnologia pode criar uma oportunidade para o desenvolvimento da base teórica dos zombies da ficção de Robert Kirkman.

O problema desta situação é que aprecio o mistério envolvido na epidemia apocalíptica e não gostaria de ver a adaptação dando algumas respostas explicativas à situação dos zombies, não por enquanto, não tão rápido. Claro, a série não explora apenas os zombies, mas sem eles não haveria um mundo tão hostil capaz de levar pessoas a situações extremas de sobrevivência. Certo?

Adeus Amy e feliz aniversário…

Regressando ao início do episódio, a reacção de Andrea à morte da própria irmã merece aplausos. Houve uma ótima trasmissão da dor da perda – mesmo sabendo que a irmã voltaria como morta-viva, ela não conseguia matá-la sem antes pedir desculpas pela ausência em festas de aniversário! Uma situação tão pesada e dolorosa é feita dos fragmentos de memória de pequenos acontecimentos, de pequenas falhas e tudo isso foi muito bem trabalhado.

A agressividade e a falta de compreensão dos outros por não saberem de tudo, não saberem que ainda por cima era o aniversário de Amy! E mais aplausos por terem reforçado a ideia de uma relação entre Dale e Andrea – mais uma cena exemplificativa encaixada na sequência. Ah! Quando Amy abriu os olhos, naqueles primeiros momentos parecia que ela estava lúcida. Foi por poucos segundos, mas deve ter contado para alguma coisa – depois o ataque a irmã foi bem responsivo e o enterro bem adequado. De certa forma, gostei de toda a interpretação e adaptação desta sequência de acontecimentos.

Uma árvore outra vez…

Nem tinha terminado de ver Andrea com Amy, morta e pálida, gélida (imagino), e já estava pensando no drama seguinte: a mordida em Jim. Anteriormente, ele havia cavado muitas covas, certamente uma seria para ele. Mais uma vez, boa adaptação, embora tenha havido algumas alterações sobre as quais tanto quem conhece a história original como quem apenas assiste a série não deve ter recusado ou se sentido incomodado. Foi dramático ver a mordida em Jim, mas mais dramático ainda foi ver Carol matando o seu marido renascido dos mortos com uma mistura de raiva e dor que se traduziu em lágrimas.

Entrar no trailer de Dale e seguir viagem foi um momento importante, mas não contava com isso neste episódio. A cena em que Jim pede para o abandonarem na árvore em conjunto com a sua observação bem humorada antes de fechar os olhos (Jim: “Uma árvore, outra vez.”) foi impecável. Só lamento por eles terem ignorado a questão ética e filosófica da eutanásia… Tudo bem, deixá-lo naquela árvore foi praticamente deixá-lo morrer. Ainda assim, a questão filosófica ficou um pouco apressada (mesmo que não tenha sido completamente ignorada). De qualquer forma, não condeno a produção – o episódio foi bem elaborado, estruturado e interpretado!

Além de tudo aquilo que já disse, houve um acontecimento que já esperava e que pareceu muito apropriado – a discussão entre Rick e Shane. Cada vez a tensão entre os dois fica mais forte e eu cada vez mais gosto disso. Levanta a questão: a amizade deles  também será uma sobrevivente ao Apocalipse?

[ENORME SPOILER DA HQ] Estava convencido de que a temporada terminaria com a morte de Shane mas o terreno não parece estar sendo preparado para isso. Carl continua sem demonstrar coragem e iniciativa, Rick não treinou ninguém com as armas e agora introduziram mais um sobrevivente, um laboratório bem protegido, um novo local. Parece que Shane viverá mais tempo do que imaginava. Apenas espero que façam um bom aproveito disso, já que saíram completamente da história original. E não digo isso como sendo algo negativo, mas como algo ainda indefinido. Veremos no que vai resultar tudo isso. [FIM DO ENORME SPOILER DA HQ]

Morrer ou viver? Matar ou sobreviver? Eis algumas questões fundamentais!

Apesar dos delírios de Jim, o condenado do episódio, souberam conduzir bem o instinto de sobrevivência acima da humanidade. É algo que vai se tornando mais comum e terrivelmente mais fácil de se aceitar. Se alguém se torna perigoso, a solução é o abate ou o abandono – Daryl já percebeu isso mas quando se tratou do seu irmão, a sua opinião foi bem diferente… Imagino se fosse eu na situação de Jim. Tenho dúvidas se escolheria ser abandonado. Não que houvesse outras opções para além da morte em si. Se morremos, nos tornamos zumbis hostis vagando sem rumo. Se vivemos, somos sobrecarregados com uma pressão e uma tendência a enlouquecer. O pior não é ter apenas estas duas opções, mas termos que escolher entre elas – “voto nulo” não existe,  nem mesmo democracia.

Outra situação que ficou estranhamente enquadrada foi o vídeo com o relato do cientista solitário e quase louco. Quando apareceu ele falando com a câmera, pensei: “Mas o que é isso?” e lembrei também de Eli e do Kino de Stargate Universe (a ideia foi muito semelhante) – apenas um paralelo entre séries que me ocorreu no momento. Após algum tempo, o vídeo e o homem foram melhor desenvolvidos e explicados e então consegui aceitar. Tenho feito um esforço para não ficar limitado a HQ. Encaro a série como uma adaptação com as suas particularidades – até esse enorme desvio com a CDC acho que consegui digerir relativamente bem.

CDC: um novo abrigo e um novo rumo!

Já que estou falando novamente da CDC, aceitando ou não essa novidade, a boa execução do ambiente e do clima/atmosfera com todos aqueles cadáveres de zombies rodeados por “nuvens” de moscas ajudou bastante. Não entendi por qual motivo o cientista não abriu logo a porta quando viu sobreviventes pedindo por abrigo. Pelo que percebi, ele estava enlouquecendo com a solidão e a falta de resultado em suas pesquisas. Bem, abria a porta e parte da sua agonia seria neutralizada!

Confesso, os momentos finais, com Rick a implorar para que alguém abrisse a porta, a implorar por abrigo, foi tensa no seu próprio modo de ser – havia ali um dado importante, se a porta não fosse aberta eles estariam vulneráveis a ataques. Logo depois que a porta foi aberta, terminou o episódio e fui logo ver o Sneak Peek. Aí é que veio uma descrição técnica, fria e profética da morte acompanhada por uma animação da morte cerebral – entusiasmante e interessante. No silêncio final, só faltou alguém completar a mensagem: isso supostamente seria o nosso destino, nada que gostássemos antes do Mundo ter virado um caos. Então, e agora que voltamos da morte?

O Episódio, em poucas palavras…

Em geral, o episódio 1×05 foi excelente, como tem sido essa primeira temporada. Soube que houve uma mudança drástica na equipe de produção. Os roteiristas foram todos despedidos – renovação completa para a próxima temporada. Espero que venham roteiristas ainda melhores!

Neste Domingo (ou terça-feira, se for o caso da exibição da Fox no Brasil), será exibido o último episódio desta curta temporada (1×06 – “TS-19”) – lamento por isso, mas perdoo se eles fizerem um bom Season Finale e uma segunda temporada com pelo menos o dobro da quantidade de episódios da primeira. E no próximo Papo de Série de The Walking Dead, fazemos uma reflexão sobre a adaptação televisiva, esse começo. De resto, só posso dizer que essa temporada passou rápido, bem rápido mesmo.

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.
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