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Brasil Game Show 2016 | Uma BGS diferente de 2015! (Impressões – Parte 1)

A Brasil Game Show, ou também conhecida como BGS, está rolando no exato momento em que estou publicando esta matéria. Se você ainda não sabe se vale a pena ir, e tem condições de correr para São Paulo para conferir o evento, fique sabendo que ainda dá tempo. A BGS termina somente na segunda-feira, dia 5, e ainda há ingressos disponíveis para o dia 4 (domingo) e dia 5, e tem bilheteria direto lá na entrada.

Se pudesse estaria presente em todos os dias de Brasil Game Show, mas como não moro em São Paulo, e as condições orçamentárias não anda lá muito boas – porque vida de adulto é isso, sempre devendo fundos e mundos – para ficar hospedado lá, o jeito foi aproveitar o máximo de BGS em um único dia, e felizmente consegui cumprir muitas das metas que tinha em mente. Não todas, mas fiquei bem próximo disso!

Já adianto que a minha experiência de Brasil Game Show neste ano foi totalmente diferente da experiência que tive ano passado, quando eu e minha esposa só pudemos ir no domingo, que tradicionalmente é um dos dois dias mais cheios de eventos desse porte. Desta vez fomos a BGS na quinta-feira, 1º de setembro, dia dedicado a imprensa e também a todos que compraram o passaporte premium para todos os dias do evento.

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Isso significa que havia muito menos pessoas lá. Perceptível por algumas das fotos que estão ilustrando esta matéria, que mostram bem como é este dia incomum, na qual a BGS ainda não está de portas abertas para o público em geral. Portanto não estranhe se algumas destas imagens parecerem meio “vazias de gente”, afinal a minha ideia este ano era justamente conferir como era um dia de imprensa em uma Brasil Game Show. Além de ter como testar o maior número possível de games, é claro!

As duas fotos acima, por exemplo, foram tiradas bem no comecinho de quinta, aproveitando que fomos uns dos primeiros a entrar no evento que começou as 13h – estávamos na fila desde as 10h da manhã, ocupando a segunda posição na ordem de entrada. Mas aproximadamente uma hora após a abertura, havia algumas filas pequenas para todos os lados, como era de se esperar.

Olá, São Paulo Expo!

Outro apontamento importante, antes de entrar em impressões mais específicas, é lembrar que a BGS mudou de lugar este ano. Pela primeira vez, a Brasil Game Show está sendo realizada na São Paulo Expo, aquele centro de convenções gigantesco que ainda estava em obras no final de 2015 e que me deixou bem ranzinza pelo tanto que tive que andar quando fui cobrir a CCXP 2015.

Agora a São Paulo Expo não está mais em obras. O lugar está pronto, e está ainda maior do que pude conferir ano passado. Mas tipo absurdamente grande mesmo. Do tipo que me fez imaginar que a Brasil Game Show poderia ainda ter mais alguns stands gigantes e enormes, e que caberiam tranquilamente nesse espaço.

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A entrada do evento também está muito melhor do que a entrada improvisada da CCXP ano passado. Nada de fazer aquela maratona dos infernos pelo estacionamento. A entrada do São Paulo Expo agora sim está perfeita, basta subir uma rampa de acesso e entrar. O ônibus gratuito da BGS nos pegou nas proximidades do Metrô Jabaquara e nos deixou aos pés da entrada do evento. Não é preciso caminhar de forma absurda mais. Ufa, meus quilos a mais comemoraram isso!

E lá dentro está tudo lindão. Banheiros limpíssimos e bem espalhadas ao fundo de todo o complexo. Vi bebedouros nas proximidades de um destes banheiros, o que é algo digno de se mencionar, já que também na CCXP ano passado não havia nenhum e, ou a galera pagava caro para beber água mineral, ou ficava se desidratando pelo calor. É possível que a CCXP em dezembro deste ano seja bem mais agradável do que foi ano passado. Quero acreditar nisso.

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Como foi um dia de imprensa e VIPs não tem como comparar com os dias mais cheios. Especialmente a questão da temperatura do ambiente, porém a impressão que tive é que este ano houve essa preocupação também. Nada de ar condicionados congelando as pessoas ou aquela sensação térmica de estar dentro de um forno. As ruas e avenidas entre os stands estão muito maiores do que as que vi ano passado (incluindo as ruas da CCXP), dando a impressão que dá para um porradilhão de pessoas ficarem transitando para todos os lados sem passar por aquele aperto que normalmente se espera em eventos assim.

Montando uma Brasil Game Show maior e melhor!

Claro que alguns stands (expositores) ainda fizeram alguns apertões bem ruins. Sei que vai parecer cri cri vindo de um fã do Xbox isso, mas no stand da Sony pelas laterais tinham algumas estações de jogos realmente bem apertadas. Foi um sufoco jogar Dragon Ball Xenoverse 2 ali. No stand do Xbox o espaçamento entre as máquinas estava bem melhor. E na WB Games também fiquei imaginando que nos dias mais cheios, o miolo central do stand não vai ser muito fácil de transitar. Especialmente a turma que vai querer conferir o espaço montado ali para Resident Evil 7.

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Falando em espaços, um dos pontos que me incomodou um pouco foi o quão espaçado ficou a praça de alimentação no geral. Os quiosques estava muito distantes uns dos outros. Cortando todo o fundo do evento, fora que alguns deles estavam escondidos nas laterais da entrada. E também nas laterais, próximo a saída do evento. Dá a impressão que a Brasil Game Show foi rodeada de quiosques. Legal a ideia, porém ficou bem trabalhoso percorrer toda a praça de alimentação para ver todas as opções de comida e seus respectivos preços.

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E sim, não é surpresa nenhuma, mas estava tudo realmente caro no que diz respeito aos lanches sendo vendidos lá. O que ficou na minha cabeça é se os organizadores não teriam a ideia originalmente de terem muito mais quiosques, com muito mais opções. Senti que a praça de alimentação da CCXP ano passado estava bem mais apetitosa. Do tipo, sentir o cheiro da comida mesmo. Não vai faltar lugar para sentar e comer nesta Brasil Game Show, porém eu realmente gostaria que tivessem apertado um pouco mais os quiosques, deixando-os mais acolhedores.

A minha dica, eu que sou do interior e não tenho vergonha alguma de dizer que meu dinheiro não é compatível com estes preços de lanches em eventos em São Paulo, é levar um lanchinho de casa. Leve água, salgadinhos e até mesmo um pão de lanche com frios. Sente em uma das mesas lá e não fique passando fome ou gastando dezenas de reais com lanches. Se tem sobrando, prestigie os quiosque, mas se o orçamento está apertado, leve o que comer da sua casa. Isso não é vergonhoso, ao menos eu não acho.

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— Cadê você Activision? Senti muita falta de um grande expositor que participou ano passado e este ano não estava lá: a Actvision! Puxa vida, com Call of Duty Infinite Wafare chegando em novembro e até mesmo Destiny Rise of Iron agora em setembro, era mais do que merecido um stand próprio para a Activision nesta Brasil Game Show. Me pergunto porque não rolou.

Sobrou para o stand do PlayStation trazer estações de Infinity Warfare para o evento, porém infelizmente todas as estações não estavam funcionando na quinta, já que aparentemente a Activision teria uma livestream na sexta (ontem) que mostraria o multiplayer do game, e só então é que ele poderia ser mostrado e liberado para testes também na Brasil Game Show. Já Destiny, que ano passado tinha um bom espaço no evento, foi totalmente esquecido este ano. Nada de Rise of Iron. A minha impressão é que Overwatch tomou o lugar de Destiny na BGS de 2016. Ainda que também não houvesse um stand próprio da Blizzard aqui – o que talvez também merecesse ter.

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Também senti a falta da Azubu, que também teve um stand grande ano passado para promover alguns campeonatos de e-Sports. Mas foi uma ausência bem menor, já que este ano os stands da Razer, HyperX e NVIDIA estavam bem mais atraentes e chamativos este ano, com várias estações de games lá. Aliás o Stand da HyperX é um dos mais bonitos de todo o evento, sem dúvida alguma!

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Mas assim, no geral, a Brasil Game Show de 2016 está mostrando um porte muito maior e melhor que a BGS que vi em 2015. O São Paulo Expo certamente é um lugar impressionante. Foi uma decisão mais do que acertada efetuar essa mudança de local. Há muitas estações de jogos, ainda que tenha tido a ligeira impressão de que a Microsoft tenha se esforçado bem mais do que todas as outras empresas no que tange a trazer jogos que ainda serão lançados nos próximos meses. Gears of War 4, ReCore, Forza Horizon 3, Halo Wars 2, Cuphead… estavam todos lá, além de mais alguns indie games brasileiros que também estão para ser lançados no Xbox One em alguns meses.

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— Ausências sentidas! Não que ninguém mais tenha trazido coisa nova, é claro. A Sony estava com Horizon Dawn, além de prometer Infinity Warfare a partir da sexta, dia 03. Lego Worlds me pareceu uma proposta interessante na WB Games. Sucesso também para as expectativas em torno de Resident Evil 7, ainda que a demonstração levada para a BGS tenha sido o mesmo da demo lançada no PlayStation 4 para todos seus usuários e não algo novo para ser experimentado, e sem a experiência de VR (Realidade Virtual), infelizmente.

Ainda na WB Games fiquei deveras decepcionado que Batman VR na quinta-feira só poderia ser testado pela nata da nata da imprensa, só aqueles que foram convidados diretamente pela WB Games. Que chato! Nos outros dias do evento, somente os 12 primeiros poderão testar essa experiência de ser o Batman. Achei um número bem muito pequeno.

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Havia também VR no stand do PlayStation, com distribuição de senhas e filas de back-up. Os games não me chamaram muita a atenção, mas ao menos era um número legal de estações VR e todo mundo que tivesse paciência de esperar poderia testar. Mas volto a falar disso na segunda parte desse especial de cobertura, na qual vou falar sobre tudo que joguei e o que não deu tempo de jogar.

Por fim, na Ubisoft For Honor e Steep eram as novidades no que diz respeito aos próximos lançamentos. Ficaram de fora Ghost Recon Wildlands e o novo South Park. E posso cantar outra bola? Com Call of Duty sem muito espaço na BGS deste ano, me parece que a Eletronic Arts perdeu uma chance de ouro para fazer um blocão gigante com Battlefield 1, especialmente neste final de semana com beta aberto acontecendo. Não vi nada lá de Battlefield 1. Que mancada EA! Por outro lado, Fifa 17 estava em peso no Stand da WB Games e do Xbox.

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— Setembro ou Outubro? Não dá para saber exatamente o que aconteceu com cada stand. Obviamente que a limitação e ausência de títulos e acessos ao público e imprensa não foi por maldade de nenhuma destas empresas, mas talvez seja algo do período desta nova Brasil Game Show. Não dá para saber, apenas conjecturar. Vou explicar melhor o que me vem em mente.

Tradicionalmente a Brasil Game Show acontecia sempre próximo ao dia das crianças, em 12 de outubro. Este foi o primeiro ano em que ela aconteceu em setembro. Uma data tão ruim quando as datas da CCXP, a meu ver. Por que diabos fazer um evento antes do 5º dia útil do mês? Veja bem, eu trabalho na área de Departamento Pessoal, fechando folhas de pagamento de empresas, e somado a experiência da vida adulta, sempre digo que acho complicado estes eventos de começo do mês.

O pessoal da vida adulta está esperando cair o salário somente na próxima semana. Fazer um evento no final de mês, quando é notório que normalmente o brasileiro passa a virada do mês apertando o cinto porque o salário já acabou lá pelo dia 20 a 25 do corrente mês, é super complicado.

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Você até pode justificar que as pessoas que vão para uma BGS ou CCXP já se programaram, já guardaram dinheiro. Até mesmo já compraram os ingressos antecipadamente. Sim, há uma parcela que definitivamente fazem, porém há outra parcela que talvez seja até maior e que não conseguem o mesmo. O brasileiro tem esse hábito de sair gastando o dinheiro logo quando caem em nossas mãos. As dívidas vamos pagando dentro do mês até o dinheiro acabar. O brasileiro é inadimplente por natureza. O salário em geral nunca é suficiente para que todos vivam como reis oras. Enfim, estou indo para uma discussão sociológica que não caberia aqui. O que sei é que a data desta Brasil Game Show não me pareceu melhor que a data anterior, em outubro próximo ao feriado de dia das crianças.

Há alguns relatos dizendo que a BGS este ano foi mais cedo para que os futuros lançamentos tivessem a oportunidade de aparecerem em primeira mão, muito antes do lançamento em si, para que o público sentisse o gostinho da exclusividade. Já que a BGS em outubro normalmente trazia muitos dos lançamentos que já haviam saído ou estavam muito próximos de serem lançados. Acho meio balela isso.

Talvez a ideia tenha sido boa, mas a execução certamente teve falhas, pois como disse, há ausências significativas de títulos nesta Brasil Game Show 2016. Jogos que talvez pudessem ter vindo se a data tivesse se mantido em outubro, independente de estarem próximos de serem lançados ou já terem sido lançados.

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— Sim, a BGS é importante! Claro que tudo isso não tira o peso e a importância que a Brasil Game Show tem para o mercado de games, para os empresários que continuam investindo no país e para toda a comunidade, pelo prestígio de ter um evento que tem o porte sim de uma E3 ou Gamescom. Eu disse ano passado e repito novamente, entre CCXP e BGS, sou muito mais entusiasta da BGS. Sei que são eventos com propostas diferentes, com público também um pouco diversificado, mas ainda assim, acho que a Brasil Game Show precisa sim continuar existindo e acontecendo ano a no.

A casa nova da BGS este ano se mostrou excelente. Espero que para 2017, ela possa ter superado essa experiência de casa nova e seguir adiante, se aprimorando cada vez mais. Trazendo mais empresas, mais games e especialmente conseguindo algumas ausências que certamente foram sentidas em 2016. E sinto que eles estão aprendendo cada vez mais. Ano após ano.

Assim encerro esta primeira parte do Especial Brasil Game Show 2016. Obviamente que não comentei tudo que gostaria de comentar. Não mencionei todas as atrações do evento e nem mencionei todos os expositores. Da mesma forma que não dei as impressões de tudo que joguei lá. Mas não se preocupe, esta é só a primeira parte da cobertura. A segunda parte em breve estará no ar!

Cobertura Portallos – Brasil Game Show 2016!

Parte 1 –  Aspectos Gerais da BGS 2016!

Parte 2 – Games testados e não testados!

Parte 3 – Coisas legais para visitar!

Galeria – 300 fotos da Brasil Game Show 2016!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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