Capcom Beat ‘Em Up Bundle | Briguentos das antigas! (Impressões)

Capcom Beat ‘Em Up Bundle é uma mais daquelas adoráveis coletânea do passado que estão sendo resgatados pela Capcom para a atual geração de consoles, sendo apresentados a toda uma nova geração de jogadores que talvez nunca tiveram contato com estas pérolas nas saudosas máquinas engolidoras de fichas (e dinheiro) chamadas de Fliperamas.

A coleção, lançada no último dia 18 de setembro, está disponível nesse instante para Xbox One e PlayStation 4 por 61 reais, e também para Nintendo Switch por 19 dólares. Um justo valor para sete clássicos dos arcades: Final Fight (1989), The King of Dragons (1991), Captain Commando (1991), Knights of the Round (1992), Warriors of Fate (1992), Armored Warriors (1994) e Battle Circuit (1997). Achou estranho não mencionar a plataforma do PC, via Steam? Não se preocupe, pois a Capcom promete que em breve o título chegará para a comunidade do mouse e teclado, mas ainda sem confirmar uma data mais precisa. Resta aguardar.

A coletânea chega com o mesmo tratamento e capricho que as demais coleções de jogos retrô da Capcom tem recebido atualmente; como as de Mega Man, Disney Afternoon, Mega Man X e Street Fighter. É de se ponderar quais serão os próximos títulos que a empresa deve reunir nestes mesmos moldes. Só torço para que a mesma continue fazendo isso, pois até agora tudo está indo bem.

Valentões da rua

Como o título da coleção já alardeia, Capcom Beat ‘Em Up Bundle tem como proposta resgatar clássicos e antigos jogos de briga de rua, como alguns chamam por aqui esse clássico gênero de jogo, que oficialmente é chamado beat ‘em up. São sete jogos, uns mais conhecidos na história dos videogames, outros mais raros, até mesmo esquecidos no tempo.

Dois deles, Armored Warriors e Battle Circuit, são títulos inéditos deste lado do globo. Até então só haviam sido lançados no Japão. Sequer saberia apontar se existia versões com localização em inglês destes títulos, nos emuladores que existem nas sub galerias escuras da internet. Talvez sim, talvez não. O ponto é que não faz muito diferença, pois certamente são dois jogos que poucos devem ter ouvido falar. E estão agora aqui, em alto e bom som para todo mundo conhecer.

Os demais são clássicos, uns mais do que outros. Certamente Final Fight e Captain Commando todo mundo que nasceu nos anos 80 e cresceu jogando versões destes jogos, em consoles caseiros ou até mesmo em algumas máquinas de fliperamas de suas cidades, já devem ter ouvido falar. Sei que eu ouvi.

Admito que The King of Dragons, Knights of the Round e Warriors of Fate eram títulos totalmente desconhecidos pra mim. Quando penso em jogos de briga de rua para fliperamas que jogava quando criança, me marcou muito jogos como o das Tartarugas Ninja e Os Simpsons, que possuíam ótimos jogos arcades. Até então não tenho nenhuma memória de jogos de briga de rua com esse tema mais fantasia medieval, que é exatamente o que permeia estes três títulos em questão. São bons títulos, por sinal, cada um com suas peculiaridades.

Todos os jogos da coleção, alias, possuem suas particularidades. Isso é bem impressionante quando se pondera de que todos vieram de uma mesma empresa e de uma época em que muitas vezes se trocava uma skin de um jogo por outro e o resultado disso era um novo jogo, com uma identidade nova, mas mecanicamente igual ao que o originou. Os jogos selecionados aqui não sofrem desse mal.

Final Fight é o rei da festa. É o beat ‘em up mais classudo de todos. Os jogadores podem bater um no outro, a quantidade de inimigos nos estágios finais é de assustar e vidas se vão tal qual socos são realizados nestes jogos. Felizmente a coleção vem com os jogos em modelo “Free Play“, ou seja, vidas e continues são infinitos. Não há que se preocupar em morrer e ter que recomeçar tudo de novo. Há uma modalidade assim, para os masoquistas, mas o modo normal quer exatamente que todos cheguem ao fim destes jogos, sem exceção.

Também é legal que em todos os jogos da coleção é permitido trocar os personagens quando as vidas de um deles chega ao fim durante o gameplay, dando a possibilidade do jogador trocar para outro – bem, todos exceto The King of Dragons, onde essa troca acontece como opção o final de cada fase. Trata-se de um ponto legal em pró de não tornar estes títulos enjoativos. Pelo contrário, dá exatamente mais dinâmica e incentivo em progredir através de todos.

Mas certamente o ponto mais legal de todos é a possibilidade de poder salvar a qualquer momento do jogo, criando assim ponto de retorno sempre que precisar dar uma descansada de tanta porrada retrô. Uma pena que haja apenas um slot de salvamento para cada título. E é preciso tomar cuidado ao iniciar um destes jogos e não clicar em “Save” ao invés de “Load“, pois isso o fará sobrepor o salvamento que já estiver guardado da jogatina anterior.

Tipos estranhos

Se tem algo que vale a pena se vangloriar destes antigos jogos de briga de rua é o design original que os protagonistas destes jogos tinham no passado. Há muita coisa estranha em cada um deles. E nem tente entender a história de todos, pois em muitos é aquela coisa do absurdo que não faz qualquer sentido. Fora que todos os sete jogos estão em seu idioma original, inglês ou japonês, pois era um período jurássico em quê jamais se cogitava que os jogos pudessem vir em diversas outros idiomas, tal qual o português.

Battle Circuit talvez seja o mais estranho elenco de todos os jogos da coleção, e talvez apenas porque estamos acostumados com os personagens de Captain Commando, que envolve um bebê em um mecha e uma múmia viva em seu elenco. Em Battle Circuit há uma planta mutante, uma mulher felino e uma garota montada em um avestruz rosa. Pois é, eu disse que é estranho. Felizmente é essa criatividade maluca que tornam estes jogos divertidos.

Armored Warriors é outro exemplo. É um jogo de briga de rua com robôs gigantes. Obviamente a galera da Capcom Japão estava muito inspirada quando resolveu criar essa pérola. Há quatro tipos muito distintos de robôs, isso para não esquecer da variedade de inimigos e chefes robóticos que também estão presentes ao longo do game. Há momentos em que é realmente impossível se encontrar na tela, de tão absurdo a quantidade enorme de robôs no estágio, e todos enormes.

Acrescente ainda o fato de que estes robôs podem ser atualizados com diversos tipos de armas e mecanismos que são largado no cenário quando os inimigos robóticos são derrotados. São acessórios que melhora a locomoção de seus robôs ou dão novos braços mecânicos com novos golpes. Há até mesmo a possibilidade de adquirir outros canhões para se atirar à distância. É uma mecânica muito incrível para um jogo do início da década de 90.

Outro apontamento interessante diz a respeito como alguns destes jogos foram visionários a sua época. Alguns deles, como os jogos de fantasia com esse lance mais medieval, todos mais precisamente, incluindo o Warriors of Fate, que tem um quê mais Japão Feudal, possuem sistemas de Level Up, onde os personagens ficam mais forte conforme o jogo avança e mais pontos são obtidos. Em casos como o de The King of Dragons, até mesmo suas armas mudam visualmente. Mais uma vez: para os padrões de uma época onde tudo era muito estático, isso é bem impressionante.

Só é menos impressionante a quantidade de inimigos repetidos que chegam em multidões em todos os sete jogos da coleção. Característica cimentada do gênero e que não há exatamente como reclamar dizendo que é algo que não deveria existir. Sempre foi assim, e provavelmente sempre serão. Porém isso não os tornam exatamente ruins. É apenas um elemento mais perceptível nos dias atuais. Aquela velha máxima do mesmo inimigo, mas com cores diferentes que dizem que um é mais forte do que o outro.

Há que se pensar que todos estes jogos foram criados em outra era da indústria dos videogames. Sem microtransações e loot boxes aleatórias para comer dinheiro dos jogadores, estes jogos precisavam que os jogadores morressem constantemente para que mais fichas fossem compradas e inseridas nas máquinas. Por isso não se assuste se gastar 3 ou 4 continues para matar um único chefe de alguns destes jogos. Eles foram criados para causar dano massivo ao jogador e ter momentos em que não consegue sequer chegar perto dos mesmos (é aqui, em grande parte, que você morre – por não ter paciência para esperar um momento melhor para atacar).

Mas é tudo divertido, isso para aqueles que conseguem ver estes jogos com uma perspectiva mais retro. Aceitando suas imperfeições da época e se divertindo com aquilo que eles podem oferecer de melhor hoje. Com vidas infinitas, protagonistas que podem ser trocados e salvamento no ponto em que você quiser, isso dá liberdade para o jogadores explorarem mais, brincarem mais, sem a punição e a frustração que vinham com estes jogos no passado.

Considerações finais

Não é minha intenção aqui avaliar individualmente cada um dos sete jogos de Capcom Beat ‘Em Up Bundle. Prefiro aqui me dedicar a falar como o pacote funciona bem com esse mix de oportunidades oferecido por estes clássicos. Fora que se fizesse isso acabaria me repetindo ao falar sobre cada um dos jogos, dado suas muitas semelhanças.

Jogos de briga de rua são clássicos do passado, vez ou outra um estúdio independente dos dias de hoje ainda aposta nesse segmento, semana passada tivemos por aqui as impressões de Raging Justice, por exemplo. Não é, então, um gênero realmente morto. Há uma clara evolução, para algo com elementos mais dinâmicos, focados em pequenas inserções de RPG e até mesmo uma arte diferenciada. Gosto de pensar em jogos como Castle Crashers e Scott Pilgrim vs The World (este aqui precisa ser relançado nessa geração de consoles, é uma judiação ter morrido na geração passada) honram tal pérolas do passado.

Há que se considerar que este pacote de sete jogos é uma ótima coletânea, acessível em preço e também bem feita no sentido de ter todo o material extra que os fãs desses clássicos acham legal espiarem, como a extensa galeria com artes, storyboards e rascunhos originais de cada um destes jogos.

Também não comentei, mas o game tem suporte online, permitindo criar partidas online onde qualquer pessoa no mundo inteiro possa encontrar e se juntar ao seu jogo. Admito entretanto que fiz algumas tentativas de matchmaking online e não encontrei ninguém hospedando uma partida. Porém, sendo justo, não tinha esperanças que houvessem dezenas de salas online com desconhecidos jogando juntos. Mas ao menos essa opção está aqui, presente. Inclusive se você quiser jogar de forma pricada com seus amigos online. É totalmente possível. Só isso já é um ponto a se comemorar.

Sei que me diverti mais do que achei que me divertiria revisitando estes velhos jogos. Foi uma surpresa agradável. Joguei até mesmo com o meu pequeno de 6 anos (e gravamos isso), apresentando-o estes jogos antigos, da minha infância. Também me surpreendi que ele tenha se divertido jogando, mas provavelmente porque estava comigo ensinando-o e contando para ele como estes eram os jogos que eu tinha para jogar quando criança. Obviamente não vejo-o jogando estes jogos sozinho, não quando há games como Minecraft e Lego entre suas predileções. Mesmo assim, me marcou que ele tenha virado uma tarde inteira de um sábado brincando comigo nessa viagem ao passado.

Capcom Beat ‘Em Up Bundle é a maior e melhor homenagem que se pode esperar destes clássicos jogos de briga de rua. Os maiores e estranhos brigões estão aqui, prontos para quebrar a fuça do que quer que apareça pelo caminho. Nada mais pode impedi-los, pois o império das fichas de fliperama não mais existe. Desça o sarrafo sem dó… e sem medo de ficar sem vidas extras.

Galeria

Extra | Explorando os sete jogos do pacote -Duração: 1h19m

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9 Sete raridados em um único pacote
9 Free Play, vidas à vontade ao invés de fichas
9 Opção de salvar no ponto que quiser
10 Armored Warriors e Battle Circuit, incríveis e bizarros
8 Suporte para jogar todo o pacote online
8.5 Variedade de mecânicas e temas ao redor dos 7 jogos
8.8 Extras, ajuste de dificuldade e opções de versões US/JP
8.9
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