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Agente Venom | Flash Tompson e sua série em 42 edições!

Já faz alguns meses que venho fazendo pequenas resenhas aqui no blog a respeito do universo do Homem-Aranha nos quadrinhos em seus mais recentes anos. Comentei a respeito da fase após o reboot, quando o casamento do Peter foi magicamente abolido de sua cronologia, passei pela incrível fase chamada de Big Time e também pelo empolgante arco da Ilha-Aranha e seus acontecimentos seguintes.

Ainda não comentei a respeito da fase Superior Homem-Aranha, que ocorre quando o Dr. Octopus assume o corpo de Peter Parker porque ainda estou no meio dessa fase, que alias terminou recentemente aqui no Brasil. Fiz uma pequena pausa porque antes de terminar essa fase quis ler algumas coisas paralelas ao universo Aranha que ocorreu na Marvel nestes últimos anos. Por exemplo, li X-Men vs Vingadores e Era de Ultron. Dois arcos incrivelmente bacanas e que certamente irão valer um encadernado em capa dura na minha estante num futuro. É possível que venha a comentar estes arcos aqui no blog também, mas não hoje.

Retornando ao universo Aranha, durante a fase da Ilha-Aranha surgiram duas revistas na linha da Marvel que não se interligavam diretamente com a revista Amazing Spider Man mas que tinham aquela coisa de “opa, isso é meio que parte do universo aranha de forma indireta”. Uma foi a revista do Aranha Escarlate, que narra as histórias do Kaine, clone do Peter Parker que teve uma participação importante na Caçada Sombria (já comentada aqui) e também do desfecho da Ilha-Aranha. Após os eventos da mencionada saga, Kaine vai embora de Nova York com um dos uniformes hightech que o Peter andou criando na Horizon e assume esse novo manto Escarlate lá no Texas. Enfim, calma que eu vou falar mais do Kaine em outro momento, já que ainda tenho algumas edições dessa série para terminar.

Enquanto isso, há a segunda série que surgiu nesse tempo que está sendo discutido aqui: a revista solo do Venom (Vol 2 na cronologia Marvel) ou melhor do Agente Venom!

É meio estranho pensar no Venom e não imaginar aquele vilão clássico do Homem-Aranha que surgiu lá na década de 80 e que participou de grandes sagas publicadas aqui no Brasil nos anos 90. É difícil desassociar Eddie Brock do Venom alias. Porém para quem acompanhar os quadrinhos já deve saber que o Eddie já não é o Venom há anos! Tudo bem que ele assumiu outros simbioses, como o Anti-Venom e o Toxina, porém o simbiose mais icônico de todos os tempos da Marvel sempre será o do uniforme negro do Homem-Aranha e o que todos os fãs das antigas conhecem como Venom. O Carnificina talvez fique em segundo lugar, mas isso também é discussão para outro dia.

Voltando ao Venom, sem querer explicar toda a cronologia e contar como diabos Eddie Brock e o Venom se transformaram em coisas totalmente distintas, até para não lembrar a horrível fase na qual o Escorpião tinha o simbiose, basta saber que em determinado momento nos últimos anos exército americano se apossou do simbiose original e que numa tentativa de criar um novo supersoldado, criar esse projeto do Agente Venom, na qual militares controlariam o simbiose como um uniforme, e nada ia dando muito certo até que Flash Tompson acabou assumindo o manto e alcunha de Agente Venom.

E aí quem também não acompanha os quadrinhos e a linha de tempo desse meio se perde um pouco. Flash Tompson não era o valentão que fazia bullying no Peter nos tempos de colégio? Sim, é esse mesmo. O caso é que a fase adolescente do Peter Parker acabou séculos atrás (mesmo que eventualmente a Marvel goste de lembrar que ela existe por meio de releituras dessa fase). Todos os personagens clássicos que a gente vê no cinema nas adaptações e nos desenhos animados estão bem mais crescidos nos quadrinhos. Flash Tompson cresceu, e como ele era fá do Aranha, resolveu ser um cara que serviria a justiça e então ele entrou para o exército americano. Resumindo a carreira do Flash, em determinado momento ele foi para a Guerra, o que é muito comum a cultura americana e num acidente onde ele protegeu seus companheiros ele perdeu ambas as pernas! Chocante? Bem, eu quando fiquei sabendo disso anos atrás fiquei bem impressionado com isso e até hoje acho louvável que a Marvel numa tenha rebootado a história do Flash, mesmo em tempos onde até Harry Osborn voltou dos mortos e da Tia May já ter ficado aos pés da cova incontáveis vezes.

agent venom usa

Então agora que dei as peças do quebra-cabeça, resta apenas encaixar. Flash Tompson + soldado aposentado + projeto do governo com supersoldado + simbiose Venom sem hospedeiro = Agente Venom!

De inicio até parece meio ridículo isso. Uma coisa não tem nada a ver com outra, mas é aí que a coisa fica realmente interessante porque a combinação realmente deu certo, ao menos inicialmente. Flash Tompson teve um passado muito bem explorado nessa fase como Venom. Descobre-se que sua infância foi bem escrota por conta de um pai alcoólatra, o que explicava – mas não justifica – a conduta do Flash como valentão da escola, e do arrependimento posterior que ele passa a ter quando chega a fase adulta. E como Agente Venom, ele tem de volta as pernas perdidas, ao menos no tempo em que ele está usando o simbiose, o que inicialmente não é constante.

Sendo assim Flash tenta a todo momento se redimir de seus pecados no passado. Seja com sua carreira interrompida no exército ou pensando nos tempos de valentão do colégio ou até mesmo tentando se equiparar ao Homem Aranha e passando a perceber o quão difícil é ser um super herói, especialmente quando se está usando um traje de simbiose maligno como o de Venom.

flash venom

Essa revista Venom (Vol 2) durou 42 edições, sendo publicada lá fora entre 2011 até 2013. Depois disso ela foi cancelada e as aventuras do Venom migrou para outras revistas da casa, como os Thunderbolts e mais recentemente com os Guardiões da Galáxia (sim, os carinhas do filme). Estas fase ainda não cheguei a ler e nem sei se irei procurar ler, mas isso realmente não importa muito aqui.

Toda a construção deste novo Venom (ou Agente Venom) está nesta revista solo do Flash. Como ele se assumiu o manto, como os Vingadores o reconheceram como um super herói, como sua vida foi a desgraça por conta dessa responsabilidade e como ele tentou recomeçar tudo novamente. A revista termina com alguns ganchos desnecessários e até bobocas, mas certamente não é o fim do Venom sobre a responsabilidade do Flash.

Talvez uma das críticas mais chatas de se fazer é que numa revista chamada Venom há realmente muito pouco daquele Venom das originas. O vilão assassino, o maníaco e insano. O fato é que o Governo e posteriormente os Vingadores acabam criando uma droga que contém a consciência do simbiose, fazendo com que Flash esteja sempre no comando e direção do uniforme. Claro que esse recurso não é 100% seguro e há diversas vezes na qual o simbiose foge do controle e faz algo além do moralmente ético. Porém mesmo assim está longe de lembrar os bons tempos de vilania com Eddie Brock na direção.

Há um pequeno vislumbre bem no final da revista, quando Flash meio que numa sessão introspectiva consegue conversar com o a consciência do simbiose e ali algumas coisas são reveladas, mas o caso é que nesse ponto final da revista a história estava tão ruim, mas tão ruim que não dava mais para esperar qualquer coisa bacana para a frente.

E esse é outro negativo dessa fase do Agente Venom. Sua revista tem ótimos primeiros arcos, mostrando a criação do personagem, levando ele direto para a Ilha-Aranha, depois trabalhando com as primeiros missões do Flash e com ele ainda aprendendo a ser um super-herói e até mesmo a construção da base familiar, com um inimigo grande atacando sua família, seu pai vindo a falecer e seu relacionamento acabar de vez. Toda a fase dele em Nova York é fantástico. As coisas só começam a ficar cagado quando os roteiristas resolvem fazer a mesma coisa que estava ocorrendo com o Aranha Escarlate em sua revista: dar uma cidade para o Flash cuidar.

Nesse ponto muda tudo. A trama para de conversar com o universo do Homem-Aranha, entram novos personagens que não são carismáticos (enquanto os do Escarlate são) e o mais bizarro é que a revista começa a colocar elementos de magia no universo do Venom. Que porra é essa? Há um arco chamado Círculo de Quatro envolvendo o Hulk Vermelho, Motoqueiro Fantasma e X-23 (clone do Wolverine, só que mulher) que é simplesmente horrível. Nela descobre-se que o simbiose tem a marca do demônio e aí utiliza-se sagas mais a frente para trabalhar numa história onde Flash além de ter que lidar com o Venom dentro de si, há um outro demônio dentro dele e é tudo tão mal explicado e mal elaborado. É realmente triste. É um daqueles momentos que se você está pagando para ler a revista, tu para de comprar sem pensar duas vezes. Para piorar o último arco, que cancela a revista, trabalha com uma parceira mirim para o Venom que também recebeu um simbiose e vira uma Venom adolescente, chamada Mania. Não! Não! Nesse ponto fica tudo muito errado e ruim.

Venom_Vol_2_40

Enfim, essa saga do Flash como Venom e se tornando o Agente Venom não é de se jogar fora e se você não leu, vale a pena correr atrás do material e ler. Mas se possível para no momento em que o Flash deixa Nova York. Não queira saber como ele vai sair da fossa na qual ele se encontra quando toma essa decisão, porque os arcos posteriores vão trabalhar muito mal nisso. Basta saber que ele acaba melhorando um pouco.

Ah um último pitaco. A fase do Agente Venom começa justamente um pouco antes da Ilha-Aranha. E assim que ela acaba, rola um encontro do Aranha com o Venom, Peter contra Flash. É um encontro memorável, uma pena é que nenhum dos dois descobre a identidade um do outro. Depois disso a revista ensaia e brinca com “e se Peter descobrisse que o Flash se tornou o Agente Venom” uma ou duas vezes, mas isso não ocorre. Aí seguindo a linha do tempo, entra a fase Superior Aranha e o Peter Parker some e acaba a graça do potencial desse encontro. Que sacanagem!

Porém ainda espero que no futuro (ou em algum momento que ainda não li) o Peter possa ficar sabendo que Flash se tornou ou ainda é o Agente Venom. E o mais bizarro é que o Venom em determinado momento passa a integrar os Vingadores Secretos, e há uma cena na revista na qual o Capitão América indaga-se com outros vingadores se eles deveriam contar ao Peter a respeito do Agente Venom, só que o diálogo fica por isso mesmo. Talvez ele se desenrole em outra revista que ainda não pequei (sei que o Venom volta a aparecer mais para o fim da fase Superior). O caso é que não li em lugar algum que isso tenha acontecido. E é algo que gostaria de ter visto nessa fase que a revista solo estava desenvolvendo. Se rolou posteriormente, ficou jogada numa confusa cronologia do Venom pós-2013.

Agora fica a pergunta, será que o Agente Venom não seria interessante o suficiente para integrar o Universo Cinematográfico da Marvel? Não me parece algo sem pensar a brincadeira e colocar o personagem nas HQs atuais ao lado dos Guardiões da Galáxia. O caso é que é preciso trabalhar com dois personagens em dois mundos totalmente diferentes. Flash Tompson em Homem-Aranha e o simbiose como uma entidade alienígena, o que casa muito bem com os Guardiões. É de se imaginar…

Flash Tompson com um simbiose
Venom deixando de ser um vilão
Arcos de histórias em Nova York
Toda a baboseria envolvendo a marca do demônio
Arte das edições
Potencial do conceito do Agente Venom!

Começa bem, termina péssimo!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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